Da transcendência do Re-Pa

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu 1 x 1 Remo - Campeonato Paraense 2019 rodada 9 - Tempo ...

O mundo parece não se dar conta do imenso tsunami de paixões que explodem a cada Re-Pa. O choque-rei da Amazônia, que detém o recorde de partidas realizadas no planeta, é olhado quase com menosprezo pela mídia do Sul e Sudeste. Muito de vez em quando surge uma voz solitária a repercutir o óbvio: o futebol do Pará tem a honra e a glória de contar com o clássico mais apaixonante do país.

Nem adianta fazer comparação com jogos de grande apelo popular. Vejamos os casos mais conhecidos. No Rio, o tradicional Fla-Flu há muito perdeu espaço até para confrontos menos acirrados, como Vasco-Fla ou Fla-Botafogo.

São Paulo tem situação equivalente, com a pulverização da rivalidade entre quatro grandes torcidas. Palmeiras e Corinthians têm embate mais frequente, mas sem o ardor comum a rivalidades que racham Estados ao meio.

Em Minas, o choque entre Atlético x Cruzeiro arrasta multidões, lota estádios, tem mil histórias paralelas, mas a paixão não invade as ruas, bares, escolas e casas, como é próprio do Re-Pa. A recente experiência de torcida única no clássico contribuiu para aplacar ainda mais a rivalidade.

O Nordeste tem confrontos intensos na Bahia e no Ceará, com clássicos que lotam estádios, mas é visível que não há o mesmo apelo e envolvimento na vida das pessoas, da forma como ocorre no Pará.  

Talvez apenas no Rio Grande do Sul seja possível estabelecer uma comparação direta com o Re-Pa. O duelo histórico entre Grêmio e Internacional é tão forte e entranhado na vida dos gaúchos que leva o torcedor gremista a nunca usar a cor vermelha, da mesma forma que o colorado jamais enverga o azul do rival.

Lembra bastante o que vivenciamos aqui no Pará, com a divisão entre as duas nações levando a cismas nas próprias famílias. O imenso afeto pelos clubes extrapola o campo meramente esportivo. Há uma transcendência para a vida cotidiana que talvez seja essencialmente a razão de existir das duas grandes forças.

Foi isso certamente o ponto que impressionou o atacante Walter, que passou um chuvisco aqui, defendendo o PSC durante alguns meses. Durante live no YouTube, entrevistado por Jorge Nicola (da ESPN), o rechonchudo jogador deixou o comentarista sem jeito ao responder sobre o clássico de maior rivalidade que havia jogado até hoje.

Para refrescar a memória do jogador, Nicola chegou a dar exemplos – Gre-Nal, Vila Nova x Goiás, Cruzeiro x Atlético – e não escondeu certa surpresa com a resposta de Walter, na bucha:

“Olha, vou te falar, cara. Foi PSC x Remo. Joguei a final (do Parazão) lá, meu Deus do céu. Torcidas dividem o Estado meio a meio. Re-Pa é loucura. Cara, quando eu olhei pro estádio eu disse: que é isso? Pra mim, foi o melhor que joguei… eu só perdi a final (risos)”.

Nicola elogiou a lembrança de Walter. O fato é que um jogador nômade, que disputou clássicos em vários Estados, tem a exata noção da magnitude do maior duelo da Amazônia. Cuca, que foi jogador e hoje é técnico, já havia feito uma declaração enaltecendo o Re-Pa, mas é importante que a própria torcida paraense tenha consciência de que seu amor imenso pelos clubes é reconhecido em todo o país.

Será que Lukinha era o pior meia-atacante do Remo?

Causou estranheza a liberação do meia-atacante Lukinha pelo Remo. O jogador teve boa participação na campanha do time no Parazão, aparecendo regularmente como titular. Não foi brilhante, mas quem brilhou ao longo da primeira fase? Agora, em plena quarentena, foi avaliado e dispensado pela comissão técnica.

Critérios são critérios, mas fica a impressão de que havia muita gente na fila de dispensa antes de Lukinha. Robinho, Xaves e Giovane, por exemplo, não tiveram rendimento melhor do que o meia que se destacou no Bragantino na temporada 2019.

Jogador versátil, com capacidade para atuar em várias posições do meio para frente, Lukinha poderia ser útil até mesmo para compor elenco. Além disso, certamente não era dos maiores salários do clube.

Pode até não ser o caso, mas a exclusão do meia-atacante soa como aquelas escolhas ditadas pela valorização de atletas importados. Entre um jogador contratado lá fora e um nativo, a corda sempre rompe do lado de cá.   

Jogadores manifestam temor com a volta aos treinos

Diante da pressão exercida por setores do governo federal, à frente o próprio presidente da República, clubes começam a se movimentar para retomar os treinamentos como ensaio para um recomeço das competições. Obviamente, como alguém já disse, será muito difícil jogar bola com tanta gente morrendo de covid-19 dentro e fora dos hospitais.

