Jogando como nunca, perdendo como sempre

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Por Gerson Nogueira

A sina mexicana se confirmou novamente neste Mundial. Os jornais do país já têm esse título acima impresso de véspera quando a seleção chega às oitavas de final. Não foi desta vez que a maldição se desfez. Como todas as vezes, nos últimos mundiais, o México chega com grande estardalhaço, torcida fazendo festa e sai quando começam as jornadas decisivas. Ontem, diante da favorita Holanda, o México estava com a vitória na mão até 43 minutos do segundo tempo. Não jogava bem, apenas se defendia.

Seu melhor momento na Arena Castelão aconteceu no primeiro tempo, quando Giovani dos Santos envolvia a marcação holandesa com muita habilidade. Nem bem começou a segunda etapa e o camisa 10 marcou o gol mexicano disparando da entrada da área, sob pressão direta de dois grandalhões da defesa adversária.

Com a vantagem no placar, o espalhafatoso técnico Miguel Herrera resolveu recuar o time e garantir o resultado. Estratégia de alto risco quando o adversário tem jogadores qualificados, como Robben e Sneijder.

A primeira providência de Herrera foi tirar Giovani, justamente seu jogador mais cerebral. Preferiu botar mais um volante com funções defensivas. Começava ali a ruir a classificação mexicana. Até a Holanda sentiu que os ventos passavam a soprar favoravelmente.

Meio no desespero, o holandês Van Gaal avançou o time, mas antes cometeu uma miguelada. Tirou o craque Van Persie para usar a altura de Huntelaar nas jogadas aéreas. Um lance miraculoso evitou o empate antes dos 20 minutos. Bola bateu na cabeça do milagreiro goleiro Ochoa e beijou a trave.

Mas nos instantes finais, sob cerco total, a defesa do México entregou o ouro. Huntelaar desviou bola para trás, servindo a Sneijder, que disparou uma bomba para empatar aos 43. Jogada tipicamente desenhada em treinos, coisa que Van Gaal cultiva com esmero.

Quatro minutos depois, quando todos já se preparavam para a prorrogação, Robben mudou o rumo da prosa.

Num pique impressionante, arrancou pelo lado direito e driblou um marcador dentro da área. Na sequência, esperou e recebeu o pisão de Rafa Márquez. Pênalti, convertido por Huntelaar. A infração foi menos acintosa que a outra sofrida pelo próprio Robben no primeiro tempo, mas ignorado pelo árbitro português.

Lições de uma Copa surpreendente e rica em alternativas, como deve ser um grande torneio de futebol. O fato é que, apesar da covardia tática de Herrera e da atuação inconstante da Holanda, as duas seleções realizaram  um dos melhores e mais equilibrados confrontos da Copa.

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Sem mexicanos, Copa fica menos musical

A saída do México tem uma importante consequência no ambiente da Copa: representa uma diminuição da intensidade do ruído nos estádios. A torcida exerceu um papel importantíssimo na caminhada da seleção no torneio. Não só pelos decibéis que atingia na cantoria de incentivo ao time, mas pela presença nas ruas e em frente aos hotéis onde o escrete se hospedava.

Acompanhei isso de perto às vésperas do jogo entre Brasil e México, em Fortaleza. Lojas, bares, praias e praças viviam cheias da alegre torcida mexicana. Até um transatlântico ficou ancorado em frente à cidade, hospedando mais de 3 mil torcedores.

Dentro do estádio, a massa mexicana se multiplicava pela força dos hinos e provocações. Nenhuma outra seleção tinha um repertório tão bem ensaiado de cantigas apropriadas para o evento. Essa vocação tem uma explicação: a maioria dos torcedores é acostumada a ir a campo torcer por seus clubes. Como o Brasil não é um destino caro, conseguiram viajar e ter acesso aos jogos.

No mesmo nível do time, fizeram um bom papel na Copa e deixarão saudades.

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Felipão tenta substituir o melhor volante

Como substituir o melhor volante do time? Esta é seguramente a maior dor de cabeça de Felipão nesta semana. Além das condições físicas de Neymar, que levou várias sarrafadas contra o Chile, o técnico da Seleção Brasileira precisa arranjar alguém para o lugar de Luiz Gustavo, suspenso.

