A passeata de Bolsonaro com o capital, pela morte

Por Fernando Brito

Não demorou nem dois dias.

Bastou que os médicos e os cientistas alertassem para a necessidade de aumentar o distanciamento social e de apelar, em alguns centros, ao lockdown para evitar um massacre maior e o capital, descaradamente, sai em marcha, com Jair Bolsonaro à frente, para imprensar o Judiciário para que não permita que governadores e prefeitos tomem medidas protetivas para a população.

Sob a batuta de Marco Polo de Mello Lopes, representante das siderúrgicas, foram dizer que, embora ninguém esteja os impedindo de funcionar, a queda da demanda está fazendo com que suas vendas e a produção caiam.

Ora, então o que querem não é permissão – que nunca deixaram de ter – para trabalhar, mas que todo o comércio abra, para que possam – ou pensem que podem – voltar a venderem o que produzem.

As pessoas morrem com isso? Sim, e daí.

Bolsonaro sequer se acanhou em dizer que vai retirar autoridade dos governadores definindo, por sua conta, tudo como sendo essencial.

É a vergonha suprema para uma classe dirigente e um governo que desprezam o ser humano e uma vergonha, também, para o Supremo, ter um presidente que aceita ser atropelado por uma passeata do capital, com direito a transmissão ao vivo pelas redes bolsonaristas.

Alguém consegue imaginar Donald Trump acompanhado de um séquito de empresários ir abrir as portas da Corte Suprema?

A pressão é evidente e duvido que uma passeata de médicos ou de dirigentes de sindicato de trabalhadores fosse recebida assim, de supetão e com transmissão ao vivo.

O empresariado brasileiro e o governo de nosso país, ao ignorar e subverter as orientações sanitárias em nome dos lucros – todos ele têm montanhas de dinheiro, ao contrário do povo – mas não conseguem, por dias que sejam, conter seus apetites de lucro.

Meia fala sobre ‘cornetadas’ do sogro Chitãozinho

O meia Rafael Longuine possui uma torcida (e uma corneta) de luxo na família. Chitãozinho, da famosa dupla com Xororó, é seu sogro. Emprestado pelo Santos ao CRB, Longuine fala da boa relação com o cantor.

“Ele acompanha bastante, gosta muito de futebol. É torcedor do Santos. Sempre que dá vê meus jogos, conversa comigo e às vezes dá umas cornetadas (risos). Foi para Maceió passar uns dias, conheceu o CT e a rapaziada. Ficou encantado com clube e cidade”, disse Rafael Longuine, no Central Fox. 

Longuine era destaque do CRB até a pausa no futebol em meio ao novo coronavírus. O jogador de 29 anos teve grave lesão no joelho na última partida antes da paralisação, contra o Cruzeiro.

“Tive essa lesão no último jogo antes da parada. Graças a Deus consegui operar, fiquei um bom tempo esperando até a liberação. Estou em Santos fazendo o tratamento com o máximo de cuidado possível”, afirmou.

Santos e CRB dividem os salários. E ambos os clubes acertam redução nos vencimentos.

“Salário está dividido entre Santos e CRB. Todos os clubes fazem essa redução. E nesse momento temos que ter cuidado, essa preocupação em reduzir os salários para pensar em quem trabalha no clube no dia a dia, para não haver desemprego. Momento é difícil no país, há muito desemprego em massa em empresas. Temos que ter equilíbrio principalmente entre atletas e clubes para haver redução. Não vejo como problema”, concluiu.Mesmo com a necessidade de pelo menos seis meses para a recuperação, o CRB não descarta reaproveitar Rafael Longuine no segundo semestre.

O contrato de Longuine termina em maio de 2021 e ele pode voltar ao Peixe com a possibilidade de assinar um pré-acordo para sair de graça em junho do ano que vem se não renovar.

Toffoli deixou Bolsonaro à vontade para marchar sobre o STF todo dia

Por Kiko Nogueira

Se o presidente do STF tivesse apreço pelas instituições, a começar pela em que atua, teria mandado Bolsonaro e sua entourage dar meia volta-volver.

