Caso Jefferson: uma voz na contramão

Depois que se tornou público, através das redes sociais, o insulto racial proferido por torcedores do Cruzeiro ao atacante Jefferson, do Remo, o fato foi denunciado à CBF pelo clube paraense e teve ampla repercussão nas redes sociais. Na contramão disso, o volante Paulinho Curuá postou em suas redes sociais uma publicação antiga dizendo que racismo ou outro tipo de ofensa “não é o verdadeiro problema”.

Em publicação no Instagram, Curuá reproduziu um texto da campanha bolsonarista de 2018 que diz que questões como ideologia de gênero, machismo, racismo e feminismo não estão entre “os verdadeiros problemas do país”. 

Publicação de Curuá no Instagram, apagada nesta sexta-feira — Foto: Reprodução/Instagram

Alguns comentários em outras redes sociais, como o Twitter, cobraram um posicionamento diferente do atleta diante da injúria sofrida por Jefferson. Na manhã desta sexta-feira (29), Paulinho Curuá excluiu a postagem.

(Com informações do GE Pará)

O silêncio por testemunha

POR GERSON NOGUEIRA

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Como o PSC agarrou-se à medieval “lei do silêncio” como estratégia para sanar seus problemas internos, são precárias as informações sobre a preparação do time para enfrentar o Botafogo-PB neste domingo (18h), em João Pessoa. Sabe-se, porém, que os bicolores terão duas baixas importantes: o meia José Aldo e o centroavante Danrlei, ambos lesionados.

As baixas acrescentam dramaticidade a um cenário já naturalmente complexo para o projeto de acesso à Série B. O técnico interno Wilton Bezerra, que assumiu o comando após a demissão de Roberto Fonseca, terá que encontrar soluções para o apagão defensivo visto diante do Ituano na rodada passada.

Ao mesmo tempo, Bezerra precisa formatar um time minimamente ofensivo para buscar a vitória, único resultado que interessa ao PSC a esta altura da disputa. Derrota ou empate sela a eliminação do Papão antes mesmo da rodada final do quadrangular da Série C.

A defesa não muda. Perema e Denilson no centro e Leandro e Diego Matos nas laterais. As coisas começam a ficar nebulosas quando se fala de meio-campo, onde ninguém sabe ao certo qual a formação definida por Bezerra: Paulo Roberto, Ratinho e Ruy ou Paulo Roberto, Marino e Jonathan.

Sem Rildo, que pediu as contas amedrontado pela selvageria das facções organizadas, o ataque deve ter Marlon, Grampola e Luan Santos. São poucas as variações possíveis e, acima dos nomes, o que importa é como o PSC pretende batalhar pela vitória sem se descuidar do setor defensivo.

Em tempo: a história do futebol moderno registra somente um caso bem-sucedido de lei do silêncio. Foi em 1982, quando a seleção da Itália decidiu não dar entrevistas durante a Copa do Mundo disputada na Espanha. Paolo Rossi e seus companheiros estavam irritados com o noticiário ácido da mídia italiana em relação ao time de Enzo Bearzot.

O técnico bancou a causa, prestigiou os jogadores e extraiu deles o melhor possível. Sob descrédito geral, a Azzurra eliminou o favorito Brasil de Telê e avançou rumo ao título da Copa. Não se pode dizer que tenha servido de inspiração para a mordaça de jogadores e técnico do PSC, mas é fato que esse tipo de ação nem sempre tem final feliz. 

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa deste domingo, a partir das 22h30, na RBATV. Destaque para as séries B e C e Copa Verde. Valmir Rodrigues e este escriba de Baião participam dos debates. A edição é de Lourdes Cézar.

Insultos racistas e homofóbicos são intoleráveis

Um novo caso de injúria racial estourou na Série B. Desta vez, o alvo foi o atacante Jefferson, do Remo, chamado de “macaco” por um torcedor do Cruzeiro, no estádio Independência, em Belo Horizonte. O jogador comemorava o segundo gol remista e as imagens ganharam de imediato as redes sociais.  