Paulinho, que caiu em desgraça na primeira fase da Copa, pode ser reabilitado. Henrique, preferido de Felipão como suplente dos zagueiros, pode ser utilizado emergencialmente. Hernanes, que fez excelente temporada na Itália, corre por fora. Ramires, que tem entrado sem fazer diferença, é outro. Fernandinho deve ser mantido como segundo volante, apesar da atuação apagada diante dos chilenos.

A preocupação em proteger a linha de zagueiros faz sentido. Mais do que o Chile, a Colômbia tem um ataque poderoso, que funcionou bem em todos os jogos e conta com estupendo camisa 10: James Rodriguez, artilheiro da competição e autor de dois gols primorosos.

Todas as providências são necessárias para que o Brasil não venha a sofrer ainda mais do que contra o Chile. Aliás, o susto nas oitavas talvez seja a melhor coisa que poderia ter acontecido a Felipão e sua comissão técnica.

Serviu para mostrar que a confiança cega no grupo da Copa das Confederações pode ser traiçoeira, até porque há uma significativa diferença de rendimento em relação à campanha do ano passado. A realidade impõe mudanças.

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Penalidades liquidam com teoria conspiratória

A dificílima classificação brasileira nas oitavas acaba de vez com as teorias conspiratórias quanto a um suposto esquema para facilitar a conquista do hexa. Os paspalhos que disseminam essa história terão que explicar agora como os manipuladores não previram a lotérica decisão nas penalidades.

A não ser que apareça algum descerebrado para afirmar que os chilenos perderam aqueles pênaltis de propósito.

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Costa Rica sofre, mas consegue avançar

Depois de atropelar dois campeões mundiais, esperava-se da Costa Rica uma atuação digna de um favorito contra a sofrível Grécia. Sem a organização dos outros jogos, a equipe centro-americana que vestiu a roupa de zebra do Mundial se mostrou acanhada diante dos gregos.

Até mesmo Brian Ruiz custou a achar espaço, atrapalhado pela dura marcação grega. Fez um gol de categoria, mas depois mergulhou na mesmice do resto da equipe. A perda de um jogador por expulsão fez com que a Costa Rica passasse o segundo tempo como a velha Costa Rica de sempre, acuada e tímida.

Sofreu o empate nos instantes finais, mas se salvou na cobrança de penalidades. Ficou, porém, a sensação de que o gás está no fim.

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O perigo da incompetência com iniciativa

Uma frase do casseta Marcelo Madureira, pós-jogo com o Chile, merece registro: Hulk é mais perigoso para o Brasil do que para os adversários, pois é o incompetente com iniciativa. A conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30)

Holanda defende melhor campanha

Não é o Brasil, nem a Argentina, muito menos a Alemanha. É a Holanda que detém a melhor campanha na Copa do Mundo. De estilo agressivo no ataque e com uma pegada forte no setor de marcação, a seleção de Louis Van Gaal só surpreende os desatentos. Desde as eliminatórias europeias, a equipe vem acumulando triunfos e impressionando pela força ofensiva. Coleciona admiradores pela maneira consistente com que se lança ao jogo e, acima de tudo, pela belíssima parelha formada por Robben e Van Persie, dois dos mais qualificados atacantes do planeta.

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Vem justamente da habilidade e oportunismo de Robben e da categoria e posicionamento de Van Persie o potencial dos holandeses para fulminar adversários. Van Gaal surpreende também pela formatação ousada do time, que costuma marcar gols em todos os jogos e não dá muita chance aos oponentes. Nas eliminatórias, o time venceu nove jogos e empatou apenas um. Marcou 34 gols, sofreu cinco. Van Persie foi o artilheiro, com 11 gols.

