Leão precisa reinventar ataque

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POR GERSON NOGUEIRA

A baixa produtividade do ataque é o maior problema do Remo nesta Série C, situação confirmada no empate em 0 a 0 com o Ypiranga, na segunda-feira (20). Era a chance de o time alcançar pela primeira vez a liderança de seu grupo na etapa classificatória da competição. Uma vitória simples faria o time saltar da terceira colocação para a ponta da tabela.

Mesmo com amplo espaço para desenvolver seu plano de jogo, o Remo se atrapalhou no processo de criação e não exerceu um cerco efetivo em torno da área. Até melhorou no segundo tempo, mas sem aprofundar jogadas e forçar erros da defesa do Ypiranga.

Num sintoma da dificuldade de organização ofensiva do Remo, as melhores situações foram em lances de iniciativa individual, como no arremate de Carlos Alberto logo a um minuto de jogo e quase aos 40 minutos da primeira etapa.

No 2º tempo, aos 12 minutos, um chute longo de Douglas Packer quase resultou em gol logo no reinício. A bola estourou no poste esquerdo, contando com um leve desvio do goleiro. Depois, Carlos Alberto arriscou chute forte e rasteiro de fora da área, Deivitiy espalmou, mas não havia ninguém colocado para aproveitar o rebote.

Alex Sandro e Ramires também estiveram a pique de marcar. Alex cabeceou no canto esquerdo, mas o goleiro mandou a escanteio. A jogada que contou com a participação de mais jogadores foi a que quase levou em gol de Ramires, já na reta final da partida. Ele recebeu na intermediária, tabelou com Carlos Alberto, mas a bola saiu rente à trave.

Ainda houve o escanteio que Jansen escorou de cabeça, aos 30 minutos, para defesa espetacular do goleiro, que já havia feito algumas façanhas em finalizações de Douglas, Alex Sandro e Ramires.

Nem mesmo a costumeira alegação de que o time atuou bem e “só faltou a bola entrar” serve de consolo em relação ao empate. O Remo atuou razoavelmente – nem podia jogar tão mal visto que o Ypiranga se limitou à defesa –, mas muito abaixo do que o jogo exigia. Em nenhum momento, o time conseguiu transformar a posse de bola em algo útil.

Chamou atenção a discreta presença do centroavante Emerson Carioca nas ações dentro da área. Ele apareceu mais no esforço de marcação no meio e em algumas tentativas de tabelar com Carlos Alberto e Douglas, completamente fora de suas atribuições e qualidades.

Na prática, um centroavante baixo e pouco habilidoso no jogo rasteiro tem pequena margem de chances no futebol atual. Pode até fazer um gol aqui, outro ali, mas terá sempre imensas dificuldades para se impor. Márcio Fernandes certamente sabe disso, mas prefere insistir com Emerson.

Há uma alternativa, menos óbvia, que requer mais treinamento e a participação efetiva de todos os setores do time. Implica na utilização de Alex Sandro como atacante mais avançado, ao lado de Carlos Alberto, à frente de uma linha de meio-campistas – Yuri, Ramires, Garré (Djalma) e Douglas – que cuidaria da compactação do jogo.

O time jogaria sem referência na área, o que na prática já não existe hoje. A vantagem é que haveria aproximação mais aguda e qualificada, com o envolvimento dos laterais e a eventual utilização de um atacante de lado (Danillo Bala ou Tiarinha).

Como a competição ainda está começando, seria possível executar a mudança de perfil, até porque os jogadores já se conhecem. Na Série C 2018, carente de um centroavante de ofício, o técnico Artur Oliveira optou por um sistema parecido, depois aperfeiçoado por João Neto. O resultado, como se sabe, foi altamente satisfatório.

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F1 se despede de outro gigante das pistas

A morte do tricampeão Niki Lauda faz com que a gente de imediato volte a pensar na dimensão da era de ouro da Fórmula 1, quando grandes pilotos eram indiscutivelmente talentosos, verdadeiros ases das pistas, que impressionavam pela técnica e o conhecimento das máquinas.

O austríaco, sobrevivente de um dos acidentes mais pavorosos da história da categoria, reapareceu semanas depois às pistas pilotando uma Ferrari. Luca di Montezemolo, em entrevista ontem, recordou o episódio e contou um fato impressionante sobre aquela volta às corridas.

