Leão goleia Castanhal e garante o 3º lugar do Campeonato Estadual

O Remo se despediu em alto estilo do Campeonato Estadual. Goleou o Castanhal por 3 a 0 na tarde/noite deste sábado, 15, no estádio do Baenão, garantindo o 3º lugar do Campeonato Paraense. Os gols foram de Lucas Siqueira (de cabeça), aos 38 minutos do primeiro tempo; e por Fredson e Felipe Gedoz (cobrando falta) aos 1′ e 8′ da etapa final. O Leão dominou o jogo, teve chances de disparar uma goleada mais contundente e não sofreu riscos. Os azulinos garantiram presença na Copa do Brasil de 2022. Com o resultado, o Remo ampliou sua vantagem na primeira colocação na contagem de pontos do Parazão.

Pelas mãos de uma mulher

POR GERSON NOGUEIRA

De repente, todos redescobrimos a Tuna. Segundo time de coração de remistas e bicolores, a simpática agremiação luso-paraense é de fato irresistível. Não apenas pela vertiginosa campanha que faz nesta temporada. É adorada porque tem história, tradição e um belíssimo uniforme esmeraldino com a cruz de malta no peito e aquela faixa cruzada.

A ressurreição da Tuna já é a melhor notícia da temporada, mesmo que não seja campeã. Estava há sete anos fora da divisão principal por desmandos de gestão e tombos terríveis na escolha de jogadores. Deixou de investir na base e passou a recrutar veteranos para disputar as competições oficiais. Não deu certo, como prova o período fora do Parazão.

A volta por cima começou na Segundinha para o Parazão 2021. E veio pelas mãos de uma mulher. Fiz um pequeno registro sobre ela na coluna de domingo passado. Graciete Maués, professora aposentada, é a primeira presidenta de um clube grande no Pará.

Dedé comemora classificação da Tuna Luso — Foto: Sílvio Garrido

Sorridente e conciliadora, a professora quebrou a tradição machista que cerca a história dos grandes clubes da capital. Depois de um século, a Tuna elegeu Graciete e, coincidência ou não, a escolha se revela auspiciosa.

Além de vencer a Segundinha, a Tuna conseguiu conquistas importantíssimas em apenas seis meses: garantiu vaga em duas competições nacionais (Série D e Copa do Brasil 2022), fato que não ocorria há 13 anos, chegou à final do Estadual e disputará a Copa Verde, caso o torneio seja confirmado.  

A Tuna se notabiliza por ser um clube inteiramente diferente de seus congêneres. Nasceu na comunidade portuguesa de Belém, fincada na elite paraense do começo do século passado, e sempre manteve um pé nas altas rodas, razão de sua dificuldade para cativar torcedores de camadas mais humildes.

Ao longo de décadas, a Tuna cresceu com os problemas e benefícios de um clube elitizado. Como não tinha uma torcida numerosa, restringindo-se aos limites da colônia lusitana, o futebol não tinha a regularidade competitiva que identifica a dupla Re-Pa.

Por outro lado, como nunca foi clube de massa, técnicos e jogadores podiam trabalhar em relativo sossego, o que permitiu investir nas divisões de base e revelar atletas brilhantes. Saíram ou passaram por lá boleiros do nível de Giovane, Mesquita, Antenor, Arinelson e Marlon, entre outros.

Após a classificação à final do Estadual, irrompeu uma onda de entusiasmo em relação à Águia Guerreira. É o clube da moda. Amigos de Rio e São Paulo me pedem informações sobre a agremiação e também sobre como comprar camisas. O entusiasmo é grande.

Que a Tuna aproveite esse renascimento para firmar um reencontro definitivo com sua história. Que não se permita mais cair em mãos erradas e incompetentes. Que não desista de ser grande. Que retome de vez o apetite pelas vitórias. (Foto: Sílvio Garrido)

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 22h, na RBATV, com apresentação de Valmir Rodrigues e participações (home office) de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em debate, a decisão do Campeonato Paraense. A edição é de Lourdes Cézar.

Papão precisa neutralizar a intensidade cruzmaltina

A comissão técnica do PSC tem dedicado atenção especial à análise do fenômeno Tuna. Faz muito bem. Dona do ataque mais positivo do campeonato, a Lusa de Robson Melo não está para brincadeiras. Eliminou o grande favorito ao título adotando uma estratégia aparentemente comum, mas certeira: marcação dura em todos os quadrantes do campo.

E, se há uma palavra para definir a Tuna que afrontou o Remo dentro do Baenão, é intensidade. Em nenhuma outra partida do Parazão um time jogou com tamanha gana e obsessão pela vitória. Isso faz uma diferença brutal numa competição de óbvio nivelamento técnico.

A Itamar Schulle e seus auxiliares cabe fazer uma completa radiografia da surpreendente equipe de Robson Melo, mas é importante notar que o jogo com o Remo foi diferente de todos os demais da Tuna no campeonato. Nem contra o PSC jogou com tamanho afinco e disciplina.

No Souza, sob o sol inclemente, a Tuna tende a se tornar mais perigosa ofensivamente. Nenhum time se sente confortável sob 40 graus de temperatura. Os cruzmaltinos conseguem jogar porque estão ambientados ao horário – embora o PSC também tenha feito três partidas matinais.

As atuações confusas do PSC contra o Castanhal sinalizam para dificuldades contra a rápida e agressiva Lusa de Lukinha, Fabinho, Wellington Pará, Marcos Vinícius e Paulo Rangel. Depois do que se viu na quarta-feira, Schulle não pode alegar surpresa com o adversário.

Direto do blog campeão

“Infelizmente, o time do Remo é fraco para a disputa da Série B. Precisa melhorar e muito, principalmente nas contratações, que até agora não acrescentaram nada ao time. Alô, diretoria, acorda enquanto é tempo. Tem que trazer jogadores de qualidade urgente. Quanto ao técnico Paulo Bonamigo, precisa ter variações táticas, pois está manjado que o Remo só ataca pelas laterais. Os times marcam esses setores e não há outra opção de jogadas, principalmente pelo meio. Acorda, presidente Fábio Bentes, ainda dá tempo de arrumar a casa”. Jaime CPN, de Atlanta (EUA)

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 16)