Na Copa, a seleção laranja manteve o nível até aqui. Balançou as redes inimigas em dez ocasiões, assinalando alguns dos gols mais bonitos do torneio. Sofreu três gols. Logrou a façanha de humilhar a seleção espanhola, atual campeã do mundo. Além da sova de 5 a 1, deu-se ao luxo de desperdiçar pelo menos quatro chances reais para ampliar o massacre.
Ao longo das Copas, principalmente a partir de 1974, a Holanda tornou-se uma seleção admirada no mundo inteiro, mas pouco objetiva na busca pelos títulos. Costuma chegar, mas não leva. Bateu na trave três vezes. Tudo começou lá mesmo em 1974, quando tinha o poderoso e revolucionário Carrossel de Rinus Michels e Cruyff. Não superou a marcial Alemanha de Sepp Mayer, Beckenbauer e Breitner, mas cravou seu nome como responsável pela última grande inovação tática no futebol.
Em 1978, novo revés diante de seleções anfitriãs. Os remanescentes daquele fabuloso grupo teve fôlego para ir à final contra a Argentina, perdendo por um golpe de sorte. Nos instantes finais, a bola beijou a trave de Fillol, assustando a multidão ensandecida de torcedores argentinos. A terceira tentativa frustrada ocorreu na última Copa, quando Robben e seus companheiros foram batidos pelo tic-tac da Espanha.
Por força do regulamento, a Holanda inicia o mata-mata no Brasil enfrentando o México, que tem uma das defesas mais fortes do torneio. Será um embate interessante. Robben e Van Persie, municiados por Sneijder, terão que se desdobrar para furar o duríssimo bloqueio liderado por Rafa Marquez. Junto com os confrontos entre Brasil x México e Uruguai x Colômbia, que aconteceram neste sábado, o cruzamento entre holandeses e mexicanos deve ser um dos mais encarniçados desta fase. Promessa de um grande jogo.
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Emergente que sonha alto  

O México, sem a mesma relevância para o futebol quanto a Holanda, ensaia fazer deste Mundial sua alavanca para o primeiro escalão do futebol mundial. Em outras Copas, o time de Giovani dos Santos conseguiu ir bem até as oitavas de final, mas jamais se inseriu entre os finalistas. Nos últimos anos, o futebol do país evoluiu, com times que conseguiram boas participações nos torneios continentais. A seleção fez boas aparições na Copa América e passou a sustentar uma ligeira rivalidade com o Brasil, chegando a equilibrar o retrospecto recente.
Sob todos os pontos de vista, é admirável a confiança de jogadores, comissão técnica e torcedores no êxito da seleção em gramados brasileiros. O empate com a seleção de Felipão, conquistado com grande atuação de todo o time, injetou mais ânimo nas fileiras mexicanas. Mas a coincidência feliz de reunir de uma só vez alguns gabaritados jogadores – Ochoa, Guardado, Rafa Marquez, Herrera, Peralta e Giovani – é a principal razão desse entusiasmo todo.
Foi-se os tempos em que o México era mais conhecido pelo colorido espalhafatoso de seus goleiros, como o folclórico Jorge Campos. Mais maduro, o país tenta granjear respeito internacional. Para atingir esse objetivo, nada melhor do que uma grande campanha em Copa do Mundo. Pena que o primeiro mata-mata é logo contra o bicho-papão da Copa.
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Um craque na grande área  
