Por que Dilma vai homenagear Mandela

Por Paulo Henrique Amorim

A escolha da Presidenta Dilma Rousseff como uma  dos seis chefes de Estado  – os outros são Barack Obama, Raúl Castro, de Cuba, Pranab Mukherjee, da Índia, o vice Li Yuanchao, da China e Hifikepunye Pohamba, da vizinha Namíbia –  que discursarão na cerimônia  oficial em memória de Nelson Mandela, amanhã, na África do Sul não é apenas uma honra concedida ao nosso país, uma das maiores populações negras fora do continente africano.
É um ato que tem outros significados.
O primeiro deles, a evidência do papel que o nosso país desempenha hoje, tanto entre os Brics que integramos ao lado da África do Sul quanto em toda a comunidade das nações.
É, também, um reconhecimento à postura histórica da diplomacia brasileira em favor da descolonização e do fim da discriminação no continente africano, iniciada com gigantes como o embaixador Ítalo Zappa, nos anos 70, e que ganhou novo e magnífico impulso a partir do Governo Lula, que elevou ao primeiro plano o nosso relacionamento com a África, sob o descaso de inúmeros bocós, que achavam isso uma tolice.
A África, que ninguém se iluda, será a terceira onda de desenvolvimento do mundo moderno, iniciada no final do século 20 com a Ásia, depois deslocada para a América Latina.
A tribuna do tributo a Mandela reunirá América Latina e Ásia à Africa. Barack Obama está lá pela especialíssima circunstância de ser um negro o presidente da mais poderosa Nação do Mundo.
Bush, certamente, não estaria na lista.
Os gestos, na diplomacia, muito além dos obséquios e gentilezas, têm significado político.
E neste ato de memória, é evidente, há uma visão de futuro.

Para jornal inglês, Manaus é “cidade homicida”

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Do Globoesporte.com (Londres)

A seleção da Inglaterra vai estrear na Copa do Mundo de 2014 contra a Itália na Arena da Amazônia, mas os ingleses não estão satisfeitos com a possibilidade de conhecer a capital brasileira. O jornal “Daily Mirror” fez uma longa reportagem criticando a violência da cidade, chamada de “Manaus homicida”. O diário relata que a pobreza causou 945 homicídios no ano passado, sendo 70% ligados ao tráfico de drogas, e que há áreas controladas por bandidos armados que são proibidas para os turistas.

– Torcedores ingleses irão arriscar suas vidas em uma das cidades mais mortais da Terra – diz o tabloide.

O “Mirror” cita uma estatística que coloca Manaus como a 11ª cidade mais perigosa do mundo. Além da violência, os britânicos criticam as instalações que poderão ser encontradas na capital da Amazônia. No site “Tripadvisor” há relatos de viajantes reclamando de insetos, baratas e ratos nos quartos e nas cozinhas. O governo do Reino Unido aconselha os turistas a evitarem usar joias e roupas chamativas e lembra que há riscos como cobras e aranhas venenosas, além de doenças como malária, difteria e hepatite.

O diário reclama dos valores para viagens e estada. A média de uma diária em um quarto simples em Manaus é de 500 libras (R$ 1,9 mil). O English Team terá o Rio de Janeiro como base, e o “Mirror” lembra que a viagem para a Amazônia é longa, com duração de cerca de quatro horas. Os voos mais baratos de Londres até a Amazônia custam 1,2 mil libra (R$ 4,5 mil).

A notícia deve ser terrível para uma cidade tão cheia de preconceitos em relação a Belém.

“Meu filho dizia que íamos morrer”

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Por Marjoriê Cristine, do Extra

A primeira vez que Igor Meneghelli, de 11 anos, foi acompanhar um jogo do Vasco terminou como um filme de terror. As cenas de violência que o pequeno torcedor cruzmaltino vivenciou nas arquibancadas da Arena Joinville, na partida entre Atlético-PR e Vasco, o deixaram traumatizado e em choque. O garoto foi protegido pelo pai, Joel Meneghelli, em pleno confronto dos torcedores dos times. A única coisa que ele pensava é que os dois iriam morrer.

Um dia após a confusão, o comerciante de 37 anos relata como foram aqueles minutos de pânico. Joel conta que o torcedor do Atlético-PR, com quem ele aparece falando nas imagens, disse que nada aconteceria com eles. O maior temor do comerciante era ser pisoteado.

– Foi um pânico. Quando vimos a torcida do Atlético-PR invadindo, eu só pensei em correr e sair dali. Corri em direção à saída, mas era justamente por onde os atleticanos estavam vindo. Fiquei parado, protegendo o meu filho e com a mão levantada. Estava sem camisa, sem nada. Na mesma hora um cara do atlético chegou e falou: “Não é contigo. O negócio é com a Força Jovem”. Meu filho só chorava e dizia: “Nós vamos morrer, nós vamos morrer”. Ele entrou em choque. Eu só rezei para que Deus nos protegesse – contou.

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Joel e Igor saíram de Apiúna, a 150 quilômetros de Joinville, para assistir à partida. O comerciante afirmou que já havia acompanhado jogos do Vasco em São Januário e no Maracanã, mas nunca tinha presenciado tal selvageria, como definiu. E já decretou: não levará o filho mais ao estádio.

