Marun, cupincha de Cunha, vai ganhar R$ 27 mil em boquinha de Bolsonaro

Por Kiko Nogueira

O presidente Jair Bolsonaro reconduziu o ex-deputado federal Carlos Marun (MDB-RS), aliado de Michel Temer e do presidiário Eduardo Cunha, ao cargo de conselheiro na Itaipu Binacional.

O salário é de R$ 27 mil. Acabou a mamata, talquei?

Todo poder ao centrão, talquei?

Marun foi ministro da Secretaria de Governo de Temer.

Ganhou fama como defensor ferrenho de Cunha, preso desde 2016 após condenação por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no âmbito da Operação Lava Jato.

O amigo chegou a visitá-lo diversas vezes na cana.

Em dezembro de 2017, saiu de Brasília, de avião, e foi até a prisão, em Curitiba (PR).

Usou dinheiro público para a viagem. À época, véspera de Natal, garantiu que devolveria o recurso.

Quando denúncia da PGR contra Temer foi barrada na Câmara dos Deputados, chegou a dançar em plenário enquanto cantava um clássico de Benito di Paula.

É a nova política, senhoras e senhores.

Mercado vê postura autoritária de Bolsonaro em voo cego no Brasil

Da Veja:

O mercado financeiro acusou o golpe de mais uma saída de ministro do governo Bolsonaro em pleno ápice da crise causada pela pandemia do coronavírus no Brasil. O dólar, que havia fechado em queda na véspera, voltou a subir nesta sexta-feira, 15, e bateu nos 5,86 reais.

A bolsa de valores brasileira chegou a cair 2%. O pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich, que sofria pressão do presidente da República para apoiar o uso da cloroquina em pacientes com sintomas leves de Covid-19, elevou o risco de se investir no país, devido à instabilidade política.

Todo esse agravamento do risco-Brasil já fez o dólar acumular alta de 45% neste ano, levando o real a ter a maior desvalorização entre as principais moedas do mundo. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, tem perda acumulada de 32% em 2020. Além do ambiente de incerteza global, que sugere a busca de mercados mais seguros para investir, e da queda de juros no Brasil, pesa sobre o país a insegurança política.(…)

Na visão dos investidores, o Brasil está sendo comandado por um presidente que quer impor as suas convicções, sem embasamento científico, como um governo ditatorial, e em uma situação de completa desgovernança. “Essa atitude do governo sugere um voo completamente cego, sem piloto, e provoca uma insegurança gigantesca. Vamos seguir num movimento de aversão ao risco por muito tempo aqui no Brasil. Vai ser difícil o câmbio voltar a ser negociado num patamar mais baixo, e a bolsa, num mais alto, porque o risco do país está muito elevado”, explica Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do banco Ourinvest.

Morre Luiz Maklouf Carvalho, repórter da resistência

O jornalista paraense Luiz Maklouf Carvalho morreu neste sábado, dia 16, aos 67 anos de câncer no pulmão. Natural de Belém, ele passou por vários órgãos de imprensa e estava no Estadão desde 2016, onde publicou um relato sobre a doença. “Não faz nenhuma diferença se você parou de fumar pra lá de 15 anos, como no caso”, escreveu. Mak, como era chamado pelos colegas e amigos, foi um dos fundadores do histórico jornal nanico Resistência, da SPDDH-PA.

Jornalista e bacharel em Direito pela UFPA, nascido em Belém/PA, foi repórter dos jornais Resistência, Movimento, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e das revistas Época e Piauí.
Vencedor de dois prêmios Jabuti pelos livros “Mulheres que foram à luta armada” e “Já vi esse filme”, reportagens (e polêmicas) sobre Lula e/ou o PT (1984/2005).

Foi autor de “Contido a bala – A vida e a morte de Paulo Fontelles, advogado de posseiros no sul do Pará” (Cejup, 1994), “Cobras criadas: David Nasser e O Cruzeiro” (Senac-SP, 2001), “O coronel rompe o silêncio” (Objetiva, 2004), sobre a guerrilha do Araguaia, e “João Santana – Um marqueteiro no poder” (Record, 2015). É coautor de “Vultos da República”. Ano passado, lançou o livro “O Cadete e o Capitão – A vida de Jair Bolsonaro no quartel”.

