Em disputa com Bolsonaro, Globo rompe censura a Lula no Jornal Nacional

Por Vinícius Segalla

É tamanho o desconforto da Rede Globo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que a emissora deu espaço nesta sexta-feira (1) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu telejornal de maior audiência, o Jornal Nacional. A televisão da família Marinho foi uma das maiores promotoras da perseguição jurídica e midiática que levou o petista à prisão para que não pudesse concorrer às eleições em 2018.

Já nesta sexta, Lula apareceu junto com outros ex-presidentes no JN, em manifestações em homenagem ao Primeiro de maio, Dia do Trabalhador. A emissora carioca também deu espaço a uma fala do atual presidente da república acerca do mesmo tema. Quem assistiu, percebeu a distância cósmica que separa o discurso e o preparo de um e de outros.

Como não podia deixar de ser, a transmissão causou resposta imediata de grupos bolsonaristas nas redes sociais, com o costumeiro estilo criminoso de sempre.

Show de bola longe de campo

POR GERSON NOGUEIRA

Conforme a coluna informou há duas semanas, a gestão azulina conseguiu a façanha de reduzir a menos da metade o “custo Remo”, que caiu de R$ 650 mil para pouco menos de R$ 300 mil, graças a uma série de providências práticas de enxugamento. É o primeiro clube brasileiro de porte médio a atingir tal nível de austeridade em tempos de pandemia.

Pelas informações do presidente Fábio Bentes, o clube antecipou férias dos jogadores, negociou a redução de 50% dos salários, rescindiu contratos de três atletas (Jackson, Nininho e Wesley) e extinguiu contratos com prestadores de serviço deixando apenas o mínimo necessário para o funcionamento normal da instituição.

Remo 0×0 Independente (Eduardo Ramos)

O resultado é que o clube efetuou os pagamentos salariais referentes ao mês de março e já tem parte do dinheiro necessário para pagar o mês de abril. Ao mesmo tempo, encaminha promoções – venda de máscaras protetoras e camiseta especial – e lança um pacote especial para antecipação de venda de ingressos aos torcedores, iniciativa que deve assegurar novas receitas à contabilidade do clube.  

A diretoria também se preocupou em negociar uma espécie de trégua junto à justiça trabalhista e ainda obteve a liberação de R$ 540 mil da cota da Copa do Brasil que estava retida há meses.

Mais importante: todas as ações devidamente expostas em balancetes que são regularmente publicados e comunicados à torcida do clube. Por raro, o comportamento da atual diretoria surpreende e gera justificados elogios. É essa manifestação de aprovação que vai embasar e estimular a continuidade dessa maneira de agir.

Todos sabem da imensa dificuldade que é administrar um clube de futebol nos dias de hoje, principalmente os mais populares. Existem despesas que assombram e atormentam os dirigentes, faltam receitas para atenuar os custos mensais. No 48º dia de paralisação dos campeonatos, a reação do Remo representa um caminho a ser seguido pelos demais clubes e permite ter esperanças de que nem tudo está perdido.

Verón e a confissão de uma frustração na carreira

Em entrevista ao Esporte Interativo, o fabuloso volante Juan SebastiánVerón confessa que esteve a pique de jogar no Brasil em 2008. Chegou a negociar com o Santos, mas o negócio não vingou e ele seguiu jogando pelo seu querido Estudiantes de La Plata.  

La Brujita confessou que sempre acompanhou com atenção as coisas do futebol brasileiro, seguindo jogos e notícias sobre o Flamengo. Dos duelos contra o rubro-negro carioca, Verón recorda algumas partidas contra Junior Capacete.

Juan Sebastián Verón - Perfil de jogador | Transfermarkt

“Nos pegou um dia em La Plata e acabou com a gente, perdemos de 3 a 0. Jogava na ponta do pé. Sempre me lembrava desse jogador”, confessou, admitindo também que gostaria de ter jogado no Brasil.

Verón foi titular da seleção argentina e defendeu grandes clubes europeus (Manchester United, Chelsea e Internazionale). Hoje é presidente do Estudiantes.  

Que pena que os deuses da bola não permitiram que ele mostrasse seu futebol elegante e produtivo em gramados nacionais. Verón lamenta, mas o azar foi nosso.

Raí opina e atiça patrulha típica de quem vive no muro

Quem é mesmo Caio Ribeiro para tentar pautar o que Raí pode ou não falar? Causou espanto a reação do obscuro ex-atacante obscuro, um sortudo que jogou em times grandes sem ter cabedal para isso, após o ex-craque e atual diretor do São Paulo ter se pronunciado contra a volta imediata das competições do futebol e revelando torcer pela renúncia de Bolsonaro.

De forma livre e corajosa, Raí se expressou como cidadão politicamente engajado que jamais se omitiu quando as situações exigiam, bem ao contrário de Caio, cujas opiniões emitidas nos comentários globais flertam sempre com o murismo e o mais do mesmo.