Não é um caso isolado, como muitos pensam. Xingar alguém em função da etnia ou orientação sexual tornou-se mais comum do que deveria, desde que a sociedade brasileira passou a conviver diariamente com o ódio e a discriminação, fomentados por quem deveria lutar para contê-los.  

O ato contra Jefferson foi imediatamente denunciado à CBF pelo presidente do Remo, Fábio Bentes. A imagem de vídeo capta os gritos, mas não mostra o rosto de quem insultou o atleta, mas as câmeras do estádio podem facilmente identificar o torcedor.  

Atento aos riscos de uma punição – como ocorreu com o Brusque em relação ao jogador Celsinho, do Londrina –, o Cruzeiro pediu desculpas públicas a Jefferson e ao Remo, posicionando-se contra o comportamento do torcedor e afirmando que fará o possível para identificar o agressor.

Aliás, vem de Minas Gerais também outro caso que expressa bem esses tempos de intolerância. O jogador de vôlei Maurício Souza, do Minas Tênis Clube, foi demitido por causa de comentários homofóbicos nas redes sociais dirigidos a uma HQ do Super Homem.

Maurício, negacionista e apoiador de Jair Bolsonaro, direcionou sua metralhadora giratória contra uma cena de dois homens se beijando numa história em quadrinhos. Para ele, e alguns defensores da mesma causa, manifestar esse desagrado constitui liberdade de opinião.

Não é. Declarações homofóbicas e discursos de ódio constituem crime, conforme legislação vigente desde 2019. Para os especialistas, as palavras têm o poder de abrir caminho para formas de violência mais profundas.

A lei avacalhada pelo “comum acordo”

Como tudo no Brasil, a norma implantada neste ano de limitar a demissão de técnicos nas Séries A, B e C já foi olimpicamente avacalhada. A ideia era disciplinar o setor e evitar o festival de mudanças de treinadores. Foi adotada a regra de que cada clube só pode fazer uma troca de técnico durante a competição. Se um segundo treinador for dispensado, o clube terá que efetivar alguém que já esteja registrado pelo clube junto à CBF.

Os espertos, porém, bolaram logo um truque para burlar a lei. Criou-se a figura da rescisão de “comum acordo” para mascarar demissões. Mesmo em casos óbvios de dispensa do profissional, o clube anuncia que tudo foi feito de forma amigável, o que permite contratar outro técnico.

Alguns técnicos – como Felipe Conceição em relação ao Cruzeiro – se rebelaram e contestaram a potoca. Outros admitem, sigilosamente, que foram demitidos, mas tiveram que concordar em assinar um termo de conciliação para que a diretoria pudesse chamar novo treinador.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 31)

Bolsonaro se consolida como pária internacional

Por Rudolfo Lago, no Congresso em Foco

Veja Draghi e Bolsonaro

Correspondentes que acompanham em Roma, na Itália, a reunião do G20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo, informam que o presidente Jair Bolsonaro, cercado de desconfiança por suas posições ambientais e formalmente denunciado pela CPI da Covid por crime contra a humanidade por suas ações na pandemia, ficou isolado no encontro.

O colunista e correspondente do UOL, Jamil Chade, flagrou Bolsonaro sozinho no sábado (30) em um canto do salão, tentando atrair a atenção dos garçons, enquanto outros líderes, como Angela Merkel, da Alemanha; Emmanuel Macron, da França; Antonio Guterrez, da Organização das Nações Unidas (ONU), e Ursula Van der Leyen, da União Europeia (UE), debatiam como iriam pressionar a comunidade internacional para criar um fundo conjunto para distribuir vacinas.

Outras rodinhas semelhantes eram vistas no mesmo salão. Bolsonaro não participou de nenhuma delas. Tentou puxar conversa com os garçons: “Todo mundo italiano aí?”. Um garçom apenas acenou com a cabeça. Foi somente aí, que, segundo Chade, Bolsonaro conseguiu se aproximar, pedindo ajuda de assessores, do presidente da Turquia, Recep Erdogan, e entabular a conversa na qual criticou a Petrobras e mentiu sobre a expectativa de recuperação da economia brasileira.

