Parazão 2021: Papão empata na estreia; Castanhal foi melhor

No jogo de estreia do Parazão 2021, o PSC empatou com o Castanhal na manhã deste domingo (28), no estádio da Curuzu. O placar ficou em 1 a 1. Nicolas abriu o placar aos 24 minutos do 2º tempo e Canga (de cabeça) empatou dois minutos depois. O Castanhal foi superior em grande parte do jogo, criou mais oportunidades de gol, mas errou muito nas finalizações. O time do Papão ainda está em formação e sentiu os efeitos do desentrosamento.

No final, o técnico Itamar Schülle voltou a pedir paciência ao torcedor e viu aspectos positivos no empate, levando em conta o pouco tempo de preparação. Já Artur Oliveira, do Castanhal, lamentou as chances desperdiçadas pelo Japiim e destacou o fato de sua equipe ter feito o PSC “sofrer até o fim” jogando dentro de sua casa. Reclamou também de penal não marcado pelo árbitro Dewson Freitas – aos 38 minutos, o zagueiro Denilson deu um pisão no pé do atacante Alexandre dentro da área.

Nas entrelinhas: a tragédia do negacionismo

Por Luiz Carlos Azedo, no Correio Braziliense

Bolsonaro é paranoico, vê conspiração em tudo. Acredita que os defensores do lockdown querem desestabilizar seu governo e aprovar o seu impeachment

O presidente Jair Bolsonaro bateu no teto do negacionismo quando atacou governadores e prefeitos que adotaram medidas de lockdown. Em Fortaleza, durante evento que causou aglomeração e ao qual compareceu sem máscara, na sexta-feira, disse: “Agora, o que o povo mais pede, e eu tenho visto, em especial no Ceará, é trabalhar. Essa politicalha do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’, não deu certo e não vai dar certo”. Aproveitou para ameaçar os governadores que não seguirem a sua cartilha: “O auxílio emergencial vem por mais alguns meses e, daqui para a frente, o governador que fechar seu estado, o governador que destrói emprego, ele é quem deve bancar o auxílio emergencial”.

Mirou, sobretudo, o governador cearense Camilo Santana (PT), que havia endurecido as medidas de distanciamento social. Fortaleza está com uma taxa de ocupação de leitos de UTI de 94%, sendo uma das capitais em risco de colapso do Sistema Único de Saúde (SUS). As demais são: Porto Velho (RO), 100%; Florianópolis (SC), 96,2%; Manaus (AM), 94,6%; Goiânia (GO), 94,4%; Teresina (PI), 93%; e Curitiba (PR), 90,0%. O país já contabilizou 10,4 milhões de casos e 252 mil óbitos por covid-19 desde o início da pandemia. Na véspera das declarações, Bolsonaro havia questionado o uso de máscaras, enquanto o país batia o recorde de mortos num único dia: 1.582.

Psicologicamente, negacionismo é uma forma de escapar de uma verdade desconfortável. Na ciência, o negacionismo é definido como a rejeição dos conceitos básicos, incontestáveis e apoiados por consenso científico a favor de ideias radicais e controversas. Costuma se fortalecer quando a sociedade se depara com situações de instabilidade, como essa crise sanitária, ou diante de algo nunca presenciado, um vírus novo e letal, como é o caso. O negacionismo apela para teorias e discursos conspiratórios, que acabam favorecendo disputas ideológicas, interesses políticos e religiosos. Bolsonaro é paranoico, vê conspiração em tudo. Acredita que os defensores do lockdown (medida para conter a velocidade de propagação do vírus e evitar o colapso do sistema de saúde) querem desestabilizar seu governo e aprovar o seu impeachment.

Vacinas
No governo, além de Bolsonaro, os ministros de Relações Exteriores, Ernesto Araujo; do Meio Ambiente, Ricardo Salles; e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, em suas respectivas pastas, estão na linha de frente do negacionismo. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também fez parte desse time. Sua responsabilidade no colapso do SUS em Manaus, por falta de oxigênio, está sendo investigada, assim como no atraso da compra de vacinas, inclusive, as que estão sendo produzidas no Brasil, como a CoronaVac (Instituto Butantan); a Oxford (Fiocruz) e a Sputnik V (União Química, privada). Agora, corre atrás das vacinas da Pfizer, que negocia desde agosto e refugou em setembro passado.