Autonomeado guardião das trincheiras do conservadorismo político que assola o país, Caio teve a pachorra de afirmar que Raí só devia “falar de esporte”. Mais ou menos como, há tempos, fez Tiago Leifert, animador de reality show, criticando atletas que ousam ter posicionamento político.

Caso o Brasil fosse um país dotado de uma educação mais qualificada, do tipo que leva conhecimento e consciência aos cidadãos, manifestações como a de Raí seriam entendidas como absolutamente normais.

Na mixórdia atual, porém, prevalece a visão caolha e reacionária, evidenciada na frase autoritária que Caio proferiu ontem. Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, mas todos devem respeitar (e fazer respeitar) a opinião alheia. Conviver com contrários é um dos sintomas básicos de civilidade.

Ao expor o que pensa quanto ao governo, Raí agiu como um legítimo representante do irmão Sócrates, o craque que teve peito para levar a cabo a Democracia Corintiana em plena ditadura militar, trazendo uma brisa libertária ao normalmente retrógrado ambiente do futebol no Brasil.

Não por acaso, perdemos de goleada em consciência ideológica e noções de direitos para os boleiros argentinos, uruguaios e chilenos, irmãos de continente que são muito mais evoluídos e esclarecidos. Figuras como Caio Ribeiro são a prova viva dessa triste e atrasada realidade. Por isso mesmo, Raí merece aplausos.

Como também é digna de elogios, a posição manifestada ontem pelo presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol de São Paulo, Rinaldo Martorelli. Sobre a movimentação dos clubes tentando retomar as competições, ele disse que todos querem a volta do futebol, “mas a saúde dos atletas é o mais importante agora”. Certíssimo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 01)

Sobre o futuro dos campeonatos estaduais

PSG de Neymar e Mbappé foi declarado campeão francês da temporada 2019/20 - Quality Sport Images/Colaborador

Blogueiros e comentaristas esportivos opinam sobre o futuro dos campeonatos estaduais em meio à pandemia de covid-19 no país. Na França, o PSG foi declarado campeão por ter 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. O critério deve ser seguido no Brasil?

ANDRÉ ROCHA – Esportivamente, não. Porque as competições estaduais não são por pontos corridos como a Ligue 1. Mas dado o contexto de uma pandemia…quem se importa com Estaduais? Que se resolva logo e eles não atrapalhem ainda mais o calendário.

BENJA – Não. Lá o campeonato é por pontos corridos, e o PSG já era praticamente campeão. Aqui, os estaduais são disputados no mata-mata, ou seja, não há como definir os campeões sem jogar!

JUCA KFOURI – Não, pelo simples motivo de os Estaduais preverem mata-matas para fase final. A vantagem do PSG, assim como a do Liverpool, em campeonatos de pontos corridos, justifica a medida.

JULIO GOMES – Não, de forma alguma. Na França, é um campeonato de pontos corridos em que faltava pouco e a vantagem do melhor time era grande demais. Na Holanda, por exemplo, apesar de ser o mesmo regulamento, o campeão não foi declarado — porque havia dois times empatados em primeiro. Só dá para fazer isso em competições em que é óbvio quem seria campeão. Das grandes ligas europeias, somente França e Inglaterra. No Brasil, os Estaduais têm o encerramento programado para mata-mata, seria absolutamente bizarro decretar qualquer time campeão.

MARCELO RIZZO – Não, Brasil tem tempo para jogar. Inclusive, os Estaduais serão a maneira mais fácil de se jogar futebol no Brasil daqui 40, 50 dias (pra mim não dá para pensar em jogar antes disso) porque não tem deslocamentos longos que precise usar avião. Agora, caso os governos proíbam futebol por um tempo maior do que imaginamos e não se possa continuar a competição, acho que os Estaduais especificamente têm regulamentos diferentes do que o Francês, que é pontos corridos, o que complica declarar campeão na canetada. O Paulista, por exemplo, nem todos os times se enfrentam na primeira fase, o que torna desigual definir um campeão.

MAURO CÉZAR – Melhor do que ficar sem campeão, como anunciado inicialmente, mas não entendo a pressa para tomada de tal decisão.

RENATO MAURÍCIO PRADO – Não há como fazer isso, quando os campeonatos não são por pontos corridos. O Flamengo, por exemplo, foi o campeão da Taça Guanabara (primeiro turno do Estadual), mas o Fluminense tem mais pontos no geral, mas não ganhou nada – sequer está classificado para a final, neste momento. E agora? Se os Estaduais não forem retomados (o que, aliás, me parece ser a decisão mais acertada), simplesmente, não deve haver campeões em 2020.

Flamengo demite 62 funcionários na véspera do Dia do Trabalho e em plena pandemia

Por André Rocha

É direito de qualquer empresa ou clube de futebol fazer demissões, ajustando processos e folha de pagamento ao cenário econômico. Ainda mais em tempos de pandemia, com suspensão de atividades e, consequentemente, algumas receitas. Mas surpreende e soa estranha a notícia de que o Flamengo demitiu 62 funcionários nesta quinta-feira, véspera do Dia do Trabalhador e último dia para os conselheiros aprovarem as contas de 2019.

