A internet e a era da pastelaria de factóides

Por Ricardo Alexandre

Não assisti ao Roda viva com o Lobão. Desde que Lobão trocou a arte polêmica pelo polemismo on-the-rocks, decidi poupar minha alma do espaço que ele tenta ocupar. Entrevistei-o algumas vezes nos últimos anos, sempre sobre música, sobre músicos, sobre o que era sua principal ocupação nos anos 80 e 90. Recentemente, recebi uma proposta de um amigo editor para conduzir um longo perfil à reboque de seu último livro, Manifesto do nada na terra do nunca, para uma grande revista. Quase aceitei. Tivemos desencontros de agenda, mas no final, venceu o bom senso: não quero servir de escada para mais um desfile de frases polêmicas lotadas de adjetivos e neologismos “corajosos”, “independentes” e “contundentes” com pouca ou nenhuma capacidade argumentativa.

Hoje meu computador é inundado pela repercussão da entrevista no Roda viva. Dilma teria sido definida como um “neurônio solitário”, “de uma estupidez galopante”, incapaz de acertar um sorvete na testa por ser “incapaz de mirar na própria testa”, que seria uma “ilusão” entender que 40 milhões de pessoas deixando a miséria seja um avanço, que Lobão teria dito que foi o inventor da cena independente do Brasil. No fundo, se alguém me perguntar, eu diria que Lobão faz pouco da imprensa, que é incapaz de devolver-lhe perguntas básicas como “Como assim?”, “Cite exemplos”, “Por que?”, “Quais historiadores sérios pensam como você?”, “Quais biólogos?” ou “Se o seu maior prazer é irritar os idiotas, como você distingue um idiota?”. Se alguma dessas perguntas foi feita pela bancada do Roda viva, por favor me avise na caixa de comentários.

3ec85c77-392f-4a4d-add9-a81fb3d04acd_f946d1bd-62db-4be6-883c-785d2ae034f9_20131203131515_lobaoMais do que fazer pouco da imprensa, a ascensão de Lobão como pensador representa uma banalização completa das matérias primas do meu trabalho: as palavras e o pensamento. E coincide com a ascensão das métricas de audiência de internet, das metas de page-views, da necessidade de uma polêmica por dia, de mais e maiores absurdos gerem retuítes, compartilhamentos, comentários, ações e reações. A nova ordem é gerar factóides. E Lobão tem mostrado muito mais intimidade com a ocupação de rei da pastelaria de factóides do que tinha como músico. São poucos os sabores de seus pastéis, é verdade, mas o ritmo de produção impressiona assim mesmo.

A velocidade é inclemente. Nos tempos de antigamente, tínhamos um calhamaço por mês para repartir entre notícias, entrevistas e opinião. Uma revista por semana, no máximo, um jornalão por dia. Falávamos apenas para nosso público e as pessoas fisicamente próximas a nossos leitores. A reação era muda ou, quando muito, por carta. Hoje não apenas a velocidade e a concorrência aumentaram ferozmente, como as metas de audiência também. Imagine, este blog tem mais leitores do que a tiragem do Estadão quando eu comecei a escrever, no século passado. E cada leitor é um republicador potencial – não importa se republica por aprovação ou indignação.

Os mecanismos de medição são ainda mais impressionantemente refinados. Sabemos de onde vem o leitor, onde mora, o que faz na web, quais as palavras são mais clicáveis. Religião e sexo vendem (alguém tem aí o telefone do Malafaia e do Jean Willys pra subir nossa audiência até o fim do mês?). E, já que os smartphones e notebooks ficam geralmente distantes do olhar vigilante da família, podemos atrair sua atenção do jeito mais primitivo – com a gata do Brasileirão, com bichinhos fofinhos ou com sangue. E, para aqueles que não têm pets nem peitos, resta a polêmica.

Que deve ser gritada, revestida de adjetivos e violência. Devemos ter prazer em irritar as pessoas, não em informá-las ou educá-las ou oferecer algo a elas. Porque não precisa fazer sentido. Precisa gerar clique, de amor e de ódio.

