Com a Kombi, onde a Tuna estiver

Por Elias Ribeiro Pinto – no DIÁRIO

1 Até o final do ano a Kombi deixa de ser fabricada. Mas para nós, tunantes, ela nunca deixará de circular – e habitar os corações cruzmaltinos – como o transporte símbolo da nossa torcida. Aliás, é a torcida que mais cresce no Brasil. Agora mesmo convenci o meu neto, de 8 meses, a torcer pela Gloriosa. Espero que ele não seja persuadido pelo pai, remista, a mudar essa decisão, de jurar fidelidade à bandeira tunante, que ele assumiu agora, numa idade madura, depois de ponderar e racionalizar os prós e contras. Com ele, éramos 10, passamos a ser 11. Crescimento, portanto, de 10%, de uma só tacada. A torcida que mais cresce no país.
2 A Volkswagen se viu obrigada a tirar a Kombi do mercado, já que o veículo precisaria passar por mudanças radicais para se encaixar nos novos padrões de segurança impostos pelo governo. O utilitário tem uma longa relação com o consumidor brasileiro, desde que começou a ser montado no país, há 56 anos. Mais que a relação de custo e benefício, passou a ter, a exemplo do Fusca, uma ligação afetiva com seus compradores.
3 Confesso que nunca me senti seguro andando de Kombi, ainda mais quando tínhamos de acompanhar a Tuna em seus jogos pela Libertadores. Até mesmo uma ida ali em Ananindeua para enfrentar o rival Fuzuê já me punha em estado de insegurança crônica, como temos hoje quando saímos às ruas de Belém. Andar de Kombi, principalmente no banco da frente, era como andar de moto com para-brisa.
4 Mas os momentos de maior risco que enfrentei no interior de uma Kombi, perigos por mim enfrentados com o destemor de um Ulisses diante de ciclopes, se deram quando, jovem repórter de A Província do Pará, eu entrava numa Kombi da empresa para mais um dia de trabalho.
5 Os motoristas da casa, imagino, consideravam que tinham de participar também do cotidiano dinâmico da reportagem com sua cota de cortadas, aceleradas, desvios, freadas bruscas e loucuras em geral cometidas ao volante de uma Kombi. Logo de uma Kombi. Era como se o chefe de reportagem, ao atirar o pobre do repórter (que, na verdade, acompanhava uma equipe de repórteres que se espremia ao longo da fileira de bancos, dividindo pautas) no veículo, gritasse, heroico, como um comandante de galés: “Parem as máquinas (de moer carne) até que todos retornem da missão jornalística”. O motorista certamente se considerava incluído nesse tour de force, nessa maratona jornalística que desafiava o tempo, a tempo de a notícia ou a entrevista sair na edição do dia seguinte. Era pé na tábua e que santo Assis Chateaubriand nos valha. O chefe, o Bandeira, quando me surpreendia com alguma entrevista ou reportagem inusitada na pauta, recomendava: não tem problema, no caminho vais pensando no assunto, preparando as perguntas. Como, naquela Kombi que mais parecia um liquidificador desvairado? Ninguém chegava ao destino impunemente. Não saíamos – éramos cuspidos, atirados, renovados na fé.
6 Por causa dessa presença do veículo no “imaginário” do país, a montadora informa que fará uma campanha de “deslançamento” da Kombi, na mídia e nas redes sociais, à guisa de celebração às avessas, de despedida, com a inserção de depoimentos de consumidores em peças publicitárias.
7 Pois que a Tuna, a sua nova diretoria, corra (não precisa ser como os motoras de jornal). Que além de incluir – como depoimento – a relação da nossa torcida com as dimensões agigantadas do utilitário, dê um jeito de adquirir um veículo, em condições facilitadas, com as cores da equipe. Seria uma atração. Não quiseram mangar com a multidão de cruzmaltinos dizendo que caberíamos numa Kombi? Pois vamos mostrar com quantos tunantes se faz uma Kombi, que numa Kombi cabe muito mais, até a história de uma nação (não só a tunante). Sem esquecer de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas que tombaram – ou ficaram presas nas ferragens – na construção dessa história.
8 Ah, e um alô ao novo presidente da Tuna, Charles Tuma. Que tal – já que estamos falando de carros – retificar o nome (sem desmerecer sua família e o legado árabe), adotando-se como Charles Tuna? Pronto, o compromisso de reerguer o clube já começaria pelo nome, ou melhor, pelo sobrenome.

