Defesa radical do armamentismo para reagir a quem pensa diferente

Em vídeo de reunião ministerial divulgada pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta (22), o presidente Jair Bolsonaro afirma que gostaria de “armar” os brasileiros para que pudessem lutar contra “ditadores”. Como exemplo, ele cita o caso de uma mulher que foi presa, no interior de São Paulo, por desobedecer as ordens de isolamento social por conta do coronavírus.

Confira a transcrição:

“O que esses filha de uma égua quer, ô Weintraub, é a nossa liberdade. Olha, eu tô, como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assine essa portaria hoje que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não da pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais.

“É. Quem não aceitar a minha, as minhas bandeiras, Damares: família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado. Quem não aceitar isso, está no governo errado. Esperem pra vinte e dois, né? O seu Álvaro Dias. Espere o Alckmin. Espere o Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles, pô! No meu governo tá errado! É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado. E que cada um faça, exerça o teu papel. Se exponha. Aqui eu já falei: perde o ministério quem for elogiado pela Folha ou pelo Globo! Pelo Antagonista! Né? Então tem certos blogs aí que só tem notícia boa de ministro. Eu não sei como!”

Ministro ataca STF e Bolsonaro defendes atos durante a pandemia

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou durante reunião ministerial realizada em 22 de abril que por ele, colocaria “vagabundos” na cadeia e diz que começaria pelo STF. A gravação da reunião teve o sigilo quebrado pelo ministro do STF Celso de Mello (assista à íntegra do vídeo). Ele é o relator de inquérito que visa apurar se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou interferir na Polícia Federal, acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

O ministro da Educação também disse que não quer “ser escravo” no Brasil e fala em “acabar com essa porcaria que é Brasília”. “Eu não quero ser escravo nesse país. E acabar com essa porcaria que é Brasília. Isso daqui é um cancro de corrupção, de privilégio. Eu tinha uma visão extremamente negativa de Brasília. Brasília é muito pior do que eu podia imaginar”, afirmou. Em seguida, o ministro disse que odeia o termo “povos indígenas” e “povo cigano”. Em sua visão, o brasileiro é um povo só.

Após Abraham Weintraub falar o que ele acredita ser ameaças do “partido comunista”, de “perder a liberdade”, que transformaria o país “numa colônia”, segundo a sua percepção [leia mais aqui], Bolsonaro disse que se “essa cambada” chegasse “no poder em 64”, ano do golpe que instaurou a ditadura no Brasil, “a gente tava fodido, todo mundo aqui”.

“Eu tô vendo o mais antigo aqui, o General Heleno aqui. Ele sabe o que foi meia quatro. Muitos aqui não sabem. Essa cambada que tentou chegar no poder em meia quatro, se … se tivesse chegado, a gente tava fodido, todo mundo aqui. Cortando … ia tá felicíssimo se tivesse cortando cana, ganhando vinte dólar por mês. Não pode esquecer disso.”

Em trecho posterior, o mandatário defende que ele e os ministros participem de atos e visitas oficiais em plena aglomeração, em meio à pandemia do coronavírus, para “sentir o cheiro de povo”, para “dar exemplo” e mostrar “que estão na frente” no comando do país. E fez uma analogia a tropas militares:

“É uma experiência pra todo político sentir! Ir lá ver como é que tá o negócio. Ou a gente tem que tá, como se fosse, né, ô? Um general na… na retaguarda e deixar a tropa se ferrar na frente. Não! O general tá, tá na frente, o coronel tá na frente, o capitão tá na frente. Nossos heróis da segunda guerra mundial tiveram na frente de campo de batalha”, afirmou.

Guedes: “Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias”

A reunião de 22 de abril também mostrou a real intenção da equipe econômica de Jair Bolsonaro: acabar com os pequenos empresários para salvar as grandes empresas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, usou seu pronunciamento para falar de iniciativas sobre microcrédito, salvamento de empresas de aviação e o uso de recursos para salvar grandes companhias, em detrimento das pequenas empresas.

