Golpista russa passa a perna na elite novaiorquina

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Por Courtney Tenz, na Deutsche Welle

A “herdeira alemã” Anna Delvey, de 28 anos, vivia uma vida dos sonhos para muitas mulheres nessa faixa etária, com longas hospedagens em hotéis de luxo de Nova York, festas com a elite nova-iorquina e viagens para estadias de férias no outro lado do Atlântico.

Nesta quinta-feira (09/05), ela foi condenada por um tribunal da cidade norte-americana a uma pena de 12 anos, que pode ser reduzida para quatro anos se houver bom comportamento, pelo crime de se fazer passar por alguém que ela não era e ter se apropriado, de forma indevida, de 275 mil dólares em serviços – uma vigarista, em suma.

Ela terá de devolver 200 mil dólares às suas vítimas e pagar uma multa de 24 mil dólares, determinou o tribunal. A juíza Diane Kiesel se declarou tão impressionada com as descrições feitas pelas vítimas que rejeitou o pedido para descontar na sentença o tempo já passado na prisão desde a detenção de Delvey, em outubro de 2017.

Durante o julgamento, Delvey chamou a atenção da imprensa dos EUA pelas roupas que vestia e por manter a pose mesmo já desmascarada e algemada num tribunal.

Em maio de 2018, depois de já ter sido desmascarada e presa, acusada de roubo, Delvey, que na verdade se chama Anna Sorokin, nasceu na Rússia e se mudou para a Alemanha com 16 anos, deu uma entrevista para a revista New York, que revelou a história da falsa herdeira que enganou a alta sociedade nova-iorquina.

Em Nova York, entre novembro de 2016 e agosto de 2017, Sorokin se apresentou como uma rica herdeira alemã e viveu uma vida de luxo às custas de outros. Ela obteve crédito junto a bancos, viajou de graça para outros países e viveu meses em hotéis de Manhattan sem pagar a conta.

Ela alugou um jatinho para viajar para Omaha para uma conferência anual do grupo Berkshire Hathaway para ver o presidente da empresa, o investidor Warren Buffet, passou uma semana num hotel de luxo em Marrakech e jantou em restaurantes nobres com celebridades norte-americanas, como o ator Macaulay Culkin.

Toda essa vida era documentada na rede social Instagram, onde Sorokin tinha uma conta. Sorokin contava a história de que era uma herdeira vinda de uma pequena cidade alemã perto de Colônia e esperava assumir seu fundo fiduciário quando chegasse aos 25 anos para aí abrir um espaço cultural na cidade.

O sonho dela era abrir um centro de artes plásticas na Church Missions House, um prédio histórico na esquina da Park Avenue com a East 22nd Street. Um designer gráfico londrino estava encarregado do logotipo do centro, que já tinha nome: Anna Delvey Foundation.

Esse centro de artes plásticas nunca virou realidade. Toda a vida de Anna Delvey era uma fraude. Quando foi presa, em outubro de 2017, ela já tinha um histórico de contas não pagas e pessoas perplexas com o seu comportamento.

Na reportagem da revista New York, a jornalista que a assina falou não apenas com Sorokin, mas também com as pessoas que a conheceram como socialite. Ela apresenta uma sociedade onde é fácil conseguir dinheiro e amigos. “Resiliência é difícil de encontrar. Mas não dinheiro“, diz Sorokin.

O dinheiro que Sorokin gastava não era dela. O pai dela, um ex-caminhoneiro russo que hoje tem uma empresa em Eschweiler, na Alemanha, disse à New York que não existe nenhum fundo fiduciário.

Uma das pessoas enganadas por Sorokin é a jornalista Rachel Deloache Williams, uma editora de fotografia na revista Vanity Fair. Ela escreveu, nessa revista, sobre a sua experiência de ter ficado com a conta de 62 mil dólares de uma estada de uma semana num hotel de luxo no Marrocos.

