Joe Biden é eleito presidente dos EUA

Uma das disputas mais acirradas da história, a eleição para presidente nos Estados Unidos tem agora desfecho previsível, a ser confirmado a qualquer momento. Embora as apurações não tenham acabado em seis estados, estatísticos consideram irreversível a vitória do democrata Joe Biden.

Ele está à frente em quatro estados. A diferença entre Biden e o presidente Donald Trump é pequena, mas o cenário é desfavorável para o candidato à reeleição, já que a maioria dos votos a apurar vem pelo correio, meio em que o democrata tem vencido com folga.

Confirmada a previsão de que vencerá na Pensilvânia, o maior colegiado entre aqueles que ainda não concluíram a apuração, Biden será declarado o 46º presidente da maior potência mundial, chegando aos 273 votos – até o momento ele tem 253 e Trump, 214.

Para se eleger, qualquer dos candidatos precisa conquistar ao menos 270 delegados. Caso ganhe nos quatro estados em que lidera, o democrata poderá chegar aos 306 votos. Nesse cenário, Trump teria apenas mais 18 delegados, ficando com 232. O presidente já avisou que não aceitará a derrota e já recorre à Justiça, sem sucesso até agora, para invalidar resultados. Sem apresentar qualquer indício, ele alega que está perdendo porque há fraude na eleição.

“É só uma questão de tempo [a vitória de Biden]”, escreveu há pouco em sua conta no Twitter o estatístico Nate Cohn, do New York Times. “Na Pensilvânia, Biden está a caminho de acumular uma vantagem de cerca de 80 mil votos antes da contagem das cédulas provisórias”, acrescentou.

O Decision Desk HQ, empresa que divulga resultados e projeções eleitorais nos Estados Unidos a vários veículos foi além: já anunciou a vitória de Biden na Pensilvânia e sua consequente eleição como presidente do país.

New York Times destaca em sua página eletrônica que o avanço de Biden na Pensilvânia o deixa perto da vitória: “Se a liderança de Joe Biden sobre o presidente Trump for mantida, ele ganhará a presidência. Biden também ultrapassou Trump na Geórgia enquanto a contagem de votos continua, e ele está à frente no Arizona e em Nevada”.

Mudanças

As parciais divulgadas na tarde desta sexta apontaram que cresceu a vantagem de Biden em Nevada e no Arizona. O democrata já havia ultrapassado o republicano pela manhã na Pensilvânia, estado natal de Biden, e na Geórgia, onde os votos deverão ser submetidos a nova contagem devido à diferença apertada entre os dois. Trump venceu nesses dois estados em 2016.

Veja a situação, nesta tarde, nos estados que podem fazer a diferença para Trump ou Biden, conforme o site americano especializado em projeções e pesquisas Five Thirty Eight (538):

Pensilvânia: depois de ultrapassar Trump, Biden tinha frente de 13.371 votos sobre o adversário até o meio da tarde. De acordo com os estatísticos do 538, a maioria dos 100.000 votos restantes deve ser favorável ao democrata, dado que são votos pelo correio ou provisórios. O candidato mais votado ganhará o apoio de 20 delegados.

Nevada: pela manhã, Biden expandiu sua liderança para 20.137 votos. Embora cerca de 150.000 cédulas de correio atrasadas ou provisórias ainda não tenham sido contadas, espera-se que essas cédulas inclinem os democratas.

Arizona: no começo da tarde, Biden liderava por 43.779 votos, mas há algo em torno de 220.000 restantes para contar. Trump precisa vencer cerca de 60 por cento deles (ou mais) para chegar à liderança, mas ele tem ficado aquém disso até agora.  O estado é representado por 11 delegados.

Carolina do Norte: o estado contou todas as cédulas que tinha em sua posse até terça-feira, e Trump lidera por 76.737 votos entre eles. No entanto, o estado anunciou que cerca de 117.000 cédulas pelo correio e 40.766 cédulas provisórias estão potencialmente pendentes, embora nem todos sejam contabilizados. As cédulas pelo correio têm até 12 de novembro para chegar e só então mais resultados serão divulgados. A vitória no estado representa 15 votos.

Geórgia: Biden liderava, até o início da tarde, por uma margem estreita (1.561 votos) com cerca de 8.200 cédulas de ausentes regulares, até 8.900 cédulas no exterior e pelo menos 5.500 cédulas provisórias restantes para contar. O secretário de Estado já disse que a disputa vai para uma recontagem. A Geórgia tem 16 delegados.

O outro estado onde a apuração continua é o Alasca, mas o resultado da região pouco deve influenciar a disputa, já que tem apenas três delegados.