Ao invés disso, recebeu a o presidente, Paulo Guedes, outros membros do governo e empresários de braços abertos, submetendo-se a um espetáculo grotesco.

Eles foram pedir a abertura da economia e a “volta à normalidade”, fazendo pressão, como se estivessem entrando na casinha do cachorro.

Há inúmeros instrumentos jurídicos para que essa relação seja saudável e republicana.

Bolsonaro não precisou de soldado e cabo para entrar na corte. Faltou mijar no vaso que fica no canto do lobby.

O presidente ainda filmou tudo sem pedir autorização. A palhaçada foi transmitida nas redes sociais do sujeito.

Ao dialogar com o bando, Toffoli abre um precedente perigoso: vai ser sempre assim?

Bolsonaro vai acordar amanhã com a macaca sem nada para fazer e resolver dar uma colada no Supremo?

Toffoli respondeu que o Executivo deveria criar um gabinete de crise e se reunir com Estados e Municípios para agir de forma coordenada.

Ainda teve a coragem de falar que “o país conduziu muito bem essa situação [do coronavírus], apesar do que sai na imprensa”.

Guedes foi protestar contra a decisão do Congresso de livrar várias categorias de servidores do congelamento dos salários, coisa que deveria tratar com o chefe e seus deputados.

“Alguns dizem que ‘a economia deixa pra lá, o importante é a vida’. Não é assim não”, afirmou Bolsonaro. 

Não, não é assim. O fundamental é manter o CNPJ vivo. Essa aberração precisa terminar. Mas, enquanto tivermos homens como Toffoli, a desgraça vai longe.

Advogados paraenses protocolam pedido de impeachment de Bolsonaro

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Na tarde de terça-feira, 05, um grupo de 23 advogadas e advogados trabalhistas, de Belém e de Parauapebas, protocolaram junto à mesa diretora da Câmara dos Deputados, pedido de impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro. O grupo de juristas, após debates e estudos, compreenderam que a continuidade do exercício do mandato por Jair Bolsonaro atenta contra a democracia, a Constituição e a própria vida da população brasileira.

O grupo decidiu agir pois a cada dia o gestor maior da nação brasileira comete uma série de crimes de responsabilidade, que contribuem para o agravamento da crise social no país.

Os advogados denunciam, na peça de mais de 40 laudas, acompanhadas de diversos documentos, a prática de pelo menos cinco graves crimes de responsabilidade, previstos na Lei n. 1.079, de 10 de abril de 1950, que é a lei que define tais crimes e que regula o respectivo processo de julgamento.

Como testemunhas, os advogados paraenses arrolaram: Felipe Santa Cruz – presidente da OAB nacional; Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública; Drauzio Varella, médico, e Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde.

A depender da qualidade técnica e dos fundamentos da denúncia, o presidente da República terá muito trabalho para conseguir se defender. Todas as acusações são acompanhadas de fartas provas e não deixam dúvidas sobre a correção da medida adotada.

Campeonato Alemão vai recomeçar no dia 16 de maio

Signal Iduna Park vai receber partida entre Borussia contra Schalke 04

Um dia depois da chanceler Angela Merkel liberar a retomada das competições esportivas no país, os organizadores do Campeonato Alemão divulgaram nesta quinta-feira a data dos primeiros jogos desde a paralisação em março por conta da pandemia do novo coronavírus. Será o próximo dia 16, um sábado, quando seis partidas da 26.ª rodada serão realizadas. Entre elas, o destaque é o clássico entre Borussia Dortmund e Schalke 04, no Signal Iduna Park, em Dortmund.

O duelo da região do Ruhr terá início às 13h30 no horário local (10h30 no de Brasília), assim como outros quatro jogos: RB Leipzig x Freiburg, Hoffenheim x Hertha Berlin, Fortuna Düsseldorf x Paderborn e Augsburg x Wolfsburg. Mais tarde, o Eintracht Frankfurt receberá o Borussia Mönchengladbach. No dia seguinte, o líder Bayern de Munique jogará fora de casa contra o Union Berlin e o Colônia será mandante contra o Mainz. A rodada terminará na segunda-feira com Werder Bremen x Bayer Leverkusen.

