Platini salvou a França

Do site do Carsughi

O sorteio dos 8 grupos da Copa do Mundo, quando serão eliminadas 16 seleções, já fez alguns estragos, a começar pela matemática eliminação de uma seleção que já foi uma ou mais vezes campeã mundial. É o que vai acontecer no Grupo D, onde uma, entre Uruguai, Inglaterra e Itália vai sobrar, já que se classificam apenas as duas primeiras. E quem se salvou foi a França, não graças ao sorteio em si mas em função da modificação dos critérios previamente estabelecidos, pelos quais o time gaulês, na qualidade de seleção européia pior classificada no ranking de setembro, ficaria num determinado pote e aí sim poderia cair num grupo com mais dois ex-campeões mundiais. Foi uma hábil jogada de Platini, endossada por Blatter, que certamente vai pesar de forma negativa na hora da votação para a eleição do futuro presidente da Fifa.
Dito isso, fica evidente a disparidade de forças entre os 8 grupos, além esse D do qual já falamos valendo lembrar o G, onde o normal favoritismo de Alemanha e Portugal poderá ser posto em xeque pelas condições climáticas onde se disputarão seus jogos frente a Gana e Estados Unidos. Enquanto o Grupo C, por exemplo, pode tranquilamente ser definido como o grupo da “Série B” da Copa, por reunir, além da favorita Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão.
No resto, pode-se entender que o Grupo F favoreceu bastante a Argentina, opondo-lhe Bósnia, Irã e Nigéria, enquanto nos demais as condições climáticas (temperatura na hora dos jogos e grau de umidade) podem exercer papel mais importante que as condições técnicas.
Deixamos propositalmente por último o Grupo A, onde o Brasil é franco favorito, enquanto teremos uma luta acirrada pela segunda colocação entre México, Croácia e Camarões, para lembrar que esta facilidade inicial deverá ser bem aproveitada por Scolari para dar conjunto e ritmo ao time. Já que, nas oitavas de final, poderá ter pela frente a campeã Espanha ou a vice-campeã Holanda, numa parada bem mais dura e difícil…

Homem do Panamá e a grana da Globo na F1

Por Fernando Brito

Ontem, o blogueiro Miguel do Rosário levantou a história da Chibcha Investment Corporationempresa criada no Panamá  por dois dos três filhos de Roberto Marinho, pelo diretor da Globo e filho do Ministro do Exército de José Sarney – então presidente da República, que Deus se apiede de nós – e por um certo José Manuel Aleixo, sobre quem Rosário não conseguiu informações.

globof1Mas o leitor CW (preservo-lhe o nome ) conseguiu.

Aleixo foi diretor financeiro da Globo e, depois, virou seu sócio na Interpro- International Promotions, com os dois – só dois – filhos de Marinho: João Roberto e Roberto Irineu.

Isso em fevereiro de 2005, numa empresa para fazer “stands” de feira, que “pobreza” para seu capital de quase R$ 40 milhões!

Ocorre que quinze dias antes  fora criada uma pequena empresa, aIntergroup Promoções e Eventos, com apenas R$ 8 mil de capital social, também para o mesmo fim.

Pertencia a Thomas Rohonyi, ex-representante da Associação de Construtores da Fórmula-1 – a famosa FOCA, de Bernnie Ecclestone , e diretor  há muitos anos do GP do Brasil . Outra Rohonyi, Rosali, com 5% do capital.

Daí o que acontece? a Intergroup de Rohonyi  é incorporada, baratinho, pela Intergroup dos Marinho.