O negacionismo é insidioso e perigoso, pois atua no campo ideológico para influenciar a opinião pública e legitimar governantes com posições anticientíficas. Com isso, pode resultar em tragédias humanitárias. É o caso da epidemia de Aids na África do Sul, que chegou a registrar 5,4 milhões infectados, para uma população de 48 milhões de pessoas. O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki (1999-2008) ficou para a história como o principal negacionista do HIV/Sida, que mandou tratar com erva, o que custou a vida de mais de 300 mil pessoas. Há quem exija que seja julgado por crimes contra a humanidade.

A negligência no combate à pandemia, a negação das vacinas e a insistência na promoção de tratamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19, pelo presidente Jair Bolsonaro, porém, provocou ampla mobilização de médicos, pesquisadores e entidades científicas, que atuam nos meios de comunicação e nas redes sociais para combater a fake news e explicar à população o que realmente está acontecendo. O negacionismo irresponsável é tanto que até hoje o governo não fez uma campanha oficial de esclarecimento e incentivo à vacinação, que é a última fronteira do combate ao negacionismo em relação à pandemia da covid-19.

Toninho Costa, editor de esportes da RBA, morre vítima da covid-19

Toninho Costa (camisa listrada preta e branca) ao lado de Bob Iran, Rui Guimarães e Gerson Nogueira. Ele deixará saudade entre familiares, amigos e colegas de trabalho.

Aos 62 anos, morreu neste domingo (28) o jornalista esportivo Emílio Antonio da Costa (Toninho Costa), editor de esportes da RBATV, vitimado por complicações da covid-19. Natural de Igarapé-Miri, ele estava internado há um mês no Hospital da Beneficente Portuguesa. Nos últimos dias, amigos e colegas se mobilizaram numa campanha para conseguir doação de sangue, mas o estado dele se agravou durante a madrugada, levando ao óbito pela manhã.

Profissional competente e respeitado, Toninho Costa trabalhava há 31 anos na RBATV, tendo comandado os principais programas de esporte da emissora. Era o diretor do Camisa 13 e do Bola na Torre, campeões de audiência no segmento. Muito querido pelos companheiros, Toninho era conhecido pela capacidade de trabalho. Botafoguense e bicolor, era um cidadão politizado e crítico da forma como o governo federal tem atuado durante a pandemia, sem saber que seria uma vítima do descalabro da saúde no Brasil.

Em 2004, Toninho recebeu em Brusque (SC) o Troféu Bola de Ouro, premiação máxima da mídia esportiva brasileira. Sua morte consternou a todos no meio esportivo paraense. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Pará emitiu nota oficial pelo seu falecimento. Toninho deixa esposa, Zulene, e filha, Bia.

De minha parte, perdi um amigo querido, de convivência quase diária na RBA e nos demais veículos do grupo. Trabalhamos em projetos particulares nos anos 90, sempre com a mesma seriedade e profissionalismo. Perdemos um jornalista de alto nível. Vai fazer muita falta. Na foto acima, numa confraternização em 2015, ele aparece comigo, Rui Guimarães e Bob Iran. Toninho é o que aparece à minha esquerda, de camisa azul e branca em listras horizontais.

Papão encara primeiro desafio

POR GERSON NOGUEIRA

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O Campeonato Estadual começa hoje com modelo de disputa diferente e um número maior de participantes. Dois jogos aparecem como grandes atrações da domingueira. Em Belém, o PSC recebe o Castanhal. Em Marabá, acontece o duelo das águias, entre Águia e Tuna.

A volta da Cruz de Malta vem revestida de simbolismos, a partir da excelente campanha na Segundinha e do esforço administrativo que permitiu ao clube manter jogadores importantes e ainda ir ao mercado contratar uma estrela do porte de Eduardo Ramos.

Na Curuzu, sob o previsível sol escaldante das 10h30, o PSC terá que enfrentar suas próprias limitações de momento: o desentrosamento e a ausência de peças importantes. O técnico Itamar Schülle (foto) teve pouco mais de uma semana para ajustes na mini-temporada realizada em Barcarena.

O problema é que boa parte dos reforços chegou nos últimos dias, sem tempo para conhecer os demais jogadores, dificultando o encaixe. Os remanescentes da Série C formam a base, mas os treinamentos não foram suficientes para deixar o time pronto.

