Covid-19: Governo reabre atendimento na Policlínica Itinerante do Hangar

Como medida preventiva contra o novo coronavírus, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), vai retomar os atendimentos para pacientes com sintomas leves e moderados da Covid-19 na Policlínica Itinerante montada ao lado do Hangar, em Belém. A medida foi divulgada na tarde desta quinta-feira (29) pelo governador, Helder Barbalho, após reunião com comitê que analisa as estratégias de enfretamento à Covid-19 no Pará.

“Nesse momento, em face às informações epidemiológicas e por alguns hospitais privados terem tido a necessidade da abertura de leitos, nós estamos tomando a medida de retomar a policlínica, que foi uma das principais estratégias de atendimento de triagem e acima de tudo de atendimento precoce à população. Essa é uma medida preventiva para não ter risco de qualquer cidadão que necessite de um atendimento clínico, de um diagnóstico, fique desassistido. Isso não é motivo de alarde, é apenas uma medida que o governo do estado, na sua obrigação de agir, toma para atender a população”, explicou o governador.

A partir deste sábado (31), das 10h às 17h, pessoas com sintomas gripais leves e moderados poderão buscar assistência médica na unidade, onde serão disponibilizadas consultas, exames e medicamentos em caso de necessidade. Casos mais graves da doença ou pessoas com falta de ar, insuficiências respiratórias, devem buscar Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Pronto Socorros.

“O Governo do Estado vem acompanhando continuamente os casos do novo coronavírus na Capital e levando em consideração que estamos entrando no período de chuvas, popularmente conhecido como período das viroses, estamos nos antecipando e abrindo novamente uma porta da policlínica no Hangar, para que haja mais uma referência no atendimento e orientação da população”, explicou o secretário adjunto de Saúde, Sipriano Ferraz.

O reitor da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Marcel do Nascimento Botelho, alerta que o vírus ainda circula pelo Estado e que todas as medidas de prevenção devem continuar sendo colocadas em prática para que se mantenha a estabilidade da doença até que haja vacina.

“É preciso deixar muito claro para todos que a pandemia não acabou, o vírus continua circulando, então o uso de máscara, o distanciamento social e a higienização das mãos continuam sendo indispensáveis para a proteção contra a Covid-19. Tivemos ações assertivas, que resultaram na redução do número de casos e internações e para continuarmos com essa tendência de queda não podemos relaxar. O retorno de algumas atividades é necessário também para que a população sobreviva, mas isso não pode vir com o descuido da saúde”, avaliou o reitor.

Quanto aos dados informados pelos municípios sobre o novo coronavírus, o diretor de desenvolvimento de sistemas da Prodepa, Gustavo Costa, que gere o portal de monitoramento da Covid-19, afirma: “Mesmo tendo um leve aumento no número de casos no setor privado da Grande Belém, o que se nota, a partir dos dados repassados pelos municípios, é que o novo coronavírus continua estável no Pará, e continuamos registrando queda ao comparar com o momento que vivemos em maio no pico da pandemia. Também permanece o mesmo bandeiramento já estabelecido”.

De acordo com o reitor da Uepa, Rubens Cardoso, as pesquisas realizadas pela universidade apontam que não há uma segunda onda em curso, no entanto a população deve continuar com as precauções.

“Os estudos e levantamentos feitos pela UEPA sobre o novo coronavírus tem como objetivo tornar as informações públicas para que não haja alarmismo, pois todas as decisões governamentais são tomadas baseadas nas pesquisas da Uepa, da Ufra, que alcançaram 114 municípios, testando cerca de 27 mil paraenses nas mais diferentes localidades do Pará. E esse levantamento indica que há realmente que vivemos uma estabilidade, entretanto como o vírus ainda está presente é necessário manter as precauções”, avaliou o reitor.

O governador informou à população que o sistema público estadual continua sob controle e que as demandas por leito e internações são acompanhadas diariamente. Durante o pronunciamento foram informadas todas as medidas preventivas que vem sendo adotadas para combater a Covid-19 no Pará.

“Nesse momento, o Hospital de Campanha de Belém tem ocupação estável com 91 pacientes no total. O Estado tem tomado outras medidas como o aditivo de contrato do Hospital de Campanha em Marabá para atender a região Sul e Sudeste; consolidando estratégias em Santarém, para a mudança de perfil de algumas alas do Hospital Regional de Santarém para atender a região do Baixo Amazonas; o suporte do Hospital Regional de Itaituba e com isso garantindo o atendimento hospitalar”.