Buscar o reembolso por Anna virou o meu trabalho integral. O stress me tirava o sono e enchia os meus dias. Meus colegas de trabalho me viam perder o controle. Eu aparecia na redação pálida e acabada“, escreveu Williams.

Ela conseguiu recuperar o dinheiro por outros meios. Em julho de 2019, Williams vai publicar sua versão da história num livro intitulado Minha amiga Anna. Ela obteve 300 mil dólares pelos direitos do livro e ainda vendeu a história para a HBO por mais 35 mil dólares.

Outro que contou o que viveu foi o colecionador de arte Michael Xufu Huang, com quem Sorokin foi à Bienal de Veneza. Ele contou à New York que achou estranho quando ela lhe pediu para pagar as passagens aéreas no seu cartão de crédito e depois “esqueceu” de lhe pagar os cerca de 3 mil dólares. Ele disse que entendeu o que estava acontecendo quando, tempos depois, um restaurante de luxo lhe telefonou em busca do contato de Sorokin, que não havia pagado um jantar com amigos.

Os direitos da reportagem publicada pela New York foram comprados pela Netflix e pela produtora Shondaland, o que indica que a luxuosa vida de falsária de Anna Delvey deverá ser filmada em breve.

Ex-técnico do Remo morre em Minas e clube emite nota de pesar

Uma notícia triste para os amantes do futebol. Morreu neste sábado (18) o experiente técnico Ney da Matta, de 52 anos. Natural da cidade de Ipatinga-MG, na região do Vale do Aço, o treinador teve passagem por vários clubes brasileiros, entre os quais o Remo.

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Ney da Matta estava internado no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, devido uma pancreatite, que pode começar subitamente e durar dias ou pode ocorrer ao longo de muitos anos. Ela (pancreatite) tem várias causas, incluindo cálculos biliares. Os sintomas incluem dor na parte superior do abdômen, náuseas e vômitos.
O treinador levou muitos clubes ao acesso em competições nacionais. Ney da Matta foi campeão da Taça Minas Gerais pelo Ipatinga FC na temporada 2011, além de ter sido campeão do Campeonato Mineiro do Interior pelo Boa Esporte (2014) e Brasileiro da Série-C (2016) também pelo clube de Varginha.

Os clubes dirigidos por Ney da Matta:
Tupi-MG
Unibol-DF
Valeriodoce-MG
Ipatinga-MG
Democrata de Sete Lagoas-MG
Uberlândia-MG
CRB-AL
SEV Hortolândia-SP
Sampaio Corrêa-MA
Brasil de Pelotas-RS
Grêmio Inhumense-GO
Unaí-DF
Linense-SP
Guará-DF
CRAC-GO
Brasiliense-DF
Vila Nova-GO
Araxá-MG
Anápolis-GO
Boa Esporte-MG
Tricordiano-MG
Tombense-MG
Guarani-SP
Campinense-PB
CSA-AL
Clube do Remo

NOTA OFICIAL DO REMO

“O Clube do Remo lamenta o falecimento do seu ex treinador Ney da Mata, ele estava internado desde o início da semana em Ipatinga – MG com quadro de pancreatite e faleceu neste sábado (18). Ney comandou o Leão em 10 jogos, na temporada 2018.

Neste momento de grande pesar, a diretoria azulina deseja conforto e força e se solidariza com amigos e familiares.”

Robôs erram hashtag e “Boldonaro Nosso Presidente” vira piada nas redes

Bolsonaro perdeu hoje mais um conflito de hashtags, após #ImpeachmentBolsonaro continuar há quatro dias entre os assuntos mais comentados do Twitter.

Não obstante, os robôs (seguidores fake) usados para elevar a moral do presidente nas redes acabaram cometendo um erro na configuração no nome de Jair Bolsonaro e utilizando #BoldonaroNossopresidente…

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A internet não perdoou.