Artigo que condenou a Portuguesa é ilegal

Por Carlos Eduardo Ambiel (*) – do Blog do Juca

A decisão que condenou a Portuguesa a perder 04 pontos no Campeonato Brasileiro 2013, rebaixando-a à segunda divisão, está toda fundada na regra expressa do art. 133 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), segundo o qual o resultado de um julgamento desportivo produzirá efeitos imediatamente “independentemente de publicação ou da presença das partes ou de seus procuradores”, desde que previamente intimados para o julgamento. Como a Lusa foi comunicada da sessão do dia 06.12.13 (sexta-feira) e lá se fez representar por advogado, conclui-se que a pena de dois jogos de suspensão, aplicada ao atleta Heverton, deveria ser cumprida imediatamente, motivo pelo qual o jogador estaria impedido de atuar no domingo (08.12.13), quando foi escalado e gerou a capital punição ao clube paulistano.

Tal regra para o início imediato das penalidades da Justiça Desportiva é conhecida por todos os clubes e utilizada desde 10.12.2009, quando o Conselho Nacional do Esporte (CNE) resolveu que essa seria a redação do art. 133 do CBJD. Por isso, a decisão do dia 16.12.13 foi interpretada por muitos como a vitória da “legalidade” sobre o “clamor dos leigos”, afastando qualquer argumento pela moralidade ou razoabilidade da pena aplicada, sempre em nome da aplicação da legalidade estrita do CBJD.

No entanto, o que precisa ser observado – e até agora não foi – é que a Lei nº 12.299, de 27.07.2010, que alterou alguns dispositivos do Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/03), modificou expressamente a forma de publicação de qualquer decisão da Justiça Desportiva, inclusive aquelas do STJD do futebol. O art. 35 do Estatuto do Torcedor, após afirmar que as decisões da Justiça Desportiva, em qualquer hipótese, devem ter publicidade igual a dos tribunais federais, determina expressamente que todas as decisões deverão ser disponibilizadas no site da entidade de organização do desporto – no caso, o site da CBF -, sob pena de serem nulas, conforme previsão expressa do art. 36 do mesmo Estatuto (Lei nº 10.671/03).

Importante esclarecer que somente a partir de 27.07.2010, quando o Estatuto do Torcedor foi alterado pela Lei nº 12.299/10 é que passou a ser obrigatória a publicação das decisões do STJD no site da CBF, pois, antes disso, as decisões deveriam ser publicadas apenas nos sites das competições (art. 5º, § 1º do Estatuto do Torcedor), que muitas vezes sequer existiam. Tal alteração buscou não apenas dar segurança aos clubes sobre o resultado nas decisões – evitando erros de comunicação ou compreensão entre clientes e advogados -, mas também e principalmente dar ao torcedor a ciência oficial e inequívoca sobre os resultados das punições desportivas, via site oficial da CBF, afinal o torcedor do futebol tem o direito de saber qual atleta está ou não punido, antes de decidir ir ao Estádio ou assistir a qualquer partida pela televisão.

Assim passou a haver um conflito entre o que diz o CBJD de 10.12.2009, que tem natureza de Resolução Administrativa do CNE (Conselho Nacional do Esporte) e regra diversa prevista Lei Federal (Estatuto do Torcedor). Nesse caso, assim como a Constituição Federal prevalece sobre uma Lei ou Decreto, a regra do Estatuto do Torcedor é hierarquicamente superior e prevalece sobre uma Resolução do CNE (CBJD), ainda mais quando o texto conflitante da Lei é posterior ao da Resolução. Trata-se de hipótese em que, embora conste do CBJD, a regra do art. 133 passou a ser ilegal, pois contrária ao que dispõe Lei Federal alterada em 27.07.2010. Para os leigos, é o mesmo princípio de hierarquia que explica como uma lei promulgada pelo Congresso Nacional pode, embora vigente, ser declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário sempre que conflitar com a Constituição Federal, norma hierarquicamente superior.

Em síntese, desde julho de 2010 as decisões da Justiça Desportiva do STJD não mais produzem efeito a partir do julgamento – como ainda reza o citado art. 133 do CBJD -, mas somente passam a ter validade após sua publicação no site oficial da CBF. No caso do atleta Heverton, embora o julgamento tenha ocorrido no dia 06.12.13 (sexta-feira) a publicação do resultado no site da CBF só ocorreu no dia 09.12.13, as 18h45 (ver site da CBF). Como o Estatuto do Torcedor determina que qualquer decisão da Justiça Desportiva somente passa a valer após sua publicação na internet, a referida punição somente passou a produzir efeito na segunda-feira, dia 09.12.13 as 18h45, imediatamente após sua veiculação oficial no site da CBF.

