Schumacher é eleito por torcedores como pessoa mais influente da F-1

Michael Schumacher ficou em primeiro, com ex-diretor Bernie Ecclestone em segundo

O heptacampeão mundial Michael Schumacher foi escolhido como a pessoa mais influente da história da Fórmula 1 em uma votação de torcedores no site oficial da modalidade.

O resultado foi revelado nesta quarta-feira (13), o 70º aniversário do primeiro Grande Prêmio de Silverstone de 1950, tido como a corrida inaugural da categoria.

Schumacher, piloto lendário da Ferrari que não é visto em público desde que sofreu lesões cerebrais graves em um acidente de esqui em 2013, derrotou o ex-chefe da F-1, Bernie Ecclestone, com 61% dos votos no páreo final.

O alemão detém os recordes de títulos e vitórias (91), mas o hexacampeão Lewis Hamilton ameaça superar as duas marcas.

Em rodadas anteriores da votação, Schumacher derrotou os falecidos campeões Niki Lauda, Ayrton Senna e Juan Manuel Fangio, além de Enzo Ferrari, fundador da equipe homônima.

Uma comissão de especialistas produziu uma lista final de 32 nomes dividida em quatro categorias: pilotos, chefes de equipe, inovadores técnicos e revolucionários.

A F-1 disse que milhares de torcedores participaram, mas não deu detalhes

A frase do dia

“Todo mundo sabia quem era Bolsonaro, o que ele dizia, o que ele representava. Mas normalizaram a besta. Se estivessem pagando a conta, com a sua hipocrisia udenista, a sua falsa equivalência, o seu doisladismo, tudo bem. Mas pobres morrerão. E nossos filhos herdarão um país pior”.

Kennedy Alencar, jornalista

Bolsonaro segue defendendo o caos: “Quem não quiser trabalhar, que fique em casa, porra”

Menos de 24 horas após o Brasil registrar 881 mortes em único dia devido ao novo coronavírus, totalizando 12,4 mil óbitos, Jair Bolsonaro voltou a defender o fim do isolamento social e a reabertura da economia. “O povo tem de voltar a trabalhar. Quem não quiser trabalhar, que fique em casa, porra. Ponto final”, disse Bolsonaro nesta quarta-feira (13) a um grupo de apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, informam os jornalistas Mateus Vargas e Emilly Behnke, de O Estado de S.Paulo.  

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Sob aplauso dos apoiadores, Bolsonaro voltou a atacar os governadores, principalmente o de São Paulo, João Doria (PSDB), que ampliou as medidas de isolamento para tentar conter o avanço da pandemia no Estado.

“O governador de São Paulo (Doria) falou que é melhor isolamento do que o sepultamento. Quem ficar em casa parado vai morrer de fome. Até o urso quando hiberna tem prazo para hibernar. Não podemos ficar hibernando em casa”, disparou. 

“Ficar em casa, para quem pode, legal, sem problema nenhum. Agora, para quem não tem condições, geladeira está vazia, três, quatro filhos chorando de fome, é desumano”, emendou. 

Saudade do que não vivemos

POR GERSON NOGUEIRA

Santos: Dunga cogitou, mas não levou Neymar e Ganso em 2010

A convocação era esperada com relativa ansiedade, embora o estilo turrão do treinador não deixasse margem a muita esperança. O Brasil esportivo torcia pela presença de Neymar e Paulo Henrique Ganso na lista definitiva de 23 jogadores pra disputar a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. No fim das contas, a decepção acabou se estabelecendo depois que Dunga e seu lugar-tenente Jorginho deram a conhecer a relação dos escolhidos.

O duo atacante do Santos que encantava o país há cerca de um ano estava excluído da Copa e, embora ninguém soubesse naquele momento, tinha seu futuro na Seleção Brasileira definitivamente comprometido pela decisão do Capitão do Mato que tinha o poder nas mãos.

Inimigo declarado do conceito de futebol-arte, profissão de fé que expressou inúmeras vezes, Dunga foi coerente consigo mesmo ao desprezar Neymar e Ganso, mas desagradou tremendamente a torcida brasileira. Ali, ao tomar aquela decisão que até hoje é discutida, ele também traçou a rota da Seleção em campos sul-africanos.