Segundo o correspondente da BBC, Matheus Magenta, Bolsonaro foi um dos únicos líderes presentes ao encontro que não teve reuniões previstas com os demais. A exceção foi o presidente da Itália, Sergio Mattarella, anfitrião, que, por razões protocolares, recebeu todos os lideres.

De acordo com Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha de S. Paulo, Bolsonaro deixou a reunião final do G20, neste domingo (31) e saiu para caminhar pelas ruas de Roma. Naquele momento, discurava na reunião de cúpula o Principe Charles, do Reino Unido.

Bolsonaro também não participou de uma visita organizada pelo primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, à Fontana di Trevi. Dezoito líderes se reuniram e foram fotografados no famoso monumento para cumprir o famoso ritual de jogar moedinhas na fonte. Nomes como Angela Merkel, Macron, o primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, e o do Reino Unido, Boris Johnson. Bolsonaro não jogou sua moedinha…

(Na foto, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, evita se aproximar e apertar a mão de Bolsonaro, na abertura da cúpula do G20 em Roma neste sábado, 30)

O passado é uma parada

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Do acervo de fotografias do Arquivo Nacional sobre a ditadura brasileira, disponibilizado como domínio púbico no Wikimedia Commons. São 996 fotos históricas, como esta, mostrando um pelotão do Exército à frente de um cinema no Rio que exibia o filme “A Noite dos Generais”, em 1967. Detalhe importante: o filme tem a palavra “generais” do título referindo-se ao exército nazista durante a invasão da Polônia.

Justiça proíbe bloqueios de rodovias federais no Pará em protesto de caminhoneiros

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A Justiça Federal concedeu, na noite deste sábado (30), liminar proibindo caminhoneiros e qualquer pessoa de ocuparem, obstruírem ou dificultarem a livre circulação em rodovias federais que cruzam o território paraense. A proibição atende a um pedido formulado pela União, diante de informações de que a categoria pretende bloquear estradas durante protestos que devem começar em todo o País nesta segunda-feira, 1º de novembro.

O juiz federal de Redenção, Francisco Antônio de Moura Júnior, que assinou a decisão (veja aqui íntegra) na condição de plantonista, autorizou a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Polícia Militar e demais órgãos competentes a adotarem “as medidas necessárias e suficientes ao resguardo da ordem no entorno e, principalmente, à segurança dos pedestres, motoristas, passageiros e dos próprios participantes do movimento, que porventura venham a posicionar-se em locais inapropriados nas rodovias federais no estado do Pará, inclusive mediante o emprego da força pública”.

O magistrado também estabeleceu multa diária de R$ 10 mil por pessoa física e de R$ 100 mil por pessoa jurídica que participe ou promova o bloqueio ou ocupação de rodovias federais que cruzem o território paraense, impedindo ou dificultando a livre circulação de veículos automotores, causando prejuízo à segurança e à fluidez do trânsito.

Remoção e apreensão – Se houver ocupação ou bloqueio nas estradas, a decisão determina a “retirada de todas as pessoas localizadas na área sub judice e que estejam procedendo à interrupção do tráfego na via pública, com a prudência que o caso requer”. Autoriza ainda a remoção e apreensão de todos os veículos, maquinário, instrumentos, equipamentos, objetos e semelhantes que “afrontem o cumprimento desta decisão e que sejam utilizados para a interrupção da via pública”. Por último, proíbe “a entrada, comércio ou qualquer outra forma de distribuição gratuita ou onerosa de combustível (gasolina, óleo diesel e afins) e suprimentos aos requeridos que estejam no local de bloqueio da rodovia, a fim de estimular a sua pacífica desocupação”.

O pedido da União foi feito em ação de interdito proibitório ajuizada contra a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e “pessoas incertas e não conhecidas”.

Na decisão, o juiz ressalta ser legítimo o exercício do direito de manifestação contra atos de particulares ou do Poder Público, “mas este não pode ser exercido de forma indiscriminada, em prejuízo de toda a sociedade, tendo em vista que o bloqueio de trecho de rodovia federal acarreta prejuízos a toda a coletividade que se utiliza de tal bem público, impedindo os deslocamentos terrestres em trecho de elevado movimento de veículos.”

(Da Assessoria de Comunicação/TRF1)