“Deveríamos clonar Lula e espalhá-lo pela A. Latina”

Por Clarissa Pont (Revista Teoria e Debate)

Líder do Movimento de Participação Popular (MPP), Mujica recebeu o apoio de 1.694 delegados, mais de dois terços dos que estavam habilitados a votar na eleição interna da Frente Ampla. Na votação, que contou com 2.381 delegados, ele venceu o ex-ministro da Economia do governo Tabare Vásquez, Danilo Astori, atual candidato a vice-presidente. Nesta conversa com Mujica e Astori, em Buenos Aires, devido à campanha no país vizinho pelo grande número de uruguaios residentes na Argentina, ambos reiteram a necessidade de massificar as escolas de tempo integral e acreditam que “salvar a los gurizes”, antes de mais nada, é a solução para resolver o problema de insegurança, principal preocupação dos uruguaios atualmente.
foto_mat_24045A Frente Ampla aparece com 42% das intenções de voto, contra 32% para o Partido Nacional, do ex-presidente centro-direitista Luis Lacalle, e 12% para o também de direita Partido Colorado, segundo pesquisa da Interconsult divulgada no final de setembro. Na pesquisa divulgada em agosto pelo mesmo instituto, a Frente Ampla somava 45% das intenções de voto. A queda é pequena, mas preocupa, porque reflete a mais recente controvérsia em torno de Mujica. No livro de entrevistas “Pepe, Colóquios”, lançado na Feira do Livro de Montevidéu, Mujica ataca a classe política da Argentina e põe em dúvida alguns companheiros da Frente Ampla.
“Los kirchner son de izquierda, pero una izquierda que, mamma mía, és una patota”; “Carlos Ménem es mafioso y ladrón” y “los radicales son tipos muy buenos pero unos nabos”, são algumas das pérolas de Mujica contra os argentinos. Segundo o jornalista Alfredo García, autor do livro publicado pela editora Fin de Siglo, tudo não passa de um mal entendido porque todas as linhas foram tiradas do contexto inicial das entrevistas.
Caso nenhum partido tenha mais da metade dos votos em 25 de outubro, acontecerá um segundo turno em 29 de novembro, na mesma data das esperadas eleições hondurenhas. No dia em que os uruguaios escolhem o novo presidente, votam também em um referendo onde a população decidirá se quer instalar uma Comissão da Verdade para julgar crimes do período da ditadura, o que depende da Justiça derrubar a Lei da Caducidade que protege os agentes da repressão.

Teoria e Debate – Pepe, caso eleito, como será a atuação do governo uruguaio na Unasul, principalmente depois da reunião de agosto em Bariloche quando o debate sobre as bases militares estadunidenses na Colômbia se intensificou? 
Mujica – Na verdade, ainda não discutimos o problema com a equipe de governo, mas eu posso apenas te dizer algo muito simples. A única coisa para qual serve uma base militar é para nos complicar a vida, e com os meios materiais que uma grande potência tem é algo que eles podem fazer praticamente sempre. É lógico que eles não deveriam nos complicar a vida e, com isso, não precisaríamos de pelo menos umas quantas conferências internacionais e uns quantos documentos e tantas reuniões de imprensa e tudo mais.
Entendo, no entanto, que tampouco podemos entrar em conflito flagrante com os Estados Unidos, porque não deves desafiar quem não podes vencer. Tens que buscar ter a inteligência de, por meios diplomáticos, acalmar as vontades e fazer de tudo para tudo para que eles paguem o maior custo político por essas bases. Apenas gostaria de grifar que essa não é uma resposta de governo, é o que pensa o Pepe.

Teoria e Debate – As eleições do dia 25 de outubro não decidem apenas a disputa eleitoral, mas apresentam dois referendos à população. Um deles é sobre a anulação da Ley de Caudicidad, que coloca obstáculos aos julgamentos de casos de violação dos Direitos Humanos durante a ditadura militar uruguaia, e o outro sobre o direito ao voto dos uruguaios que vivem fora do país. Os senhores acreditam que as perguntas do referendo têm influência sobre as eleições?
Astori – Não acreditamos que isso vá prejudicar a proposta partidária eleitoral da Frente Ampla. É certo que a imensa maioria dos frenteamplistas está de acordo e apoiará os dois referendos, o que já foi comprovado em resultados de consultas de opinião pública. O interessante é que a legislação eleitoral uruguaia brinda o cidadão com a possibilidade de separar as duas escolhas e pronunciar-se autonomamente por sua decisão quanto ao candidato à presidência. E mais, de acordo com a regulamentação, apenas se vota por sim nos referendos, não existe opção por não. Obviamente, quando o eleitor não introduz o papel por sim, incrementa o número de pronunciamentos contra. As pesquisas de opinião pública indicam um apoio crescente às consultas. E, certamente, nós dois apoiamos os dois plebiscitos a lo largo y a lo ancho do país durante toda campanha eleitoral.