Cair nessa armadilha é tão fácil quanto desejar ser relevante e influente. Convém ao blogueiro gerar discussão com a opinião mais estapafúrdia sobre um artista estabelecido. Convém ao pastor avançar por limites cada vez menos ortodoxos da teologia para virar trending topics. Convém à celebridade postar fotos no espelho “quase mostrando mais do que devia”, anunciar suas estripulias sexuais, convém ao político polemizar.

É evidente que estou tão premido pelas metas e pela necessidade de relevância quanto qualquer um dos meus colegas. Escrevo antes para mim que para os outros. E escrevo também para os adolescentes em busca de uma orientação vocacional: prevejo o pasteleiro de factóides uma profissão em alta no futuro breve. Como dizia Caetano, Lobão tem razão.

Brazuca, a bola da Copa, é lançada… e agrada

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A bola Brazuca, que será usada na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, foi apresentada na noite desta terça-feira em cerimônia no Parque Lage, no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro. Ela foi apresentada pelo ex-capitão da seleção brasileira Cafu, pelo meia-atacante holandês Seedorf, do Botafogo, e pelo atacante Hernane, do Flamengo. Havia sido anunciada a presença do centroavante da seleção brasileira Fred, o único deles que tem chances de usar a bola no Mundial, mas ele não compareceu.

A Brazuca é branca com detalhes nas cores laranja, verde e azul. Possui seis gomos e, segundo a Adidas, patrocinadora do evento e fabricante da bola, foi testada por 600 jogadores de 30 times profisionais de dez países durante dois anos e meio. “A bola é fantástica. Pena que não vou poder jogar com essa belezura. Espero que a bola traga sorte para o Brasil”, disse Cafu, campeão mundial em 1994 e 2002. No local do evento, foi montada uma exposição com as bolas usadas nas Copas desde 1970. (Da Folha SP) 

Remo apresenta Rodrigo Fernandes

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Rodrigo Fernandes, lateral-esquerdo que defendeu o Paissandu no ano passado, foi apresentado na tarde desta terça-feira como novo reforço do Remo para o Campeonato Paraense e a Copa Verde. Aos 27 anos, o jogador firmou contrato com o Leão até dezembro de 2014. Logo na apresentação, Rodrigo se disse feliz pela chance de jogar no Remo, destacando o peso da torcida. “Sempre ouvi falar no Remo desde criança e sei que tem uma torcida muito fanática que lota o estádio até em jogos do sub-20”, afirmou. Depois da passagem pelo Papão, Rodrigo jogou pelo Macaé (RJ) e pelo Betim (MG). (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Dois dedos de prosa com Lula de olho no futuro

Por Ricardo Kotscho

Arroz, feijão, filé de frango grelhado, carne ensopada, salada, gelatina e sorvete. Para beber, só agua mineral e refrigerante zero. O cardápio light do almoço no escritório combinava com o atual momento do ex-presidente Lula, totalmente recuperado do câncer da laringe, mais magro e de alto astral. “Só não vá me falar mal de ninguém…”, recomendou, quando lhe disse que iria escrever sobre nosso encontro aqui no Balaio.

Nem haveria motivo. Falamos mais de planos para o futuro e das nossas famílias do que dos assuntos políticos do dia. Por falar nisso, pela primeira vez em muito tempo, ao longo da nossa conversa Lula não fez críticas à mídia, o que me chamou a atenção. Melhor assim. De bem com a vida, esperando o nascimento de mais um neto, o sétimo, o ex-presidente parece ter tirado um enorme fardo dos ombros depois de oito anos de Palácio do Planalto. E estava feliz também porque amanhã à noite vai receber mais um título de Doutor Honoris Causa, desta vez da Universidade do ABC, que ele mesmo criou em seu governo, e já conta com mais de 12 mil alunos.

image2À mesa da sala de almoço, só nós dois e seu fiel escudeiro Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. Fazia tempo que a gente não tinha um papo assim tranquilo, desses em que se pode falar bobagem e não tem hora para acabar. Mesmo depois de ter deixado a presidência, Lula vive sempre cercado de gente, enfrentando uma agenda carregada, entre uma viagem e outra.

