Breve balanço de um ano marcante

Chegamos ao último dia do ano. Não se pode escapar de um breve balanço. Por mais difícil que as coisas tenham sido, há muito a comemorar. Em primeiro lugar, o blog campeão atingiu a marca recorde de 5 milhões de acessos. O Brasil não ganhou a Copa, até deu vexame histórico em campo, mas fez a melhor Copa de todos os tempos, como vaticinei meses antes. Ganhamos também porque Dilma Rousseff se reelegeu, superando obstáculos acima das circunstâncias eleitorais consideradas normais. Com a vitória, triunfa um projeto de governo popular, preocupado com os mais desfavorecidos. Num país tão desigual, é sempre uma grande notícia, invisível apenas aos olhos dos intolerantes, indiferentes ou muito ingênuos.

No plano pessoal, quero dividir com os amigos deste boteco virtual as alegrias pela consolidação de um projeto editorial iniciado há 10 anos. O DIÁRIO, com erros e acertos, firma-se definitivamente como o principal e mais lido jornal da Região Norte. O blog, além dos milhões de acessos, conquista a cada dia mais credibilidade e respeito.

No mais, meus pais estão bem, meus filhos estão com saúde, o valente Tobi continua esperto e a vida segue seu curso natural, com desafios instigantes a serem superados, o que é sempre bom.

Li no começo do ano um livro interessante sobre um dos ícones do rock e nele há referência à frase icônica do jornalista Jon Landau. Ao ter acesso ao trabalho de um jovem roqueiro, Landau cravou a sentença: “Eu vi o futuro do rock e ele se chama Bruce Springsteen”. Podemos dizer o mesmo da comunicação social, onde a mídia digital (e seus infinitos recursos) é o caminho, com a diferença de que não representa o futuro, pois já é presente.

Que este mundo novo que estamos desbravando venha restituir a paz, a sabedoria e a tolerância, sem perder a ternura jamais. Vamos a ele, com força e fé, pois a fé não costuma falhar, já disse o poeta Gil.

Valeu, amigos!

Pra não esquecer a poesia…

Ou isto ou aquilo

Cecília MeirelesOu se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Bicampeão mantém fórmula simples e certeira

Verdadeiro oásis entre os grandes clubes brasileiros, o bicampeão Cruzeiro adota uma fórmula bem simples para manter a casa em ordem e garantir a satisfação dos seus jogadores. É o único clube da Série A que não atrasa salários e gratificações há mais de três anos. A diretoria também não faz pagamentos por fora (como direitos de imagem), preferindo pagar tudo na folha normal de salários. Um dos efeitos positivos dessa política é que a garantia de recebimento em dia faz com que todo jogador queira defender a Raposa. Como se vê, a simplicidade ainda é alma do negócio, inclusive no futebol profissional.

A frase do dia

“Fiquei muito tempo longe da família, da namorada, e acabei tendo um tempo de abstinência de sexo. Vivia longe e namorava pouco. Canalizei toda a força para o campo. A adrenalina sempre estava a milhão no Grêmio. Agora, não vou precisar ficar tanto tempo sem sexo.” 

Zé Roberto, 40 anos, novo reforço do Palmeiras. 

Empresário diz que Gareca foi traído no Palmeiras

O empresário José Luiz Galante foi um dos grandes responsáveis por trazer ao Palmeiras o técnico Ricardo Gareca e sua legião de jogadores argentinos (Tóbio, Mouche, Allione e Cristaldo). Agora, depois que Gareca foi demitido por deixar o time ameaçado de rebaixamento, Galante apareceu com uma explicação para o insucesso do treinador no Brasil: Gareca teria sido traído no Palmeiras.

“O Gareca foi traído, não pelo presidente, mas foi traído”, afirmou Galante em entrevista à rádio Jovem Pan nesta terça-feira. A tese do empresário é que o técnico confiou na indicação da gerência do clube sobre o goleiro Fabio, que acabou falhando em momentos decisivos no campeonato.

“Foram sete derrotas com sete frangos do goleiro. Você tem que analisar diferentemente, o time fazia 1 a 0 e o goleiro falhava”, disse Galante. “Não quero imputar culpa num garoto de 24 anos, mas 24 anos não é tão garoto. O goleiro foi bancado pelo gerente de futebol e pelo preparador de goleiros.”

De acordo com o empresário, quando soube que não poderia contar com o titular Fernando Prass, Gareca pediu a contratação de outro arqueiro, mas teria ouvido do preparador que Fabio jogaria na seleção brasileira um dia. “O Gareca [sofreu com] três falhas individuais e tomou gols nos últimos minutos do jogo e teve sete falhas individuais do goleiro. Isso é só você ver os jogos.”