A seguir, texto da filha de Mak, Luiza:

“15 de maio de 2020
Quarto 432 leito 2 hospital AC Camargo da Antônio Prudente, Liberdade, São Paulo.

Uma pandemia lá fora e também dentro de tantos quartos e alas deste e de vários hospitais. Mas aqui neste quarto não. Pelo menos aqui não é dela que estamos sofrendo. Sem dúvida teria piorado muito tudo, assim como foi, só até hoje, para quase 15
mil famílias aqui no nosso país que não puderam se despedir decentemente dos seus familiares.
Nós estamos podendo. Fiz na última terça feira a viagem mais triste da minha vida. 700 km de Floripa até São Paulo para poder dar adeus ao meu paizão. Vim ao lado do meu irmão mais velho, o Fê. Dois anos na batalha contra um câncer de pulmão, o segundo câncer dele. O outro foi há mais de 10 anos e ele venceu com sucesso, assim como venceu tantas outras. Sempre do jeito dele, vencedor, “puxando pra cima” como ele dizia, dramatizando pouco, vendo o lado bom, brincando. Amou a vida! Amou esse plano! Nenhum texto, ainda que eu ficasse dias aprimorando, jamais chegaria perto dos textos dele. Um gênio da escrita. O cara era do ramo. Deixa um legado para o nosso país, uma obra importante, 7 livros, centenas de reportagens. Um jornalista repórter investigativo dos poucos. Para mim e para muitos, o melhor! Para mim na verdade o melhor em tudo: na cozinha, na leitura, na escrita, na escuta, na direção, no xadrez, na posição política, na visão de mundo, no amor pelo mundão, na sensibilidade pra captar o melhor da música, da literatura, nossa! Um amante do Machado. Me apresentou tudo o que eu aprecio culturalmente falando, Guimarães, Flaubert, Chico, Caetano, Belchior, Beatles, Bethânia, Velha Guarda da Portela, Miles Davis, Fernando Pessoa… Como eu amo a lembrança dele recitando Álvaro de Campos, Poema em Linha Reta, em um dos nossos tantos memoráveis almoços de domingo da infância e adolescência.

Amo também a lembrança de pegar a estrada com ele. O melhor parceiro de estrada! Leal, o mais leal que se pode ser… nos defendia mesmo quando a gente tava muito errado, falo de mim e dos meus irmãos aqui. Mas também não deixava passar na hora da dura. Escutei algumas. Todas muito boas no final das contas. Um irmão e um tio amoroso. Aos fiéis a ele, fiel e meio. Correu pelo certo. Indignado.
Ariano, de 11 de abril. Tenho a sorte de ter um melhor amigo do mesmo dia que ele.
Ontem um amigo querido me disse para usar com sabedoria deste tempo que estamos tendo aqui, pois iríamos lembrar para sempre destes últimos momentos. Ele já está dormindo profundo e sem mais interação neste momento, e resumir essa coisa toda dizendo que “o bagulho é loko e o processo é lento” seria da total concordância dele.
O Dedé (ou coró), nosso caçula e o orgulho da vida dele, teve o prazer de colar no show do Racionais com o velho. E ele contando como foi o show é impagável, a galera oferecendo um “pega” pra ele: “vai um aí tio?”… Demais!
Ele me mandava as novidades do Deezer: “álbum novo do Racionais”, “álbum novo do Emicida”… o velho era ligado! Um ícone.
Escrevo, daqui deste quarto seguro, para os amigos, tios e primos que mandam mensagens de apoio, que estamos respeitando e aceitando o tempo dele…

“…Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo”

