Vídeo da reunião é como “ida ao bordel”, diz ministro do STF

Um ministro do Supremo Tribunal Federal disse em caráter reservado à jornalista Basília Rodrigues, da CNN Brasil, que a reunião ministerial em que Jair Bolsonaro pressiona a Polícia Federal e ameaça demitir Sergio Moro parece uma “ida ao bordel”.

A comparação foi feita no intuito de expressar a falta de cabimento em registrar em vídeo uma reunião totalmente fora das regras de etiqueta que deveriam ser seguidas pelas autoridades máximas de um País.

“Para gente que cuida de segurança, uma reunião como essa não caberia nem ser gravada, para o registro de palavrões? Condutas? É como gravar uma ida ao bordel”, afirmou um ministro à repórter.

Le Monde expõe crise no Brasil e acusa Bolsonaro de semear o caos

O tradicional jornal francês “Le Monde” publicou um editorial em seu site nesta segunda-feira (18) em que afirma que o presidente Jair Bolsonaro nega a gravidade da pandemia de Covid-19 e conduz o Brasil em uma via “extremamente perigosa”. A postura do presidente “causa caos na saúde e semeia a morte”, segundo o diário.

Editorial é o nome dado ao artigo que representa a opinião do veículo de comunicação que o publica.

“Oficial subalterno expulso do exército e um obscuro deputado de extrema-direita, zombado por seus pares por três décadas, Bolsonaro não tinha nada de um estadista. Chegando ao poder, consumido pela amargura e pela nostalgia, o ex-capitão da reserva continuou a acusar o odiado ‘sistema’. Postura que, durante um período de pandemia aguda, causa caos na saúde e semeia a morte”, diz o texto.

O editorial começa com a afirmação: “Não há dúvida de que há algo podre no reino do Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro, pode afirmar sem se preocupar que o coronavírus é uma ‘gripezinha’ ou uma ‘histeria’ nascida da ‘imaginação’ da imprensa”, diz.

“Le Monde” opina que há “algo de podre” no país quando:

  • Bolsonaro participa de aglomerações e clama as autoridades locais a abandonar as restrições impostas para contenção da expansão da pandemia em um momento em que “os cemitérios do país registram um número recorde de enterros”.
  • o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se refere ao novo coronavírus como “comunavírus”, ao afirmar que a pandemia é resultado de “um complô comunista”.
  • o ministro da saúde Nelson Teich deixa o cargo quatro semanas após sua nomeação por “divergências de pontos de vista”, no dia em que o país chegou a 240 mil casos confirmados e mais de 16 mil mortos.

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Dez centrais sindicais lançam campanha pela saída de Bolsonaro

Dez centrais sindicais lançam, nesta segunda-feira (18), uma campanha pela saída do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente nacional da Força Sindical, Miguel Torres, explica que a insatisfação com o governo de Bolsonaro vem crescendo devido à postura do presidente ante a pandemia da Covid-19.

“Não tem jeito. Chegamos a um momento em que o povo já percebe que o país está sem governo. Só causa confusão”, afirmou Miguel Torres, segundo quem o presidente briga até com a ciência.

Para Torres, o ideal seria que o movimento crescesse ao ponto de Bolsonaro renunciar ao cargo, já que, além de traumático, o processo de impeachment demoraria muito. (…)

Pesquisa Ibope Repucom divulga números sobre torcedores “mistos”

O amor pelo futebol se expressa de diversas maneiras. Enquanto alguns torcedores amam um único clube, outros dividem essa paixão entre dois ou mais times. O Ibope Repucom revelou alguns números curiosos sobre estes torcedores “mistos”, que torcem para mais de uma equipe no Brasil. Os dados são da pesquisa DNA torcedor 2017, e apontam que um a cada três fãs do futebol dividem sua paixão por clubes diferentes.

Segundo a pesquisa, 41,4 milhões de pessoas têm mais de um time de coração. Estes representam 37% dos 110,4 milhões de brasileiros que afirmam torcer por algum clube. Com base nestas informações, o Ibope Repucom apurou as informações e notou algumas afinidades entre os torcedores “mistos”.

No que diz respeito ao gênero, o público masculino se destaca, com 54% de participação. Em relação à idade, torcedores acima de 35 anos são maioria nesse aspecto, em especial até a faixa dos 44 anos.