Voto pelo correio

Para o cientista político e economista Ricardo de João Braga, analista do Farol Político, são desprezíveis as chances de uma reviravolta na sucessão presidencial americana. “Hoje as projeções mostram que Biden deve ganhar mais estados e consolidar a matemática eleitoral. O discurso de Trump é de fraude. Até agora tem feito acusações sem fundamento e perdido na justiça. Se não fosse a atipicidade desse comportamento contra as instituições e antidemocrático dele, essa eleição já estaria decidida”, considera.

Ricardo avalia que o melhor desempenho de Biden em relação a Trump na votação pelo correio é resultado do comportamento dos candidatos. “Há uma lógica muito consistente no que está acontecendo. Os estados que estão virando a favor do Biden no final são os estados em que o voto pelo correio é contado no final, o que é totalmente coerente com a campanha de Trump e Biden. Trump dizia para não votarem pelo correio. E o Biden pedia para seus eleitores votarem. É natural que esses votos favoreçam o democrata”, disse.

O Farol Político é um serviço semanal de análise política e econômica do Congresso em Foco.

Amapá pede socorro

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O Amapá, terra do presidente do Congresso, está desde a terça-feira (3), sem energia elétrica, causando uma série de atropelos à vida da população de mais de 750 mil habitantes. Já falta água e não há alimento em estoque suficiente.

Terra natal do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM), o Estado ficou às escuras desde que um incêndio destruiu a subestação de Macapá. Ao sobrevoar a área incendiada, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse ontem que o pleno restabelecimento do serviço energético só deve ocorrer em 30 dias.

A Isolux Corsan, multinacional espanhola responsável pelo abastecimento de energia, só tem escritório oficial em São Paulo, na chique rua Oscar Freire, 379, sala 172, telefone 11 2595 5900. O presidente da empresa no Brasil é David Barman Artiles, que não deu qualquer declaração sobre o acidente no Amapá.

É importante notar que, nos contratos de concessão, o governo federal não exige das operadoras que mantenham no local equipamentos de reserva, o que seria o mínimo razoável e que é exigido das empresas estatais.

Para tentar resolver o problema, as providências estão sendo tomadas com dinheiro público. Na quarta-feira à noite, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel – Brasil, André Pepitone, e o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, foram ao Amapá acompanhar de perto a situação e reunir com técnicos e o governador Waldez Góes.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), o Ministério de Minas e Energia informou que um avião C-130 Hércules, da FAB, chegaria no início desta tarde a São Luís, no Maranhão, e de lá levaria duas máquinas de purificação de óleo a Macapá, onde um terceiro equipamento do mesmo tipo chegou ontem, de balsa. Se um dos transformadores for acionado ainda esta noite, permitirá atender a cerca de 70% das necessidades.

A subestação tinha três transformadores (dois responsáveis pelo fornecimento de energia e um terceiro, reserva). Todos estão indisponíveis. Cidadãos macapaenses denunciam que desde janeiro pelo menos um dos equipamentos já estava danificado e não foi providenciada substituição ou conserto.

Em busca da sequência perfeita

POR GERSON NOGUEIRA

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O dilema do PSC está não apenas nas dificuldades normais de uma competição equilibrada. É visível que o time, além de vencer adversários, precisa superar seus próprios problemas. Da determinação que a equipe mostrou para conquistar o Campeonato Estadual restou muito pouco.

As sucessivas trocas de treinadores minaram ainda mais a confiança do elenco. Saiu Hélio, veio Matheus, que ficou por um mês. Depois, Niehues assumiu interinamente e, por fim, chegou João Brigatti com a missão de fazer os ajustes necessários para entrar na briga pela classificação.

A estreia de Brigatti contra o Manaus teve aspectos positivos, mas reforçou algumas preocupações. O primeiro tempo foi satisfatório, com boa troca de passes e jogadas trabalhadas com apoio dos laterais. Ficou faltando, porém, finalizar mais, problema que acabaria tornando o jogo dramático no final.

Seria precipitado esperar um funcionamento mais azeitado do time logo na primeira partida com o novo treinador, mas as falhas de finalização sinalizam para um problema crônico, que se tornou um dos empecilhos a empreender uma campanha estável na Série C.

Com Nicolas visivelmente desgastado, tanto física quanto tecnicamente, o setor ofensivo perde metade de sua força. O artilheiro é também um dos principais articuladores, propiciando chances de gol aos companheiros.

A coisa se tornou mais complexa porque nas últimas rodadas o PSC passou a conviver com a iminente saída de Vinícius Leite, segundo melhor jogador do time e responsável pelas jogadas mais inspiradas, ao lado de Nicolas. Sem substitutos, o time continuou a ter Vinícius, sem tê-lo na plenitude.