E é meio que isso mesmo.
Ele contou em alguns artigos recentes publicados no Estadão (jornal no qual ele encerrou a carreira dele e no qual tínhamos, até outro dia, mesmo nessa batalha contra esse câncer, uma matéria aqui, outra ali publicada. A última foi em dezembro, da entrevista com o Tóffoli) um pouco da história dessa jornada com o tumor nesses últimos 2 anos. Descobrimos pouco antes do aniversário de 1 ano do Vicente. Daí eu entrei no seu Maklouf vovô. Putz, aí é foda. O cara tem uns netos muito lindos. Três. Malu, Liz e Vicente. E curtiu um monte, e ajudou sempre com o que faltava, não deixou faltar na real, pra nenhum de nós, nunca. Fortaleceu muitas, incontáveis vezes. Não fazia conta de pouco. Essa aprendi com ele e carrego comigo a parte boa e a ruim de ser assim. Generoso, apreciador da boa culinária e da boa música.
Foi o primeiro a saber que eu tava grávida e foi uma ligação muito amorosa e objetivamente linda. Meu apoio. Já liguei pra ele chorando muitas vezes na vida… até de dentro de armário já liguei pro velho. Tudo mudava depois de falar com ele. Meu amigo.
Veio passar as semanas pré parto comigo e na madrugada que começaram as contrações estávamos eu e ele em casa e juntos fomos para o hospital.
Uma época que ele morou no Rio, quando estava na Revista Piauí, morei com ele numa kitnet em plena Av Nossa Senhora de Copacabana. A gente ouvia música boa e jantava num italiano ali perto nos dias que ele não cozinhava pra nós.
Nesse último final de ano deu pra encontrar toda a família, em um encontro inesquecível em Floripa com direito a Duda com as kids, o Vale e a Isa, ao Baco com a Marília, a Tainazinha, ao Thiaguinho, a tia Mary, tio Paulo, tia Deni, a minha cunha Andréia e nóis, na conexão Belém-Alemanha-Brasília-Floripa. Um presente! Ele já tava meio baqueado mas foi o nosso cozinheiro e churrasqueiro de sempre … quantos churrascos e jantares e almoços. Serviu centenas deles eu acho! Eu tive o privilégio de crescer com ele me perguntando o que eu queria jantar. Fazia pratos individuais as vezes. Tive o privilégio de crescer com esse cara me apoiando em todas as minhas escolhas.
Meu pai veio de Belém pra São Paulo com a minha mãe por volta de 1984, não sei ao certo. Sei que o Fê nasceu em Belém e vieram com ele ainda pequeno pra cá. Ele deu trabalho como filho da dona Marieta e do seu Gerdi, era da pá virada. Foi militante, lutou contra a ditadura militar, foi editor do jornal Resistência, começou do zero como repórter em São Paulo. Construiu com a Dona Elza a nossa família. O último livro dele, “O Cadete e o Capitão” que conta a vida de Jair Bolsonaro (never my president) no quartel, lançado em julho do ano passado, ele dedicou a ela.
Pra dona Elza, nossa rainha, uma leoa mesmo, não tenho palavras. Queria poder arrancar com a mão a dor que ela está sentindo. Que a gente consiga ficar com as melhores lembranças, com o bom ânimo dele, lembrando eternamente do “vamo que vamo”!, que virou mantra.
Obrigada paizão, o “amigo do vovô” que ele dizia pro Vicente… Tenha o tempo que precisar e saiba que é um presente poder estar aqui ao seu lado nesse quarto, fazendo carinho na sua mão, escrevendo essas palavras e recordando e agradecendo por tudo o que você é, foi e fez por mim e por nós. Nada é mais importante do que isso agora. A dor de te perder é imensa. Você queria viver, lutou tanto pra viver… Seu legado está aqui.
Beijo com eterna saudade da sua filhota.
Espero com amor e fé pelo momento de te encontrar de novo. Vamo que vamo.

(Meu pai se foi horas depois, na manhã, cedinho, do dia 16 de abril de 2020)”.

Rock na madrugada – Eric Clapton, Layla

Estupenda aparição de Eric Clapton no histórico Live Aid 1985, com Phil Collins na batera. O guitarrista vivia período pessoal difícil lutando contra o vício da cocaína. Além de Collins, a banda que acompanhou Clapton no show realizado no estádio JFK (Filadélfia) é de primeira linha: Tim Renwick (guitarra base), Chris Stainton (teclados), Donald ‘Duck’ Dunn (baixo), Jamie Oldaker (bateria), Marcy Levy e Shaun Murphy (backing vocals).