Fim da farra dos pequenos na Copa do Brasil

Por PauloVinícius Coelho (ESPN)
 
As mudanças tratadas em texto publicado no site da CBF sobre o futuro do Brasileirão não têm a ver com a fórmula de disputa. Os pontos corridos são considerados pela confederação uma fórmula consagrada, testada e aprovada. A CBF pretende anunciar nas próximas semanas um pacote de organização, para que o Campeonato Brasileiro melhore em aspectos como venda de ingressos e construção da tabela.
Em relação à Copa do Brasil, a mudança fundamental é que os clubes classificados para a Libertadores entrarão na competição nacional a partir de fases mais avançadas. Isso deve acontecer já a partir de 2012. Não está claro, ainda, como será o sistema de classificação. O provável é que os clubes menores se eliminem uns aos outros e encontrem os grandes nas fase mais avançadas da Copa do Brasil.
No Brasileirão, não se pretende mexer na fórmula de disputa, nem nos clássicos na última rodada. Essa medida também foi considerada um sucesso.
 
Remo e Paissandu dormiram no ponto como sempre e não souberam aproveitar a fase generosa da Copa do Brasil. A partir de agora, não há mais chance para emergentes. Os grandes clubes também vão dominar o torneio.

Coluna: A esperança se renova

Alguém precisa avisar urgentemente aos dirigentes de Remo e Paissandu que 2012 não vai ser igual a este ano que está terminando. Pelo menos no que diz respeito a calendário. O campeonato estadual começa mais cedo (18 de janeiro) e praticamente emenda direto com o Brasileiro das Séries C e D. Esse detalhe provocará mudança significativa na preparação e montagem das equipes para a próxima temporada.
O grande diferencial é que, ao contrário do que acontece há quase uma década, os clubes não poderão mais promover o tradicional desmanche que se segue ao Parazão. Como se sabe, todos os anos, no final de abril ou começo de maio, Baenão e Curuzu são palcos de autênticas vassouradas, com a saída dos jogadores contratados exclusivamente para o campeonato e que – como é habitual – não caíram no gosto dos torcedores.
Nas semanas seguintes, os clubes começam a receber novas legiões de “reforços”, quase sempre entre 10 e 20 atletas, dependendo do grau de decepção da torcida no torneio recém-findo e a capacidade de convencimento e lábia dos técnicos, também novos.
Em 2012, para desalento de muita gente, esse procedimento terá que ser revisto. O grupo que se formar para a disputa do campeonato terá que ser mantido para as competições nacionais. Com isso, os contratos precisarão ser mais longos, o que implica na necessidade de maior esmero na escolha de técnicos e jogadores.
Assim meio sem querer, as modificações impostas pela CBF representam a chance de uma autêntica revolução, pois os dirigentes da velha dupla paraense se acostumaram a contratar a rodo em dezembro e janeiro, como se não houvesse amanhã, fiando-se nos contratos de curta duração.
Qualquer indicação era logo acatada e até imagens precárias tiradas do YouTube serviram para avalizar acertos com boleiros de origem desconhecida e futebol obscuro, como o já folclórico meia argentino Martín Cortez, que faturou uma nota preta para atuar 45 minutos com a camisa do Paissandu no Parazão do ano passado.
Desta vez, quem errar no primeiro tiro dificilmente terá a oportunidade de corrigir a lambança depois do certame regional. Com essa espada sobre a cabeça talvez os clubes se emendem e usem critérios mais racionais para reforçar suas equipes. É a esperança que surge, embora não se duvidar da vocação perdulária dos nossos cartolas.   
    
 
Apesar disso, o Paissandu retarda a definição do novo treinador, o que encurta o tempo para procurar jogadores para recompor o time após o fiasco na Série C. Para quem acompanhou a fugaz passagem de Andrade pela Curuzu soa esquisita a insistência em esperar pelo técnico. Com salários acima de R$ 50 mil, é improvável que ele aceite uma oferta mais modesta para trabalhar no Parazão. Tem contra si, ainda, a avaliação de parte da diretoria, que o considera pacífico demais, paizão dos atletas.
Vejo a coisa sob outro prisma: Andrade é um bom comandante de equipes tecnicamente fortes (como o Flamengo de 2009), que precisem de paz interna para seguir em frente. Para estruturar um grupo, não é o nome mais indicado. Enquanto isso, Luiz Carlos Barbieri, que teve rápida e incompreendida passagem por aqui, volta a ser lembrado, juntamente com os caseiros Samuel Cândido e Charles.
 
 
Tiago Potiguar, como noticiado aqui logo depois da derrota em Goianinha, parece mesmo fora dos planos do Paissandu para 2012. Circulou com insistência a notícia, ontem, de que teria sido negociado com um clube do Nordeste – América ou ABC de Natal. O valor mencionado (R$ 800 mil), porém, indica que o destino pode ser mesmo o Sul do país.
 