Com os nomes que preferiu levar ao mundial, Dunga montou uma Seleção Brasileira que iria apenas lampejos da tradição brasileira, sem jamais encantar a torcida e finalmente alcançar o hexacampeonato.

Em retrospectiva, é preciso dizer que a pressão que se estabeleceu pelos meninos malabaristas da Vila Belmiro tornou-se de cara um problema para Dunga, que advogava um “grupo fechado” com convicção de seu papel perante o país, além de um verniz evangélico que excluía atletas de comportamento pouco ortodoxo.

Aos 18 anos, Neymar era então verdadeiramente um menino, ainda fisicamente pouco robusto para o choque, item utilizado por Dunga para explicar a não convocação. Ganso, dois anos mais velho, era o mais cerebral jogador de meio-campo em atividade no Brasil. Funcionava como arco para a flecha que era Neymar, rápido e de drible irresistível.

Dorival Junior, então técnico dos dois no Santos, relatou há pouco tempo que chegou a conversar com Dunga sobre ambos, o que confirma que estavam no radar da comissão técnica do escrete.

O problema é que, além de encantar os sentidos com jogadas de pura arte, ambos se tornaram instantaneamente queridinhos da mídia e da propaganda. Foram chamados para um comercial que remetia à imagem da Seleção Brasileira e eram recebidos como astros pop em todos os aeroportos onde desembarcavam. Todo mundo imaginava como certa a presença dos dois na Copa

Como quase toda a torcida que acompanha o Círio, Dorival não tem dúvida de que Neymar e Ganso teriam sido muito úteis na Copa, caso tivessem oportunidades. Ressalva apenas que Dunga já tinha um trabalho desenvolvido há tempos e observava jogadores com outras características. Trocando miúdos, preferia atleta do tipo pé-duro e que segue ordens.

Gerenciar um grupo que tinha toda noite um culto na concentração, liderado por Jorginho, era tarefa bem mais mansa do que lidar com jovens impetuosos e que nem sempre se adaptam a normas e cartilhas disciplinares.

Em meio ao clima que se criou no país, o Santos produziu um vídeo com vários jogadores do elenco acompanhando nervosamente a convocação. O anticlímax gerado abateu a todos e deixou uma sombra de preocupação quanto ao papel que a Seleção iria desempenhar na África do Sul.

Acompanhei a preparação inicial da equipe, bem diferente do que ocorreu quatro anos antes na Alemanha. Jogadores não davam mole para entrevistas, Dunga controlava tudo com mão de ferro, fiel às exigências da CBF, que não queria ver a repetição da bagunça de 2006.

Os treinos só podiam ser acompanhados à distância e as entrevistas eram verdadeiras batalhas. Quando o time entrou em campo, com jogadores que não vivam o melhor momento de suas carreiras, as desconfianças se tornaram quase certeza quanto ao fracasso.

Felipe Melo foi a bomba-relógio que se esperava, Julio César falhou no momento decisivo, Kaká não era mais o jogador ágil de até três anos antes e Robinho, cria santista, vivia seus últimos momentos de brilho. O Brasil caiu diante da Holanda em Porto Elizabeth e nossa equipe (Tommaso, o saudoso Geo Araújo e eu) vivemos uma jornada cansativa em deslocamentos pelo frio e belo interior da África naquele fim de semana.

Neymar e Ganso poderiam ter sido o diferencial que Dunga não conseguiu ter para virar o chip diante de uma Holanda que nem era tão forte assim, mas jogou organizadamente e com mais sorte na partida decisiva. Triste é que o técnico tinha ainda a chance de uma substituição, mas acabou esquecendo e a Seleção voltou para, de novo de mãos vazias.

Podia ter sido bem diferente para o Brasil e para a dupla Neymar-Ganso, que se separou e nunca teve a chance de brilhar com a camisa do escrete.

A nostalgia como meio e incentivo para salvar carreiras

O veterano Fred, execrado pela torcida após a pífia participação na Seleção que disputou a Copa do Mundo de 2014, vive há uns bons cinco anos do nome que construiu na fase inicial da carreira, como artilheiro no Fluminense e Atlético-MG, principalmente.

Aos 36 anos, acaba de deixar para trás um período decepcionante com a camisa do Cruzeiro, onde continuou ganhando muitíssimo bem (em torno de R$ 850 mil em carteira, fora a remuneração por direito de imagem) enquanto o time afundava miseravelmente.