– Foram os R$ 150 mais mal gastos da minha vida. Meu filho nunca tinha ido ao estádio, mas nunca pensei que aconteceria essa selvageria. Já fui ao Maracanã com 100 mil pessoas e nunca aconteceu nada. Sou vascaíno, mas isso é uma vergonha. Enquanto tiver torcida organizada, nunca mais levo ele a um jogo, só se for no camarote e blindado – disse o comerciante, que afirma estar com sentimento de culpa. – Imagina se tivesse acontecido algo com o meu filho? Se a gente tivesse sido pisoteado, apanhado? Não voltaria de jeito nenhum com o meu filho. Ele é meu bem mais sagrado.

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O vascaíno explicou que as duas torcidas já estavam se ameaçando antes mesmo de a partida começar. A primeira confusão começou no portão principal do estádio, se desencadeou dentro da Arena Joinville e quase continuou fora.

– Eu deixei de entrar na entrada principal com o meu filho quando os vi brigando ali. Entramos por trás. Mas como podem deixar apenas uma corda separando as duas torcidas? Na hora da confusão, os torcedores arrancaram as barras do corredor de proteção e parte da arquibancada para brigar. Ainda bem que consegui voltar no meio da confusão e colocar meu filho em cima da grade para ele pular e eu também – disse.

Após as divulgações das imagens, Joel recebeu muitas ligações de pessoas se solidarizando com ele e o parabenizando por ter conseguido defender Igor.

A vitória dos insanos

Por Gerson Nogueira

unnamed (28)Quem se preparou ontem à tarde para acompanhar a emocionante rodada de fechamento do Campeonato Brasileiro acabou brindado com cenas dignas de MMA, com violência extrema, no jogo Atlético-PR x Vasco, na Arena Joinville, em Santa Catarina. A batalha insana entre bandidos uniformizados com camisas dos dois times durou quase 10 minutos e deixou quatro feridos com gravidade entre os baderneiros. Além das lesões físicas, as imagens da arruaça acarretam danos incalculáveis à imagem do país pentacampeão do mundo e sede da próxima Copa do Mundo.

Embates entre facções uniformizadas se tornaram rotineiros no Brasil inteiro. Nos últimos três anos morreram 26 pessoas em consequência da violência nos campos de futebol. Assusta o fato de que, mesmo com a escalada de hostilidades, as forças de segurança não conseguem cumprir seu papel constitucional de garantir a integridade dos cidadãos.

Em Belém, chegou-se ao cúmulo de cancelar jogos de campeonato sub-20 por orientação da Polícia Militar, que (pasme) teme o duelo entre as hordas de marginais que se fingem torcedores e aterrorizam estádios e áreas próximas, com arrastões e assaltos.

O próprio jogo de ontem foi marcado para Joinville como punição ao Atlético-PR por mau comportamento de torcedores na Vila Capanema, em Curitiba. A emenda mostrou-se pior do que o soneto.  A partir de agora, cabe à Justiça Desportiva rever o critério punitivo, pois a simples transferência de local se revela inócua contra a baderna.

Mais assustador ainda é constatar que os tumultos são programados com dias de antecedência através das redes sociais, em ridículas demonstrações de exibicionismo primitivo. Tudo isso às claras, sem disfarces e, ainda assim, a Polícia não consegue monitorar e rastrear os focos de insanidade. A essa altura não se sabe se o aspecto mais temível é o desembaraço dos bárbaros ou a evidente timidez policial para enfrentá-los.

A TV transmitiu ao vivo o espetáculo de selvageria ontem, o que permite, caso haja disposição para isso, identificar todos os envolvidos. Apesar da vergonhosa omissão da Polícia Militar catarinense, que alegou nada a ver com a barbárie que ocorria nas arquibancadas, espera-se que alguma autoridade se disponha a olhar as imagens e providenciar a prisão dos criminosos.

É de lamentar que, mais uma vez, as alegrias e emoções que a rodada iria propiciar tenham ficado em segundo plano diante dos episódios de Joinville. CBF, clubes, patrocinadores e jogadores devem urgentemente se posicionar a respeito e parar de olhar para o problema como se fosse algo sem jeito. Há solução, basta ter firmeza e respeito pelo torcedor.

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Uma dívida com a história

Para os que acompanham futebol há mais tempo, a queda do Fluminense (quarto rebaixamento) representa um acerto de contas com o Remo, que foi alijado da Série A em 2000/2001 graças a uma virada de mesa promovida pela CBF exclusivamente para beneficiar o clube carioca.

Depois de ser campeão da Série C em 1999 sob o comando de Carlos Alberto Parreira, no ano seguinte terminou sendo guindado à Copa João Havelange, sem ter que passar pela Série B. A Copa JH representava um torneio de Série A, excluindo por tabela o Remo da disputa da Primeira Divisão em 2001.

Primeiro campeão nacional rebaixado no ano seguinte à conquista do título, o Fluminense de certa forma vai quitar em 2014 esse débito com as regras do jogo.

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Novo técnico, esperanças de volta

Mazola Júnior chegou, foi apresentado no Paissandu e já começa a traçar planos para o Campeonato Paraense e Copa Verde. Foi contratado porque Sidney Morais não aceitou a proposta do Papão, mas tem o aval do gerente Sérgio Papellin. As lembranças recentes, porém, não o recomendam como nome certo para o momento vivido pelos bicolores.

No ano passado, sob a direção de Mazola, o Sport foi fragorosamente batido pelo Paissandu no confronto direto pela Copa do Brasil. Meses depois, devido ao vexame, o técnico acabaria defenestrado da Ilha do Retiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 09)