De acordo com o governo alemão, todos os jogos ocorrerão com portões fechados. Foi exigido que, para que o campeonato seja retomado, os atletas fiquem em isolamento total por pelo menos uma semana. Desta forma, a Alemanha será a primeira grande liga do futebol europeu a ser reiniciada depois da longa paralisação por conta da pandemia da covid-19.

Com o contágio na população sob maior controle, em comparação a outros países do continente, a Alemanha iniciou medidas de afrouxamento do isolamento social no começo de abril, quando os clubes locais retomaram as atividades. O treinamento, não só do futebol mas também de outros esportes, foi permitido novamente – mas somente ao ar livre e de acordo com regras específicas relacionadas aos cuidados contra o coronavírus. O Bayern de Munique foi um dos primeiros a retomar os treinos, mas de forma individual.

Paralisado desde o dia 8 de março, o Campeonato Alemão é liderado pelo Bayern de Munique com 55 pontos, quatro à frente do vice, Borussia Dortmund. RB Leipzig e Borussia Mönchengladbach são neste momento os donos das duas outras vagas para a disputa da Liga dos Campeões da Europa.

No entanto, não há datas previstas para a disputa das semifinais e da decisão da Copa da Alemanha. A federação local (DFB, na sigla em alemão) reafirmou o desejo de finalizar o torneio até o dia 30 de junho. Bayern de Munique x Eintracht Frankfurt e Saarbrücken (quarta divisão) x Bayer Leverkusen estão na disputa pelo título.

A volta do futebol na Alemanha vai de encontro com o que pensa a LaLiga (organizadora do Campeonato Espanhol), que já está fazendo testes em jogadores, e a Premier League (promotora do Campeonato Inglês), que ainda está analisando as melhores alternativas para retomar os jogos. Na França, a temporada já foi encerrada e o Paris Saint-Germain foi declarado campeão.

O desafio dos técnicos

POR GERSON NOGUEIRA

O papel dos técnicos nesta quarentena é estratégico para que os times tenham um aproveitamento satisfatório no reinício das competições. Mesmo nos Estados que apressaram o retorno aos treinos, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os treinadores se mostram cautelosos quanto à volta dos jogos. Todos, unanimemente, recomendam que haja mais cuidado e respeito às orientações das autoridades sanitárias.

No futebol gaúcho, foi estabelecido um protocolo com prazos e recomendações antes de retomar o campeonato estadual. A federação se propôs a garantir testes de covid-19 aos clubes do interior. Há a compreensão de que é necessário fazer a testagem dos atletas antes de treinos e jogos. A dupla Gre-Nal já retomou treinamentos, com imagens que revelam pouca preocupação com o distanciamento físico entre os jogadores.

Artur Oliveira: 'Tenho certeza que não vamos voltar zerados ...

A situação é exemplar para o futebol paraense, onde os grandes da capital vivem uma realidade bem mais crítica que a dos clubes interioranos. Cada município tem situação específica quanto à doença, mas alguns foram mais afetados (Belém, Santarém, Castanhal) pela covid-19, outros nem tanto.

Significa que, por maior que seja a pressão pela volta do futebol, dificilmente a FPF irá autorizar de imediato o recomeço do Parazão. A capital está entrando no pico da pandemia e algumas cidades próximas não teriam como receber jogos. Em previsão respaldada pelo Ministério da Saúde, Hélio dos Anjos (PSC) estima que os jogos só voltarão a partir de agosto.

Nessas circunstâncias, entra em cena o relevante papel dos treinadores quanto ao trabalho de manutenção técnica e física dos elencos.  O Campeonato Paraense foi paralisado no dia 19 de março, apanhando a maioria dos times na chamada fase de maturação na temporada.

Um dos times mais prejudicados pela suspensão do torneio foi o Castanhal, dono de consistente campanha – 14 pontos somados, 17 gols marcados e dependendo de uma vitória para garantir presença nas semifinais.