Serviço – A Policlínica Itinerante instalada ao lado do hangar funcionará excepcionalmente neste sábado (31) das 10h às 17h. A partir de domingo o atendimento será realizado todos os dias de 8h às 17h.

(Com informações da Agência do Pará)

The Economist declara apoio a Biden

Para a revista, Joe Biden "não é uma cura milagrosa", mas Donald Trump "falhou tristemente" em ser um chefe de Estado - Angela Weiss/AFP

A revista The Economist publica editorial de apoio à candidatura de Joe Biden: “Mais 4 anos de um presidente historicamente ruim como Trump aprofundaria todos os problemas. Em 2016, os eleitores não sabiam no que estavam se metendo. Agora eles sabem”.

Só como comparação, no segundo das eleições de 2018 no Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo publicou editorial afirmando que a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad era “uma escolha difícil”.

A publicação criticou o atual presidente dos EUA e também candidato Donald Trump, afirmando que o republicano “profanou os valores que fazem da América um farol para o mundo”.

“Joe Biden não é uma cura milagrosa para o que aflige a América. Mas ele é um bom homem que restauraria a estabilidade e a civilidade à Casa Branca. Ele está equipado para começar a longa e difícil tarefa de reconstruir um país dividido”, disse a revista em editorial.

Para The Economist, Trump “falhou menos em seu papel como chefe do governo da América do que como chefe de Estado”, “mas como guardião dos valores da América, a consciência da nação e a voz da América no mundo, ele falhou tristemente em estar à altura da tarefa”.

“Aqueles que acusam Biden do mesmo ou pior, deveriam parar e pensar. Aqueles que despreocupadamente rejeitam a intimidação e as mentiras de Trump como se fossem apenas tweets, estão ignorando o dano que ele causou”, acrescentou a revista. Na semana passada, o USA Today, jornal de maior circulação nos EUA, também declarou apoio a Joe Biden. Foi a primeira vez que o diário, criado em 1982, manifestou endosso a um candidatura.

Lula e Ciro voltam a conversar

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Segundo inicialmente revelado por uma reportagem do jornal O Globo desta quinta-feira, os políticos teriam se encontrado em setembro no Ceará a pedido de Camilo Santana (PT), governador do Estado. Os ex-aliados, que são as principais lideranças nacionais do PT e do PDT, teriam se reconciliado após troca pública de críticas na última eleição presidencial. Ainda segundo O Globo, não houve conversa definitiva sobre uma possível coligação para o pleito de 2022, tema que foi o estopim para o desentendimento em 2018.

Racismo: a luta é de todos

POR GERSON NOGUEIRA

George Pitbull, volante do Paysandu, denunciou ter sofrido racismo em uma viagem de ônibus - Jorge Luiz/Paysandu

A banalização de casos de racismo é um dos piores sintomas da doença social que acomete o Brasil atual. Quase todos os dias se tem notícia de um gesto, uma palavra ou uma intenção reveladora da carga de preconceito e intolerância. O mais absurdo, tristemente irônico, é que negros e índios são frequentemente os mais hostilizados e insultados.

O volante George Pitbull, do time sub-23 do Papão, denunciou o constrangimento de que foi vítima, junto com o atacante Debu, companheiro de equipe. O incidente ocorreu depois de terem apanhado um ônibus à saída do treino de segunda-feira, na Curuzu. O fato é grave e não pode ser ignorado.

Em meio a viagem, os dois foram convidados a descer do ônibus e tiveram as mochilas revistadas, sob a vista de todos. Os policiais militares abordaram os atletas dizendo terem sido alertados sobre “um comportamento suspeito” de ambos no ônibus.

Segundo um dos PM’s, a denúncia partiu de uma mulher que viajava no mesmo veículo. No baculejo, só foram encontrados uniformes de treino e as chuteiras ainda sujas.

“É um sentimento de vergonha, de humilhação pelo que a pessoa passa por ser negro e tatuado”, disse George, 21 anos, titular do PSC na disputa do Campeonato Brasileiro de Aspirantes. “Não podemos ser julgados pelo nosso estilo, pelo jeito que a gente se arruma”, diz o jogador, nascido em Benevides. Ele admite ter se calado outras vezes diante de abusos.  