Lauda, nos boxes da Ferrari, colocava a máscara de proteção quando um filete de sangue escorreu pelo rosto, para espanto de mecânicos e do próprio Montezemolo, presidente da escuderia naquela época. Os cortes e queimaduras do acidente ainda não estavam cicatrizados.

Coragem tinha nome naqueles tempos gloriosos: Niki Lauda. Ganhou três títulos mundiais, como Piquet e Senna, passando à história como um dos mais rápidos e competentes pilotos de todos os tempos.

Acima de tudo, Lauda transparecia uma nobreza nas atitudes e palavras, razão do respeito que todos os pilotos daquele tempo e até os atuais sempre lhe devotaram. Colecionou amigos, passou longe de intrigas, só gostava mesmo de velocidade.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 22)

Chico Buarque ganha o Prêmio Camões

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O compositor, poeta e romancista Chico Buarque foi homenageado nesta terça-feira (21/05) como o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. Essa é a primeira vez que um músico é agraciado com o troféu, que é um reconhecimento pela obra completa do autor.

Um dos maiores nomes da MPB, Chico foi eleito por unanimidade pelo júri composto pelos portugueses Clara Rowland e Manuel Frias Martins, pelos brasileiros Antonio Cícero Correia Lima e Antônio Carlos Hohlfeldt, pela angolana Ana Paula Tavares e pelo moçambicano Nataniel Ngomane.

O júri destacou o “caráter multifacetado” do trabalho de Chico, além de afirmar que a escolha ocorreu tanto pela qualidade da obra do compositor quanto por sua “contribuição para a formação cultural de diferentes gerações” em vários países de língua portuguesa. “Seu trabalho atravessou fronteiras e mantém-se como uma referência fundamental da cultura do mundo contemporâneo”, ressaltou em nota.

O peso literário das composições de Chico também foi destacado. “Evidente que esse prêmio é um reconhecimento pela poesia dele nas letras de música, que também são literárias, não só pelos livros. São poemas. Grandes poemas. A música ‘Construção’, por exemplo, é um poema até raro de se fazer”, afirmou o escritor Antonio Cicero, ao jornal Folha de S.Paulo.

Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro. Começou sua carreira musical na década de 1960 e se tornou um dos maiores compositores brasileiros. Em 1967, escreveu sua primeira peça de teatro, “Roda Viva”. Em 1991, publicou seu primeiro romance, “Estorvo”.

O sucesso como escritor lhe rendeu dois prêmios Jabuti, a premiação literária mais importante do Brasil, de melhor livro do ano, por “Budapeste”, em 2006, e “Leite Derramado”, em 2010. Já “Estorvo” ganhou na categoria melhor romance.  Seu último livro, “O Irmão Alemão”, foi publicado em 2014.

O Prêmio Camões foi criado em 1988 pelo Brasil e por Portugal, com o objetivo de distinguir um autor “cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do patrimônio literário e cultural da língua comum”. Ao longo de sua história, a distinção já homenageou 13 escritores brasileiros.

O brasileiro agraciado mais recentemente foi Raduan Nassar, em 2016. No ano passado, o cabo-verdiano Germano Almeida, autor de “A ilha fantástica” e “Os dois irmãos”, foi o vencedor do prêmio. Ao ganhar o prêmio, Chico receberá também 100 mil euros. (Da DW)

Menos pior com Bolsonaro?