Dessa forma, nenhuma irregularidade ocorreu na escalação no atleta no dia 08.12.13, domingo, quando a punição sequer produzia efeitos. E aqui não se trata de tese que defenda a aplicação da penalidade no primeiro dia útil seguinte à publicação, como alguns tentaram sustentar sem sucesso, mas sim do respeito à disposição legal que só considerava válida a penalidade após sua publicação oficial no site da entidade de organização da modalidade. Se a publicação na internet tivesse ocorrido na própria sexta-feira (06.12.13) ou no sábado (07.12.13), o atleta deveria cumprir a suspensão no domingo (08.12.13), mas como a divulgação oficial somente ocorreu na segunda-feira (09.12.13), nada impedia a escalação do atleta na última rodada do campeonato.

Aqueles que ainda defenderão a punição à agremiação lusitana dirão que todos os outros 19 clubes que disputaram a Série A cumpriram as punições a partir do dia do julgamento – como determina o superado art. 133 do CBJD, e não a partir da publicação na internet, como dispõe o atualizado Estatuto do Torcedor, inclusive alegando que outros clubes deixaram de escalar atletas chaves em jogos importantes, apenas porque cumpriram fielmente o que dizia o aclamado artigo 133 da Resolução do CNE (CBJD).

No entanto, o fato de os demais clubes continuarem aplicando a regra do CBJD durante os últimos anos em nada retira sua ilegalidade, afinal não cabe aos clubes a prerrogativa de alterar ou ajustar o texto do Código Desportivo às novas disposições da Lei (Estatuto do Torcedor), nem mesmo o poder de declarar o que ainda é válido ou o que já se tornou ilegal ou derrogado no CBJD, competência típica do STJD ou da Justiça Comum, quando assim forem demandados. Afinal, a prática equivocada dos demais clubes em cumprir voluntariamente as penas recebidas do STJD, mesmo antes da publicação no site da CBF, não afasta a ilegalidade do art. 133 do CBJD nem impede sua alegação ou declaração a qualquer momento, especialmente na atual situação da Portuguesa, em que referida disposição do CBJD (Resolução Administrativa) contraria o Estatuto do Torcedor (Lei Federal).

O julgamento do caso pelo Pleno do STJD certamente suscitará a discussão sobre a ilegalidade da regra do art. 133 do CBJD, que surpreendentemente ainda continua orientando o início das penas aplicadas pela Justiça Desportiva no Brasil, já a partir do julgamento, embora Lei Federal, hierarquicamente superior e alterada posteriormente, determine regra claramente diversa – valendo somente após publicação na internet.

Instado a se manifestar e constatando que o prolatado artigo 133 do CBJD contraria diretamente a regra do art. 35 e 36 do Estatuto do Torcedor, certamente os auditores do STJD concluirão pela sua ilegalidade – fundada na contrariedade do artigo da Resolução (CBJD) à Lei Federal -, fato que afastará qualquer irregularidade da Portuguesa, afinal, ninguém pode ser punido por não cumprir uma regra ilegal.

Ou seja, se os auditores do STJD forem realmente legalistas – deixando de observar apenas o texto original do CBJD para passar o aplicar a que determina uma Lei Federal vigente (Estatuto do Torcedor) -, não há duvidas que a Portuguesa deve ser absolvida. E se assim não ocorrer, como todos os fundamentos para a absolvição encontram-se no Estatuto do Torcedor, qualquer torcedor, da Portuguesa ou de outra equipe que jogou a Serie A, terá legitimidade e bastante facilidade em obter na Justiça Comum o restabelecimento da legalidade, devolvendo ao clube paulistano os pontos regularmente obtidos na competição.

Como ironia maior aos que brindaram a “legalidade” no julgamento do caso em primeira instância, nota-se que a Portuguesa não precisa implorar por moralidade nem pedir qualquer compaixão dos auditores do Pleno do STJD para continuar no lugar que conquistou em campo: basta apenas que o Tribunal Desportivo tenha a coragem de ser realmente legalista para aplicar o que manda a Lei (aqui grafada com “L” maiúsculo), sem olhar a quem.