Na manhã desta terça-feira, ele tinha participado de uma longa reunião no pequeno auditório do Instituto Lula, com cerca de 20 representantes da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), que foram convidá-lo para participar do V Encontro Nacional de Quilombos, e aproveitaram para lhe entregar uma lista de reivindicações. Lula ficou de encaminhar o documento à presidente Dilma.

Como já acontecia antes de ser eleito presidente, Lula faz questão de manter um diálogo permanente com os movimentos sociais, uma forma de se manter informado e, ao mesmo tempo, participar de algum jeito da busca de soluções para o país. É exatamente isso que o move no momento: despertar o interesse da sociedade, em especial dos jovens, para participarem das discussões sobre os rumos do país, em vez de ficar só reclamando pelos cantos.

Já há alguns meses ele vem se reunindo com um grupo de cerca de dez ex-integrantes do seu governo para pensar o Brasil do futuro, com metas, prazos e custos, sem o imediatismo dos programas das campanhas eleitorais. Para marcar um prazo de valor simbólico, lembrei-lhe que nem falta tanto tempo para comemorarmos o bicentenário da nossa Independência, no dia 7 de setembro de 2022.

O desafio deste projeto é não se transformar numa discussão acadêmica, criando mecanismos capazes de levar o debate aos diferentes setores da sociedade, que também estão pensando em propostas para o futuro. Isto já está sendo feito.

Em termos mais imediatos, ele terá nesta quarta-feira um novo encontro com a presidente Dilma Rousseff, que virá a São Paulo para participar da homenagem a Lula no ABC. Desta vez, certamente entrará no cardápio a reforma ministerial prevista para o início do próximo ano. É a vida que segue, sempre batalhando por um futuro melhor, que só depende de nós. Eleições à parte, é bom pensar nisso desde já.

Valeu, Lula. Foi muito bom o almoço. Até o próximo…

A virtude dos campeões

Por PVC

Virou mais ou menos consenso tratar Tite como o melhor técnico da história do Corinthians. É uma questão de época. A Libertadores era alvo da cobiça corintiana, em 2013, tanto quanto o fim da fila era em 1977, quando Osvaldo Brandão ajudou a vencer. E Brandão foi o campeão antes do jejum, no Paulistão de 1954, importantíssimo na época por marcar o quarto centenário de fundação da cidade de São Paulo.

Tite é campeão mundial de clubes como Oswaldo de Oliveira em 2000, com a diferença óbvia de ter vencido o torneio continental, como Telê Santana conseguiu no São Paulo em 1992. Telê ficou na história pelo gosto pelo ataque. Tite também gosta, mas é mais difícil convencer seus críticos. Seus times sempre marcaram muito, e bem perto da grande área adversária. Isso é ser ofensivo, não defensivo.

Mesmo assim, é mais fácil encontrar outro fator em comum entre o corintiano Tite e o são-paulino Telê. Ambos estiveram a um tropeço da demissão. Tite ao voltar da Colômbia depois de perder do Tolima. Ai, se não vencesse o Palmeiras.

O São Paulo de Telê sofreu cinco derrotas consecutivas em março de 1992, três meses antes do título da Libertadores.

Aquele Tricolor caiu contra Flamengo, Guarani, Criciúma, Palmeiras e Internacional.

A partida contra o Criciúma marcou a estreia na Libertadores e uma acachapante derrota por 3 a 0.

Dois dias depois, goleada do Palmeiras sobre o São Paulo por 4 a 0. E se Telê caísse, o São Paulo seria bi mundial? E se Andres Sanchez demitisse Tite?

As recentes pesquisas sobre o melhor técnico do país, realizadas pela revista Placar, indicaram Felipão no Palmeiras e Lula no Santos.

Paulo Angioni conta ter sido chamado por Mustafá Contursi para demitir Felipão semanas após ser contratado como diretor de futebol da Parmalat. Esquivou-se. Em abril de 1998, Felipão agrediu o repórter Gilvan Ribeiro. Na mesma semana, perdeu a semifinal do Paulista para o São Paulo, por 3 a 1. Mustafá queria sua cabeça, conta Angioni.