Com a notícia de que a Alemanha reinicia o campeonato nacional no próximo dia 16, a tendência é que o movimento pró-retorno se intensifique no Brasil. É claro que a diferença entre a situação germânica e a nossa é abissal. Lá, a pandemia já saiu da fase mais aguda e várias atividades começam a se normalizar.

Na Série A brasileira, a ocorrência de contaminação pela doença gera medo e preocupação nos atletas, que são os mais expostos, afinal terão que entrar em campo para praticar um esporte onde o contato é obrigatório.

Ontem, o atacante Gabigol, maior ídolo da torcida do Flamengo, comentou a perda do massagista Jorginho e a ocorrência de vários casos de contaminação entre os jogadores. Pediu paciência e tranquilidade para que as atividades da quarentena não sejam atropeladas pelo açodamento.

Talvez precise explicar isso à diretoria do Flamengo, cada vez mais conhecida pela intransigência e insensibilidade.

(Coluna publicada na edição do Bola de sexta-feira, 08)

Direto do Twitter

“Para o ‘governo’, os milhões sem RG, que não têm onde cair vivo sem o auxílio emergencial, são apenas objetos não identificadas que engrossam as filas do sem-fim. combustível para o kaos social, plano de destruição do país anunciado na primeira ida de Bolsonaro aos EUA.”

Palmério Dória, jornalista e escritor

“Vi em Regina Duarte os monstros que torturaram minha mãe na ditadura”

Ontem, a atriz Camila Amado estava tentando falar com a Regina Duarte. Acreditava que ela precisava de apoio. Queria demonstrar amor acreditando que Regina estivesse perdida. Na madrugada, após assistir a entrevista, ela postou o seguinte texto no Facebook:

“Não posso acreditar na entrevista que vi da Regina Duarte que tentei defender hoje de manhã. Acabou -se a imagem da ingênua usada, e sem noção. Vi a pessoa mais feia e de uma loucura tão assustadora, exposta sem controle, sem imagem, agora sim revelada pela televisão, ela, a Regina Duarte.

No horror da repulsa que senti, pude conhecer através dela, visceralmente de perto, os monstros que torturaram a minha mãe Henriette de Hollanda Amado, educadora, por enfrentar o Médici e destruíram não só o sonho do meu pai, a TVE Educativa, mas também a pessoa dele, Gilson Amado, que mataram.

Não conheci pessoalmente nenhum ditador, nenhum torturador. Grávida de oito meses do meu filho Rodrigo, e Rafaela, minha filha, com um ano e oito meses, recebi na minha casa na Barra os presos dos subterrâneos do Galeão que Gabeira trocou pelo embaixador americano, que mesmo dormindo com um forte calmante da época, Librium 25mg, gritavam a noite toda em pesadelos.

Tudo isto em meio à heroica e jovem irreverência da minha mãe, a inteligência do meu pai e de seu parceiro de clandestina luta contra a ditadura, Fernando Pamplona, seu braço esquerdo, como dizia. Tanta dor eu com 29 anos, viúva logo depois, do revolucionário demitido da Globo por defender Cuba, Carlos Eduardo Martins, não quis nunca mais pensar num passado que de tanta dor passei a negar, como ainda hoje, neguei em Regina o terror do passado.

Hoje conheci uma facista pela primeira vez na vida, não burra como o nosso presidente e óbvia como ele, mas a mais hedionda e durante anos disfarçada criatura, na ingênua ‘Namoradinha do Brasil’.

Horrorosa e totalmente devotada ao regime ditatorial negando a importância das mortes atuais, e afirmando ser normal a existência da tortura.

Quis morrer. Quis o Flávio de volta para morrermos juntos, mas me lembrei do meu pai, da minha mãe, dos meus filhos e não posso morrer. Vou lutar. Ainda não sei como, mas vou lutar. Desde tanto sofrimento que vi na minha família na ditadura, me dediquei ao amor que meu coração, traído, renega agora. Odeio, e o que vi hoje não pode ficar sem punição. É uma atriz que se fez passar por Artista, mas Artista não é nem nunca foi.

Quem é Artista distribui o AR igualmente para todos. Os criminosos que estão no poder, nos quais vejo também agora Regina Duarte, que não é nem nunca será secretária de nenhuma Cultura.

Estão matando a todos que são felizes e sabem o que é A VIDA, estão matando de inveja, negando-lhes o AR.

Peço perdão aos meus amigos da profissão Artista por não ter ouvido seus avisos .

Enfrentei as dores que prendia há muitos, muitos anos, no peito trancado ontem quando a morte do Flavio, no susto que explodiu meu peito. Louca pela manhã, louca de amor comecei a distribuir este Amor e comecei pela minha colega Regina que senti fragilizada. Só não percebi que sua fragilidade devia-se a algo grave e imperdoável.

Vi a pessoa mais feia e irresponsável, traidora de todos nós, artistas , covarde, mentirosa, e que deve ser punida por desprezar as mortes dos colegas e dos Brasileiros sem ar, por apologia à ditadura e por relevar a tortura, sobretudo. Vivendo e aprendendo….

Antes tarde do que mais tarde.

Fora Regina Duarte.
Você não nos merece.”