*Carlos Eduardo Ambiel é advogado e Mestre em Direito do Trabalho pela USP. Professor de graduação e pós-graduação da FAAP. Professor e Coordenador do Curso de Especialização em Direito Esportivo da Escola Superior da Advocacia da OAB/SP.

**Os trechos em negrito são do blog.

O melhor do pior da música brasileira em 2013

Por Jamari França

O levantamento da empresa especializada Crowley das 100 músicas mais tocadas no país este ano mostra o grau de deterioração a que chegou o mainstream, banindo várias tendências ricas das músicas brasileira e estrangeira em favor de um material rasteiro, uma verdadeira lavagem cerebral da nossa cultura. Se compararmos esta lista com as de 20, 30 e 40 anos atrás constatamos o grau agudo da “lixificação” da nossa música.

Olhando as listas anteriores, compiladas pelo blog www.somdoradio.com, constatamos que, até em termos populares, os artistas eram melhores do que os atuais. Em 1973, Agnaldo Timóteo (Os Brutos Também Amam), Angelo Máximo(Domingo Feliz) e Benito de Paula (Retalhos de Cetim) são música clássica perto de Luan SantanaAnitta e Naldo BennyElis ReginaGilberto GilErasmo CarlosMaria Bethânia e Fagner eram bem tocados. E Pink Floyd, David Bowie, Deep Purple, Wings, banda de Paul McCartneyRaul Seixas (quatro músicas), Secos e Molhados (três).

Ney+Matogrosso+NeyQuando pulamos para 1983 entra em cena o rock da Geração 80 começando a aparecer nas rádios com Blitz (seis músicas), Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Lulu Santos (cinco), Herva Doce, Gang 90 e Absurdetes e Pepeu Gomes. Na linha popular, Marcio GreykMarcelo. Da MPB Luis MelodiaGilberto GilFagner. Entre os gringos David Bowie, Prince, Crosby Stills Nash, Culture Club, Bonnie TylerBryan Adams, Earth Wind and Fire,Eric Clapton e Eurythmics.

Em 1993, notamos o início da tendência que culminaria este ano com o melhor do pior da nossa música. A indústria começa a investir na música baiana, nasce o império do axé com Banda Cheiro de Amor, Netinho,Timbalada e Chiclete com Banana. Kid Abelha e Legião Urbana ainda marcam presença, com o Skank, revelado nesta década. Chico Science e Nação Zumbi, a banda mais importante revelada nos anos 90, só lançaria seu primeiro disco no ano seguinte. A MPB estava escassa e entre os gringos nota-se o surgimento do rap, faceta musical da cultura hip hop, com Dr. Dre e Ice Cube. No rock Green Day, Guns’n’Roses, R.E.M. e U2. Nota-se com isso um fechamento gradual para a música brasileira de qualidade, o quadro que se vê hoje com a exclusão de artistas como Zélia DuncanLenineCeuMaria Rita,Marcelo JeneciTulipa Ruiz e antigos como Caetano Veloso e Ney Matogrosso.

REM-007O modelo imposto à maioria com a pretensa justificativa de ascensão das classes C e D esconde, na verdade, um processo de lavagem cerebral que aliena as massas da boa música e a leva a consumir produtos indigentes que nem podem ser classificados como cultura. A alienação é definida tradicionalmente como cerveja, futebol e carnaval, mas agora também se inclui a música popular do mainstream. Chamar isso de música brasileira é uma ofensa às gerações de músicos realmente talentosos de hoje e do passado.

Segue a lista da Crowley para 2013.