Itamar, que não assumiu a equipe na Copa Verde, foi preservado para as competições da temporada e o primeiro teste de fogo é o Parazão. Envolvido diretamente na busca e contratação de reforços, o técnico vai estrear dependendo de uma dose extra de paciência da torcida.

Nas entrevistas, o comandante alviceleste tem deixado isso claro, consciente de que o adversário da estreia está mais preparado, até por ter montado elenco já no começo de janeiro.

O técnico Artur Oliveira, que dirigiu o Castanhal em 2020, prossegue com o trabalho e liderou pessoalmente a prospecção por novas peças. Conseguiu formar uma espécie de seleção interiorana, com a contratação de jogadores que despontaram em outros clubes emergentes.

Tradicionalmente, o Castanhal é um adversário difícil de ser batido. Com a preparação antecipada, deve oferecer mais resistência ao reformulado PSC. Vale lembrar que, na última partida entre ambos, na Curuzu, a vitória bicolor por 1 a 0 foi valorizada pela pressão exercida pelo Japiim em busca do empate, mesmo com apenas nove jogadores – dois foram expulsos.

Uma das novidades no PSC é a possível utilização de três zagueiros, até para compensar as dificuldades para compor o lado direito – Israel só será regularizado a partir de segunda-feira. Foi somente no sábado que o time teve a primeira movimentação no gramado da Curuzu, chance para os novatos conhecerem o ambiente do jogo.

Como já virou rotina, o papel de comandante em campo ficará com Nicolas, grande destaque do time nas últimas temporadas e artilheiro do último Parazão. Dependerá dele a responsabilidade pela dinâmica ofensiva, principalmente pela ausência de um meio-campo afiado e criativo.

Itamar já deixou claro que tem uma desculpa na ponta da língua para eventual tropeço: o pouco tempo de trabalho e a insuficiência de atletas para realizar treinamentos mais completos. A conferir.

Hélio deixa saudades, mas deixa substituto

Enquanto acompanha a saída de seu melhor atacante de lado, o Remo encaminha a contratação do meia Renan Oliveira e do centroavante Edson Cariús, que deve compor o ataque da Série B com Renan Gorne. Além deles, mais seis atletas já estão contratados.

Na situação atual, a perda de Hélio Borges constitui duro golpe no planejamento para o Brasileiro, embora já estivesse mais ou menos desenhada desde a disputa da Série C – e muitos ainda não estejam preparados para esta conversa.

Hélio tem proposta de outro clube e decidiu dar uma guinada na carreira. Tem qualidades e, dependendo do novo clube (e do técnico) pode repetir o sucesso de Roni e Pikachu nos grandes centros.

A característica de arrancadas e dribles na vertical pode lhe ser muito útil. Precisa, porém, aperfeiçoar a finalização, principalmente em chutes de média distância. Nada que esforço, treino e dedicação não corrijam.

Alguns técnicos sabem muito bem como orientar jovens valores. Se tiver sorte, Hélio só precisará de uma boa dose de perseverança, coisa que um garoto humilde vindo das divisões de base certamente carrega consigo.

Para Paulo Bonamigo, resta o consolo de que a solução pode estar no próprio Evandro Almeida. Ronald, que é ala de origem, tem perfil de atacante. Dribla, vai à linha de fundo e é tão rápido quanto Hélio.

O problema é adquirir a confiança do técnico, que não o utilizou nem mesmo na Copa Verde. Só entrou (muito bem) no final do jogo com o Independente no Mangueirão, a tempo de cruzar para Laílson fazer um gol.

Alguns jogadores exigem tempo e insistência. Caso isso seja concedido a Ronald, o Remo certamente colherá os frutos, ganhando uma promissora opção de velocista pelas beiradas.  

Experiência e rodagem o elenco vai ter com Cariús, Jefferson Lima, Renan Gorne e Renan Oliveira, que foi confirmado como novo contratado, mas só será regularizado na primeira semana de março.

Renan, 31 anos, chega cotado para ser titular da meia-cancha, principalmente depois que Felipe Gedoz teve que se desligar do clube, sem garantia de que voltará para jogar a Série B.