“Nós atacamos em todas as direções. Primeiro, o Campos (Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central) reduziu os compulsórios em duzentos bilhões. Logo depois, nós não tínhamos espaço constitucional, fizemos antecipações de benefícios e diferimento de impostos, porque não tinha espaço constitucional. Logo depois tivemos espaço pelo Supremo e pelo, e pelo Congresso, entramos nas constitucionais. Gastamos trezentos e poucos bilhões, que não é muito. Pra terem uma ideia, o último déficit do governo Temer foi cento e sessenta. Nós gastamos trezentos. Não é? E não gastamos tanto assim, mas atingimos cinquenta milhões de brasileiros como diz lá o Pedro (Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal”.

Depois de se corrigir, falando que os programas atingiram 70 milhões de brasileiros, Guedes diz que foi montado um comitê de bancos junto com Gustavo Montezano, presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para fazer a reestruturação de empresas. E aí é possível ver a intenção real de Guedes.

“Não vai ter molezinha pra empresa aérea, pra nada disso. É dinheiro que nós vamos botar usando a melhor tecnologia financeira lá de fora. Nós vamos botar dinheiro, e… vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas”, disse o ministro da Economia.

Ameaça de golpe em papel timbrado da Presidência

General Augusto Heleno

O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, ameaçou diretamente o Supremo Tribunal Federal e criticou o pedido de apreensão dos celulares de Jair Bolsonaro e de seu filho, Carlos Bolsonaro, após decisão tomada pelo ministro Celso de Mello à PGR (Procuradoria-Geral da República) para avaliação.

Heleno disse que o pedido é “inconcebível e, até certo ponto, inacreditável” em nota enviada à imprensa. O ministro considerou que a medida “seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência de outro poder na privacidade do presidente da República e na segurança institucional do país”.

A nota do ministro Heleno ainda enviou um “alerta” de que a apreensão dos celulares “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”. Saiba mais:

247 – O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, decidiu partir para cima do clã  Bolsonaro e pediu o depoimento do presidente, assim como a busca e apreensão do celular dele e de seu filho, Carlos Bolsonaro, para perícia. Em despachos enviados nesta quinta-feira (21) à PGR, o ministro ressaltou ser dever jurídico do Estado promover a apuração da “autoria e da materialidade dos fatos delituosos narrados por ‘qualquer pessoa do povo’”.

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Parazão deve voltar em julho

POR GERSON NOGUEIRA

Após pedidos dos clubes, presidente da FPF confirma a paralisação ...

A reunião de anteontem à noite, entre o governador Helder Barbalho e os dirigentes que representam a elite do futebol paraense buscou estabelecer alternativas e rotas para a retomada do Campeonato Estadual. Participaram do encontro o presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) e dirigentes de Remo, Paysandu e Bragantino, além do titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adler Silveira.

Os responsáveis pelo futebol profissional no Pará levaram ao governador ideias para contribuir com o plano que permita que os profissionais da área possam entrar em estádios com plena segurança, dentro das normas dos órgãos de saúde e seguindo todas as orientações do protocolo elaborado pela CBF e que serviu de inspiração para um documento preparado pela federação paraense.

Tá na hora - FPF e clubes se reúnem hoje para definir o Parazão ...

O planejamento para a retomada do futebol envolve testes regulares de covid-19 para  jogadores, membros de comissões técnicas, árbitros e trabalhadores do futebol. O objetivo é fazer um plano de retomada em total sintonia com as diretrizes do governo do Estado para reabertura de atividades não essenciais.

Durante o encontro, o governador mostrou aos dirigentes detalhes do mapa epidemiológico da covid-19 no Estado e observou que o reinício das atividades deve acontecer de forma planejada e gradual, como na etapa inicial da pandemia, com protocolos de restrições à circulação de pessoas.

Helder enfatizou que a volta de todas as atividades não essenciais (incluindo o futebol) precisa ser feita com responsabilidade, para que o sistema de saúde não seja sobrecarregado e possa absorver as demandas de mais casos da covid-19, principalmente quanto aos leitos de UTI.