1 – “Vidro Fumê” – Bruno & Marrone
2 – “Te Esperando” – Luan Santana
3 – “Show das Poderosas” – Anitta
4 – “Vagalumes” – Pollo e Ivo Mozart
5 – “Amor de Chocolate” – Naldo Benny
6 – “Don’t You Worry Child” – Swedish House Mafia
7 – “Amiga da Minha Irmã” – Michel Teló
8 – “93 Million Miles” – Jason Mraz
9 – “Sogrão Caprichou” – Luan Santana
10 – “Choro” – Leonardo
11 – “Girl On Fire” – Alicia Keys, com participação de Nicki Minaj
12 – “When I Was Your Man” – Bruno Mars
13 – “Piradinha” – Gabriel Valim
14 – “Jeito Carinhoso” – Jads & Jadson
15 – “Deserto” – Thaeme & Thiago
16 – “Um Ser Amor” – Paula Fernandes
17 – “Fala Baixinho (Shiii)” – Revelação
18 – “Esse Cara Sou Eu” – Roberto Carlos
19 – “Se Joga” – Naldo Benny, com participação de Fat Joe
20 – “Na Linha do Tempo” – Victor & Leo
21 – “Quando Você Some” – Victor & Leo, com participação de Zezé Di Camargo & Luciano
22 – “Diamonds” – Rihanna
23 – “Vai e Chora” – Sorriso Maroto
24 – “Desencana” – Thiaguinho
25 – “Veneno” – Fernando & Sorocaba
26 – “Diz Pra Mim (Just Give Me A Reason)” – Gusttavo Lima
27 – “Get Lucky” – Daft Punk, com participação de Pharrell Williams
28 – “Louco Coração” – Eduardo Costa
29 – “Enamorado” – Eduardo Costa
30 – “Conto Até Dez” – George Henrique & Rodrigo, com participação de Jorge & Mateus
31 – “Pode ou Não Pode” – Zé Ricardo & Thiago
32 – “Locked Out of Heaven” – Bruno Mars
33 – “Se Tudo Fosse Fácil” – Michel Teló, com participação de Paula Fernandes
34 – “Clichê” – João Neto & Frederico, com participação de Jorge & Mateus
35 – “O Que Cê Vai Fazer” –  Fernando & Sorocaba
36 – “Irracional” – Marcos & Belutti
37 – “Um Lugarzinho na Sua Cama” – João Bosco & Vinícius
38 – “Crime Perfeito” – João Neto & Frederico
39 – “Criação Divina” – Zezé Di Camargo & Luciano, com participação de Paula Fernandes
40 – “Meu Novo Mundo” – Charlie Brown Jr.
41 – “Mente Pra Mim” – Cristiano Araújo
42 – “Balada Louca” – Munhoz & Mariano, com participação de João Neto & Frederico
43 – “Stay” – Rihanna, com participação de Mikky Ekko
44 – “Caso Indefinido” – Cristiano Araújo
45 – “Garotas Não Merecem Chorar” – Luan Santana
46 – “Just Give Me a Reason” – Pink, com participação de Nate Ruess
47 – “Mirrors” – Justin Timberlake
48 – “Brigas Por Nada” – Sorriso Maroto
49 – “Girassol” – João Bosco & Vinícius
50 – “Feel This Moment” – Pitbull, com participação de Christina Aguilera
51 – “A Hora É Agora (Paz e Amor)” – Jorge & Mateus
52 – “Anjo Protetor” – Eduardo Costa
53 – “Sem Vergonha e Sem Juízo” – Leonardo
54 – “O Que É Que Tem” – Jorge & Mateus
55 – “Nao Para” – Anitta
56 – “Dois Corações” – César Menotti & Fabiano, com participação de Jorge & Mateus
57 – “Gatinha Assanhada” – Gusttavo Lima
58 – “Enquanto Houver Razões” – Jorge & Mateus
59 – “Scream & Shout” – Will.I.Am, com participação de Britney Spears
60 – “A Bela e o Fera” – Munhoz & Mariano
61 – “Flor” – Jorge & Mateus
62 – “Daylight” – Maroon 5
63 – “Ousadia e Alegria” – Thiaguinho, com participação de Neymar Jr.
64 – “I Follow Rivers” – Lykke Li
65 – “Anjos (Pra Quem Tem Fé)” – O Rappa
66 – “Doidaça” – Gusttavo Lima
67 – “Se o Coração Viajar” – Paula Fernandes
68 – “Festa Boa” – Henrique & Diego, com participação de Gusttavo Lima
69 – “Ho Hey” – The Lumineers
70 – “Heart Attack” – Demi Lovato
71 – “A Gente Tem Tudo a Ver” – Turma Do Pagode
72 – “A Thousand Years” – Christina Perri, com participação de Steve Kaze
73 – “Vi Amor No Seu Olhar” – Belo
74 – “Pantera Cor de Rosa” – Munhoz & Mariano
75 – “Tantinho” – Daniel
76 – “Prefácio” – João Carreiro & Capataz
77 – “Tempos Modernos” – Jota Quest
78 – “Don’t Wake Me Up” – Chris Brown
79 – “Se Beijar Na Boca Dá Sapinho” – João Lucas & Marcelo
80 – “Mô” – Fernando & Sorocaba
81 – “Horas Iguais” – Turma Do Pagode
82 – “Tá Namorando e Me Querendo” – Henrique & Juliano
83 – “Love Song” – Michel Teló
84 – “Aparências Enganam” – Thiaguinho
85 – “Louquinha” – João Lucas & Marcelo
86 – “Feel So Close” – Calvin Harris
87 – “E Agora?” – George Henrique & Rodrigo
88 – “I Knew You Were Trouble” – Taylor Swift
89 – “Água Na Boca” – João Lucas & Diogo, com participação de Koringa
90 – “Fale Um Pouco de Você” – Daniel
91 – “Sweet Nothing” – Calvin Harris, com participação de Florence Welch
92 – “Thrift Shop” – Macklemore & Ryan Lewis, com participação de Wanz
93 – “Não Era Eu” – César Menotti & Fabiano
94 – “Magnetismo” – Ricardo & João Fernando
95 – “Treasure” – Bruno Mars
96 – “Não me Compares” – Alejandro Sanz, com participação de Ivete Sangalo
97 – “Perto de Mim” – Thaeme & Thiago
98 – “Pra Te Fazer Lembrar” – Lucas Lucco
99 – “Depois da Briga” – Péricles
100 – “Dançando” – Ivete Sangalo