Teoria e Debate – Existem questões delicadas no plano de governo, se pensarmos na grande coalizão que a Frente Ampla representa nestas eleições?
Mujica – Não planteamos o drama de consensuar porque minha preocupação de um sul desenvolvido é muito mais primitiva que isso. Se pudermos liquidar a indigência e cortar a pobreza pela metade, é por isso que vamos lutar no governo, eu não sei se estaremos pensando em direita ou esquerda. Depois, os outros é que vão julgar se fomos muito conciliadores. Mas há um tema com o qual nos comprometemos. O Uruguai é um país muito pequeno para ser comparado com a Argentina ou o Brasil, como os jornalistas gostam muito de tentar. Estamos entre dois colossos para a nossa dimensão, num mundo onde todos precisam de impostos e geração de emprego para prosperar. Na dimensão de mercado, nosso país não atrai ninguém e quem vem até à América Latina, se instala no Brasil ou na Argentina. Para podermos pretender que alguns capitais se instalem no Uruguai, necessitamos de clareza e certeza de certas regras que digam aos outros que somos um país muito sério. Nós não podemos nos dar ao luxo de mudar regras e nem devemos. Quando selamos um compromisso, temos que dejar el cuero en la estaca, que é a forma de apresentarmo-nos ao mundo como um país interessante.

Teoria e Debate – Acredito que estas colocações sejam referências à polêmica das papeleiras na fronteira com a Argentina. A minha pergunta é, na verdade, se é possível um governo socialista com a Frente Ampla? 
Mujica – E o que é o socialismo? O que era e o que será amanhã? O nosso programa corresponde a uma aliança de partidos que apresenta historicamente um conjunto de reformas a favor de desenvolver uma sociedade e tentar de integrá-la o máximo possível. Alguns dentro dessa colisão podem ter visões mais socializantes, outros menos, mas estamos comprometidos a estabelecer um conjunto de reformas que ajudem a diminuir tanta distância na nossa sociedade. Pensar não é fazer, pensar é pensar, mas eu também não vou esconder meu pensamento para conseguir quatro votos.

Teoria e Debate – Para encerrar, falando em questões estratégicas e políticas, como chegar a um acordo em relação às papeleiras na fronteira entre o Uruguai e a Argentina?
Mujica – Eu posso responder esta pergunta em termos de hipóteses, e acredito que nunca se possa fazer nada contra a vontade do povo. Agora o mais importante é encontrar uma solução. E quando não se quer nenhuma solução, o tempo dá sua resposta. Nós reivindicamos sempre transformar os problemas em possibilidades, porque sei que além dos cartazes e das manifestações o povo necessita de trabalho e soluções econômicas. E não digo isso em tom ofensivo. Eu gosto de falar que sou admirador do presidente Lula. Em que sentido? Lula é um senhor presidente, com um grande número do parlamento que vota contra, e mesmo assim logra manejar um país com as dimensões do Brasil, com os problemas que tem. E por que ele consegue isso? Porque negocia, negocia e negocia, tem a paciência de um velho dirigente sindical. E esse é o espírito que devemos ter nesse tema. Aliás, aqui entre nós, deveríamos clonar o Lula pela América Latina.

Pirão anuncia contratação de zagueiro

maxO zagueiro Max Lélis, que foi cogitado pelo Remo há dois meses, foi confirmado nesta terça-feira como novo reforço do clube para a temporada 2014. O próprio presidente do Remo, Zeca Pirão, anunciou a contratação durante o programa Clube na Bola da Rádio Clube. Max disputou a Série C do Campeonato Brasileiro pela equipe do Betim-MG. Com 26 anos, ele já defendeu Atlético-MG (campeão estadual em 2007), ABC-RN, Ipatinga-MG, Guarani-SP. O atleta tem chegada prevista para esta quarta-feira (11) e deverá ser apresentado à torcida azulina antes do amistoso de domingo (15), diante do Londrina-PR, no estádio Mangueirão. Também amanhã o Remo receberá o lateral direito Diogo Silva, que estava no ASA-AL, e o volante Mael, que disputou a primeira fase do Campeonato Paraense pela equipe do Águia de Marabá.

