Leão fecha contratações de Potiguar e Mael

PSC Potiguar-Mario Quadros

A diretoria do Remo praticamente definiu, nesta sexta-feira, as contratações do meia-atacante Tiago Potiguar, 28 anos, e do volante Mael, 29. Potiguar, que se destacou no Paissandu, estava ultimamente no futebol sul-coreano. De início, a negociação esbarrou na resistência do empresário que detém os direitos sobre o jogador, mas uma reunião sacramentou o acordo. Potiguar deve se apresentar ao técnico Charles Guerreiro na segunda-feira. Já Mael, revelado nas divisões de base da Tuna, defendeu o Santa Cruz de Cuiarana no Parazão-2013 e o Águia na Série C.

Além de Potiguar e Mael, o Remo aguarda a chegada do centroavante Leandrão, que já acertou com o clube e deverá se apresentar no estádio Evandro Almeida no dia 2 de janeiro. Essas contratações devem fechar o elenco azulino para o primeiro semestre de 2014. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

Uma declaração de apoio à ousadia

Por Barbara Gancia

Explique-me se puder, você que faz parte dessa gente bron­zeada e saiu às ruas para pro­testar contra “tudo isso que está aí”. Alguém consegue conceber a re­forma de uma quitinete, que seja, sem causar incômodo? Estou curiosa: como se pretende romper o muro (rodoanel?) da de­sigualdade que insiste em embru­tecer nossa cidade sem passar por alguns percalços?

Tudo bem, a imagem é pretensio­sa e talvez exija recursos mentais dos quais, por ora, não dispomos. A visão de uma São Paulo inclusiva, em que uma Paraisópolis possa conviver harmoniosamente com um Morumbi ainda não aterrissou em Congonhas ou desembarcou na rodoviária do Tietê.

Mas por que saímos às ruas então? Não foi por mudanças? Se existis­sem pesquisas de opinião na época da construção dos aquedutos ro­manos, será que a turma acusaria algum desconforto quanto às obras? “Aumentou o tráfego de bi­gas perto de casa, aquilo está um fe­dor de estrume que só vendo”. Não é preciso ir tão longe. Basta lembrar da revolta ocorrida quan­do Oswaldo Cruz iniciou o mutirão da vacinação.

Tudo isto para dizer que o paulis­tano é um desorientado que fala uma coisa e faz outra. Saiu às ruas pedindo melhores serviços, mas quer que isso aconteça num piscar de olhos, como se fosse possível dormir em Perdizes e acordar em Bel Air, só porque quis assim.

O Minhocão é o monumento maior ao modelo “recauchutagem rápida”, dá-lhe um tapa e não se fala mais nisso, de uma cidade sem pla­nejamento de longo prazo e sem modelo do que quis ser quando crescesse, que não ousou passar por mudanças algo dolorosas para endireitar e deu nisto. Está na hora de amadurecer. An­dei pensando e estudando o nosso prefeito. E cheguei a algumas con­clusões. Para começar, alguém que consegue desagradar Lula, Paulo Skaf, Serra, Kassab e Geraldo Alck­min ao mesmo tempo deveria rece­ber, o quanto antes, a medalha da Ordem do Rio Branco.

Ué? O sapo barbudo não disse que seria melhor se Haddad tivesse perdido? Pronto. Sinal que deve ser o cara certo para a missão. E, olha só: o sujeito foi adjunto do Sayad (ponto) inventou os CEUs (fre­quento e sei da importância -mais um ponto), inventou também o Prouni a custo zero para o governo (golaço) e está indo lá enfrentar so­zinho o STF. Quem o chama de bur­raldo e ingênuo só pode estar mal informado, né não?

Lembro do Brasil intei­ro xingando o Parreira de burro na Copa de 1994. Da classificação até a final. Pois é. Fernando Haddad criou uma controladoria que co­meçou detonando -veja só- a máfia da construção e do mercado imobi­liário. E carro, numa visão de admi­nistrador que trabalha pensando nos próximos 50 anos, é para ficar na garagem e servir só para fim de semana. Então cada um que segure sua onda por enquanto. Sem o sa­crifício voluntário de cada britâni­co, os aliados não teriam vencido a 2ª Guerra, sabia não?

São Paulo sofre as consequências de décadas de soluções levianas e pilhagem. E ainda tem de arcar com uma população de bebês chorões, comodistas e hipócritas. Pois eu folgo em saber que alguém tem co­ragem de peitar as máfias que do­minam Gotham City, a despeito da chiadeira, das pesquisas de opinião e de estarmos em véspera de elei­ção. Admiro quem toma riscos e de­monstra resiliência. Manda a bra­sa, coxinha!

barbara ganciaBarbara Gancia, mito vivo do jornalismo tapuia e torcedora do Santos FC.