Para enfrentar o Jacuipense, domingo, a dúvida no ataque adquire contornos mais sérios, a começar pela escalação ou não de Vinícius, que estará a três dias do fim de contrato. Sem ele, Brigatti terá que utilizar um dos três atacantes disponíveis – Elielton, Vítor Feijão ou Erik Bessa.

O baixo rendimento do ataque poderia também conduzir a uma mudança de esquema tático, saindo do 4-3-3 atual para o 4-4-2, que daria mais poder de marcação ao meio-campo, principalmente para um compromisso fora de casa, diante de adversário que também luta pela classificação.

São situações que devem ser bem pesadas, mas é fato que o enfrentamento às próprias inseguranças do elenco é um dos aspectos mais importantes da missão de Brigatti. Para concretizar a sonhada sequência de vitórias, é necessário estar bem em campo e com a cabeça no devido lugar. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC) 

Queixas e dramas de uma competição deficitária

Os 20 clubes que disputarão a Segunda Divisão do Campeonato Paraense manifestaram frustração por não receberem verba do governo. Alegam que enfrentam as dificuldades da pandemia. Apesar do choro, a Federação Paraense de Futebol deixou claro que não haverá patrocínio oficial. Cada um terá que arcar com suas despesas durante o torneio.

Mesmo levando em conta os problemas decorrentes da pandemia, os times que disputam a Segundinha tradicionalmente são montados para no máximo dois meses de trabalho. As despesas cabem aos clubes, quase todos vinculados a prefeituras ou empresários do interior.

Talvez seja chegado o momento de se criar a consciência de que o governo do Estado não pode bancar toda e qualquer competição. Tem muitas outras prioridades e já faz muito pelos clubes que disputam o certame estadual e ainda ajuda os representantes do Pará nos campeonatos nacionais.

As queixas dos dirigentes deveriam ser canalizadas para a própria falta de planejamento e ao excesso de clubes disputantes – 20 no total – que torna a competição ainda mais deficitária. Quem se aventura a disputá-la deve estar minimamente preparado para suportar os custos.  

A ajuda com material de treino sempre foi fornecida pela FPF e é o que deve ocorrer novamente. Que as próximas edições da Segundinha sejam mais elaboradas, inclusive quanto à viabilidade financeira.

Em meio à reclamação por patrocínio houve quem sugerisse um protesto drástico: os times firmariam um pacto para não entrar em campo. Infelizmente, se isso ocorrer, a única consequência será o cancelamento da competição. Nesse caso, a edição 2021 do Parazão seria disputada pelos 10 clubes deste ano, já que não houve rebaixamento.

Erro de arbitragem contra o Corinthians é apenas descuido

A mídia paulistana, sempre tão sensível quanto o assunto se refere ao Corinthians, lamenta até agora a marcação de um pênalti no fim do jogo pela Copa do Brasil em favor do América-MG. Em razão disso, o time mineiro eliminou o Timão do torneio.

Li vários analistas entristecidos com a arbitragem brasileira. O engraçado é que os árbitros nacionais são ruins há muito tempo, todos aceitam isso e ninguém entra em depressão, até porque o Corinthians é quase sempre beneficiado pela ruindade geral.

Lembro que, há dois anos, num jogo contra o Botafogo, em São Paulo, o árbitro teve o despautério de marcar um pênalti em falta que aconteceu a cerca de um metro da linha da grande área.

Jô também marcou gol com a mão contra o Vasco, nas barbas da arbitragem amedrontada, e ficou tudo por isso mesmo. Nem dá para enumerar a quantidade de lances irregulares avalizados por árbitros que, mais que ruins, são acostumados a apitar sempre pelo time da casa.

O mais incrível é que até Carlos Simon, que quando árbitro operou miseravelmente o Brasiliense em prol do Coringão, protestou contra o terrível prejuízo gerado ao clube. Durma-se com um barulho desses.

Fogão, apesar da crise, articula contratação de Díaz

Os jornais argentinos foram unânimes em destacar ontem a negociação que pode trazer Ramon Díaz, campeão da Libertadores, para dirigir o Botafogo. Para espanto dos que aqui detonam o Glorioso, o jornal Clarín citou que o técnico está a caminho “do multicampeão Botafogo”.

Não deixa de ser impressionante que, num dos anos mais terríveis de sua história, o clube que tantos craques legou ao mundo consiga atrair gente da envergadura de Honda, Kalou e Diaz. Vida longa à Estrela Solitária.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 06)