Por Afonso Medeiros

O título deste, sem a interrogação, repete o título de um texto do Prof. Alex Fiúza de Mello que, segundo o próprio, foi publicado à sua revelia, com alguns termos e a ordem dos parágrafos adulterados.
Para quem não conhece, o Prof. Alex, sociólogo de formação com uma bela tese sobre “Marx e a globalização do capitalismo” (orientada por Octavio Ianni, Unicamp), foi reitor da UFPA de 2001 a 2009 (Lula/PT) e Secretário Estadual de Ciência e Tecnologia (Jatene/PSDB), além de ter sido membro de importantes conselhos federais e estaduais de educação e ciência, CNE entre eles.
Antes de comentar o texto do Prof. Alex, preciso dizer que fui coordenador do Nuar e diretor do ICA durante sua gestão na Reitoria e que o conheço desde a adolescência, o que fez com que eu fosse chamado por blogueiros ávidos de 15 segundos de fama de “o queridinho do Alex”. Por isso, sei bem o quanto a independência intelectual lhe é cara – coisa que seu currículo bem o comprova. De resto, sua gestão na UFPA goza a admiração de muitos colegas que a ele se juntaram (eu inclusive) na luta por uma universidade pública de qualidade e menos excludente. São esses os motivos que fazem com que muitos de nós tenhamos experimentado profundo incômodo com o texto (e o tom do mesmo) do Prof. Alex.
O referido texto comenta algumas características das personalidades pública e privada do atual presidente da República, comparando-as aos dos últimos cinco eleitos para tal cargo e, de entremeio, aponta os conluios e as negociatas de bastidores que fazem com que tenhamos um Estado, mas não tenhamos uma República. Ao mesmo tempo, ataca os analistas políticos que não percebem “iniciativas e esforços exemplares do atual Governo”, embora acrescente que “Jair Bolsonaro, por certo, não é o tipo ideal e sonhado de liderança. […] Mas tem sido, até aqui, apesar de suas infindáveis e caricatas trapalhadas (ou justo por isso), mais transparente que seus antecessores e, paradoxalmente, na contramão das acusações que lhe dirigem, uma oportunidade curiosamente positiva (ainda que contraditória) para alguns avanços democráticos”.
Além do mais, refere-se às figuras “ilusionistas” da Nova República nos seguintes termos: “os que enganam pelas palavras e pela boa aparência; pela imagem distorcida do egocentrismo arrogante e côncavo; pela farsa do messianismo fraudulento; pela máscara do falso vanguardismo feminista”. Pois bem. O que pretendo contra-argumentar aqui é esse diapasão de simpatia (ainda que relutante) por Bolsonaro, que inegavelmente o coloca como “menos pior” que as figuras “ilusionistas” da Nova República. Comme d’habitude, o farei em tom de missiva pública.

Meu caro Alex,
Me permita este exercício público de direito ao contraditório referente ao texto de tua autoria que, à tua revelia (segundo me disseste), foi publicado num blog ontem. Mas aprendi contigo que as palavras de um ente público, quando em cargo diretivo, carregam consigo o peso do próprio cargo e, assim, têm um efeito sociopolítico muito mais atômico que uma simples querela em mesas de bares de esquinas, reais ou virtuais.
Creio que tens alguma razão quando exercitas uma tipologia dos “ilusionistas” da Nova República (conforme citado anteriormente) e embora não digas em que Bolsonaro se diferencia dessa tipologia – ao contrário, induzes ao fato de que o Presidente não é novo em meio a esses tipos –, elencas pelo menos cinco características que diferenciariam Bolsonaro dos enganadores verbais, dos egocêntricos, dos messianistas e dos falsos vanguardistas.
Vamos aos fatos:
Por mais que Bolsonaro seja transparente em sua fala e que, assim, possa ser monitorado e criticado pela sociedade civil, erras ao achar que tal fala possa ser “controlada”. Em 28 anos de descontrole verbal, qual controle social foi efetivamente praticado? Uma ou outra multa por causa de sua misoginia, de seu racismo e de sua homofobia endêmicas? Ah, sim, melhor isso que a “representação da farsa” – é o que dizes. Mas bem sabes (porque já sentiste na pele) o que a injúria é capaz de fazer, principalmente quando na boca de um gerente da Nação.
Podes avaliar o efeito atômico quando um presidente chama professores e alunos de “idiotas úteis”? Quando um membro do Congresso achincalha mulheres, pretos e homossexuais? Podes mesmo afirmar em sã consciência, meu caro Alex, que um homem desses é “menos pior”? Por mais que digas que o presidente – diferentemente de seus predecessores – não sofre de “complexo de superioridade, de egocentrismo arrogante ou de patologia messiânica”, queria te perguntar: O que significam exatamente coisas do tipo: “Não te estupro porque és feia”? Ou “prefiro um filho ladrão (ou morto) do que um filho gay”? Ou “A mulher tem que ganhar menos porque engravida”? Ou “Sabes que sou a favor da tortura”? Ou “Deus me escolheu para este cargo”? Ou “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”? Ou “combati o kit gay” (que nunca existiu)? – para ficarmos nos exemplos mais notórios.

