Medidas suspendem deslocamentos interestadual e intermunicipal no Estado

O Governo do Pará adicionou novas medidas de distanciamento controlado ao Decreto Estadual 777/ 2020, publicado com alterações na noite desta segunda-feira (25), em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE). As determinações dizem respeito aos deslocamentos interestadual e intermunicipal e seguem vigentes ainda por tempo indeterminado.

Permanecem suspensos os transportes coletivos interestaduais de passageiros pelas vias terrestre, marítima e fluvial. A medida não se aplica a carros particulares e nem ao transporte de carga, ficando ressalvados também os casos de pessoas que precisam fazer deslocamento por motivo de trabalho, retorno para casa ou tratamento de saúde.

Com relação aos deslocamentos intermunicipais, a norma proíbe tanto entrada, quanto saída de pessoas, seja por meio rodoviário ou fluvial, em Belém e nos demais municípios da região metropolitana. A determinação se estende também às cidades que decretarem lockdown.

Da mesma forma que em viagens interestaduais, o decreto excepciona situações de atividade profissional e tratamento de saúde, devidamente comprovados, além do transporte de cargas. Pessoas que morem nos municípios envolvidos e que estão fora da cidade por algum motivo podem voltar para casa por meio de comprovação do local de residência.  

Adaptações – “Assim como temos feito com os decretos anteriores de isolamento social, o 777/ 2020 deve passar por alterações no decorrer dos dias, porque estamos adaptando a legislação conforme demandas da sociedade, levando em consideração critérios técnicos de prevenção contra a Covid-19”, diz o procurador-geral do Estado, Ricardo Sefer.

O procurador explica que rodoviárias e portos podem funcionar, mas apenas para o transporte de cargas e de pessoas autorizadas a viajar, após comprovação do motivo do deslocamento. “Esta comprovação pode ser feita por qualquer documento hábil que seja válido, como, por exemplo, comprovante de residência, crachá funcional ou identidade funcional, além de declaração médica”, complementa.

A comprovação da necessidade do deslocamento também pode ser feita com a autodeclaração disponível no site da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). (Da Agência Pará)

Ataques a jornalistas fazem Globo e Folha suspender cobertura do presidente em Brasília

A cena foi dantesca. Um grupo de bolsonaristas atacou jornalistas que estavam em frente ao Ministério da Defesa, onde Bolsonaro almoçava com com o ministro general Fernando Azevedo e Silva. Um dos homens ficou centímetros do rosto dos jornalistas e, sem máscara, gritou e hostilizou os repórteres. “Vai tomar no seu cú, cuzão. Vai se foder, filho duma puta. A gente tá aqui pela sua família, o cuzão, a gente tá aqui pela sua família. A gente tá aqui pela sua família, o cuzão. A gente tá aqui pela sua família, o seu bosta. Você tá fazendo o que aqui? Tá trabalhando por que? Lixo!”, xingou um militante.

Nesse momento, os manifestantes avançaram em direção aos jornalistas que ali estavam, e gritaram chamando de “comunistas”, “vocês querem o dinheiro do governo”, “divulga a verdade”, foram algumas das palavras de ordens dos militantes. De manhã, uma cena semelhante já havia acontecido em frente ao Alvorada. Os apoiadores de Bolsonaro passaram a hostilizar os jornalistas após o chefe do Executivo falar: “O dia que vocês tiverem compromisso com a verdade eu falo com vocês de novo, está ok?”.

A reação não tardou. Por falta de segurança o Grupo Globo decidiu que seus jornalistas não mais farão plantão no Palácio da Alvorada. “Como a animosidade dos militantes tem sido crescente, e sem que haja providências por parte das autoridades para proteger os jornalistas, o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo comunicou a decisão, por carta, ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno”, diz o G1.

A carta do Grupo Globo ao ministro Augusto Heleno:

Ao cumprimentar V.Exa., trazemos ao conhecimento desse Gabinete uma questão que envolve a segurança da cobertura jornalística no Palácio da Alvorada. É público que o Senhor Presidente da República na saída, e muitas vezes no retorno ao Palácio, desce do carro e dá entrevistas bem como cumprimenta simpatizantes.