Bola na Torre

O programa tem apresentação de Valmir Rodrigues, com participação (on-line) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a primeira rodada do Parazão. Edição de Lourdes César, direção geral de Toninho Costa. Começa logo depois do jogo da NBA. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 28)

Papão contrata meia que fez sucesso no ABC

Papão acerta contratação de meio-campo; Atleta chega a Belém na segunda - Crédito: Luciano Marcos/ABC

O PSC deve anunciar no começo da semana a contratação do meia-atacante João Paulo, de 27 anos, que estava no ABC (RN). A informação foi confirmada por fontes ligadas ao jogador, que deve chegar a Belém para assinar contrato na próxima segunda-feira, 1º. Em 2020, atuando pelo clube potiguar, João Paulo marcou dez gols em 24 jogos disputados. Capixaba nascido em Vila Velha, o meia estava treinando na Portuguesa (RJ). O Paissandu entrou em contato com o clube carioca e acertou a vinda do jogador.

João Paulo tem passagems pela base do Internacional, Bahia, Rio Branco-ES, CRB, Sampaio Corrêa, Fortaleza e Londrina. Foi destaque do Alvinegro no Campeonato Potiguar, tendo feito gols decisivos em clássico contra o América-RN.

Nome: João Paulo de Assis Penha
Data de nascimento: 06/09/1993
Naturalidade: Vila Velha (ES)
Altura/peso: 1.76 / 74
Pé principal: Direito
Clubes: Rio Branco/ES (2011), Internacional/RS (2012), Rio Branco/ES (2013-2014), Internacional/RS (2014), Rio Branco/ES (2015), Bahia/BA (2015), CSA/AL (2016), Bahia/BA (2016), Fortaleza/CE (2016), CRB/AL (2017), Sampaio Corrêa/MA (2018), Rio Branco/ES (2019), Sampaio Corrêa/MA (2019) e Londrina/PR (2019).

Ronaldo Porto segue internado em estado grave

O apresentador e jornalista Ronaldo Porto, da RBATV, está internado no Hospital Porto Dias para tratamento de complicações da covid-19 desde semana passada. Neste sábado, 27, surgiram boatos na internet sobre sua morte, mas médicos e familiares desmentiram a notícia. Ele está em estado grave, entubado, mas com evolução positiva nas últimas horas.

A fake news surgiu no final da manhã. Um locutor da rádio FM Rauland em Belém anunciou a morte do apresentador de 68 anos. O grupo RBA divulgou um desmentido, revelando que o quadro de saúde de Ronaldo apresentou melhora em relação à oxigenação durante a madrugada.

O apresentador da RBATV, Ronaldo Porto, está internado em um hospital, após complicações da covid-19.

Além de fake news, a família do apresentador alerta contra a ação de aproveitadores, que vêm utilizando o estado de saúde do apresentador para aplicar golpes. Já foram identificadas mensagens através do WhatsApp pedindo doações em dinheiro em nome de Ronaldo. A Polícia já foi alertada para investigar a origem do golpe.

“Não há limites entre realidade e ficção na vida criada por Karol Conká”

Por Flávia Martinelli, no UOL

Karol Conká durante café da manhã com Ana Maria Braga - Reprodução/TV Globo

Entre as inúmeras manifestações despertadas nas redes sociais por Karol Conká, chama atenção quem traz reflexões que superam as afrontas e tentam ponderar circunstâncias sobre a realidade e a ficção criadas pela rapper no BBB21.No dia da eliminação recordista, a cineasta e roteirista Renata Martins, criadora da premiada websérie “Empoderadas”, que apresenta perfis documentais de grandes mulheres negras das mais distintas áreas de atuação, compartilhou em suas redes sociais um exercício de empatia. “É o que faço diante quando algo foge muito da minha zona de compreensão”, escreveu a roteirista.

O blog Mulherias, também nessa tentativa, traz aqui a íntegra da pensata de Renata e, como ela, convida à reflexão. “Karol Conká é só mais um dos personagens que ela criou ao longo da vida, mas que não se sustentou ao longo de horas de exposição. Nenhum personagem se sustenta”.

“Eu dormi e acordei pensando na Karol Conká e o meu sentimento é de compaixão depois de ela ser eliminada do BBB com recorde de rejeição. É bem provável que eu como espectadora faça parte dos manipulados, não por uma vilã de novela que tentaram pintar, mas por uma mulher preta que criou e recriou mundos, independente do custo emocional que isso possa ter lhe custado, só para provar para si mesma que é perfeita. O que ela talvez não saiba, ou ninguém tenha dito para ela é que pessoas perfeitas são iguais aos unicórnios rosas com listras coloridas: eles não existem!.