Pelo lado geográfico, percebe-se um alto número de torcedores mistos na região Nordeste. Dos 27,8 milhões de torcedores, 13,2 milhões (ou 48%) afirmam torcer para mais de uma equipe, tornando a região líder na proporção de mistos entre seus torcedores. Outras regiões com números elevados são Norte e Centro-Oeste, que possuem 37% de mistos. No Sul são 34% e no Sudeste 33%.

Para esta pesquisa, foram entrevistadas 6 mil pessoas presencialmente e 2 mil de forma online, com representatividade da população brasileira com 16 anos ou mais, totalizando 159,7 milhões de indivíduos.

General da Saúde mente à assembleia da OMS e diz que Bolsonaro “dialoga” com governadores

Eduardo Pazuello, o general ministro interino da Saúde, discursou na manhã desta segunda-feira (18) e garantiu à comunidade internacional que o governo de Jair Bolsonaro atua em “diálogo” com o restante das esferas de poder no combate ao coronavírus. O discurso, que falseou toda a política do governo Bolsonaro desde o início da pandemia, foi feito diante da Assembleia Geral da Saúde, organizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pazuello não não citou uma só vez a própria OMS. informou o colunista Jamil Chade.

“Mergulhado em conflitos e tensões com os estados, com o Congresso e o STF, uma das grandes dificuldades do governo Bolsonaro tem sido a de coordenar posições. O Planalto tem ainda liderado ataques contra governadores estaduais, ameaçado o Congresso e pressionando o Judiciário. Nada disso, porém, fazia parte do discurso de Pazuello. Por videoconferência, ele se apresentava diante de uma foto do presidente e da bandeira do Brasil”, relatou Chade.

O general-ministro esquivou-se de falar sobre o aumento de casos do coronavírus ou sobre a recusa do governo em aceitar as recomendações da OMS.

Causou espanto em Genebra, onde está a sede da OMS, o fato de o Brasil indicar a participação de um militar, principalmente diante do número elevado de especialistas reconhecidos e nomes de alto gabarito do país na Saúde. A regra, porém, estipula que um país deve ser representado no evento pelo chefe-de-governo ou por um ministro.

Futebol em tempos de cólera

POR GERSON NOGUEIRA

Em meio ao festival de reprises de futebol, F1, basquete e tênis, de repente o sábado pela manhã trouxe as imagens de futebol de verdade, disputado ao vivo. A Alemanha é o primeiro país do primeiro mundo da bola a voltar aos gramados. E voltou com partidas tecnicamente interessantes e movimentadas, cheias de gols e dribles.

De maneira geral, acho que a experiência se mostrou satisfatória, tanto para quem viu na TV quanto para os atores do espetáculo. O lado mais difícil de assimilar é o silêncio gerado pela falta de torcida, fato compensado apenas pelos gritos dos jogadores, captados pela transmissão.

Chamou atenção o protocolo seguido mais ou menos à risca, como prevenção à covid-19. Vi dois jogos e fiquei impressionado com a velocidade das equipes, aparentemente sem grandes perdas físicas durante a quarentena, mas as comemorações revelaram a falta de jeito dos atletas para se habituar aos novos tempos.

A confusão maior foi quanto aos cumprimentos com cotovelos, acenos ou abraços na hora dos gols. Nem todo mundo conseguiu lembrar as orientações. O desrespeito às normas assustou até o governo da Baviera, que recomendou à Bundesliga para insistir na obediência ao protocolo.

Jornais da Europa repercutiram a estranheza com a reeducação de hábitos do futebol, normalmente um esporte caloroso e repleto de manifestações de alegria. De todo modo, alguns times não conseguiram reprimir o contentamento com gols marcados e vitórias conquistadas.

A empolgação levou Grujic, do Hertha, a ganhar uma beijoca no rosto aplicada por Boyata depois de anotar o primeiro gol sobre o Hoffenheim. O Hertha venceu a partida por 3 a 0. Cabe dizer que, há duas semanas, o clube de Berlim penalizou o marfinense Kalou por postar vídeo em que aperta a mão de em um colega durante treino.