E a sra. Claudia Hamada Macia Ito é designada diretora da empresa incorporada e Diretora Executiva do Grande Prêmio do Brasil…

E vocês achando que era o Sebastian Vettel que estava ganhando muito na Fórmula-1…

Justiça condena ex-chefe de torcida por homicídio

Tibiriçá da Silva Santos Filho, 31 anos, ex-diretor da extinta (pelo menos oficialmente) torcida “Terror Bicolor”, foi condenado a 28 anos de prisão por homicídio qualificado contra o vigilante Marcos Antonio Pantoja da Silva, de 19 anos. O julgamento, que durou nove horas, foi presidido pelo juiz Edmar Pereira, além de sete jurados do 1º Tribunal do Júri de Belém. A pena de reclusão deve ser cumprida em regime inicial fechado, conforme sentença proferida às 17h desta quinta-feira (5). A vítima morreu no local de trabalho, a Escola Estadual José Veríssimo, em Batista Campos. Conforme apontou a acusação, a motivação do crime foi o fato de o vigilante ser torcedor e integrante da torcida rival “Remoçada” e amigo de Márcio Gordo, então diretor da agremiação, também extinta (também oficialmente).

destaque-265519-dp20120917_so_tibirica_09O crime ocorreu por volta das 17h do dia 2 de novembro de 2011, no interior da escola onde a vítima trabalhava. Márcio Gordo também teria sido vítima de tentativa de homicídio por Tibiriçá em 4 de fevereiro de 2010. No total, quatro pessoas foram ouvidas como testemunhas de acusação e defesa, entre eles membros da “Terror Bicolor”. Os depoentes informaram que estavam no mesmo carro que o réu, mas não sabiam que ele estava armado. Os depoentes que estavam em dois carros alegaram que só perceberam que o réu estava armado quando ele efetuou dois disparos de arma de fogo contra a vítima. Em interrogatório prestado, o réu negou a autoria do crime.

Em defesa do réu, atuou o advogado Paulo de Tarso Pereira. Após a manifestação do promotor de justiça e no começo da fala da defesa, o advogado requereu ao juiz para o réu ser novamente interrogado, mas o pedido foi indeferido. Ao se manifestar, o advogado acusou a testemunha Yuri Lopes do Amaral de ter disparado os tiros. A promotoria informou que deverá mandar investigar a participação do torcedor. (DOL com informações do Tribunal de Justiça do Estado do Pará)

Vem aí o filme sobre criador de Calvin & Haroldo

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Por A. J. Oliveira

Você já deve ter se conformado com o fato de que nunca vai ver uma tirinha nova da dupla Calvin e Haroldo assinada por Bill Watterson. E nem existem chances de reencontrá-los em uma série animada, filme ou qualquer coisa do tipo, como o cartunista afirmou recentemente. Mas calma, nem tudo está perdido. Esses personagens dificilmente vão ganhar vida no cinema… Mas e se fizessem um filme em que o próprio Watterson fosse o personagem principal?

Pois é, segundo o Bleeding Cool, a Warner Bros adquiriu os direitos sobre “A Boy And His Tiger”, roteiro de Dan Dollar sobre a vida do criador do Calvin. Leonardo DiCaprio, Roy Lee e Rock Shaink já embarcaram no projeto como produtores. O filme deve se concentrar no início de carreira de Watterson, passando pelos seus problemas com a popularidade repentina e pelas batalhas de licenciamento que vieram com ela.

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A tira do menino e seu tigre de pelúcia foi tema de um documentário lançado ainda este ano. Dear Mr. Watterson se dedica a tentar descobrir por que a obra do cartunista americano “teve um impacto tão grande sobre tantos leitores nas décadas de 80 e 90 e por que ela ainda significa tanto para nós hoje em dia”. Dá pra comprar o filme online – é só clicar aqui.

A Copa que todos desejam

Por Gerson Nogueira

Quando as bolinhas começarem a girar no sorteio de hoje, a segunda Copa brasileira estará começando de verdade. Há quem considere, com certa razão, que o torneio se inicia nas eliminatórias, mas a ambientação da disputa final se esboça mesmo na definição da tabela de jogos. Na divisão dos grupos, teremos a sinalização do que será a Copa em sua primeira fase, permitindo projetar os cruzamentos entre as seleções.

Desde já, antes mesmo de se conhecer o “grupo da morte” e a maior barbada da fase inicial, é possível ter uma ideia da grandiosidade do evento que o Brasil irá sediar a partir em junho/julho de 2014. A presença de grandes personalidades do esporte e jornalistas do mundo todo na Costa do Sauipe, na Bahia, atesta a importância do torneio.

unnamed (18)Diante disso, ainda sem contabilizar os lucros de imagem por tanta exposição na mídia, soa esdrúxula a crença que alguns – por desinformação ou má fé – alimentam e defendem quanto à inutilidade de uma Copa do Mundo no Brasil. Bobagem. Todos ganham com o torneio, alguns mais (Fifa), outros menos (país-sede, seleções e torcedores). E não se trata apenas de dinheiro.