Poeminha do sábado

Saudade

(Pablo Neruda)

Saudade – O que será… não sei… procurei sabê-lo
em dicionários antigos e poeirentos
e noutros livros onde não achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe – tão longe! – de minhas redes tranquilas.

Saudade… Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não… e me treme na boca seu tremor delicado…
Saudade…

Pablo Neruda, in “Crepusculário”
(Tradução de Rui Lage) 

O script da vida real

Por Gerson Nogueira

O futebol tem caprichos insondáveis, quase sempre guardando semelhança com a ficção mais deslavada. Esportes em geral têm essa capacidade de misturar acaso e realidade num mesmo caldeirão. Talvez por isso os americanos tenham conseguido fazer alguns filmes tão comoventes sobre beisebol e futebol americano, embalando-os naquela aura de idas e vindas, quedas e vitórias, erros e acertos, que só o cinemão é capaz de transformar em drama.

unnamed (13)Há poucos dias, vi no jornal matéria com um jovem boleiro ganês que entrou de gaiato num navio e desembarcou por acaso na Argentina. Em pouco tempo, mostrou intimidade com a bola e foi levado às divisões de base do Boca Juniors. De refugiado, o garoto passou a ser aclamado como grande revelação. Olha o roteiro de cinema aí…

Pois a história vazou para a imprensa e Rayan Mahmud, aos 18 anos, já é quase uma celebridade em La Bombonera. Sua sofrida trajetória começou há três anos quando fugiu de Gana como clandestino num navio pesqueiro. Sua fuga teve origem na perda dos pais, assassinados em briga envolvendo etnias rivais.

Ele e o irmão mais velho acharam os corpos dos pais em casa quando voltaram da escola. Como desgraça pouca é bobagem, Rayan e o irmão foram separados definitivamente anos depois em meio a um ataque de guerrilheiros ao orfanato onde viviam.

Sem dinheiro e vivendo nas ruas, o jovem ganês resolveu fugir escondido nos porões de um navio, em Cape Coast. Sonhava em chegar à Europa, levando apenas uma pequena ração de farinha e uma garrafa com água. Por sorte, foi visto por um marinheiro, ganhou alimentos e conseguiu sobreviver até o destino final.

Ao contrário do que havia planejado, o navio foi parar em Rosario, onde ele perambulou pelas ruas até ser levado a um abrigo. Dias depois, foi encaminhado a Buenos Aires e ajudado por um grupo de senegaleses, que o levaram ao órgão de imigração.

Rayan ganhou oficialmente o status de refugiando e passou a morar num abrigo. Lá, mostrava qualidades como jogador. Esguio e rápido, destacava-se nas peladas de rua. A sorte veio de novo ao seu encontro através de um olheiro do Boca, que decidiu indicá-lo ao clube.

A partir daí, tudo ficou mais claro e o mundo logo tomou conhecimento da existência do garoto bom de bola. Aprovado nos testes, passou a treinar no sub-20 boquense, nas funções de meia de ligação e lateral direito. Por seus méritos, já é aconselhado a se naturalizar para tentar um lugar futuramente na seleção argentina.

E ainda há quem questione a verossimilhança de certos scripts elaborados por roteiristas de Hollywood…

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O capitão e o organizador

O Paissandu anunciou duas boas contratações, ontem. A primeira é a do meia Bruninho, que defendeu o Bragantino na Série B deste ano. Bom na organização de jogadas, é um jogador rápido e habilidoso. Tem tudo para formar dupla interessante com Júnior Xuxa, que está praticamente contratado.

A segunda aquisição é menos bombástica, mas igualmente importante. O clube decidiu renovar o contrato do volante Vânderson por seis meses. Havia a intenção de liberar o atleta, mas uma reavaliação corrigiu uma precipitação e garantiu ao time a permanência de seu capitão e jogador mais experiente.

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Messi encara as agruras da fama

Problemas envolvendo parentes de Lionel Messi e as próprias atividades de sua fundação beneficente, com suspeita de lavagem de dinheiro, mexem pela primeira vez com uma reputação absolutamente limpa no esporte mundial. De comportamento discreto, quase silencioso, Messi não é de dar muitas entrevistas, nem falar sobre sua vida pessoal.

O estrelato, porém, cobra um preço alto demais. Melhor do mundo há três temporadas, o atacante argentino entrou na mira da imprensa espanhola e deve passar 2014 tendo que dar explicações que fogem às diabruras que faz com a bola.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 21)