Não vês aí um complexo de superioridade machista? Ou de um messianismo no sentido mais literal do termo? Ou de um egocentrismo arrogante que quer imputar ao conjunto da sociedade sua visão (falso) moralista e (falso) religiosa de mundo? Ah, sim, são “meras palavras” (como dizem seus acólitos), mas não vês nessas declarações  exaustivamente reiteradas uma afronta à nossa Carta Magna e aos Direitos à Dignidade Humana? Ou vais me dizer que isso é um “pecado menor” para a sanidade da res publica?
O fato de Bolsonaro deixar nas mãos de Guedes, de Weintraub, de Araújo, de Onyx e dos militares (todos citados direta ou indiretamente por ti) não “contradiz (e lhe abstém de) qualquer imputação de fascismo, autoritarismo ou totalitarismo”, como afirmas. Bem sabes que todos estão alinhados com o pensamento do presidente (pelo menos, é o que o mesmo diz) e, não menos importante, todos sabemos que nazismos, fascismos, stalinismos e todas as formas de autoritarismo não necessariamente são exercidas de forma centralizada. Ao contrário, sabem muito bem como terceirizar o ódio e o genocídio.
Onde viste esse fenômeno de que “as nomeações de natureza técnica […] têm proporcionado mais eficiência e ética na gestão do Estado”? Na oferta de 40 milhões para cada deputado e senador que votar a favor da reforma da Previdência? Essa “oferta” não é tão antiética e imoral quanto mensalões e petrolões? No decreto que anistia os partidos que não cumpriram a legislação eleitoral? Na proximidade do núcleo central do governo de tantos acusados de corrupção? Estes fatos não são também negociatas e conluios dos 3 poderes entre si e destes com outros poderes econômicos e midiáticos?
Enfim, alguma diferença – mínima que seja – em relação ao fisiologismo que tanto execramos? Da mesma maneira, o fato de o presidente estar cumprindo o que prometeu em sua campanha eleitoral, não o torna menos “farsante” ou “dissimulado” que seus predecessores. E não o torna menos farsante ou dissimulado porque suas promessas – como bem sabes – são soluções ingênuas (e aventureiras, para dizer o mínimo) para problemas estruturais imensos, ou seja, suas “soluções” são em si mesmas farsas monumentais para coisas que não são contornadas num passe de mágica sofista – lembras dos “fiscais do Sarney”? E, NÃO, meu caro amigo, o fato de Bolsonaro ser (aos teus olhos) simplório, “humilde” e “bem intencionado” não significa que seja um “enorme avanço”. Como bem sabemos, o inferno está cheio de boas intenções e “pecados” são cometidos “em pensamentos, palavras, atos e omissões”, não é mesmo?
Por tudo isso, meu caro Alex, não posso compactuar com a tua simpatia claudicante pelo Bolsonaro, mesmo crendo que tua intenção talvez tenha sido contrabalançar certo barroquismo intelectual igualmente risível.
Embora apontes as fraquezas do capitão que age como se o país fosse seu quartel, sem deixar de colocar em relevo algumas das virtudes que ele supostamente ostenta, não fizeste o mesmo em relação a seus predecessores – o que evidenciaria teu apartidarismo e tua independência intelectual. Como excelente pesquisador que és, bem sabes que não podemos sair por aí repetindo a doxa que não se sustenta
diante de um olhar mais percuciente. Citar somente as possíveis virtudes de uns contrapondo-as aos conhecidos vícios de outros, não me parece uma atitude suficientemente apartidária e crítica. Afinal de contas, já estamos todos bem crescidinhos para percebermos que o atual paladino da (falsa)
moralidade e da ética não difere em nada do “isso tudo que está aí”, dado que tem passado toda a sua vida pública nos conluios, negociatas e corrupções que ele agora condena e que, com o teu aval intelectual, mesmo que parcial – é bom que se diga! – ele tenta dissimular.
No mais, lembrando que sempre nos dizias (quando Reitor) que “a Universidade não sabe cacarejar seus ovos”, todos nós ficamos bastante ressabiados com a circulação do teu texto justamente num momento em que a educação, a ciência, a arte, a história, a filosofia e o conhecimento em geral têm sido atacados numa ferocidade sem precedentes em tempos de “Velha Nova República”.
A Academia, como sabemos, não é a oitava maravilha do mundo em nenhum dos quadrantes deste mundo. Mas é duro ouvir os aplausos de um acadêmico, mesmo que tímidos, a alguém que a trata como Geni.