Vi um vídeo de Karol contando para Lucas e uma outra pessoa sobre o alcoolismo de seu pai. Pode ser que tenha sido só mais uma de suas histórias, ou não. Durante o relato ela contou que aprendeu desde muito cedo a criar mundos paralelos para conseguir lidar com bebedeira dele. Ela disse também, que contava para os amigos da escola que seu pai era um empresário famoso quando, na verdade, todos sabiam que ele era o bêbado que ficava largado na esquina. Ela tinha onze anos quando os pais dela se separaram e ela deu uma condição para ele continuar a vê-la: “ou você para de beber ou nunca mais vai me ver”.

Ele não parou de beber e eles nunca mais se viram. Eu não sei se ele morreu ou desapareceu no mundo. Mas ela seguiu carregando a culpa pelo desaparecimento do pai dela ao longo dos anos. Ela ficou emocionada, mas conseguiu conter o choro ao final do relato com um riso desconcertante. Eu tenho a sensação de que não há limites entre a realidade e a ficção criada por ela.

É bem provável que as fantasias criadas por ela a tenham protegido durante a infância e se tornado regra ao longo da vida adulta. É como se a mentira e a distorção funcionassem como mecanismo de defesa e proteção contra a própria realidade. Karol Conká é só mais um dos personagens que ela criou ao longo da vida, mas que não se sustentou ao longo de horas de exposição. Nenhum personagem se sustenta, imagine vários.

Eu consigo compreender o gatilho que Lucas Penteado despertou nela; um homem negro, alcoolizado, com atitudes abusivas e intimidadoras durante aquela fatídica festa. É como se naquele momento ele tivesse refletido a imagem do homem que ela se recusou a ver na infância, mas ele estava ali diante de seus olhos.

Já tive um caso de alcoolismo na família. Meu pai lidava com o irmão de uma forma e a minha tia de outra. Ela não tinha paciência, pois ele sumia e voltava curtido na cachaça e é muito comum alcoólatras serem desumanizados, descartados, comparados com pessoas fracas que não param de beber porque não querem.

Meu pai acolhia, dava banho, comida e ela nem queria saber. Duas pessoas agiram de forma diferente diante da mesma situação e grau de parentesco. Hoje eu consigo entender os três; o meu pai que acolhia, a minha tia que não acolhia e o meu tio que bebia, pois os três eram filhos de um pai igualmente complexo. Não por conta da bebida, mas pela forma endurecida que ele enxergava o mundo e comia o cérebro de todos que estavam ao seu redor.

O caso de Lucas foi um desses gatilhos emocionais, mas outros tantos brothers exerceram funções emocionais similares; Bill, sinônimo de kit de sucesso de muitas mulheres; branco, bonito, sensível, alto, entre outras características sociais bem cotadas na sociedade. Carla é a figura que ameaça essa conquista; mulher branca e loira, bem sucedida, querida pelas pessoas, atraente, enfim: padrão!

Juliette representa tudo que ela tentou se distanciar, ela fala muito alto, não é educada, tem um sotaque marcante e não nega sua origem nordestina, muito pelo contrário, se orgulha de suas origens. Camilla exala segurança e está sempre rodeada de pessoas que gostam dela por sua naturalidade e sinceridade. ‘Como essa Camilla pode ser mais querida e mais amada que eu? Afinal eu sou Karol Conká.’.

Será que é impossível conviver de forma saudável com esses gatilhos por 24 horas ao dia? Sinto que a única coisa que restou para Karol foi tentar eliminar os inimigos um por um. Mas como eliminar o inimigo que mora dentro de nós?

Com isso, não significa que as atitudes de Karol devam ser minimizadas, justificadas ou sublimadas. Muito pelo contrário, ela precisa ser confrontada e responsabilizada, pois muitas pessoas que não tinham relação direta com os dramas de sua infância foram humilhadas e enlouquecidas em rede nacional.

Não tomem essa análise como verdade, como tentativa de diagnosticar alguém. Não é. É só um exercício empático que faço quando algo foge muito da minha zona de compreensão.