Depois de incluir no balanço patrimonial, auditado pela Ernst & Young, a informação de que realizou um “teste de estresse” e, dentro de um cenário de três meses sem jogos, concluiu que os impactos financeiros seriam “absorvíveis”.

Com apenas 46 dias de paralisação – portanto, metade do prazo previsto de absorção da queda nas receitas – o clube entende que é necessário se antecipar aos problemas que virão com o fim do patrocínio do Azeite Royal e o atraso no pagamento da Adidas.

Para isso dispensa recepcionistas do Ninho do Urubu, funcionários do alojamento, motoristas, roupeiros e fisiologistas das divisões de base, treinador do time sub-12, analistas de mercado e profissionais do time de futsal que estão ligados à vice-presidência de base, como apurado pelo Globoesporte.com e depois confirmado aqui no UOL Esporte.

O clube também dispensou o auxiliar Marcelo Salles e chegou a um acordo com o Sindiclubes para reduzir salários de funcionários e a liberação destes até que as atividades voltem ao normal. Cortando primeiro em uma folha de cerca de três milhões de reais, pessoas que dificilmente se reposicionarão no mercado de trabalho num cenário de crise. Para só depois negociar com jogadores que custam 20 milhões aos cofres do clube.

Depois de ser acusada pelos familiares das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu de agir com frieza e nenhuma empatia, da polêmica sobre a premiação dos títulos do Brasileiro e da Libertadores que quase prejudicou comissão técnica e alguns funcionários, e as constantes demonstrações de ansiedade em retomar as atividades durante a pandemia mesmo com todos os riscos para os envolvidos, a direção rubro-negra dá mais uma prova de que lidar com gente não é a sua praia.

“O Flamengo não é instituição de caridade”, dirão os “liberais” de plantão, os torcedores de dirigentes e os fanáticos que acham que amar é não ter senso crítico. Mas está claro mais uma vez que as planilhas de custos estão sendo colocadas acima das pessoas sem um esforço maior do clube mais rico do país para contornar a situação e preservar os postos de trabalho.

De muitos que sequer têm uma reserva para se manter por um curto período sem remuneração. Pior ainda se as demissões são parte de uma estratégia para “convencer” os atletas a reduzirem os seus vencimentos, CLT e direitos de imagem. Cortar na carne do mais humilde para barganhar com os mais abastados. Seria um ato desprezível.

E mesmo que haja reversão por pressão popular ou a pedido dos atletas e de Jorge Jesus, com estes aceitando contribuir para a manutenção dos empregos, será mais uma mancha indelével. De quem acerta tanto no futebol, mas falha miseravelmente na gestão dos recursos humanos.

Um triste cenário que desperta indignação, tristeza e até um certo nojo. Não precisava ser assim. De novo..

Dia de reverenciar trabalhadoras e trabalhadores

Linha de montagem do modelo T da Ford nas primeiras décadas do ...

Nesta data, o mundo lembra as lutas da classe trabalhadora em defesa do direito pela vida e dignidade.
Foram muitas batalhas e conquistas.
O direito a jornada de 8 horas diárias, uma das mais importantes delas, por ter interrompido a condição de escravidão a que eram submetidos homens e mulheres.
Com garra, sonho e sangue foram obtidas outras conquistas, como direito de férias, aposentadoria, inibição do trabalho infantil e tantos outros.
Lutamos hoje contra um inimigo invisível, essa pandemia que faz sofrer e matar milhares de pessoas, em todo o planeta.
Mais uma vez se vê a questão de classe colocada, ainda que sejam infectadas pessoas da classe trabalhadora e dos donos do capital, é inegável que aos trabalhadores é destinada a maior parcela de dor. Enquanto uns tem acesso a moradia, alimentação, medicamentos, testagem, aparelhos de respiração e leitos em hospitais de luxo, outros seguem sofrendo em filas imensas buscando receber ajuda pandemia de 600 reais, sem acesso a máscaras de proteção, muitos morrendo nas suas casas, sem acesso a testes que verifiquem sua infecção, sem medicamentos ou a atendimento médico-hospitalar.
No Brasil temos, neste ano, um complicador na luta dos trabalhadores.
A presença de um presidente que demonstra ser formado por ódio e desprezo à humanidade, que diverte-se, junto com seus filhos, com a morte e dor de milhões de brasileiros. Lembra, de forma ampliada a figura bíblica de Herodes, quando determinou a morte de todas as crianças abaixo de 2 anos de idade.
A besta que dirige o nosso querido país vem condenar os idosos, as crianças, aos jovens, a tudo que se movimente.

Vamos vencer !

A luta da classe trabalhadora irá derrotar, com ciência, o coronavírus e, com espírito classista, este governo desumano.