Sobre os jogadores argentinos que permanecem no clube, o empresário disse que eles estão mais confortáveis com a indicação de que Oswaldo de Oliveria pretende trabalhar com eles normalmente. “Os jogadores argentinos foram sacrificados a jogar, mesmo estando fora de forma por não terem participado da pré-temporada, esse não o caso do Mouche [que fez pré-temporada]”, disse Galante. (Do UOL)

Papão já contratou 13 jogadores

A diretoria do Paissandu continua a fazer mistério em torno dos contratados para a temporada 2015, mas vários nomes já vazaram. Da lista baixa, apenas o segundo goleiro é dúvida, bem como o meia Rubinho e o atacante Wanderson, que ainda dependem de confirmação oficial.

Goleiros – Andrey e Michel Alves (ou Edson Bastos)

Ala direito – Régis (ex-PSC)

Zagueiros – Willian Alves, Dão e Nailor.

Volantes – Jonathan, Elanardo e Márcio Passos

Meias – Carlinhos, Rogerinho, Nikão e Rubinho

Atacantes – Wanderson (ex-ASA) e William Paulista

(Com informações de Cláudio Santos e Rádio Clube do Pará)

Como um paredão

Por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Nem há no Brasil grandes figuras para compor um ministério de notáveis, nem seria preciso dar encerramento melancólico a um mandato difícil, com o anúncio de uma nova composição ministerial recebida por crítica ou por indiferença. Há uma explicação para isso, que muitos podem considerar suficiente para justificar a cara do novo mandato. Mas não é.

Em vez de escolhas que fizessem esquecer a média lastimável do ministério no primeiro mandato, Dilma Rousseff deu prioridade à montagem de uma estrutura política forte, capaz de se impor em duas frentes. Uma, a do Congresso, que lhe deu quatro anos de problemas ininterruptos e custo político muito alto para cada solução. Outra, a que começa a combinar a hostilidade dos meios de comunicação, também constante e indiscriminada no primeiro mandato, e o despertar feroz da oposição. Este, ainda a se confirmar, porque dá trabalho.

O futuro ministério tem tropas mais firmes no Congresso, atendendo a quase tudo o que ali pesa, e nos Estados mais representativos na opinião pública. Mas a prioridade ao político tem outra face: é sugestiva de que Dilma não pensa no segundo mandato como uma administração de passadas largas e inovadoras, com realizações e ampliações que, por si mesmas, dariam ao governo sustentação para atravessar os quatro anos e chegar sem medo a 2018. O que se insinua é mesmo a concepção do botafoguense Joaquim Levy: investimentos e transformações sociais rebaixados para a segundona.

INDIRETOS

Com a posse agora de Luiz Fernando Pezão, estará completada uma eleição peculiar no Rio, com muitos votos dados a dois não candidatos.

É incalculável, mas importante e talvez até determinante, a massa de votos dados a Pezão — muitos esquecendo a rejeição ao PMDB fluminense e a Sérgio Cabral — pelo desejo de duas permanências. Uma, a do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, alvo de incompreensões suspeitas ou pouco inteligentes, mas também da percepção de que seus modernizadores planos vão se impondo, na complexa luta contra a criminalidade armada. O crime continua em toda parte, mas o ambiente urbano no Rio é muito diferente do encontrado por Beltrame.

A outra permanência é a da parte do Estado em várias das dezenas de obras que o prefeito Eduardo Paes faz no Rio. Muitos componentes desse projetos cabem, por força de lei ou de fatores urbanísticos, ao governo estadual, e correram risco de continuidade se eleito um dos adversários dos peemedebistas Pezão e Paes.

A cidade está passando por transformações de uma audácia racional e formal como não via desde o histórico Pereira Passos, prefeito no início do século passado. Com outra raridade: nada do que é prioritário está em Ipanema, Leblon, Copacabana e demais Zona Sul.

AS VITORIOSAS

Quando se escreva sobre o que foi o primeiro mandato de Dilma, as mulheres que o integraram merecem um realce especial. Em comparação com o mais numeroso e prestigiado grupo dos homens, o das ministras é que foi exemplar no cumprimento dos objetivos, na sobriedade imposta às suas áreas e na discreta conduta pessoal. Mesmo Marta Suplicy, que de início confundiu Ministério da Cultura e Ministério da Costura, e logo imaginou desfiles em Paris, só voltou a ser Marta Suplicy já perto de sua antecipada saída do quadro.

As mulheres que continuem no ministério já justificaram sua presença. A novata Kátia Abreu vai se expor a uma comparação, para frente e para trás, de alto risco.