“Eu tentei por várias vezes ser empática com Karol, mas não consegui, visto que todas as ações dela me causavam repulsa e eu não consegui me ancorar em nada do que ela havia apresentado ao longo do game. Talvez eu tenha criado minha teoria para acreditar que pessoas não são cruéis por puro sadismo, talvez…

Mas fiquei impactada com a tranquilidade em que ela mentiu em rede nacional sem mover um músculo sequer. Um rosto rígido, olhar fixo, controlando o tom à espera da aprovação dos demais participantes da casa, foi sem dúvidas muito assustador.

Entre uma tentativa de cochilo e outro, foi duro constatar que ela fez várias vítimas, mas também é uma das maiores vítimas de suas ações e escolhas. Espero que ela saia, se perceba, se retrate e tente se organizar internamente, pois essa personagem que ela criou na vida real e apresentou no reality show em rede nacional corre o risco de deixar de existir num piscar de olhos.”.

Presente*

Por Heraldo Campos

Um dia o escritor Millôr Fernandes escreveu “Nunca soube por que tanta gente teme o futuro. Nunca vi o futuro matar ninguém. Nunca vi o futuro roubar ninguém. Nunca vi nada que tivesse acontecido no futuro. Terrível é o passado ou, pior, o presente!”.

Esse pensamento do escritor nos leva à pergunta: como está o nosso presente?

Para muitos de nós o terrível presente deve ser ficar em casa numa quarentena radical, por causa da pandemia, e colocar o pé na rua (sempre com máscara, álcool em gel e evitando aglomerações) na extrema necessidade somente para ir ao posto de saúde, médico, farmácia, quitanda e voltar rapidinho para casa, tomar logo um banho para se livrar, em alguma parte do corpo, de um possível exército do coronavírus que tenha pegado carona para infectar um monte de gente.

Essa pode ser apenas uma rotina e devem existir muitas outras, das mais variadas, dependendo da situação de cada um, nesse mundo louco em que vivemos. Uma rotina, por exemplo, das mais perigosas, e que expõe as pessoas em contato com as fontes do coronavírus é a que tem, no seu dia a dia, os médicos e os enfermeiros que tratam dos doentes nos hospitais, muitos deles na beira do colapso.

Em contrapartida, a cada dia que passa, temos que suportar um governo sendo constituído, cada vez mais, por militares do exército e de outras forças armadas que já mostraram sua “competência” no trato das áreas da saúde, educação, meio ambiente e economia, para ficarmos nessas quatro grandes áreas-chave para o desenvolvimento humano de qualquer nação que se preze. Porém, no terrível presente, neste país da jabuticaba, são mais de 251 mil mortos pelo coronavírus e essa conta deve ser debitada totalmente para essa “turma competente” que comanda o país, pois está nos levando ao caos e, quem sabe, ao extermínio, sem exageros. Afinal, não é esse o plano, pela “logística” implantada por esse “pessoal legal e de grosso calibre”?

Será que existe alguma dúvida nisso? E vamos aguentar até 2022 desse jeito, sem nenhum sinal de mudança de rota? 

O sentimento é que cerca de dois terços da população brasileira anseia por uma mudança de rota, mas a luta pela vida diária é tamanha que acaba por consumir quase toda a energia para uma movimentação maior e organizada nesse sentido contando, ainda, com a pandemia do coronavírus que não favorece uma ação mais enérgica.

Nesse cenário, as palavras de Mahatma Gandhi merecem uma reflexão: “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Assim, para encerrar, no campo puramente pessoal e no presente (agora), aqui vai uma receita de cupim com agrião, passo a passo, bastante energética, do “renomado” chefe de cozinha Herald Fields: 1) pegue uma panela de pressão, 2) coloque um pouco de óleo de girassol, 3) deposite o cupim cortado em cubos, 4) tempere com sal e pimenta do reino a gosto, 5) acenda o fogo e doure a carne, 6) acrescente uns dentes de alho picados, 7) depois de bem dourada a carne ponha umas cebolas picadas, 8) doure mais um pouco tudo isso e coloque o agrião ligeiramente partido e, para terminar, 9) cubra o cupim com o agrião com água quente e coloque para cozinhar na pressão. Sirva com uma polenta mole (angu de fubá de milho) e arroz branco. Bom apetite! 

Alguém já ouviu falar desse “renomado” chefe de cozinha?

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.