Parazão-2014 esticado até maio

Por Gerson Nogueira

O Campeonato Paraense, cuja tabela foi anunciada ontem, mantém o mesmo formato de disputa dos últimos dois anos. Não é um desastre completo, mas peca pelo excesso de jogos desnecessários e deficitários. O modelo de semifinais de turnos em ida e volta, cuja mudança chegou a ser avaliada, foi teimosamente mantido, sob o argumento de que o calendário de jogos da Copa Verde pode ser conciliado sem prejuízos ao Parazão. Ora, a eliminação de um jogo das semifinais diminuiria as despesas e daria um caráter mais emocionante a essa fase da disputa.

unnamedPor força desse apego às semifinais em dose dupla, o campeonato se estenderá até 14 de maio, terminando às vésperas da abertura da Copa do Mundo. Os clubes medianos foram novamente contemplados pela lógica tortuosa da Federação Paraense de Futebol, mas Paissandu, Paragominas e Remo, que têm participação em duas competições ao longo do primeiro semestre, sentirão na pele os efeitos de um torneio exageradamente longo.

Clubes e federação já deveriam, há tempos, ter chegado a uma conclusão mais racional quanto ao campeonato estadual. Sem apelo de público nas sedes interioranas, o torneio se consolida como um desperdício de dinheiro e um festival de partidas enfadonhas.

Fórmula mais inteligente seria a adoção do sistema de pontos corridos, com direito a um cruzamento final entre os vencedores dos turnos. Além de mais interessante, essa forma de disputa teria pelo menos 30% a menos de jogos, garantindo aos clubes mais tempo de preparação para os torneios interestaduais e nacionais.

A tabela anunciada ontem abre, como no ano passado, a possibilidade de até oito jogos entre Remo e Paissandu, providência que é a única certeza de faturamento razoável na competição para os velhos rivais. Muito pouco para um campeonato tão longo e arrastado.

———————————————————–

Galo inicia luta pelo título

O Atlético-MG começa sua campanha em busca do título mundial de clubes encarando um adversário reconhecidamente inferior, mas inflado pelo incentivo da torcida marroquina. Até os rivais do Raja Casablanca prometem ir ao estádio apoiar o time. Pode não ser suficiente para equilibrar forças e ganhar o jogo, mas certamente ajuda bastante.

Com Ronaldinho Gaúcho voltando de contusão, o Galo dependerá mais do que nunca do entrosamento existente entre Diego Tardelli, Fernandinho e Jô. À base de infiltrações rápidas, esse trio tem condições de bloqueio do Raja e garantir uma vitória mais ou menos tranquila.

Dureza mesmo virá no confronto final, caso o Galo avance, contra o Bayern de Pep Guardiola. Isso ficou evidente ontem quando, diante dos chineses do Guangzhou Evergrande, o campeão europeu confirmou a superioridade. Impôs ritmo intenso no primeiro tempo e administrou no segundo. Fez 3 a 0, mas podia ter vencido pelo dobro, se forçasse mais.

Ribèrry, Müller, Tiago e Götze jogaram à vontade, exibindo o apuro tático e as virtudes individuais que fazem do Bayern um dos melhores times do mundo e favoritíssimo ao título deste mundial.

———————————————————-

Malabarista a caminho do topo

Neymar deu passe e fez gol no último jogo do Barcelona na temporada, ontem, contra o Cartagena. Termina o ano como um dos destaques do futebol europeu. E, ainda assim, para alguns não joga nada, é apenas um malabarista. Vou te contar…

———————————————————-

Ranking dos vice-campeões

Circula há alguns dias no território livre da internet a lista dos maiores vice-campeões do futebol brasileiro. Não, o líder não é o Vasco. Quem comanda a fila é o Cruzeiro, com 48 vice-campeonatos, seguido pelo Atlético-MG, 42. Flamengo e São Paulo vêm a seguir, com 40. O Vasco tem 37 e é o quinto colocado. O Paissandu é o sexto, com 36, e o Remo é o sétimo, com 35. No país que menospreza vices, a estatística só serve mesmo para rechear sarros entre torcedores rivais.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 18)