O ídolo rubro-negro Zico foi o primeiro a render homenagens públicas a Van Persie. Em atenção ao pedido dos netos, o Galinho foi à Gávea acompanhar o treinamento dos holandeses e aproveitou para tietar o grande goleador do time. Como seus compatriotas, Van Persie tem um ar meio antipático de definir sua relação com o futebol. Transmite um certo enfado, como se julgasse tudo desinteressante. Esse esnobismo não é recente. A própria Laranja Mecânica de 1974 tinha essa postura marrenta. Cruyff e seus companheiros falavam de futebol sem dar a mesma importância que os demais boleiros.
Pode parecer menosprezo, mas é preciso aceitar o jeito holandês de lidar com futebol. Isso não explica porque o país conseguiu sempre se renovar, marcando presença expressiva em todos os mundiais nos últimos 40 anos. Acontece que os clubes têm um papel fundamental nessa evolução, revelando valores e repondo peças no escrete.
No auge da forma física e técnica, Persie e Robben sabem que esta pode ser sua última Copa, e estão agarrando a chance com unhas e dentes. Sempre foi dito que a Holanda marcharia até o topo quando tivesse um bom time, treinado para alcançar resultados. A equação parece ter sido resolvida desta vez e o estilo implacável de Robin Van Persie dentro da área tem muito a ver com isso. Legítimo sucessor de Bergkamp, marcou belos e decisivos gols, demonstrando fôlego para ir mais longe.
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Costa Rica a um passo das quartas
Quando o campeonato começou, lembro que fizemos um programa especial na Rádio Clube analisando cada um dos oito grupos. Na minha intervenção, procurei eleger as seleções que vieram a passeio. Listei Austrália, Irã, Argélia, Grécia, Honduras, Coreia do Sul e Costa Rica como “turistas” da Copa. Acertei a maioria das apostas, mas quebrei a cara redondamente quanto a Argélia, Grécia e a impressionante Costa Rica.
As vitórias sobre Uruguai e Itália fizeram com que o até então desconhecido futebol do país passasse a ser olhado com respeito. Nomes como Brian Ruiz e Campbell passaram a ser comentados no mundo inteiro. Quando o time se classificou em primeiro lugar no chamado “grupo da morte”, digladiando com três campeões do mundo (Inglaterra, Itália e Uruguai), a façanha se tornou histórica.
Nunca antes na história dos mundiais um azarão tinha nocauteado tantas forças do futebol. O confronto contra a Grécia, hoje, permite que a Costa Rica alcance a inédita presença nas quartas de final. Depois das surpresas da primeira fase, os bravos centro-americanos se tornaram favoritos diante dos inventores da Olimpíada.
Que ninguém duvide mais deles.
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Protesto contra o rigor da Fifa
Ainda a respeito da draconiana pena aplicada a Luis Suárez pela Fifa, o Luiz Carlos da Silva Seixas envia mensagem lamentando que o critério do comitê disciplinar da entidade prefira castigar a mordida, que não teve consequências mais sérias para o agredido, do que punir o festival de cotoveladas, voadoras, carrinhos criminosos, cabeçadas e outras modalidades de truculência tão em voga no futebol.
Luiz, que é capitão de longo curso da Marinha Mercante do Brasil, sugere que da próxima vez Suárez procure extravasar seus instintos primitivos aplicando um mata-leão ou um soco, pois não correria o risco de ser atingido por uma sentença “tão rigorosa, arbitrária, preconceituosa e covarde”.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 29)