Sem jamais esquecer o “bom combate” que travamos juntos, receba o meu cordial abraço.

Afonso Medeiros
Santa Maria de Belém do Grão-Pará, 20 de maio de 2019.

Represa de cantor sertanejo é esvaziada por risco de rompimento

A barragem que corre risco de romper na fazenda do cantor Gusttavo Lima foi vistoriada mais uma vez nesta segunda-feira (20), em Bela Vista de Goiás. Representantes do Ministério Público, Bombeiros e da Polícia Civil estiveram na represa que ameaça a GO-020 e seis casas próximas.

Segundo o delegado Luziano de Carvalho, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), foi dado o prazo de três dias para que a represa seja esvaziada. No entanto, segundo ele, não será necessário, inicialmente, secar todo o local.

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À TV Anhanguera, a assessoria de Gusttavo Lima disse, nesta tarde, que ainda não foi notificada sobre o prazo para o esvaziamento da represa. Pela manhã, a NR Empreendimentos, empresa do cantor sertanejo, disse que em 2017 pediu a licença da represa e que até hoje faz obras para cumprir o que determina a lei e para evitar o rompimento da barragem.

No comunicado, consta ainda que todo o trabalho segue orientação da Secretaria de Meio Ambiente, Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. O G1 também pediu um posicionamento à assessoria sobre o resultado da vistoria e aguarda o retorno. Em nota enviada no domingo, a empresa do cantor já informava sobre o início do esvaziamento da represa.

Helder: “Não há solução mágica para a segurança”

Ministro da Pesca fala sobre projetos em comissão da Câmara

O governador Helder Barbalho explicou os motivos que fizeram com que assinasse a carta dos governadores contra o decreto de armas do presidente Jair Bolsonaro.

“A nota que assinamos em conjunto é bastante clara sobre as razões pelas quais não acreditamos que a flexibilização da venda de armas melhore nossa segurança. Se a presença de armas entre civis significasse segurança, o Pará seria, há muitos anos, um dos dez Estados mais seguros do país – já que estamos entres os dez mais armados.
No entanto, depois de décadas de abandono, ainda sofremos com situações como as enfrentadas nas últimas semanas. Não há solução mágica para a segurança. Nosso caminho é difícil, mas acreditamos em nosso projeto: numa mão a força do Estado; na outra mão desenvolvimento social e econômico – com cultura, esporte, educação e oportunidades. Seguiremos firmes neste caminho. É nisto que acreditamos.”

Berger coloca Hamilton no mesmo nível de Senna

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Gerhard Berger disse que Lewis Hamilton agora pertence à mesma categoria de Ayrton Senna. Berger, companheiro de equipe de Senna na McLaren no início dos anos 90, sempre disse que o brasileiro estava em uma categoria à parte, quando se tratava de classificar os melhores pilotos da história da Fórmula 1.

Mas agora ele sente que o cinco vezes campeão mundial, Hamilton, pertence à mesma categoria. “Todo mundo me pergunta: ‘Como você vê esse ou aquele piloto contra o Ayrton? E eu sempre, em todos os anos, digo, não vejo ninguém perto do Ayrton’,” disse Berger à Reuters.

“Mas Lewis é agora, o primeiro piloto que coloquei no mesmo nível de Ayrton”.

Decidir qual piloto é o maior de todos os tempos é um tópico muito discutido, e enquanto Senna tinha três títulos de Campeonato Mundial em comparação com os cinco de Hamilton, que por sua vez, está dois atrás de Michael Schumacher, Berger acha que há muito mais, do que comparar a quantidade de títulos e troféus.

“Eu vou mais sentindo e assistindo, houve grandes campeões como Nelson Piquet, como Niki Lauda, como Alain Prost, como Michael Schumacher, mas sempre houve um acima: Ayrton”, acrescentou. “E agora Lewis, eu vejo na mesma categoria”, completou Berger.