Não caiu!

Um mês depois, o Palmeiras ganhou a Copa do Brasil e classificou-se para a Libertadores de 1999 – adivinha quem foi o campeão…

Paciência é uma virtude dos campeões. Nos três casos, a falta dela mudaria a história.

Tite, Telê e Felipão já foram eleitos os melhores técnicos do trio de ferro paulista. Ninguém sabe a hora certa de demitir. Nesse caso, sabe-se qual foi o momento certo de manter. A lógica vale para Luis Alonso Perez, o Lula, bicampeão mundial como técnico do Santos de Pelé.

Em novembro de 1955, o Santos ainda sem Pelé levou 8 x 0 da Portuguesa pelo Paulistão. Estava há vinte anos sem título. Lula poderia ter sido demitido. Não foi.

Dois meses mais tarde, foi campeão paulista. Nove meses depois, ele lançou Pelé.

A QUEDA
Ou Fluminense ou Vasco, um dos dois descerá para a segunda divisão. E como o Botafogo perdeu para o Coritiba, é enorme a chance de o Atlético-PR tentar derrubar seu rival histórico. Se o Coxa perder para o São Paulo e o Vasco vencer o Atlético-PR, cai o Coritiba. Melhor resolver no campo.

A SUBIDA
Visitar o Botafogo dá a exata percepção do que significa a palavra ressurreição. General Severiano está lindo. Tem história e carinho de quem vive lá dentro. Não basta para o Botafogo subir o degrau falta. Há coisas que acontecem com todos, mas o Botafogo acha que é só com ele. Falta confiança.

pvcPaulo Vinicius Coelho.

Revolução secreta baseada nos ideais do amor

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Do blog Jardim do Mundo

Rainbow Gathering [encontro arco-íris] é um festival que já tem mais de 38 anos, e a cada edição reúne centenas de pessoas, em acampamentos ao ar livre para celebrar e praticar ideais de paz, amor, harmonia, liberdade e comunidade, como uma alternativa ao consumismo, capitalismo e costumes vigentes. Os encontros do Rainbow são feitos  em locais de matas, rios e cachoeiras, bem distantes das grandes metrópoles dominadas pelo sistema capitalista – a “Babilônia”. O Encontro de 2012 foi na serra do Caparaó, no Espírito Santo.

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No Rainbow, bebidas alcoólicas e drogas químicas são vetadas. Maconha e Ayahuasca são tidas como plantas sagradas e seu uso é tolerado, principalmente se for de forma ritualística.

Na área de recepção,o grupo é responsável por dar as boas-vindas. Os viajantes eram convidados a deixar suas mochilas, tomar chá e descansar. Eram pessoas que vinham a pé, de carro ou de ônibus das mais diversas partes do mundo. Havia até quem tinha chegado a cavalo, caso do israelense Kareen, fundador do Nomads United. Desde 1998, o grupo percorre o mundo a galope.

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Além de brasileiros e israelenses, havia no Rainbow 2012, italianos, americanos, canadenses, franceses, austríacos, mexicanos, noruegueses e mais uma infinidade de outras nacionalidades. Num cálculo aproximado, 400 pessoas estavam reunidas no local. Um total de mil teria passado por lá no período de um mês que durou o reservado e cintilante encontro do arco-íris.

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200460_1868861757916_5900998_nNa recepção do Rainbow, os recém-chegados são informados sobre as normas do lugar. Separe o lixo reciclável. Jogue os restos de alimentos na composteira e use o banheiro seco. Para fazer xixi, pode ser no mato, desde que distante das áreas de uso comum. Não lave louça nem tome banho com xampu ou sabonete no rio. Há locais específicos para isso e a água suja passa depois por um processo de tratamento. Não tire fotos sem a permissão das pessoas. Se ficar doente, vá à casa de cura. A cozinha é coletiva e a dieta é vegetariana.