Ataque da armada inglesa

Por Gerson Nogueira

unnamed (29)O preconceito que se dissemina pelo mundo sob faces e formas variadas atinge em cheio agora a vizinha Manaus, por intermédio de um tabloide inglês sem papas na língua e nenhuma responsabilidade com o jornalismo sério e a verdade dos fatos. A virulência britânica veio à tona depois que a Inglaterra foi sorteada para fazer um de seus jogos na primeira fase da Copa do Mundo de 2014, justamente o clássico com a Itália, na capital baré.

Para uma cidade que nos últimos anos, em nome da paranoia anti-terror, tem atropelado os mais básicos direitos humanos, soa esdrúxula a manifestação do Daily Mirror em sua edição de ontem.

A afirmação de que Manaus é uma cidade “brutal”, embora calçada em estatísticas (não muito distantes infelizmente dos números da nossa Belém), é de uma incoerência figadal, visto que a brutalidade também é prática na terra da Rainha. A começar pelas arruaças dos hooligans, selvagens nascidos nos centenários estádios de Londres.

Cabe lembrar também o assassinato do brasileiro Jean Charles no metrô londrino, alvejado na rua sem a mínima chance de defesa, e que posteriormente foi justificado sob o manto da segurança coletiva. Um exemplo trágico da maneira como a polícia inglesa costuma tratar imigrantes e pessoas que fisicamente pareçam suspeitas.

A morte de Jean Charles, cujos executores jamais foram responsabilizados judicialmente pelo crime, é uma triste página da escalada de intolerância e violência por parte do Estado britânico. Não há nenhuma ocorrência – nem de longe – parecida em solo brasileiro contra cidadãos ingleses. Manaus, pelo que se sabe, jamais foi tão hostil e homicida contra visitantes estrangeiros.

Quando a mídia londrina volta seus canhões contra Manaus confirma apenas uma velha realidade: a prática corriqueira do jornalismo meia-sola que o Mirror pratica há décadas, destilando racismo e má vontade em relação a qualquer povo que não seja do Velho Continente.

A lamentar que a saraivada de críticas à cidade – pontuadas por detalhes exagerados, como o suposto risco de ataques de aranhas e cobras nos hotéis – acentue esse ranço colonialista que tanto mal semeou pelo mundo desde a época dos descobrimentos.

Diante do malfeito, espera-se que o povo amazonense, que costuma discriminar pessoas oriundas do Pará, tenha elegância suficiente para driblar com bom humor a grosseria dos britânicos. Nada melhor que agir com grandeza diante de gestos de baixeza humana.

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Diretoria blinda Camisa 33

O Remo já contratou o dono da Camisa 33, mas somente o presidente Zeca Pirão e seu vice Maurício Bororó sabem o nome do misterioso jogador. Segredo tão bem guardado gerou, no fim de semana, um intenso movimento na bolsa de apostas.

Até ex-jogadores ganharam espaço. Túlio Maravilha foi defendido pelo técnico Charles Guerreiro. Rivaldo, citado por um conselheiro do clube, também entrou na boataria. Em meio a isso, os nomes de Herrera e Bruno Rangel voltaram à tona, com insistência.

Apesar da curiosidade geral, o anúncio do Camisa 33 deve ficar mesmo para a tarde de domingo por ocasião do desembarque da atração no gramado do Mangueirão, minutos antes do amistoso com o Londrina.

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Fim de uma era no Botafogo

Oswaldo de Oliveira, que reinou absoluto no Alvinegro por dois anos, parte sem deixar saudades. Ganhou um título carioca, mas foi responsável direto pelos maus passos do time nos campeonatos brasileiros de 2012 e 2013. Nos dois torneios, as campanhas foram duramente prejudicadas por desmanches avalizados por Oswaldo. Habilmente, o treinador procurou deixar no ar que a responsabilidade era exclusiva da diretoria. Quem acompanha a vida do clube sabe que a história não foi bem assim.

No ano passado, quando o Botafogo ensaiava uma arrancada e brigava pela liderança, ficou sem os quatro homens de ataque: Herrera, Loco Abreu, Elkson e Maicosuel. Nenhum deles foi substituído à altura, mas Oswaldo aproveitou para efetivar seu pupilo Rafael Marques, que marcou um gol na temporada. No campeonato deste ano, quando o time era vice-líder, novamente sob as bênçãos de Oswaldo, a diretoria despachou Felipe Gabriel, Andrezinho, Vitinho, Jadson e Antonio Carlos.