É preciso entender sempre que sediar uma Copa é projeto natural de qualquer nação do planeta, até mesmo as menos desenvolvidas. Isso se explica pelo óbvio lucro financeiro e também pelas heranças imediatas, como grandes arenas e obras de infraestrutura. A problemática África do Sul, há quatro anos, teve cidades – como Durban e Porto Elizabeth – praticamente redesenhadas.

Claro que os atrasos e demais entraves de gestão, recorrentes no Brasil desde sempre, impossibilitam que cidades como Natal, Manaus e Curitiba se beneficiem plenamente desse legado, mas, ainda assim, é um tremendo negócio promover o Mundial.

O bom do futebol é que, em junho e julho, todos os demais ganhos (35 milhões de dólares só para o time campeão) serão deixados de lado para que a briga pela taça concentre todas as atenções e esforços. Como meninos, alguns dos mais bem pagos futebolistas do mundo estarão empenhados apenas em jogar bola, para vencer e passar à história. E o encanto do esporte é que tem o poder de, por 90 minutos, transformar homens em crianças.

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Um épico de 120 minutos

A ESPN exibiu ontem o VT completo de Itália x Alemanha, a dramática semifinal dramática de 1970, no estádio Azteca, na Cidade do México. Mais de 102 mil torcedores superlotando as arquibancadas para ver craques como Sepp Mayer, Albertozzi, Seeler, Sandro Mazzola, Domenghini, Overath, Seeler, Rivera, Müller, Facchetti e Beckenbauer.

Peguei o jogo já no final do primeiro tempo. Arbitragem mexicana, enroladíssima e omissa, para um dos mais sensacionais jogos de todas as Copas. O time italiano, tecnicamente inferior, compensava com preparo físico admirável e marcação cerrada, defendendo-se com a força de 1000 legiões romanas.

A vantagem de 1 a 0 para a Itália (gol de Boningsena) se manteve até os acréscimos, quando o zagueiro Schnellinger empatou, no único gol de sua carreira. E veio então a meia hora mais fantástica da história do futebol, pelo menos na minha opinião. De tirar o fôlego.

Sem a proteção das caneleiras, inexistentes à época, os times jogavam de meias arriadas, voando baixo. Beckenbauer havia fraturado a clavícula e apenas fazia número, sem disputar a bola ou correr normalmente. As duas substituições alemãs já haviam sido feitas.

Logo aos 4 minutos, Müller aproveitou cochilada da zaga e tocou para as redes, desempatando o placar. Indômita, a Azzurra não se amofinou. Pelo contrário. Quatro minutos depois, Burnigch igualou outra vez. Aos 13, em contragolpe fulminante, com a zaga alemã exaurida pelo sacrifício do Kaiser, Riva bateu cruzado para desempatar.

O ritmo era cadenciado, mas sempre intenso. Aos 4 da segunda etapa da prorrogação, Müller mergulha para novo empate. Mal comemorou, pois Rivera faz 4 a 3 apenas um minuto e meio depois.

A partir daí, mesmo lutando heroicamente, a poderosa Alemanha saía da Copa, pronta para ganhar o torneio seguinte quatro anos depois. E a Itália se credenciava para encarar o Brasil de Pelé e Tostão na final mexicana. Mas, aí, já é outra história.

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Adeus a um grande homem

Foram 27 anos de cárcere. Quando saiu, Nelson Mandela emergiu como exemplo de luta contra o apartheid. Unificou os sul-africanos e sua cruzada pela liberdade virou referência no mundo inteiro. Em 2010, tive o privilégio de observar de perto a admiração e o carinho dos compatriotas por Mandela. Em Soweto, entrei em sua antiga casa, que hoje é museu. Pai da África, o grande homem se vai, mas seu exemplo permanece.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 06)