Foi sofrido, mas Seleção sai fortalecida

Por Gerson Nogueira

Quando Howard Webb deu início ao jogo, as mais de 57 mil pessoas presentes a Arena Mineirão estavam tomadas pelo entusiasmo e a certeza de um jogo emocionante. Ninguém imaginava que seria um teste para cardíacos. Depois de 120 minutos de bola rolando, com atuação razoável do Brasil e um jogo tático do Chile, foi necessária uma série de penalidades para definir o primeiro classificado às quartas de final da Copa. Júlio César, que defendeu dois tiros livres, saiu como herói da tarde em Belo Horizonte. No placar, para delírio da massa, 3 a 2 para o Brasil.

O primeiro tempo teve amplo domínio brasileiro. Time saía com disposição para o ataque e criava boas situações no jogo aéreo. Coube a Daniel Alves abrir os trabalhos, cruzando forte e ganhando escanteio. No rebote, Marcelo desperdiçou uma boa chance, chutando à direita do gol de Bravo, aos 4 minutos. Em resposta, Diaz aproveitou rebatida da defensiva brasileira e chuta perto do gol, assustando Julio César.
Lento na articulação de manobras pelo meio, Brasil acabava facilitando o trabalho de marcação do adversário. Com o congestionamento das intermediárias, o jogo fica feio, dominado por chutões e passes errados. Para evitar os avanços de Neymar, o Chile se mantém atrás, com até cinco marcadores e só arrisca lançamentos longos para Sanchez e Aranguiz.
Aos 10 minutos, primeiro lance agudo na área brasileira. Jara aproveita avanço de Marcelo e chega com muito perigo pela direita do ataque. Diante do imobilismo da defesa, Julio César pula e defende com dificuldade o cruzamento rasteiro.
Em seguida, tentando responder à súbita pressão do Chile, o Brasil ataca pela esquerda e Hulk é lançado na área. No choque com os zagueiros, cai pedindo pênalti, mas Webb não vai na corda.
A partida vivia momentos de apagão criativo, com erros de parte a parte, bolas espirradas e pouca objetividade. Assustado com a possibilidade de cruzamento, Mena cortou a bola com a mão e recebeu amarelo. A Seleção Brasileira decidiu ensaiar uma meia pressão sobre os zagueiros Isla e Silva, provocando seguidas falhas.
Mais avançado jogador do Brasil, Neymar recebia passes e partia decidido para a tentativa de dribles. Para contê-lo, chilenos diminuem a distância e apelam para o jogo bruto.
Jogadas pelos lados tornaram o Brasil mais insinuante, minando a resistência da marcação chilena. A persistência deu certo. Em escanteio pela esquerda do ataque, Tiago Silva desvia de cabeça e David Luiz divide a bola no segundo pau, mandando para as redes e abrindo o placar aos 18 minutos.
O Chile tentava reagir timidamente, mas a bola era retomada e criava condições para contra-ataques fulminantes. Neymar teve duas boas chances, mas Fred se movimentava pouco, permitindo que a zaga se antecipasse sempre.
Aos 32, um lance bobo na lateral direita resultou no empate que o Chile não fazia por merecer. Marcelo arremessou a bola, Hulk tocou curto e Vidal se apossou da jogada. Daí a bola chegou a Sanchez, que bateu rasteiro no canto direito de Julio César. Nem os chilenos acreditavam direito no presente.
Confiante, o Brasil foi ao ataque e quase desempatou aos 36 com Neymar. Seu cabeceio tinha endereço certo, mas Mena apareceu para desviar. Logo depois, nova investida de Neymar provocou rebote da zaga, mas Fred chutou por cima. De fora da área, Daniel ainda mandou um tiro forte aos 42, mas Bravo espalmou.
Brasil começou o segundo tempo com alguns cochilos, mas Fernadinho aos 5 minutos quase acertou o alvo. Bola passou rente ao poste direito de Bravo. Chile voltou com Aranguiz e Sanchez bem abertos, buscando aproveitar as subidas dos laterais.
Aos 9 minutos, um lance polêmico. Hulk recebeu a bola dentro da área e tocou na saída do goleiro. Bandeira anulou alegando toque de mão, mas imagens não mostraram a infração. O Brasil não conseguia se ajustar no meio e, aos 17 minutos, Aranguiz acertou um sem-pulo que obrigou Júlio César a uma grande defesa.
Como não conseguia render e participar de jogadas no ataque, Fred foi sacado aos 19 minutos para a entrada de Jô. Mesmo com um jogador mais ágil na frente, Neymar não conseguia receber sobras junto à área e via-se obrigado a buscar jogo no meio, afastando-se da zona de chute.
Foi o pior momento brasileiro na partida, demonstrando muita desorganização e até nervosismo em lances envolvendo Daniel Alves e Fernandinho. Finalmente, aos 31 minutos, uma jogada levantou a torcida brasileira. Marcelo cruzou rasante da esquerda e um leve toque de Isla evitou que Jô entrasse com bola e tudo. Com Ramires substituindo a Fernandinho, o time acordou e Daniel botou bola na área para cabeceio de Neymar no centro do gol. Bravo, bem colocado, defendeu.
Aos 37, foi a vez de Hulk invadir e chutar forte, mas o goleiro volta a aparecer com segurança. Nos instantes finais, Chile ensaia um avanço de seus meio-campistas, mas sem resultado prático. Jorge Sampaoli, que já havia tirado Vargas, troca Vidal por Pinilla.
E veio a prorrogação, sob aplausos das duas torcidas e preocupações dos dois técnicos. Neymar cobra falta com perigo logo a 1 minuto. Depois disso, Hulk e o próprio Neymar arrematam ao gol, mas Bravo não deu chances. Nos instantes finais, tentativas insistentes do Brasil, mas sem a inspiração necessária para vencer a barreira defensiva chilena.
Boa arrancada de Neymar pela esquerda terminou com cabeceio de Jô por cima da trave. Jogo já estava no segundo tempo da prorrogação, com o Chile visivelmente administrando para levar o jogo para as penalidades. Extenuados, os times produziram pouco, mas Pinilla ainda acertou o travessão no único ataque chileno em toda a prorrogação. Neymar e Hulk puxaram um contra-ataque que quase resultou em gol na última tentativa brasileira.
Depois que Webb encerrou a prorrogação, vieram as cobranças de tiros livres da marca do pênalti. Júlio César defendeu duas vezes e Jara chutou na trave esquerda a última cobrança chilena. O Brasil venceu por 3 a 2 (David Luiz, Marcelo e Neymar marcaram) e a torcida, que gritava o tempo todo “Eu acredito”, saiu em delírio pelas ruas de Belo Horizonte e por todos os cantos do país. Sexta que vem tem mais.