 
Para que a gestão de Sérgio Cabeça não encerre o ano sem um título no futebol, a garotada do sub-20 remista levantou a taça do certame estadual com categórica vitória sobre o Castanhal. Além das boas atuações de Betinho, Jaime e Christian, chamou atenção no Mangueirão a expressiva presença de torcedores azulinos, incentivando o time. A carência de conquistas, por vezes, pode ser um combustível emocional poderoso.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)

Ronaldo vai coordenar Comitê Organizador da Copa

Ronaldo será o novo homem forte do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 (COL). O Fenômeno aceitou o convite de Ricardo Teixeira na noite de segunda-feira e vai repetir as ações de Michel Platini e do alemão Franz Beckenbauer, que comandaram a organização do Mundial em 1998 e 2006. O ex-camisa 9 se reunirá com Teixeira nesta quarta-feira para finalizar os detalhes e será anunciado oficialmente na quinta-feira. Em entrevista coletiva, marcada para às 11h, no Rio, o cargo oficial do ex-atacante será revelado. Até então, o próprio Teixeira era o chefe do comitê.

Segundo o jornal “O Globo” de sábado, a iniciativa de Teixeira se deu por conta das acusações que tem sofrido nos últimos meses. Nos últimos meses, o presidente da CBF ganhou mais um desafeto e isso pode pesar na sua própria permanência no Comitê Organizador Local. Após o brasileiro apoiar o qatari Mohammed bin Hamman nas eleições da Fifa, o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, tem trabalhado para tirar o brasileiro do Comitê Executivo e do COL. O caso foi tratado como traição pelo cartola suíço, já que Teixeira foi o principal articulador para a escolha do Qatar como sede em 2022.

Antes de Ronaldo aceitar o cargo, o mandatário da CBF havia convidado Henrique Meirelles, mas o ex-presidente do Banco Central recusou. De acordo com “O Globo”, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, levou uma mensagem de Blatter até a presidente Dilma Rousseff pedindo a escolha de um novo presidente para o Comitê Organizador da Copa. Porém, a governante preferiu deixar a decisão com a entidade máxima do futebol.

Leãozinho é campeão sub-20

Com a vitória sobre o Castanhal por 3 a 1, na tarde desta terça-feira, no Mangueirão, o Remo conquistou o campeonato estadual sub-20. Com uma boa plateia prestigiando a partida, o Remo abriu o placar aos 20 minutos, através de Christian. Dois minutos depois, um gol contra de Alex Juan igualou o marcador. Incentivado pelos torcedores, os azulinos desempataram aos 26 minutos, com Jaime. O mesmo atacante marcaria o terceiro gol aos 4 minutos do segundo tempo. Depois da partida, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antonio Carlos Nunes, entregou a taça aos comandados do técnico Edmilson Melo, que correram em direção às cadeiras e arquibancadas para festejar junto à torcida. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

Opinião: A aposentadoria de Barrichello

Por Paulo Pardauil (paulo.pardauil@caixa.gov.br)

A seleção de El Salvador participava da Copa do Mundo de 82. Nela tomou a maior goleada de todos os tempos (10 a 1 para a Hungria) e o jogador que marcou o único gol tornou-se um ídolo nacional até os dias de hoje. Fiz esse comentário para tratar da situação de um esportista brasileiro: Rubens Barrichello. Depois de 19 anos na categoria máxima do automobilismo ele está na iminência de uma aposentadoria forçada e nas redes sociais o que mais se vê são brincadeiras de mau gosto e desrespeito à sua pessoa e trajetória. “Pé-de-chinelo”, “tartaruga”, “sempre atrás do alemão” e etc. e tal. Concordo que a carreira de Rubens teria sido melhor caso ele tivesse sido campeão do mundo, mas o fato de não ter alcançado a marca não desfaz a beleza de sua trajetória. Vejamos, tem 11 vitórias na carreira, dois vice-campeonatos mundiais (nestes anos atrás somente de Shumacher que foi o maior de todos os tempos) mais de trezentos GP´s e 19 anos na F-1. Enquanto isso, vários pilotos por lá passaram (às vezes pagando para correr) e não se firmaram, tais como Cristhian Fittipaldi, Pedro Paulo Diniz, Pizzonia, Tarso Marques, Burti etc. Isso sem falar em pilotos de outros países como França e Argentina que é terra de Fangio mas não possui ninguém na F1 atual. 

Rubens é um brasileiro, que como tantos, acreditou num sonho e batalhou por ele. Rubão, seu pai, vendeu o carro da família para que o então garoto pudesse continuar a correr. Há quem diga que ele se submeteu a ser segundo piloto de Shumacher. Vale lembrar que o alemão foi o maior de todos os tempos e ninguém (nem mesmo o endeusado Senna) conseguiu superá-lo. A F-1 só voltou a ter campeonatos bem disputados quando o tedesco aposentou-se em 2006. Felipe Massa, substituto de Barrichello na Ferrari, come poeira atualmente de Alonso que é bem menos qualificado que o heptacampeão. Ninguém que tivesse batalhado por um lugar ao sol como Rubens deixaria de aceitar uma oportunidade de correr na equipe mais tradicional da F1 mesmo que fosse como segundo piloto. Todo mundo que é empregado já ouviu ordens que não gostou, mas cumpriu para atender ao seu empregador. Não se pode condená-lo por cumprir um contrato.             

Rubens é para mim um grande piloto, um batalhador e um pai de família. Construiu uma carreira fantástica que merece ser respeitada. Cresci torcendo por ele e no domingo liguei a TV mais uma vez para ver Barrichello naquela que podia ser sua última corrida de F-1. Sabia que não venceria, talvez nem completasse a prova, mas mesmo assim seria emocionante ver este brasileiro guerreiro e batalhador correr novamente em casa!