No ônibus quase vazio, estavam um rapaz e uma moça loira. Os dois perceberam o incômodo da passageira quando eles subiram. “É como se a gente fosse assaltar ou fazer alguma coisa ruim”. Ao longo do trajeto, entraram outras pessoas, mas a suspeita se concentrou na dupla. Na rodovia BR-316, a polícia chegou e parou o ônibus.

Apesar da humilhação, os rapazes não reclamam dos policiais. Entenderam que eles cumpriam seu papel, o que é no mínimo questionável. A viagem prosseguiu, mas a revolta pelo ocorrido não passou.

O fato foi denunciado por George nas redes sociais, virou notícia em sites nacionais e chegou ao conhecimento da diretoria do PSC, que se solidarizou e manifestou repúdio através de uma nota intitulada “Chega de racismo!”, em defesa de seus atletas.

O racismo, que nem sempre é direto, como nesse episódio, manifesta-se de forma dissimulada ou estrutural, como dizem os especialistas. O país da miscigenação não pode virar refém dos intolerantes e defensores do ódio.

Há uma onda crescente de ataques a vulneráveis, mulheres, crianças e diferentes em geral, com forte coloração extremista e evidente intenção racista. Para derrotar o ódio e a ignorância, é preciso combater implacavelmente em todas as frentes. A denúncia, como fizeram George e Debu, é uma das armas mais poderosas.

Registre-se a atitude corajosa de George, que resolveu encarar o problema de frente. “É muito importante um jogador de futebol falar sobre isso. As pessoas precisam saber o que está acontecendo. Às vezes ficamos calados por medo, por achar que as pessoas vão falar que é ‘mimimi’, e tem muita gente que fala isso mesmo. Mas sem vitimismo: é muito difícil, é vergonhoso passar por isso, você fica abalado psicologicamente”.

Botando os pingos nos ii

Na coluna de ontem, uma incorreção. João Brigatti passou pelo PSC inicialmente como auxiliar técnico, mas não de Dado Cavalcanti, como citei no texto. Ele, na verdade, trabalhou com Mazola Junior.

Série C: portas da esperança estão escancaradas

Os últimos jogos serviram para reacender as esperanças das duas maiores torcidas do Norte quanto ao êxito de seus times na Série C. O PSC, que esteve rondando a zona do rebaixamento, resgatou a confiança com a vitória sobre o Treze da Paraíba na última rodada. A chegada de um novo técnico – João Brigatti – faz com que a equipe também fique ainda mais motivada. No Remo, que já alcançou 22 pontos e é o terceiro na classificação, o clima é de otimismo quanto à conquista de uma vaga.

No cenário atual, a dificuldade maior cabe ao PSC, que tem 15 pontos e precisará superar Jacuipense, Manaus e Ferroviário na briga pela última vaga no G4. Terá que conquistar quatro vitórias e um empate nos seis jogos que restam. Missão difícil, mas perfeitamente possível, tendo em vista os jogos em casa contra Manaus, Ferroviário e Botafogo, além do clássico Re-Pa na rodada final. Fora, jogará contra Jacuipense e Imperatriz, pior time do campeonato.

O Remo tem percurso bem mais tranquilo, pois precisa de duas vitórias e um empate para passar à próxima fase. Terá boas chances de obter os resultados que lhe interessam, recebendo Treze e Santa Cruz em Belém, além do Re-Pa. Longe de casa, terá confrontos com Vila Nova, Botafogo e Manaus. É improvável que, a manter o ritmo atual, não consiga pelo menos três vitórias nos seis compromissos restantes.

E é preciso considerar que todos os cálculos quanto à linha de corte sugerem que 28 pontos serão suficientes para classificar. É provável, dependendo dos cruzamentos nas próximas rodadas, que esta pontuação caia para 27, o que tornaria a cruzada dos paraenses menos árdua.

Tite e a vocação para escolhas infelizes

Tite continua a ser uma esfinge quanto a critérios de escolha para a Seleção Brasileira. Depois de chamar Arthur, em má fase, acaba de convocar Lucas Paquetá, atacante em baixa no futebol europeu e com passagens pífias pelo escrete. Ele vai substituir Philippe Coutinho, cortado por contusão.

Chama atenção a convocação de Paquetá pelo histórico recente do atleta. Fez um gol e deu três assistências desde que se transferiu para o Milan em 2018. Teve muitas chances, mas não conseguiu se encaixar no time italiano, virou reserva e terminou negociado com o Lyon.

Dois anos de baixo nível técnico premiados pelo professor Tite. Gerson (Flamengo) e Marinho (Santos) pedem passagem há tempos.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 29)