* Jamari França é jornalista, escreve sobre pop rock desde 1982. Cobriu exclusivamente o Rock Brasil para o Jornal do Brasil nos anos 80, quando se dividia entre o Caderno B e a Editoria Internacional. Trabalhou no Globo Online de 2001 a 2009. É  autor da biografia dos Paralamas, Vamo Batê Lata, e tradutor de livros sobre música e política.

Motivos para o desastre atleticano

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Por Chico Maia – de Marrakesh

O mais fácil para qualquer crítico em momentos como este vivido pelo Atlético é promover “caça às bruxas”, com direito a injustiças históricas. Não entro nessa, mas também não fujo do dever de criticar e apontar erros, que se repetem no dia a dia futebol em todos os clubes. Cuca é ótimo treinador e certamente tem crédito para voltar a trabalhar no futebol mineiro em qualquer um dos nossos grandes.

Porém errou feio neste Mundial. Não só pela escalação equivocada de um jovem volante, Lucas Cândido, improvisado na lateral esquerda, deixando um experiente especialista no banco, Junior César, que produziria muito mais e controlaria melhor os próprios nervos, além de ajudar a acalmar os companheiros. Também na opção por Josué, deixando Leandro Donizete, inteiro fisicamente, no banco.

O grande erro do Cuca foi no psicológico, no ambiente do grupo, ao deixar vazar que já estava fora do Atlético, que aqui no Marrocos trata-se apenas de um “treinador no exercício do cargo”. Quando uma notícia desses vaza para a imprensa os jogadores já estão sabendo há muito tempo, e quem conhece os bastidores do futebol profissional sabe que isso influencia e muito no comportamento, dentro e fora de campo, de cada um.

O treinador que está saindo ou caindo vira um “pato manco”, igual a prefeito, governador ou presidente da república em fim de mandato, com o sucessor já eleito. Marcos Rocha, num ímpeto de raiva, protagonizou aquela cena ridícula de desrespeito ao seu comandante porque sabia que não estará sob as suas ordens em 2014. Também não pode ser jogado às feras por isso, porque é jovem e o seu comportamento pessoal sempre foi exemplar. Errou, está pagando e ainda pagará mais por isso, mas é um dos melhores laterais do país, com grande potencial para crescer.

Patrimônio valioso do clube, mas humano, que erra dentro e fora das quatro linhas, como qualquer mortal.

No primeiro treino depois da eliminação do Monterrey, perguntado sobre o que sabia do Raja Casablanca, Diego Tardelli, disse que “nada”, mas que segunda-feira os jogadores assistiriam um vídeo deles. Lembrei-me da tristemente célebre frase do Zagallo, às vésperas da semifinal da Copa de 1974 na Alemanha, quando perguntado pela Holanda e o “Carrossel holandês”. Respondeu que se alguém  tinha que se preocupar com alguém eram os holandeses com o Brasil, que tinha três títulos mundiais, e emendou: ” “O time deles é bom, mas os holandeses não têm tradição em Copas e isso pesa. A Holanda não me preocupa. Estou pensando na final com a Alemanha.”

