O desafio do novo comandante

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu comemora 40º título estadual — Foto: John Wesley/Paysandu

Bicampeão estadual, de forma até surpreendente diante da campanha pouco inspirada, o PSC se prepara agora para a disputa da Série C, sua principal competição na temporada. Vai entrar na Terceirona de técnico novo, Vinícius Eutrópio, que comanda os treinos desta semana.

Formatar um time competitivo, capaz de se classificar à segunda fase do Brasileiro e brigar pelo acesso à Série B 2022, é um tremendo desafio para um técnico que chegou desacreditado, cercado de desconfianças e bombardeado por críticas da torcida alviceleste.

De certa maneira, o título estadual conquistado no domingo abriu uma certa trégua. Ocupado com as comemorações, a Fiel Bicolor esqueceu temporariamente de atacar a diretoria pela escolha de Vinícius.

Os ataques ao treinador podem ser precipitados. O futebol não é ciência exata. Profissionais que fracassam num clube podem renascer e brilhar em outro. Vinícius vem de experiência ruim no Joinville, de onde foi demitido em abril, mas nada impede que se reerga profissionalmente no PSC.

Contra a Tombense, no sábado, o Papão terá que começar a mostrar o que pretende na competição. A empolgação pelo triunfo no Parazão vai arrefecer até lá e as expectativas da torcida irão se concentrar no Brasileiro.

Algumas dúvidas começam a se impor desde que o time aplicou a categórica goleada de 4 a 1 sobre a Tuna. Os jogadores que tiveram baixo rendimento ao longo do campeonato conseguiram a reabilitação plena?

Situo a questão principalmente no meio-campo, onde Paulinho, Jhonnatan, Elyezer, Ratinho, Denílson e Ruy fizeram um Parazão de grande instabilidade, sem passar confiança à torcida. 

O ataque talvez tenha soluções mais simples, como a esperada efetivação de Gabriel Barbosa, depois dos quatro gols salvadores na decisão. É perfeitamente possível que o técnico encontre um lugar para ele ao lado ou à frente de Nicolas, que pode também jogar mais recuado.

Por outro lado, a defesa inspira cuidados. As mudanças feitas por Wilton Bezerra ajudaram a diminuir os buracos vistos no primeiro jogo com a Tuna, mas, ainda assim, não impediu que o time corresse riscos no final, com o pênalti de Perema sobre Jayme.

Persistem questionamentos quanto à dupla ideal de zaga – Perema/Yan ou Perema/Alisson. De toda sorte, Vinícius irá se valer muito das observações e dicas de Bezerra, o interino campeão.

Leão treina e time da estreia pode ter novidades

O Remo treina há nove dias para a aguardada estreia na Série B contra o CRB, sábado, em Maceió. A frustração pela perda do título estadual ainda pesa muito sobre o elenco. A torcida não se conforma com o que era tido como obrigação do time que tinha o elenco mais qualificado.

Paulo Bonamigo sabe o quanto isso irá se refletir na maneira como a equipe será observada pelo torcedor logo no início da Série B. Para dificultar ainda mais a caminhada, as três primeiras rodadas serão disputadas simultaneamente com os jogos da Copa do Brasil com o Atlético-MG.

Com os reforços recém-anunciados, é provável que o time titular para o jogo de sábado sofra mudanças tanto na defesa quanto no ataque. Jefferson, Rafinha, Suéliton, Romércio e Paulinho Curuá podem ter chances.  

Os zagueiros Suéliton e Romércio têm chances até de conquistar a titularidade, diante das muitas cobranças em relação à zaga azulina no Parazão, mas o estilo metódico de Bonamigo faz crer que as mudanças serão graduais, sem precipitação.

Às favas com as regras de distanciamento social

Chamou atenção e causou espanto a quantidade de gente nas arquibancadas abaixo das cabines de imprensa da Curuzu, domingo, na decisão do Campeonato Paraense. Um pouco mais acima, nas tribunas do estádio, estava simplesmente o presidente da CBF, Rogério Caboclo, que veio prestigiar a partida, ao lado do estafe da FPF.

As imagens de vídeo e fotografias indicam a presença de um contingente de 80 a 100 espectadores privilegiados da final entre PSC e Tuna.

A presença de torcida nos estádios está proibida em todas as competições oficiais, em cumprimento aos protocolos sanitários de prevenção contra a covid-19. O decreto estadual proíbe expressamente aglomerações em praças esportivas e casas de shows, e prevê punições.

Antes e depois da primeira partida da decisão, o PSC encaminhou uma solicitação de liberação de público (3 mil por jogo) nos estádios do Souza e da Curuzu. O pedido foi prontamente rechaçado pelas autoridades.

Apesar disso, mesmo sem cobrança de ingresso, um grupo seleto de adeptos teve acesso ao estádio, como se tudo estivesse liberado. FPF e CBF, que devem ter tido acesso às imagens do público na Curuzu, não se manifestaram até o momento, mas não podem se omitir.

Seria oportuno que, desde já, as autoridades adotassem providências para impedir o acesso de torcedores (mesmo disfarçados de diretores) a estádios de Belém durante o Campeonato Brasileiro. O abuso tem que ser coibido.

Breve recesso

A coluna entra em breve recesso, pós-Parazão, pelos próximos 10 dias. Voltará com o Brasileiro (séries B e C) já em andamento. Até lá. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 25)