Este fato fez vários meios de comunicação deslocarem para lá equipes de reportagem no intuito de fazer a cobertura. Entretanto são muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico. Estas agressões vêm crescendo.

Assim informamos por meio desta que a partir de hoje nossos repórteres, que têm como incumbência cobrir o Palácio da Alvorada, não mais comparecerão àquele local na parte externa destinada à imprensa. Com a responsabilidade que temos com nossos colaboradores, e não havendo segurança para o trabalho, tivemos que tomar essa decisão.

Respeitosamente,

Paulo Tonet Camargo

Vice-Presidente de Relações InstitucionaisGrupo Globo

A Folha de S. Paulo também anunciou que faria o mesmo: “Suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio do Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa”.

OMS suspende testes com cloroquina em pacientes com covid-19

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou nesta segunda-feira (25), que um teste clínico do medicamento cloroquina em pacientes com covid-19 foi suspenso por questões de segurança.

“O grupo executivo implementou uma pausa temporária do braço da hidroxicloroquina no ensaio Solidariedade, enquanto os dados de segurança são revisados pelo conselho de monitoramento de segurança dos dados. Os outros braços do ensaio continuam”, disse Tedros em entrevista online.

Ainda na semana passada, um estudo da The Lancet comprovou que o uso do medicamento não traz benefícios aos pacientes infectados com covid-19 e ainda aumenta a mortalidade por questões cardíacas.

Dias antes, no entanto, o Ministério da Saúde incluiu o medicamento e seu derivado, hidroxicloroquina, no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas da doença no país. Desde então, cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, dependendo da autorização do paciente mediante assinatura do Termo de Ciência e Consentimento.

Lembranças campeãs

POR GERSON NOGUEIRA

Por obra e graça da série Jogos Memoráveis, que a Rádio Clube do Pará, tem apresentado ao longo da quarentena, alguns dos momentos mais importantes do futebol paraense têm sido revisitados, com um trabalho de produção jornalística excepcional. Ontem à tarde, um dos destaques do programa foi a conquista do bicampeonato brasileiro da Série B pelo PSC de Vandick, Zé Augusto, Gino e Givanildo Oliveira.

Há 18 anos Paysandu levantava a taça de Bicampeão Brasileiro da ...

O quadrangular final da Série B 2001 tinha Figueirense, Avaí, Caxias e PSC, todos praticamente no mesmo nível, propiciando jogos equilibrados e dramáticos. Foi a oportunidade também para mostrar a grande importância de Vandick, artilheiro e ídolo bicolor no período de 2001 a 2003.

Aliás, Vandick lembrou a penúltima partida daquela decisão, quando o Papão foi derrotado em Caxias do Sul, sofrendo um gol nos minutos finais. O revés frustrou a conquista antecipada do acesso, mas deu gás para encarar o jogo final contra o Avaí com motivação extra.

A recepção que a Fiel bicolor promoveu aos jogadores no retorno de Caxias foi relembrada por Vandick em depoimento à Rádio Clube. Ele enfatizou que o calor demonstrado pela torcida, botando o time no colo, passou a confiança necessária para atropelar o Avaí no jogo de sábado, com a Curuzu superlotada.

O Avaí se assanhou com um gol de Gauchinho (que depois viria a jogar pela Tuna), mas o lance foi invalidado. Depois, Gino, capitão e líder do grupo, abriu o placar e fez com que a equipe marchasse para uma vitória acachapante e incontestável.

Foi uma atuação impecável de todo o time, da zaga ao ataque, coroando dignamente a campanha brilhante. Vandick confessou que, caso não tivesse feito a diferença na final da Copa dos Campeões um ano depois, aquele teria sido o jogo mais importante de sua passagem pelo Papão.

Zé Augusto, o Terçado bicolor, ressaltou o papel de Givanildo Oliveira, que não deixou o time se abater após a derrota em Caxias. Foi outro a registrar a energia positiva transmitida pela carinhosa manifestação do torcedor, que caminhou ao lado do ônibus com a delegação.

