Em editorial, Folha chama Bolsonaro de cretino e pede sua queda

O ministro da Saúde, Nelson Teich e o presidente da Repùblica, Jair Bolsonaro, durante solenidade de posse no Palácio do Planalto

O jornal Folha de S. Paulo publicou um editorial no início da noite com fortes críticas a Jair Bolsonaro por conta da demissão de Nelson Teich do Ministério da Saúde nesta sexta-feira, 15.  

No texto, a Folha diz que a nova mudança no comando da Saúde em plena pandemia de coronavírus torna clara a derrocada de Bolsonaro. “Está em curso, isso sim, a completa e justificada desmoralização do governo nacional, a cada dia nublado pela mesquinharia e pela estupidez de Jair Bolsonaro”, diz o jornal no editoriasl extemporâneo. 

“Com meros 500 dias de mandato, Bolsonaro subtrai opções. Não bastassem as calamidades sanitária e econômica, ele próprio converteu-se em crise a ser enfrentada”,acrescenta o editorial. 

O pedido de demissão de mais um ministro da Saúde —em menos de um mês e durante a mais grave emergência sanitária da história contemporânea— escancara a derrocada de um presidente da República que já nem mesmo finge governar o país.

Importa menos, até, a perda de um quadro como Nelson Teich, de permanência no posto insuficiente para tomar conhecimento dos meandros da máquina administrativa. Tampouco seria insuperável a saída do antecessor, Luiz Henrique Mandetta, que cultivara boa imagem em entrevistas acerca do combate ao coronavírus.

Está em curso, isso sim, a completa e justificada desmoralização do governo nacional, a cada dia nublado pela mesquinharia e pela estupidez de Jair Bolsonaro.

Torna-se inimaginável, na Saúde, que algum profissional sério e sensato vá conformar-se a um chefete obcecado com quiméricas cloroquinas e, pior, empenhado numa cruzada macabra contra as imprescindíveis políticas de distanciamento social a custo tocadas por governadores e prefeitos.

Obstáculos similares se apresentam às demais áreas da gestão que ainda gozam de alguma credibilidade. Todas, cedo ou tarde, tendem a estar subordinadas à única prioridade real do presidente —agarrar-se a um cargo para o qual reúne parcas condições intelectuais, morais, programáticas e políticas.

Sua intervenção cretina na gestão da saúde pouco difere da ingerência na Polícia Federal que pode custar-lhe o mandato. Num e noutro caso, trata-se de colocar a própria sobrevivência acima das políticas de Estado e do interesse nacional.

Ao investir contra quarentenas, Bolsonaro pretende se eximir de responsabilidade pela recessão inevitável. Na acintosa afronta à autonomia da PF, ambiciona desvencilhar-se de investigações que o envolvem e a seus filhos. O próximo passo, tudo indica, será o loteamento do Executivo em favor de forças partidárias fisiológicas.

“Vou interferir. Ponto final”, vociferou o presidente na reunião ministerial de 22 de abril, cujo conteúdo gravado em vídeo é peça-chave no inquérito que apura um possível —e crescentemente plausível— crime de responsabilidade.

Sua defesa se apega à ausência de menção explícita à instituição policial no trecho, o que soa como filigrana diante do conjunto da obra. Na saída de Sergio Moro da Justiça, como nas de Teich e Mandetta, sobram as evidências da recusa presidencial à impessoalidade da administração, que as trocas na PF apenas expõem formalmente.

Com meros 500 dias de mandato, Bolsonaro subtrai opções. Não bastassem as calamidades sanitária e econômica, ele próprio converteu-se em crise a ser enfrentada.

Morre na Alemanha a primeira fotógrafa dos Beatles

A fotógrafa Astrid Kirchherr foi a responsável por capturar os Beatles pela primeira vez -  Max Scheler - K & K/Redferns - Getty Images

A fotógrafa alemã Astrid Kirchherr, que capturou os Beatles pela primeira vez, morreu aos 81 anos. A notícia foi dada pelo historiador dos Beatles Mark Lewisohn em seu perfil no Twitter. Ela morreu na quarta-feira (13), em Hamburgo, na Alemanha, poucos dias antes de completar 82 anos. O jornal alemão Die Zeit também confirmou a morte Astrid informou que a causa da morte foi uma “breve doença grave”, sem especificar qual.

Na publicação de Lewisohn, ele a descreveu como “amiga inteligente, inspiradora, inovadora, ousada, artística, consciente, bonita, amorosa e edificante para muitos”. E disse: “Seu presente para os Beatles era imensurável”.

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Em 1960, depois de assistir a um show dos Beatles em Hamburgo – ainda com a formação John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Pete Best e Stuart Sutcliffe -, Astrid Kirchherr convenceu a banda a acompanhá-la para um parque de diversões, onde tirou as primeiras fotos do grupo. Kirchherr chegou a ficar noiva do baixista Sutcliffe – que morreu em 1962. O relacionamento deles é retratado no filme “Backbeat” (1994).

Os vendedores de cloroquina derrubaram Nelson Teich

Por Mauro Mendes

Caiu o sujeito que não entrou na dança maluca de Bolsonaro com a peste e no seu interesse criminoso pela venda em massa da cloroquina. Nelson Teich sai maior do que entrou, talvez como consolo para os que esperavam sua adesão total aos desatinos e aos delitos de Bolsonaro.

Erramos todos. Teich não aderiu ao discurso do fim do isolamento. Não ratificou a propaganda da cloroquina, não conspirou contra a ciência e não atacou governadores e prefeitos.

Nelson Teich era apenas mais um cara no lugar errado na hora errada. Sem nenhuma noção do que possa ser a saúde pública, com total desconhecimento de suportes de urgência numa pandemia, sem a cultura dos servidores da área.