Em entrevista recente, o técnico Artur Oliveira mostrou-se preocupado com a preparação física do time em meio à quarentena. Apesar do empenho de todos os atletas em respeitar as orientações distribuídas pela comissão técnica, não é possível estabelecer com segurança que todos estarão em plena forma quando o campeonato reiniciar.

Artur avalia que será necessário um período de dez dias de trabalho para que o condicionamento físico do elenco volte ao estágio anterior à interrupção do Parazão. Como ex-jogador, o treinador sabe que a parada implica em quebra do ritmo de competição, perda de disciplina e pouca obediência a horários.

Das opiniões que técnicos e preparadores vêm emitindo é possível perceber que a decretação da quarentena pegou a todos de surpresa, sem qualquer referência segura sobre como agir. Não há exemplo anterior na história do esporte que sirva de balizamento, nem literatura ou vídeos que ajudem a enfrentar o desconhecido. Enfim, tudo está por ser descoberto.

Para Luxa, futebol não deve ser preocupação maior

Um dos mais experientes treinadores em atividade no país, Vanderlei Luxemburgo, do Palmeiras, tem mostrado postura cautelosa em relação ao plano mais adequado de atravessar a quarentena. Mostrou uma interessante visão humanista do problema em vídeo divulgado ontem pelo clube:

“As pessoas estão muito preocupadas com o futebol, com se ele fosse mover o mundo. A preocupação é com a pandemia do momento do mundo, com a saúde, letalidade do vírus. Essa é a preocupação que todos têm de ter, que caminho tomar e como acabar com esse vírus. Futebol está seguindo esse contexto”.

Sim, Luxa tem razão. Pessoas são mais importantes que competições esportivas. A vida não tem preço.

No mundinho da bola, pensar criticamente pode custar caro

A polêmica em torno das críticas públicas de Raí à postura do presidente da República em meio às ações de enfrentamento da pandemia começa a adquirir contornos mais pesados – e sujos. Setoristas do São Paulo revelam que o diretor-executivo de futebol do clube teve a  cabeça colocada a prêmio por conselheiros e associados mais conservadores.  

O posicionamento corajoso e honesto não caiu bem junto a determinados setores do clube mais tradicional de São Paulo. A coisa azedou ainda mais depois que o ex-presidente Lula elogiou Raí em mensagem postada no Twitter: “Nunca é tarde para enaltecer um grande gesto. Meu abraço ao Raí. Você mostrou que tem o mesmo DNA do Doutor Sócrates. Não se muda a realidade sem ter opinião política”.

Raí já havia sido cornetado por Caio Ribeiro, comentarista da Globo e filho de um conselheiro são-paulino. Caio, sempre fiel ao modelito coxinha desde os tempos de atacante mediano, censurou o irmão do Doutor Sócrates por expressar um posicionamento político. Para ele, Raí deveria se ater a questões relacionadas com o futebol do São Paulo.

Ontem, surgiu a informação de que membros do Conselho Deliberativo do São Paulo estão pressionando o presidente do clube, Leco. Odair Busoli, membro da oposição no clube, criou um requerimento para colher o máximo de assinaturas para exigir uma retratação pública do diretor-executivo.

Outros conselheiros exigem a demissão sumária de Raí, sob a alegação de que, como funcionário remunerado do São Paulo, ele fere o estatuto do clube ao emitir opiniões políticas. “Essa declaração do Raí é um claro sinal de que o São Paulo não tem comando”, afirma Denis Ormrod, um dos conselheiros mais ativos dentro do Morumbi, ao lado de Abílio Diniz.

A confusão mostra que, ao contrário do que se supõe, o Brasil feudal continua mais vivo do que nunca. A evidência disso está nas manifestações de desprezo e hostilidade à liberdade de expressão e pensamento. Em meio a isso, não há como não reverenciar Sócrates, que em plena ditadura militar não teve medo de enfrentar os poderosos de plantão. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 07)