Gino, Vandick (2) e Zé foram os goleadores da decisão. O último gol foi uma pintura. Zé recebeu passe açucarado de André, dominou a bola com categoria e disparou para as redes. A partir daí, a galera fez a festa invadindo o gramado enquanto os campeões levantavam a segunda taça nacional do Papão.

Artur Tourinho, presidente mais vitorioso da história do clube, citou o episódio de bastidores que envolveu a troca de Julio César por Marcão, que iniciaria um período de grande sucesso como goleiro titular. Marcão entrou no time a tempo de enfrentar o Avaí na Curuzu e os torneios subsequentes.  

Bom ouvir também a fala de Givanildo, grande condutor daquele Papão vitorioso e guerreiro, embrião do timaço que viria a se tornar campeão dos campeões em 2002 garantindo um lugar na Taça Libertadores 2003. Ronaldo Porto narrou os gols da goleada que valeu o título.

Uma campanha cantada em prosa e disco

O programa Jogos Memoráveis também reconstituiu o empate entre Remo e Cruzeiro, pelo Campeonato Nacional de 1972, primeira campanha de um clube paraense no certame brasileiro. Naquele tempo, disputar torneio de tal envergadura já constituía uma façanha. Por isso, o Remo moveu mundos e fundos para montar um time forte, mesclado de valores regionais e reforços de fora, condição que lhe permitiu uma campanha marcante.

Imagem

O confronto com o Cruzeiro foi histórico por marcar a estreia paraense no Nacional, despertando grande interesse da torcida em todo o Estado e a atuação inicial foi considerada satisfatória. Eduardo Amorim abriu o marcador no Baenão, logo aos 6 minutos. O meia Tito empatou 2 minutos depois e Roberto Diabo Louro virou aos 40’. O empate definitivo viria aos 36’ do 2º tempo, com Zé Carlos.

Um fato curioso é que os gols da trajetória foram eternizados em um  LP que teve grande vendagem à época e virou autêntica relíquia para torcedores. Intitulado “O Leão no Nacional 72”, pelo selo Escorpião, com narrações de Zaire Filho, Jair Gouveia, Cláudio Guimarães, Edgar Augusto e José Simões, com script de Edyr Proença, chefe da equipe da PRC-5.

Imagem

As gravações originais do LP foram reproduzidas no programa, com direito a participações especiais de alguns jogadores que participaram da estreia. Vale lembrar que o Cruzeiro de então tinha craques do porte de Raul, Piazza, Dirceu Lopes e Roberto Batata.

Na voz do bragantino Cláudio Guimarães, o programa relembrou ainda a vitória de 2 x 0 do Remo sobre o PSC na conquista do título 100%, em abril de 2004. Gian, maestro e artilheiro, que perdeu um penal, abriu o placar no Mangueirão e a conquista foi sacramentada com um golaço de Rodrigo Sarará. Foram 14 jogos, 42 pontos.

O Rei Artur encerrou a carreira naquele ano, ficando de fora apenas da final. Por sinal, mesmo com a torcida pedindo por Artur, o técnico Agnaldo de Jesus não lançou o ídolo. Junior Ferrim, Márcio, Junior Amorim eram outros pontos fortes do time. Um feito, de fato, memorável.

Cloroquina não cura desinformação e insensatez

Quando vejo as reiteradas manifestações conservadoras e reacionárias de jogadores brasileiros em plena pandemia, com um governo que ignora (e até debocha) tantas vidas perdidas, vem à mente a histórica supremacia dos boleiros vizinhos de continente quanto à consciência política.

Rivaldo foi apenas o mais recente a se posicionar. Ontem, o craque da Copa 2002 reafirmou apoio ao presidente, sem empatia com os que sofrem e nenhuma preocupação crítica aos desmandos expostos toscamente na escatológica reunião ministerial divulgada na sexta-feira.

Marcos e Felipe Melo já se pronunciaram da mesma forma. Pato, que não engraxa as chuteiras de Rivaldo, também aplaudiu, mas este há muito tempo não diz (nem joga) algo digno de registro. Diante disso, é de lamentar que só exista um Juninho Pernambucano. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 25)

O refúgio moral dos cínicos e dos canalhas

Por Tiago Barbosa

O vigor da candidatura Bolsonaro é, antes de qualquer estratégia eleitoral, o triunfo da pátria do cinismo. De uma fatia do país formada por pessoas cuja defesa pública da moralidade e dos bons costumes é estuprada na vida particular com atos hostis à igualdade, às leis e ao bem-estar da coletividade.