As refeições ocorrem no círculo central, em volta da fogueira – local considerado o coração do encontro, onde são dados os avisos gerais. Após a refeição é passado um “chapéu mágico”, por meio do qual se arrecada o dinheiro para a compra de alimentos. Durante o dia, pode-se participar de atividades como ioga, meditação e massagem, oferecidos pelos participantes como forma de doação, sem envolver dinheiro. À noite, há as rodas de violão e de dança ao som de reggae, música indiana e folk.

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Durante o mês que dura o encontro, longe da Babilônia, os membros da família Rainbow espalhados pelo planeta buscam viver a mudança que eles gostariam de ver no mundo – uma sociedade em harmonia com a natureza, sem líderes estabelecidos e sem o individualismo e o materialismo que predominam no mundo capitalista.

Alguns encontros do grupo – que ocorreram na Espanha, México e Canadá – foram fotografados durante três anos pelo fotógrafo canadense Benoit Paillé, participante do grupo há sete anos. As fotografias são raras, pois o Rainbow Gathering não costuma permitir a produção de imagens durante seus encontros. Paillé captou a beleza daqueles a quem se refere como seus irmãos e irmãs, resultando em belíssimas fotografias repletas de cores, olhares e sentimentos puros.

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Afirmações e interrogações

Por Tostão

Todas as atividades humanas têm seus conceitos, chavões, modismos e vocabulários. As palavras, verbais e escritas, são fundamentais para a compreensão e a propagação do conhecimento.

Nesta semana, um adolescente, apaixonado por futebol, que quer entender, e não apenas torcer, me falou que fica confuso com tantas expressões estranhas e com tantos nomes diferentes para as mesmas coisas. Ele disse que não compreende bem o que é um camisa 10, se é um atacante ou um armador e se ele é sempre o craque do time, pois, toda vez que uma equipe fracassa, escuta que falta um camisa 10.

Coincidentemente, vi, nesses dias, pela televisão, em um evento comercial sobre os camisas 10, Pelé e Rivellino, dois monstros. Usavam a camisa 10, mas jogavam em posições diferentes. Pelé era ponta de lança, artilheiro. Jogava do meio para frente, sem participar da marcação. Já Rivellino era um meia, armador. Atuava de uma intermediária à outra e marcava próximo ao volante, além de organizar as jogadas e de chegar à frente para finalizar.

Gerson, outro monstro, também meia, armador, atuava com a 8. Dirceu Lopes, outro craque, da mesma posição, jogava com a 10. Eu era ponta de lança no Cruzeiro e jogava com a 8. Eu e Dirceu Lopes trocávamos muito de posição ou atuávamos um ao lado do outro.

O Cruzeiro, como muitos times brasileiros, jogava com um volante, dois meias (ou um meia e um ponta de lança), dois pontas e um centroavante. Essa é hoje a tendência mundial. Em vez de atuar com dois volantes (um ao lado do outro) e um meia de ligação, equipes como Barcelona e Bayern atuam com um volante e dois armadores. Vários outros times fazem algo parecido. Um dos volantes avança como meia. O Flamengo joga dessa forma. Elias e Luís Antônio marcam e atacam.

Obviamente, as grandes equipes, do passado e do presente, possuem sistemas táticos iguais apenas na prancheta.

Hoje, os pontas e a maioria dos jogadores atacam e defendem. Uma equipe possui vários sistemas em um único jogo. Por isso, não faz mais sentido analisar a maneira de jogar pelos números.

O mesmo adolescente me disse que não compreende porque falam tanto em falsos 9. Nem eu, já que o centroavante não precisa ser, obrigatoriamente, alto, forte, estático e com a única função de fazer gols. Messi é o centroavante do Barcelona. Não é um falso 9. Hoje, diriam que fui um falso 9 na Copa de 1970. Falariam ainda que Zagallo, nas Copas de 1958 e 1962, e Rivellino, na de 1970, eram falsos 11, pois não eram autênticos pontas.

Para serem conhecidas e entendidas, as pessoas e as coisas precisam ter nomes, identificações, definições, embora a vida e o futebol se passem mais nas indefinições e nas entrelinhas. São as contradições humanas. Somos interrogações.