Como um paredão

Por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Nem há no Brasil grandes figuras para compor um ministério de notáveis, nem seria preciso dar encerramento melancólico a um mandato difícil, com o anúncio de uma nova composição ministerial recebida por crítica ou por indiferença. Há uma explicação para isso, que muitos podem considerar suficiente para justificar a cara do novo mandato. Mas não é.

Em vez de escolhas que fizessem esquecer a média lastimável do ministério no primeiro mandato, Dilma Rousseff deu prioridade à montagem de uma estrutura política forte, capaz de se impor em duas frentes. Uma, a do Congresso, que lhe deu quatro anos de problemas ininterruptos e custo político muito alto para cada solução. Outra, a que começa a combinar a hostilidade dos meios de comunicação, também constante e indiscriminada no primeiro mandato, e o despertar feroz da oposição. Este, ainda a se confirmar, porque dá trabalho.

O futuro ministério tem tropas mais firmes no Congresso, atendendo a quase tudo o que ali pesa, e nos Estados mais representativos na opinião pública. Mas a prioridade ao político tem outra face: é sugestiva de que Dilma não pensa no segundo mandato como uma administração de passadas largas e inovadoras, com realizações e ampliações que, por si mesmas, dariam ao governo sustentação para atravessar os quatro anos e chegar sem medo a 2018. O que se insinua é mesmo a concepção do botafoguense Joaquim Levy: investimentos e transformações sociais rebaixados para a segundona.

INDIRETOS

Com a posse agora de Luiz Fernando Pezão, estará completada uma eleição peculiar no Rio, com muitos votos dados a dois não candidatos.

É incalculável, mas importante e talvez até determinante, a massa de votos dados a Pezão — muitos esquecendo a rejeição ao PMDB fluminense e a Sérgio Cabral — pelo desejo de duas permanências. Uma, a do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, alvo de incompreensões suspeitas ou pouco inteligentes, mas também da percepção de que seus modernizadores planos vão se impondo, na complexa luta contra a criminalidade armada. O crime continua em toda parte, mas o ambiente urbano no Rio é muito diferente do encontrado por Beltrame.

A outra permanência é a da parte do Estado em várias das dezenas de obras que o prefeito Eduardo Paes faz no Rio. Muitos componentes desse projetos cabem, por força de lei ou de fatores urbanísticos, ao governo estadual, e correram risco de continuidade se eleito um dos adversários dos peemedebistas Pezão e Paes.

A cidade está passando por transformações de uma audácia racional e formal como não via desde o histórico Pereira Passos, prefeito no início do século passado. Com outra raridade: nada do que é prioritário está em Ipanema, Leblon, Copacabana e demais Zona Sul.

AS VITORIOSAS

Quando se escreva sobre o que foi o primeiro mandato de Dilma, as mulheres que o integraram merecem um realce especial. Em comparação com o mais numeroso e prestigiado grupo dos homens, o das ministras é que foi exemplar no cumprimento dos objetivos, na sobriedade imposta às suas áreas e na discreta conduta pessoal. Mesmo Marta Suplicy, que de início confundiu Ministério da Cultura e Ministério da Costura, e logo imaginou desfiles em Paris, só voltou a ser Marta Suplicy já perto de sua antecipada saída do quadro.

As mulheres que continuem no ministério já justificaram sua presença. A novata Kátia Abreu vai se expor a uma comparação, para frente e para trás, de alto risco.

4 comentários em “Como um paredão

  1. Essa de cortar gastos atingindo os manhosos que pouco trabalham oir conta de garantias de direito, hoje reduzidos, foi a melhor atitude deste mandato que se finda.

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  2. Para dar um passo a frente urge se faz dar um passo atrás. Nesse sentido, caminham certos os dirigentes dos clubes do Pará, máxime do Brasil ao estabelecerem um patamar remuneratório. A crise financeira é mundial. É hora de rever tudo (sei que isso é de difícil assimilação em algumas cabeças atrasadas do Pará, do Brasil e do Mundo). Vejam o quanto é injusto e desigual um jogador como o Eduardo Ramos ganhar mais que o Dadá. Ou um Juan querer ganhar o mesmo que o Augusto Recife? Vamos que vamos o futebol brasileiro, no futuro, irá agradecer.

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  3. ‘Rebaixamento para a segundona dos investimentos e transformações sociais’: um eufemismo para compressão do seguro desemprego e outras vantagens de cunho social; ou ainda para mentiras de campanha.

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