Ficou claro aos participantes da reunião que o futebol não será das primeiras atividades a ter seu retorno autorizado. Em primeiro lugar, deve ser liberado o comércio e outras atividades comerciais. Pelo que se observa, a partir dos dados mais recentes da covid no Estado, é bem possível que os jogos possam ser realizados a partir de julho, sem torcida nos estádios.

De todo modo, há um longo caminho a percorrer, exigindo paciência e criatividade por parte dos atores envolvidos. Mas, definitivamente, ficou claro que o Parazão será concluído e o campeão será conhecido em campo.

CBF mantém cautela em relação à retomada

Em termos nacionais, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, afirmou que os campeonatos possam ser reiniciados entre o fim de junho e início de julho, o que coincide com as projeções paraenses. “Parar foi necessário e voltar é possível. Esse é o grande aprendizado com o retorno do Campeonato Alemão. A Alemanha é uma ótima sinalização”, disse, esquecendo que a doença está controlada no país europeu.

Feldman ratificou o posicionamento defendido pela entidade desde o agravamento da pandemia no Brasil, defendendo que se priorize a segurança das pessoas. O futebol não é atividade essencial e vem muito atrás de uma série de outros segmentos em termos de importância.

A CBF é apoiada por dirigentes importantes, como Carlos Augusto Montenegro, do Botafogo, radicalmente contra a antecipação da volta dos campeonatos. “Tem coisas muito mais importantes na vida do que o futebol. O futebol não é um serviço essencial. A palavra de ordem é isolamento. O futebol tem contato (físico) o tempo todo. Por que o jogador de futebol tem que passar por isso?”, disse.

Montenegro aponta outra contradição prática. Contra quem irão jogar os clubes que insistem em retornar aos jogos e tornos? Afinal, com exceção do Rio Grande do Sul, todos os demais Estados permanecem em quarentena.

Causa espanto é a insistência de clubes tradicionais, como Flamengo e Vasco, em voltar de imediato aos treinos e jogos. Os rubro-negros já foram flagrados treinando e descumprindo as orientações médicas e decretos do governo do Estado do Rio de Janeiro. No fundo, algumas questões não reveladas explicam essa pressa toda.

Ao forçar a barra pela retomada dos treinos, o que inclui até acenos a Jair Bolsonaro, notório inimigo do isolamento social, o Flamengo estimula outros clubes a apoiarem a iniciativa. Como não há obrigatoriedade quando ao período de treinamentos, o que configura uma jogada de pura malandragem política, no limite do que é tolerado pela legislação.

É preciso entender ainda que a volta aos treinos pode vir a antecipar receitas, com a exposição da marca de patrocinadores nos uniformes dos times. E a grana dos patrocínios, como se sabe, é um dos maiores problemas dos clubes, que perderam receita com a suspensão das competições.

Paquetá e o inferno astral de ex-rubro-negros na Europa

O meia-atacante Paquetá é cria do Flamengo e era dado como futuro craque de Seleção Brasileira com destaque no futebol internacional. Quase conseguiu confirmar essa premissa. Como quase toda revelação rubro-negra se beneficiou da boa vontade midiática, foi valorizado na transação com o Milan e chegou ao escrete.

O problema foi a falta de brilho. No clube italiano, constituiu-se em grande decepção. Só entrou em nove partidas na temporada, não marcou nenhum bol e acaba de ser incluído na seleção das decepções da temporada. Periga ter o mesmo destino de Adriano, que na reta final de sua passagem pela Europa ganhou troféu de pior do ano.

Paquetá não está sozinho. O ex-flamenguista Vinícius Jr. teve um bom início de ano, mas acabou não se estabilizando como titular do Real Madri e a pandemia acabou interrompendo um projeto de reabilitação. Pela grana que custou ao clube espanhol, porém, devia estar mais valorizado e prestigiado. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 22)