Bolsonaro e Forças Armadas despencam em pesquisas

O presidente da República é uma das instituições que menos geram confiança no Brasil, hoje, segundo a pesquisa Opiniões Covid-19. A primeira fase, que entrevistou pessoas no início da quarentena, entre 1º e 3 de abril, já havia detectado que para apenas 32% dos entrevistados o presidente era a figura mais confiável e agora, depois de entrevistar a população, entre 29 de abril e 1º de maio, o estudo identificou que esse percentual caiu para 15%.

Caiu também a confiança nas Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), fortemente ligada a Jair Bolsonaro – se no início da epidemia era bem cotada para 31% das pessoas, a porcentagem passou para 16%.

O Ministério da Saúde sofreu queda da confiança, após a saída de Luiz Henrique Mandetta, substituído por Nelson Teich – passou de 51% para 45%. Entre os mais confiáveis seguem profissionais de saúde (subiu de 66% para 72%) e família, amigos próximos e comunidade (subiu de 48% para 54%).

O estudo foi realizado pela Perception, Engaje! Comunicação e Brazil Panels e entrevistou online, em todas as regiões do Brasil, homens e mulheres com mais de 18 anos, das classes ABCD, com margem de erro de até 4%, para saber a opinião dos brasileiros sobre diversas ações cotidianas em meio ao novo cenário vivido com a pandemia.

Lula pede desculpas por “frase totalmente infeliz'”

O ex-presidente Lula se desculpou nesta quarta-feira (20), em entrevista à Rede Brasil Atual, sobre uma fala que foi distorcida pela imprensa hegemônica brasileira durante conversa com o  jornalista Mino Carta, editor da Carta Capital.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Lula esclareceu que quis dizer que precisou surgir uma nova doença para que a humanidade começasse a enxergar o desastre neoliberal. “Usei uma frase totalmente infeliz. E a palavra desculpa foi feita pra gente usar com muita humildade. Se algum dos 200 milhões de brasileiros ficou ofendido, peço desculpas. Sei o sofrimento que causa a pandemia, a dor de ter os parentes enterrados sem poder acompanhar”, disse Lula à RBA. 

Em entrevista a Mino Carta, Lula disse que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus, porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem que apenas o estado pode dar solução a determinadas crises”.

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A mídia e opositores ao ex-presidente logo passaram a disseminar a ideia de que Lula comemorou o vírus como se celebrasse as milhares de mortes que estão ocorrendo no Brasil. Para o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247, o ataque da mídia corporativa a Lula mostra que ela se tornou linha auxiliar do gabinete do ódio. O youtuber Felipe Neto criticou a imprensa por querer igualar a fala de Lula às declarações de Bolsonaro.

A pandemia do opinionismo no país dos bizantinos

Por Luis Nassif

O opinionismo nacional adquiriu ares de pandemia. Há uma crise colossal em andamento. E uma incógnita sobre os desdobramentos políticos. Some-se a incrível capacidade de Bolsonaro de gerar factoides irrelevantes, e a indizível falta de discernimento das hostes virtuais e  e se terá o caldeirão do opinionismo pandêmico.

É palpite taxativo em qualquer direção. Uma frase mal formulada, um YouTuber cretino, um besteirol do Presidente, uma entrevista com um influenciador, qualquer desculpa é motivo para discussões acesas, frases lacradoras, ranking de likes, laivos de genialidade em 140 toques, eu-te-laico-tu-me-laicas, se-me-segue-eu-te-sigo, se-me-citas-eu-te-cito e, de like em like, vai sendo construindo um novo padrão de marketing pessoal.

E assim, no espaço virtual,  opina o leigo, opina o douto e o economista, opina a besta e o especialista, todo mundo vai opinar. Opina o cético, o moleque e o caquético, o saudável e o morfético, o sincrético e o crente, o veraz e o que mente, o sóbrio e o demente, o que importa é opinar.

Todos tendo em comum o comportamento apoplético, dos que se indignam com a razão e dos anti-ignorância, e dos que são intolerantes contra qualquer intolerância, de indignados modestos aos que agem com petulância.

Bizâncio seria fichinha perto dessa quadra da história, da falta de objetividade, do culto da irrelevância. Está certo que isolamento e cabeça vazia são a oficina do diabo. Mas é o que acontece quando todo mundo fica à espera de um anjo salvador improvável.

Prefeitura divulga plano para reabrir o comércio em 15 de junho

A Secretária Municipal de Economia (Secon) divulgou, nesta quarta-feira, 20, um plano com datas e estágios de risco para que seja feita a retomada das atividades na capital e a reabertura do comércio em Belém. De acordo com a proposta, bares, restaurantes e shoppings, podem reabrir a partir do dia 15 de junho. No caso dos bares e restaurantes, o funcionamento seria apenas com  50% da capacidade do local e respeitando o distanciamento entre as mesas. Estes serviços, que abrigam também os teatros e casas de shows, são classificados como de “alto risco” pela secretaria.

Outros serviços como venda no atacado e varejo e salões de beleza devem voltar a funcionar a partir do dia 8 de junho.  As escolas públicas e privadas estão autorizadas a retomar as aulas a partir do dia 1 de agosto.

Para que os serviços sejam reabertos, as empresas devem se seguir medidas sanitárias e de higiene, tanto para funcionários quanto para clientes, já definidas pelos órgãos de saúde para evitar a propagação e contágio por coronavírus.

Em nota, a prefeitura de Belém se apressou em esclarecer que o documento é ainda apenas uma proposta da Secon e que, portanto, ainda será analisado pela Secretaria de Saúde (Sesma) e pelo prefeito Zenaldo Coutinho. Na prática, o plano é um balão de ensaio para aferir a opinião da população sobre o fim da quarentena.

Presidente do Leão não crê em retomada imediata do futebol no Estado

Fenômeno Azul

O presidente do Clube do Remo, Fábio Bentes, avalia que o futebol profissional ainda terá que esperar alguns meses para reiniciar competições, no Brasil e no Pará. “Acredito que não deve voltar em um futuro próximo. Me parece que, pelos últimos dados e informações, estamos chegando próximo ao pico (do coronavírus). É preciso aguardar um pouco mais pelas orientações das autoridades médicas”, observou.

Bentes citou o problema das equipes medianas, que passam dificuldades em meio à interrupção do campeonato estadual. “Aqui no Estado, foi antecipado um dinheiro por parte da Funtelpa, para segurar as equipes durante um período. Só que o período está passando e ainda estamos sem perspectiva”, disse.

Sobre a recente criação da Comissão de Elaboração do Protocolo de Segurança no Combate, idealizada pela Federação Paraense de Futebol, Bentes avaliou como positiva. “Precisamos ter todos os cuidados possíveis. O que pudermos antecipar é bom. Isso é importante. O médico do Remo (Jean Klay) e o fisiologista do Remo (Eric Cavalcante) estão participando”.

A frase do dia

“Lula, que não fala economês e se vale metáforas precisas, apenas quis dizer que só com o monstro da Covid os arautos do neoliberalismo falido, desumano, e do estado mínimo perderam a narrativa, A Globo o levou ao ar apenas para simular que não tem tudo a ver com este monstro”.

Palmério Dória, jornalista e escritor