Com a queda para a Segunda Divisão, o centroavante tratou de ir ao mercado buscar um novo refúgio, mas já se mostra disposto a reduzir sua pedida salarial. O alvo agora é o Fluminense, onde ele firmou nome junto à torcida no tempo em que ainda balançava as redes.

No Cruzeiro, era o campeão em ganhos salariais e o que menos jogava, atuando em média dois em cada cinco jogos durante a última temporada. Bicampeão pelo Flu (2010 e 2012), Fred sonha em reviver momentos grandiosos nas Laranjeiras, mas a torcida se mostra desconfiada com o pacote oferecido.

Com folha salarial de R$ 3,5 milhões mensais, o Flu vive às voltas com uma crise que se arrasta há quatro anos, mas, ainda assim, avalia a ideia de recontratar o veterano. Coisas do Brasil e de seu futebol que adora flertar (perigosamente) com a irresponsabilidade. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 13)

Ingenuidade ou má fé na afirmação de que a escravidão findou graças a uma canetada na Lei Áurea

Por Ale Santos

É muita ingenuidade ou desonestidade dizer que a escravidão desenvolvida por séculos no Brasil, acabou graças a uma única canetada pela Lei Áurea. A abolição foi um processo longo, cheio de figuras importantes como Luis Gama, Dragão do Mar e com participação da Isabel

O problema de enaltecer, exclusivamente, a Isabel é que invisibiliza todos os outros como o André Rebouças, responsável por sensibilizar a monarquia a causa abolicionista desenvolvida por Joaquim Nabuco

Elevar a Isabel a um posto que não existe, de “salvadora”, esconde histórias como de Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora abolicionista que denunciava a escravidão e encobre o fato de que a maior parte dos negros já eram livres graças a alforrias ou revoltas na data.

Após a abolição todos os abolicionistas negros foram perseguidos, José do Patrocínio que deveria alcançar o status máximo na sociedade, foi espancado. As elites brasileiras se preparavam para um novo projeto de hierarquia social baseada em racismo científico

A crença na inferioridade racial infectou até alguns abolicionistas; por isso a data de hoje tem uma importância diferente da luta anti-racista, que só veio surgir depois.

Brasileira ‘esquecida’ em Cuba: “Governo cubano está cuidando melhor da gente do que o nosso”

Por Sturt Silva

Cerca de 53 brasileiros residentes em Cuba tentam voltar ao Brasil há quase dois meses. Cuba fechou seus aeroportos em 1º de abril e o governo brasileiro enviou apenas um avião à ilha socialista com foco na repatriação de turistas. 
Segundo reportagem de Thayz Guimarães no jornal O Globo, entre os brasileiros “esquecidos” em Cuba está a jornalista Ana Graziela Aguiar, repórter especial do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, e mestrando em Cinema na Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV). 
Além da jornalista, o grupo dos brasileiros é formado por estudantes de Medicina, pesquisadores e professores que moram em Havana, além dos alunos da EICTV, localizada em uma fazenda em San Antonio de Los Baños, a 40 Km da capital, onde também estão dois professores, um deles acompanhado de sua mulher e do filho pequeno.

Solidariedade cubana
“O governo cubano está cuidando melhor da gente do que o nosso próprio governo. A gente se sente muito mais protegido aqui, a medicina é muito mais avançada, mas queremos voltar para casa porque é nosso direito, como de qualquer brasileiro”, afirma Ana Graziela Aguiar. 
A tradicional escola cubana de cinema foi fundada por García Marquez nos anos 80 e precisou cancelar suas atividades em abril devido a pandemia do novo coronavírus. Porém, diante da impossibilidade de alguns alunos e professores voltarem para casa, decidiu manter suas instalações funcionando até julho. Das cerca de 180 pessoas que a escola recebeu no início de 2020, 50 ainda estão por lá. 
“Apesar das recomendações de voltarem para casa, muitos funcionários preferiram continuar morando com a gente na escola durante a quarentena para cuidar dos alunos e professores que não puderam ir embora. E agora que a quarentena foi levantada, eles estão fazendo um revezamento. O espírito de coletividade e solidariedade aqui é bem bonito de ver, a escola é uma família”, relata Aguiar ao “O Globo”.