Nelson Teich foi o coitado que Bolsonaro achou que iria manobrar. Não conseguiu. Está claro que Teich foi incompetente como gestor. Mas também fica evidente que se negou a fazer o serviço sujo.

Há um certa dignidade no seu gesto de ir embora. Se tivesse adotado a tática dos outros ministros de copa e cozinha, poderia ficar para sempre como amigo de Bolsonaro e dos garotos.

Se tivesse se submetido às loucuras de Bolsonaro, Teich estaria lá, apenas como mandalete, mas forte como estão Weintraub, Damares, Salles, Araujo e Guedes.

Teich cai porque não teve estofo para ser um bolsonarista legítimo. Era um depressivo em meio a milicianos alucinados. Sergio Moro tinha a índole para ser, mas não teve tempo de virar bolsonarista autêntico. Teich não quis ser um deles. Deve dizer logo o que sabe sobre o negócio da cloroquina.

É agora que vem o jogo pesado de Bolsonaro, assim definido por ele ontem em videoconferência com empresários? É a hora da guerra sem soldados vacilões que não pegam suas armas?

Bolsonaro pode finalmente vender a cloroquina e tentar ir pra cima dos governadores no grito, com um general no Ministério. Mas pode também surpreender para tentar se salvar.

Bolsonaro teria coragem de apresentar um servidor da saúde como ministro e complicar tudo de novo? Mas quem toparia? Ou Osmar Terra vem aí?

A frase do dia

“Bolsonaro acaba de vetar auxílio emergencial para pescadores, taxistas, motoristas e entregadores de app, de transporte escolar, ambulantes, feirantes, garçons, babás, manicures, cabeleireiros e professores que estejam sem receber. E esse nazista libera 1 trilhão pra banqueiros”.

Glauber Braga (PSOL-RJ)

Juca lança campanha para mudar a cor da camisa da Seleção: “Cores da morte”

Nesta quinta-feira, o blog do jornalista esportivo Juca Kfouri lançou uma campanha cujo objetivo está bem claro já no título do texto: “Campanha para mudar a camisa da Seleção”. A coluna é escrita pelo também jornalista, além de cineasta, João Carlos Assumpção, e defende que a camiseta da Seleção Brasileira já “não representa boa parte da sociedade brasileira, aquela que ainda acredita num país melhor, democrático, humano e que trabalhe a questão da inclusão social”.

“Diante do que temos visto de 2016 para cá e da apropriação que um grupo, parte do qual armado e com práticas truculentas, fez das cores do Brasil, o verde e amarelo, é essas cores, no momento, não nos representam”, comenta Assumpção.

O texto também argumenta que as cores verde e amarela, apropriadas por grupos de direita radical, “viraram, lamentavelmente, as cores da morte, do genocídio”.

A alternativa, segundo a campanha, seria voltar à camiseta branca, abandonada depois da derrota na final da Copa de 1950, no Maracanã, para o Uruguai. “O Brasil de branco, o branco da paz, e com gola azul. Como em 1950. E sem o atual governo que deveria renunciar”, defende o jornalista.

Para ler o texto completo basta clicar neste link.

Ministro da Saúde pede demissão por discordar de Bolsonaro

O ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou o cargo nesta sexta-feira (15), antes de completar um mês à frente da pasta. Em nota, o ministério informou que ele pediu demissão. Teich tomou posse em 17 de abril. Essa é a segunda saída de um ministro da Saúde em meio à pandemia do coronavírus. Teich havia substituído Luiz Henrique Mandetta.

Assim como Mandetta, Teich também apresentou discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas para combate ao coronavírus. Nos últimos dias, o presidente e Teich tiveram desentendimentos sobre:

  • o uso da cloroquina no tratamento da covid-19 (doença causada pelo vírus). Bolsonaro quer alterar o protocolo do SUS e permitir a aplicação do remédio desde o início do tratamento.
  • o decreto de Bolsonaro que ampliou as atividades essenciais no período da pandemia e incluiu salões de beleza, barbearia e academias de ginástica
  • detalhes do plano com diretrizes para a saída do isolamento. O presidente defende uma flexibilização mais imediata e mais ampla.

Teich foi ao Palácio do Planalto nesta manhã para uma reunião com Bolsonaro. Em seguida, ele voltou para o prédio do Ministério da Saúde. A demissão foi anunciada logo depois.

REPERCUSSÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) repercutiu a situação atual do Brasil diante da pandemia do coronavírus em sessão realizada hoje. Ao ser questionado por uma jornalista sobre as ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que considerou academias e salões de beleza como serviços essenciais, Michael Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, tomou a palavra e pediu “coerência e coesão” ao governo.

“Vimos um aumento no número de casos no Brasil e no restante da América do Sul e Central. Independente do sistema de saúde, é preciso haver coerência e coesão em todo o governo em relação à sociedade. As comunidades precisam ouvir mensagens coerentes de todas as autoridades”, disse. (…)

GENERAL

Os militares querem assumir o Ministério da Saúde com a saída de Nelson Teich. Os assessores militares no Planalto estão em campanha pelo nome do secretário-executivo da pasta: o general de divisão Eduardo Pazuello, informa a jornalista Carla Araújo, do UOL. Ele foi colocado no segundo cargo mais importante da pasta por exigência de Bolsonaro, quando Teich assumiu.

“Estamos na torcida”, disse um auxiliar palaciano nesta sexta-feira (15). Um general no posto, depois de dois médicos recusarem-se a seguir à frente do Ministério da Saúde, Henrique Mandetta e Nelson Teich, significará, na prática, que Bolsonaro passa a centralizar as ações do país em em meio à maior crise sanitária da história. 

A sentença eterna

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

Fernando Teixeira de Andrade (1946-2008)