Cuca também deve ter pensado isso do Raja Casablanca, pois o time deles sabia tudo do Atlético, que não conseguiu mandar no jogo em momento algum. O elenco do Atlético é muito melhor que o do Raja, mas vontade e motivação no futebol são fundamentais. Isso é papel do treinador, nos treinos, na concentração, na preleção momentos antes de cada jogo. O técnico deles, soube trabalhar isso, Cuca achou que não precisava, pois o Bayern é que importava.

Se tivesse esquecido o Bayern, talvez hoje estaria preparando o time para a final contra ele.

Snowden e a casca de banana

Por Clóvis Rossi 

A presidente Dilma Rousseff está coberta de razão ao desencorajar implicitamente o pedido de asilo ao Brasil que Edward Snowden deu a entender que faria em carta divulgada pela Folha.

Ao referir-se a “um indivíduo que não deixa claro o que quer”, Dilma deixa implícito certo desdém por alguém que é um herói para uma fatia da opinião pública internacional, inclusive no próprio partido da presidente. Tivesse alguma intenção de ser simpática a Snowden, a presidente jamais usaria “indivíduo”.

Dilma recusa-se, se minha interpretação é correta, a atravessar a rua para escorregar numa casca de banana (a concessão do asilo) jogada na outra calçada.

Em outra circunstância, Snowden até mereceria o asilo. Prestou inestimável serviço aos direitos individuais e à privacidade ao denunciar o megaesquema de espionagem montado pelos Estados Unidos.

Mas Dilma já reagiu às informações com a firmeza necessária e o devido grau de responsabilidade. Repito o que escrevi após as primeiras declarações da presidente, ao ter ciência da espionagem (a geral e a de que foi vítima específica):

“Dilma Rousseff está sendo suficientemente responsável para, ao mesmo tempo, expor sem disfarces sua indignação com o sistema norte-americano de espionagem sem recair num clássico da esquerda latino-americana, que é o destempero retórico contra o tal ‘império’.”

Há quem diga que a indignação de Dilma não teve, junto ao governo norte-americano, o mesmo efeito da queixa da chanceler alemã, Angela Merkel.

Discordo. O presidente Barack Obama chegou a atrasar um evento protocolar, durante a cúpula do G20 de São Petersburgo, em setembro, só para tentar explicar-se diretamente a Dilma.

Comprometeu-se a dar informações adicionais em visita que logo depois fariam a Washington autoridades brasileiras. Deu-as, mas foram consideradas insuficientes para permitir que Dilma mantivesse a visita de Estado programada para outubro.

O equilíbrio da presidente evidencia-se também pelo fato de ter adiado a visita, em vez de cancelá-la, o que seria mais agressivo.

O governo brasileiro fez, pois, tudo o que deveria fazer em relação ao abuso. Não precisa, agora, salgar a ferida dando asilo a Snowden, se ele vier a pedir. Afinal, como se diz no Itamaraty, o relacionamento correto com os EUA é importante para qualquer país do mundo.

Não é responsável prejudicá-lo. Ainda mais que um dos porta-vozes de Snowden, David Miranda, casado com o portador dos segredos do informante, o jornalista Glenn Greenwald, anuncia que o objetivo é um ativismo político que, em geral, as regras do asilo proíbem. Disse Miranda:

“Se Snowden estivesse no Brasil, é possível que pudesse fazer muito mais para ajudar o mundo a entender como NSA e aliados estão invadindo a privacidade de pessoas no mundo todo e como podemos nos proteger”.

Do ponto de vista do governo brasileiro, está tudo entendido a respeito da NSA e não há interesse –nem recursos– em servir de contraespionagem.

CBF admite erro no site e Lusa ainda pode escapar

De acordo com o jornal Lance!, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) admitiu que houve uma defasagem no sistema disponibilizado aos clubes no site oficial da entidade que mostra quais atletas estão em condições de jogo para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro, e que a página mostrava o meia Héverton, da Portuguesa, liberado para o jogo contra o Grêmio. A CBF atualiza o sistema somente quando recebe as decisões do STJD – o que aconteceu apenas na terça-feira, dia 10, enquanto Héverton foi julgado na sexta (6) e entrou em campo de forma irregular no domingo (8).
Essa desatualização no sistema da CBF deve ser o principal argumento da Portuguesa no julgamento do recurso da decisão que puniu o clube rubro-verde com quatro pontos e resultou em seu rebaixamento, livrando o Fluminense de disputar a Série B. (Da revista ISTOÉ) 

