O passado é uma parada…

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Notícia de A Província do Pará, edição de 2 de outubro de 1960: “O casal Jean Paul Sartre-Simonne de Beauvoir viveu, ontem, seu segundo dia de Belém. Um dia movimentado, de contato com os homens de letras da terra e, inclusive, com Sartre autografando, na Livraria D. Quixote, exemplares do seu último livro ‘Furacão sobre Cuba’, lançado no Brasil, e outros. À noite, Sartre e Simonne foram ao ‘terreiro’ de São Sebastião, do ‘babalorixá’ Raimundo Silva, à travessa Humaitá, no bairro da Pedreira, ali recebendo festiva homenagem de quantos, entre nós, se dedicam ao estudo do folclore. O criador do existencialismo e sua não menos famosa esposa, ao deixarem Belém seguirão com destino a Manaus, de onde partirão rumo a Cuba, a atender, ali a um convite do premier Fidel Castro. A foto, colhida ontem à noite, mostra o famoso casal durante a visita à Livraria D. Quixote”. 

Destaque pela superação

Por Gerson Nogueira

Leitores da coluna, baluartes do blog, porteiros do prédio e ouvintes da Rádio Clube perguntam quais os destaques do esporte paraense em 2013. Em primeiríssimo lugar, fácil, acima de tudo e todos, Alan Fonteles. História de superação, talento e disciplina, resultando em conquistas que assombraram o mundo, quebrando recordes e fulminando dúvidas.

unnamed (22)Melhor ainda, para nós, que Alan é um rapaz humilde, orgulhoso de suas raízes paraenses. Ele ultrapassou todas as barreiras no atletismo paraolímpico, ganhando admiração de todos e superando ex-campeões. Nas outras áreas do esporte, pouco a festejar.

No futebol, carro-chefe de todas as torcidas e paixões, o ponto alto veio de onde normalmente menos se espera. A garotada, tão negligenciada pelos grandes clubes da capital, mostrou seu valor. O Remo sub-20, sem que ninguém apostasse um real sequer, conquistou a Copa Norte e partiu para a Copa do Brasil.

A trajetória foi quase perfeita, suplantando times respeitadas na categoria, como Vitória e Flamengo. Garotos como Rodrigo, Guilherme, Nadson, Sílvio passaram a ter seus nomes discutidos e elogiados pelo torcedor azulino, como há muito tempo não ocorria em relação a jogadores do clube.

Com futebol de gente grande, sob a direção de Walter Lima, o Remo avançou até além do esperado, terminando por cair diante do Criciúma, diante de um público que lotou o Mangueirão e incentivou a equipe como se fosse decisão de campeonato de profissionais.

Além de revelar bons valores, o Leãozinho deixou um legado exemplar: a certeza de que o investimento nas divisões de base pode ser extremamente proveitoso e relativamente barato. Que a lição tenha fincado raízes.

No âmbito profissional, dois destaques relativos. Primeiro, o bicampeonato estadual do Paissandu, conquistado sem maior esforço em final disputada contra o emergente Paragominas. O trabalho de Lecheva, porém, teve méritos pela capacidade de montagem às pressas de um grupo esfacelado após a conquista do acesso à Série B.

E, na competição nacional, o brilho solitário viria de Pikachu, única estrela da companhia a não frustrar a torcida na triste campanha que levou ao rebaixamento. Além de seus préstimos como ocupante da lateral-direita, o jogador se revelou um emérito finalizador, tornando-se o artilheiro do time no campeonato.

Que esses modestos exemplos sejam multiplicados em 2014. O esporte paraense, que sempre empolgou multidões, precisa voltar a ser merecedor das ardentes paixões que desperta. Então, que venha o novo ano!

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Schumacher e a corrida pela vida

O drama de Michael Schumacher, em coma desde domingo num hospital francês, depois de acidente sofrido enquanto esquiava na neve, reabre as discussões sobre os riscos a que se submetem grandes campeões. Não satisfeitos em pôr em perigo suas vidas a 300 km por hora nas pistas, dedicam-se nas horas de folga a aventuras radicais.

Vários outros ases dos esportes de velocidade já sucumbiram a acidentes com barcos de passeio, mergulhos malsucedidos e pistas não sinalizadas de esqui, como ocorreu agora com Schumacher.

A autoconfiança excessiva talvez esteja por trás dessas constantes demonstrações de coragem e imprudência por parte de verdadeiros super-homens do esporte. Schumacher desafiou os limites da velocidade ao longo de incomparável caminhada na Fórmula-1.

No ano passado, depois de ter se aposentado das pistas, voltou à F-1 com a disposição de um jovem iniciante. Como se precisasse provar a si mesmo que ainda era capaz de correr em alto nível. Não foi tão brilhante quanto antes e acompanhou a consagração de um jovem fã, Sebastian Vettel.

Independentemente das motivações, o mundo esportivo espera, de coração na mão, que o trágico acidente nas montanhas seja mais uma curva superada pela perícia e arrojo do grande campeão.

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Direto do blog

“Na teoria, temos o melhor elenco do Parazão. Na prática, devemos ver se Charles conseguirá passar por cima da falta de respeito da diretoria em relação aos técnicos regionais. Precisamos vencer tudo, principalmente conquistar a série D e C na mesma temporada. Não temos espaço pra erros”.

De Rosivan Silva, torcedor azulino, cabreiro com a mania que a cartolagem tem de meter o bedelho nas escalações.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 31 de dezembro)