A retidão exigida dos políticos e dos adversários é mera máscara de hipocrisia para parte desses eleitores monopolizar o mau-caratismo e exercitar a contradição entre um discurso crítico a desvios de comportamento e uma conduta impregnada de malfeitos.

O bolsonarismo se tornou espécie de atalho ideológico para os cínicos contornarem a incompatibilidade entre ser e parecer. Salvo-conduto para desonestos, criminosos, charlatões, puritanos e preconceituosos pregar aos outros valores descolados da própria realidade.

É o porto seguro moral para o ex-ator Guilherme de Pádua, assassino com 18 tesouradas da colega Daniela Perez, dar lições e cobrar sanidade – pasme! – a quem vê em Bolsonaro um racista. É a identificação partidária de Luis Manvailer, seguidor do “mito”, defensor dos valores da família e acusado de espancar e atirar a namorada do quarto andar de um prédio.

A inconformidade do eleitorado pudico com a exibição de “indecências” de mulheres com seios de fora, de manifestações de afeto entre gays, da insurgência feminina contra o machismo, não veda eleger deputado federal Alexandre Frota – ex-ator pornô cujas fotos em surubas cinematográficas fazem corar de espanto até os mais salientes.

A distorção, apregoa o bolsonarismo, é o outro. E qualquer contribuição da similaridade para fazer pensar se dissipa no cinismo da indiferença.

Seguidores do ex-militar indignados com a imoralidade da administração pública deram mandatos a Kim Kataguiri, líder da milícia “apartidária” MBL financiada pela direita, e Joice Hasselman, jornalista acusada de plagiar inúmeras matérias antes de ser demitida da Veja.

É a mesma linha de indignação paradoxal capaz de temer a “venezuelização petista” do Brasil e votar em um político profissional cuja história é marcada pelo apreço incondicional à ditadura militar.

De reclamar da falta de prioridade da educação no país e preterir um candidato professor, responsável por programas educacionais comprovadamente bem-sucedidos, em favor de um déspota desinformado cuja proposta para a área é afastar o aluno da escola e desmontar a cadeia de ensino.

De reivindicar a valentia de um governante e cegar para a covardia do candidato militar, escondido sob fraqueza emocional, vazio de ideias, pretexto físico e incapacidade de enfrentar o escrutínio público de um debate e as posições adversárias.

De repetir o slogan “Deus acima de tudo” e chancelar um entusiasta da tortura e da morte para quem infringe a lei – duas situações da via-crúcis enfrentada por Jesus, o messias supostamente adorado pelos fiéis de Bolsonaro.

A ética particular dos cínicos despreza a coerência natural e necessária entre o pensar e o agir – e fratura a convivência social e familiar, até então escorada na empatia mútua.

Pais, tios, avós e amigos bolsonaristas bradam pelo futuro da família e da comunidade enquanto compelem, por adesão ou omissão, filhos gays a se recolher ao armário, mulheres a naturalizar a submissão, negros a aceitar o preconceito – tudo sob a truculência psicológica das palavras de ódio de Bolsonaro e a violência física praticada pelos seguidores Brasil afora.

E de nada valem os relatos apavorantes sobre a suástica nazista na barriga de uma mulher, o mestre de capoeira petista assassinado, o travesti linchado no bar, a servidora pública espancada por bolsonaristas.

A corrente de WhatsApp relativiza a barbárie e afaga o cinismo com fake news a rodo e antipetismo suficiente para repelir aquele período do país no qual todos melhoraram de vida – mas se tornou dever odiar.

A essência do bolsonarismo, tudo indica, se lixa para a sociedade e os anseios do povo por um futuro mais digno. O bolsonarista de carteirinha parece querer uma fresta histórica para exercer, sem culpa, o direito de extravasar os instintos mais primitivos e legitimar os desmandos de uma realidade particular.

Ele quer, na verdade, traduzir a si próprio com uma corruptela do ídolo: minto.