O esporte mais democrático

Por Gerson Nogueira

Sempre que um desastre futebolístico acontece, busca-se todo tipo de explicação. Até razões sobrenaturais são levantadas. Ocorre que a bola tem caprichos que nem sempre encontram justificativa lógica. Times superiores tecnicamente podem ser derrotados por equipes mais modestas, operárias e determinadas. Isso normalmente se dá quando há a coincidência fatal: o time mais modesto faz seu melhor jogo e o favorito tem um dia ruim.

unnamed (23)Acima de tudo, o que o Raja Casablanca usou ontem contra o Atlético-MG foi o que os manuais do futebol chamam de superação. Defesa fechada a cadeado, rápido nas idas e vindas ao ataque e com aplicação absoluta nos contra-ataques. Os dois gols surgiram em lances de aproveitamento de espaços na defesa atleticana.

O fato de haver optado pelos contragolpes dá bem a medida do respeito que o Raja tinha pelo Atlético. E venceu justamente por ter sido mais humilde e consciente de suas limitações. Se fosse enfrentar o Galo de igual para igual, em ritmo cadenciado, provavelmente o representante marroquino seria facilmente envolvido.

Desde os primeiros movimentos, ao contrário, o Raja mostrou que não iria se expor. Preferia esperar. E fez isso com disciplina e método. Tudo se desenrolou como o planejado. O Atlético, como aspirante ao título, não fez cerimônia e partiu com tudo para o ataque, mas de maneira desorganizada.

Aos poucos, o esquema do Raja foi se mostrando mais eficiente, explorando os corredores abertos nos dois lados e a indecisão dos volantes Pierre e Josué. No final do primeiro tempo, Karrouchy entrou pela esquerda e passou para Moutaouali que, de primeira, disparou e Victor defendeu brilhantemente. O mesmo Moutaouali quase marcou logo em seguida, errando o disparo final.

Foi o ensaio para o que iria acontecer no segundo tempo. Sem aproximação entre os setores, lentidão excessiva de Ronaldinho Gaúcho no meio e laterais inexistentes, o Atlético vivia exclusivamente das arrancadas de Fernandinho, logo bloqueado pela marcação. Tardelli e Jô não davam as caras no ataque.

O gol de Moutaouali aos 5 minutos fez lembrar a histórica tragédia colorada diante do Mazembe. A boa atuação do Raja era premiada e ainda surgiram duas chances preciosas para ampliar, mas a afobação empolgada dos marroquinos salvou o Galo.

O sumiço de Ronaldinho em campo só acabou quando surgiu uma falta à entrada da área. Como se pusesse a bola com a mão, o meia bateu e empatou. Era a senha para que o sonho atleticano renascesse. Com 30 minutos por jogar, bastaria ao Atlético pôr a bola no chão e botar o Raja na roda. Fácil, diriam os pachecos de plantão.

Ledo engano. Quem se mostrou mais concentrado foi o Raja, que não sentiu o gol e continuou a jogar da mesmíssima maneira. Esperando e roubando bolas para sair em contra-ataque, contando com a desarrumação defensiva dos mineiros. O segundo gol começou a nascer assim, em velocidade, e culminou com um penal à brasileira, facilitado pela imprudência do zagueirão Rever. Mabide ainda faria o terceiro. De contra-ataque, a jogada mais óbvia do futebol, que o Galo esqueceu de marcar.

É preciso reconhecer: foi um primor de planejamento, executado com precisão e eficiência. E, ao contrário do Mazembe contra o Inter, o Raja foi bem mais que uma zebra. Teve organização e confiança. Isso, às vezes, basta para vencer.

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Sonho ou ideia fixa?

Diretoria do Papão informa que o meia Júnior Xuxa, velho sonho de consumo dos bicolores, está quase certo para a temporada 2014. Confessor que até hoje não entendi tamanha insistência.

Xuxa mostrou qualidades na Série C há uns cinco anos. Desde então, não soube de nada relevante em sua carreira. Enfim, sonhos devem ser realizados e o Papão deve saber o que faz.

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Brincando com coisa séria

O Botafogo mostra suas armas para disputar a Libertadores, depois de 18 anos. Primeira providência da genial diretoria: promover a técnico dos profissionais o treinador das divisões de base. É por isso que eu costumo dizer, parafraseando o grande Tom Jobim, que o Botafogo não é para amadores e sim para profissionais.

Chega de gente que brinca com futebol, que pode (e deve) ser divertido, mas tem que ser levado a sério.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 19)