A ameaça de Bolsonaro

Editorial do jornal O Estado de S. Paulo:

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“O presidente Jair Bolsonaro considera impossível governar o Brasil respeitando as instituições democráticas, especialmente o Congresso. Em sua visão, essas instituições estão tomadas por corporações – que ele não tem brio para nomear – que inviabilizam a administração pública, situação que abre caminho para uma “ruptura institucional irreversível” – conforme afirma em texto que fez circular por WhatsApp ontem, corroborando-o integralmente, como se ele próprio o tivesse escrito.

Ao compartilhar o texto, qualificando-o de “leitura obrigatória” para “quem se preocupa em se antecipar aos fatos”, Bolsonaro expressou de maneira clara que, sendo incapaz de garantir a governabilidade pela via democrática – por meio de articulação política com o Congresso legitimamente eleito –, considera natural e até inevitável a ocorrência de uma “ruptura”.

Não é de hoje que o presidente se mostra inclinado a soluções autoritárias. Depois da posse, Bolsonaro mais de uma vez manifestou desconforto com a necessidade de lançar-se a negociações políticas para fazer avançar a agenda governista no Congresso. Confundindo deliberadamente o diálogo com deputados e senadores com corrupção, o presidente na verdade preparava terreno para desqualificar os políticos e a própria política – atitude nada surpreendente para quem passou quase três décadas como parlamentar medíocre a ofender adversários e a louvar a ditadura militar. Não por acaso, o próprio Congresso parece ter desistido de esperar que Bolsonaro se esforce para dialogar e resolveu tocar por conta própria a agenda de reformas.

Desde sua posse como presidente, Bolsonaro vem demonstrando um chocante despreparo para o exercício do cargo, mas o problema podia ser contornado com a escolha de ministros competentes. Com exceção de um punhado de assessores que realmente parecem saber o que fazem, porém, o governo está apinhado de sabujos cuja única função ali parece ser a de confirmar os devaneios do presidente, dos filhos deste e de um ex-astrólogo que serve a todos eles de guru, dando a fantasias conspiratórias ares de realidade.

O texto que Bolsonaro divulgou – recomendando que fosse passado adiante – diz que “bastaram cinco meses de um governo atípico, ‘sem jeito’ com o Congresso e de comunicação amadora para nos mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores”. Segundo o texto, o presidente “não aprovou nada, só tentou e fracassou” porque “a agenda de Bolsonaro não é do interesse de praticamente nenhuma corporação”. Nas atuais circunstâncias, “a continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo Bolsonaro na marra” – e, “na hipótese mais provável”, diz o texto, “o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações”. Mas diz também que é “claramente possível” que o País fique “ingovernável”, igualando-se à Venezuela. Aí entraria a tal “ruptura institucional” de que fala o texto chancelado por Bolsonaro – que o usou para ilustrar o risco que diz correr de ser assassinado pelo “sistema”.

Isso é claramente uma ameaça à Nação. Conforme se considere o estado psicológico de Bolsonaro e de seus filhos, a ameaça pode ser o tsunami de uma renúncia ou o tsunami de um golpe de Estado em preparação. Pois o presidente não apenas distribuiu o texto, como mandou seu porta-voz dizer que, embora esteja “colocando todo o meu esforço para governar o Brasil”, a “mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas”. Em seguida, fez um apelo às ruas: “Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação” – e já no próximo dia 26 está prevista a realização de uma manifestação bolsonarista, contra ministros do Supremo Tribunal Federal e a favor do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro.

Ao “contar com a sociedade” para enfrentar o “sistema”, Bolsonaro repete o roteiro de outros governantes que, despreparados para a vida democrática – em que a vontade do presidente é limitada por freios e contrapesos institucionais –, flertaram com golpes em nome da “salvação” nacional. Se tudo isso não passar de mais um devaneio, já será bastante ruim para um país que mergulha cada vez mais na crise, que tem seu fulcro não nas misteriosas “corporações” – as suas “forças ocultas” –, mas na incapacidade do presidente de governar”.