Na outra partida que assisti na rodada de sábado, o time do Borussia Mönchengladbach não economizou abraços calorosos depois de cada gol marcado sobre o Eintracht Frankfurt no triunfo por 3-1.

O minucioso protocolo acordado pelos clubes previa em detalhes a adoção de procedimentos preventivos entre os envolvidos com os jogos. Mesmo sem presença de público, o visual nos estádios foi abrandado com placas que disfarçavam o vazio nas arquibancadas e tribunas.

Quem ficou acompanhando à distância não estranhou a movimentação em campo, pois os jogos tiveram nível bem superior ao esperado, mas ficou claro que ainda haverá um longo caminho de adaptação aos novos tempos.  

Entre as autoridades alemãs fica evidente a preocupação em dar o exemplo à população com gestos e manifestações em campo. Como referência para milhares de pessoas, os jogadores e técnicos precisam se comportar corretamente. Membros de comissões técnicas foram flagrados sem as máscaras obrigatórias.

É importante observar que, pelo grau de organização próprio da sociedade alemã, a Bundesliga se habilitou a ser o primeiro campeonato a voltar com os jogos, mesmo com a covid-19 ainda preocupando o governo do país.

O futebol é considerado uma atividade de risco pela natural característica de contato entre os atletas. Na Alemanha, o protocolo preventivo inclui o confinamento dos times e testes regulares com jogadores, técnicos e preparadores.

Ao mesmo tempo, a torcida cumpriu com louvor sua parte, evitando aglomerações em torno dos estádios. Apelos nesse sentido foram feitos ao longo dos últimos dias por atletas e técnicos, temendo que o fanatismo das torcidas atropelasse as regras básicas de distanciamento.

Histórias que o tempo leva, mas que a Clube revive

Participei ontem à tarde do programa “Jogos Memoráveis”, que reconstitui na Rádio Clube do Pará vez páginas gloriosas do futebol paraense. Foram reconstituídos os jogos Remo 5 x 1 Guarani (1978), Tuna 2 x 1 (Parazão 1983) e Tupi 0 x 1 PSC (Série C 2014), com apresentação de Giuseppe Tommaso e participação de Guilherme Guerreiro.

Além das participações de personagens das partidas relembradas, o programa permite relembrar e conhecer histórias de bastidores, como a que foi relatada pelo lateral-direito Marinho, titular do Remo de 1978.

Segundo ele, na véspera do jogo com o Guarani que consagraria o artilheiro Bira, rolou um barraco na concentração remista que foi mantido em segredo até ontem. Só os jogadores tinham conhecimento, além do então presidente Manoel Ribeiro e dos repórteres setoristas do Baenão.

O motivo foi bobo: Marinho, Dico e Dutra, líderes do elenco, tinham por hábito sentar à cabeceira da mesa nas refeições. Isso dava ao trio a preferência na escolha dos melhores pedaços da suculenta galinha guisada preparada pela cozinheira Maria. Serviam-se e mandavam as partes menos nobres da penosa para os demais.

Naquela noite, por pura gaiatice, o jovem Bira chegou mais cedo e sentou no lugar normalmente ocupado pelo capitão Dutra. Ao notar a audácia, o capitão reagiu e exigiu a cadeira de volta. Bira não obedeceu e o barraco começou, com direito a troca de desaforos, chutes e guerra de pratos.

Avisado do imbróglio, Manoel Ribeiro atravessou a rua (morava defronte ao estádio) para apaziguar as coisas. Quando o clima serenou, veio a preocupação com os possíveis efeitos da briga na atuação do time diante do forte e surpreendente Guarani, que encantava o país com um naipe de grandes jogadores – Careca, Renato, Zenon, Jorge Mendonza e Amaral.  

Pelo resultado acachapante de 5 a 1, maior revés do Bugre naquele Brasileiro, o conflito pelos pedaços de galinha não gerou qualquer abalo no rendimento dos azulinos. Muito pelo contrário.

Aliás, depois da goleada, a festa tomou conta dos vestiários e o então governador Aloysio Chaves foi lá cumprimentar o time, autorizando Manoel a pagar ‘bicho’ de R$ 1 mil cruzeiros para cada jogador. Preocupado com um possível esquecimento, o grupo pulou sobre Ribeiro para exigir a gratificação. Que, aliás, foi paga.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 18)