Governadores assinam carta contra decreto de Bolsonaro sobre armas

Do UOL

Catorze dos 27 governadores do país assinaram uma carta em que pedem a revogação do decreto das armas do presidente Jair Bolsonaro (PSL). No texto, divulgado hoje, eles pedem que os “poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União atuem tanto para sua imediata revogação como para o avanço de uma efetiva política responsável de armas e munição no país”. O decreto, assinado por Bolsonaro no início do mês, amplia a quantidade de categorias e pessoas que têm direito a porte de armas no Brasil.

O manifesto é assinado pelos governadores dos nove estados do Nordeste e pelos administradores do Distrito Federal, do Amapá, do Tocantins, do Pará e do Espírito Santo. A carta será enviada ao Planalto, segundo assessorias de alguns dos governadores.

Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão

Wellington Dias (PT), governador do Piauí

Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco

Camilo Santana (PT), governador do Ceará

João Azevedo (PSB), governador da Paraíba

Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo

Rui Costa (PT), governador da Bahia

Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte

Renan Filho (MDB), governador de Alagoas

Belivaldo Chagas (MDB), governador de Sergipe

Waldez Góes (PDT), governador do Amapá

Mauro Carlesse (PHS), governador do Tocantins

Helder Barbalho (MDB), governador do Pará

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LIBERAÇÃO DE FUZIS BENEFICIA TAURUS E MILÍCIAS

As ações da Taurus dispararam na manhã desta terça-feira, depois que se tornou púbico que o decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 7 de maio sobre o porte de armas tem um alcance muito maior do que o divulgado inicialmente.

A Taurus, fabricante do fuzil T4, já tem uma lista de duas mil pessoas que encomendaram o armamento, que até então era considerado restrito para uso das forças armadas e das polícias militares.

Por volta das 10h30 de hoje, as ações subiam 10,54%. No Twitter, a Taurus se tornou um dos assuntos mais populares, com 50 mil menções.

Embora o Palácio do Planalto tenha negado que o decreto permita a compra dessas armas por qualquer pessoa, o mercado não acreditou. E nem deveria.

Quando já estava em campanha para presidente, em 2017, Bolsonaro compareceu a uma feira de armas, fez propaganda desse mesmo fuzil  e prometeu liberaria sua compra.

Em vídeo que circula pela internet, o então deputado segura um arma e diz, se dirigindo à câmera:

“A Taurus tá lançando aqui um fuzil…”.

O representante da empresa completa:”…o nosso T4”.

E Bolsonaro, sorridente, reforça: ”…o nosso T4”.

O agora presidente pega da mesa uma pistola e afirma:

“É o que eu sempre digo, se eu chegar lá, você, cidadão de bem, no primeiro momento, vai ter isso em casa. E você, produtor rural, no que depender de mim, vai ter isso aqui também (ergue o fuzil)… cartão de visita pra invasor tem que ser cartucho 762”.

No arremate, informa:”Porque mais importante que a tua vida é a sua liberdade. Povo armado jamais será escravizado. Parabéns à Taurus”.

Bolsonaro poderia dizer também “muito obrigado, Taurus”.

Em novembro de 2017, quando ele já viajava pelo Brasil em pré-campanha, o repórter Eduardo Reina fez um levantamento sobre quem estava bancando esses deslocamentos.

reportagem, publicada no DCM, informou que, de 33 viagens do pré-candidato, dezesseis tinham sido patrocinadas por empresas ligadas a fabricantes de armas. Uma das empresas que bancou  as viagens do parlamentar foi a Taurus.

Ao permitir a compra de fuzis por qualquer pessoa, Bolsonaro também dá a milicianos a oportunidade de contar com armamento pesado de maneira legal.

Armas ilegais, as milícias já têm. O homem apontado como assassino de Marielle Franco, Ronnie Lessa, que é vizinho de Jair Bolsonaro e miliciano, tinha na casa de um comparsa 117 partes de um fuzis M-116, fabricados nos Estados Unidos para uso das forças armadas.

Com o decreto de Bolsonaro sobre porte de armas, dois setores ligados a ele são beneficiados: a indústria das armas, especialmente a Taurus, e também a indústria da morte, representada pelas milícias.

Bolsonaro ainda vai incendiar o Brasil.