Oswaldo deve assumir o comando do Santos, levando para a Vila Belmiro como reforços alguns personagens que provocaram pesadelos na torcida botafoguense – Marques, Lucas Zen e André Baía e outros menos votados.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 10)

Mazola assume e faz planos para 2014

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O técnico Mazola Junior foi apresentado oficialmente na tarde desta segunda-feira pelo Paissandu. Em entrevista coletiva, no estádio da Curuzu, falou de seus planos para 2014, prometendo montar uma equipe à altura das tradições do clube. Indicado pelo gerente Sérgio Papellin, Mazola teve uma curta passagem pelo Cuiabá na Série C deste ano e já teve experiência anterior no Sport-PE. Afirmou que pretende valorizar jogadores revelados pelo clube. Ainda nesta segunda, Mazola esteve em Barcarena, região nordeste do Estado, para inspecionar locais que possam hospedar a delegação do Papão para a pré-temporada prevista para ocorrer de 2 a 11 de janeiro. No dia 12, acontecerá a estreia contra o Gavião Kyikateje, na Curuzu, na abertura do Parazão 2014. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Oswaldinho da Cuíca não dirige mais o Fogão

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De comum acordo, o Botafogo e o técnico Oswaldo de Oliveira decidiram encerrar a parceria iniciada há dois anos. Oswaldo não será o treinador do clube na temporada de 2014. A diretoria alvinegra esteve reunida na manhã desta segunda-feira, em General Severiano, e anunciará em breve o novo técnico do Fogão. Oswaldo comandou o time do Botafogo em 133 jogos, com 64 vitórias, 38 empates e 31 derrotas. O técnico foi campeão carioca em 2013 e alcançou a quarta posição no Campeonato Brasileiro deste ano. A diretoria agradeceu pelo seu trabalho na formação de jovens atletas, desejando sucesso em seus próximos desafios. O técnico deve firmar contrato com o Santos.

A torcida alvinegra agradece, penhoradamente.

Os 33 jogos do tabu remista

Jogos, escores e treinadores do Remo no período do tabu de 33 jogos.

1º jogo – 31-01-1993 0 x 0 – Varlei de Carvalho.
2º jogo – 07-02-1993 1 x 0 – Varlei de Carvalho.
3º jogo – 16-05-1993 0 x 0 – Givanildo Oliveira.
4º jogo – 20-05-1993 1 x 0 – Givanildo Oliveira.
5º jogo – 23-05-1993 3 x 1 – Givanildo Oliveira.
6º jogo- 05-07-1993 1 x 0 – Givanildo Oliveira.
7º jogo- 26-07-1993 1 x 1 – Givanildo Oliveira.
8º jogo- 04-08-1993 1 x 0 – Givanildo Oliveira.
9º jogo- 07-09-1993 2 x 1 – Roberto Brida.
10ºjogo- 06-10-1993 1 x 1 – Roberto Brida.
11ºjogo- 23-01-1994 1 x 0 – Mário Felipe Perez (Tata ).
12ºjogo- 30-01-1994 4 x 3 – Mário Felipe Perez.
13ºjogo- 10-04-1994 0 x 0 – Mário Felipe Perez.
14ºjogo- 24-04-1994 0 x 0 – Mário Felipe Perez.
15ºjogo- 08-05-1994 0 x 0 – Mário Felipe Perez.
16ºjogo- 04-06-1994 2 x 1 – Fernando Oliveira.
17ºjogo- 26-06-1994 1 x 1 – Fernando Oliveira.
18ºjogo- 11-07-1994 2 x 2 – Waldemar Carabina.
19ºjogo- 19-07-1994 1 x 1 – Waldemar Carabina.
20ºjogo- 21-07-1994 2 x 0 – Waldemar Carabina.
21ºjogo- 02-04-1995 1 x 0 – Hélio dos Anjos.
22ºjogo- 11-06-1995 1 x 0 – Hélio dos Anjos.
23ºjogo- 03-08-1995 0 x 0 – Carlinhos Silva.
24ºjogo- 07-08-1995 1 x 0 – Carlinhos Silva.
25ºjogo- 31-03-1996 4 x 0 – Waldemar Carabina.
26ºjogo- 25-04-1996 2 x 0 – Waldemar Carabina.
27ºjogo- 26-05-1996 1 x 0 – Waldemar Carabina.
28ºjogo- 04-07-1996 2 x 1 – Waldemar Carabina.
29ºjogo- 01-09-1996 3 x 2 – Edinaldo Biá.
30ºjogo- 22-09-1996 1 x 1 – Edinaldo Biá.
31ºjogo- 16-02-1997 4 x 2 – Fernando Oliveira.
32ºjogo- 13-04-1997 2 x 1 – Fernando Oliveira.
33ºjogo- 07-05-1997 3 x 1 – Agnaldo e Belterra.

Foram 4 anos, seis meses e cinco dias (1.645 dias) do tabu, com 33 jogos invictos, iniciados no dia 31 de janeiro de 1993 e encerrados com vitória do Paissandu no dia 7 de junho de 1997.