Presente*

Por Heraldo Campos

Um dia o escritor Millôr Fernandes escreveu “Nunca soube por que tanta gente teme o futuro. Nunca vi o futuro matar ninguém. Nunca vi o futuro roubar ninguém. Nunca vi nada que tivesse acontecido no futuro. Terrível é o passado ou, pior, o presente!”.

Esse pensamento do escritor nos leva à pergunta: como está o nosso presente?

Para muitos de nós o terrível presente deve ser ficar em casa numa quarentena radical, por causa da pandemia, e colocar o pé na rua (sempre com máscara, álcool em gel e evitando aglomerações) na extrema necessidade somente para ir ao posto de saúde, médico, farmácia, quitanda e voltar rapidinho para casa, tomar logo um banho para se livrar, em alguma parte do corpo, de um possível exército do coronavírus que tenha pegado carona para infectar um monte de gente.

Essa pode ser apenas uma rotina e devem existir muitas outras, das mais variadas, dependendo da situação de cada um, nesse mundo louco em que vivemos. Uma rotina, por exemplo, das mais perigosas, e que expõe as pessoas em contato com as fontes do coronavírus é a que tem, no seu dia a dia, os médicos e os enfermeiros que tratam dos doentes nos hospitais, muitos deles na beira do colapso.

Em contrapartida, a cada dia que passa, temos que suportar um governo sendo constituído, cada vez mais, por militares do exército e de outras forças armadas que já mostraram sua “competência” no trato das áreas da saúde, educação, meio ambiente e economia, para ficarmos nessas quatro grandes áreas-chave para o desenvolvimento humano de qualquer nação que se preze. Porém, no terrível presente, neste país da jabuticaba, são mais de 251 mil mortos pelo coronavírus e essa conta deve ser debitada totalmente para essa “turma competente” que comanda o país, pois está nos levando ao caos e, quem sabe, ao extermínio, sem exageros. Afinal, não é esse o plano, pela “logística” implantada por esse “pessoal legal e de grosso calibre”?

Será que existe alguma dúvida nisso? E vamos aguentar até 2022 desse jeito, sem nenhum sinal de mudança de rota? 

O sentimento é que cerca de dois terços da população brasileira anseia por uma mudança de rota, mas a luta pela vida diária é tamanha que acaba por consumir quase toda a energia para uma movimentação maior e organizada nesse sentido contando, ainda, com a pandemia do coronavírus que não favorece uma ação mais enérgica.

Nesse cenário, as palavras de Mahatma Gandhi merecem uma reflexão: “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Assim, para encerrar, no campo puramente pessoal e no presente (agora), aqui vai uma receita de cupim com agrião, passo a passo, bastante energética, do “renomado” chefe de cozinha Herald Fields: 1) pegue uma panela de pressão, 2) coloque um pouco de óleo de girassol, 3) deposite o cupim cortado em cubos, 4) tempere com sal e pimenta do reino a gosto, 5) acenda o fogo e doure a carne, 6) acrescente uns dentes de alho picados, 7) depois de bem dourada a carne ponha umas cebolas picadas, 8) doure mais um pouco tudo isso e coloque o agrião ligeiramente partido e, para terminar, 9) cubra o cupim com o agrião com água quente e coloque para cozinhar na pressão. Sirva com uma polenta mole (angu de fubá de milho) e arroz branco. Bom apetite! 

Alguém já ouviu falar desse “renomado” chefe de cozinha?

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

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