Corrupto mais longevo do país, Roberto Jefferson defende golpe de estado com fuzil na mão

Por Joaquim de Carvalho

Uma coisa é uma olavista maluquete como Sara Winter, que ostenta um símbolo nazista tatuado no peito, conspirar contra os poderes da república. Outra é o presidente nacional de um dos maiores partidos políticos, o PTB.

Roberto Jefferson deveria estar preso neste momento, não apenas porque postou uma foto segurando um fuzil, num ambiente em que aparecem o cano de duas outras armas. Mas pelas postagens em complemento à defesa que faz da luta armada:

“Estou me preparando para combater o bom combate. Contra o comunismo, contra a ditadura, contra a tirania, contra os traidores, contra os vendilhões da Pátria. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos.”

O que aconteceria se José Dirceu, igualmente condenado no processo do mensalão, postasse uma foto empunhando um fuzil na época em que se discutia o impeachment de Dilma Rousseff?

A foto de Jefferson, ainda que reveladora de um crime contra a segurança nacional, é tão grave quanto o que ele escreveu sobre o que Jair Bolsonaro deveria fazer com o Supremo Tribunal Federal:

“Bolsonaro, para atender o povo e tomar as rédeas do governo, precisa de duas atitudes inadiáveis: demitir e substituir os 11 ministros do STF, herança maldita. Precisa cassar, agora, todas as concessões de rádio e TV das empresas concessionárias GLOBO.”

Quanto à Globo, é um opinião que não atenta contra a segurança nacional, mas, à luz da lei, impraticável. De acordo com a Constituição, só o Congresso Nacional, pelo voto nominal de dois quintos de seus integrantes, pode cassar uma concessão de serviços de radiodifusão.

Já em relação ao Supremo, o caso é mais grave. Por baixo, o presidente nacional do PTB violou três artigos da lei 7.170, de 14 de dezembro de 1983, que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social.

– Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito.

Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.

Art. 18 – Tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre exercício de qualquer dos Poderes da União ou dos Estados.

Pena: reclusão, de 2 a 6 anos.

Art. 23 – Incitar:

I – à subversão da ordem política ou social.

Jefferson, que dirige um partido que elegeu em 2018 dez deputados federais, dois senadores e 31 deputados estaduais, até diz como Bolsonaro deve proceder para subverter a ordem política no caso do STF:

“Ministro do Supremo tem que ser juiz de carreira. A Corte Constitucional deve coroar carreiras de juízes de direito. Não pode um ex-advogado de narcotraficantes milionários, envergar a toga sagrada. O Conselho Nacional de Magistratura indicaria lista tríplice para o Pr escolher um.”

No bojo da declaração, injuriou e difamou Alexandre de Moraes, que é acusado pelos bolsonaristas de, como advogado, ter defendido traficantes, o que não é verdade. Mas, ainda que fosse, todos têm direito de defesa.

Jefferson poderá argumentar que aqueles fuzis são de paintball — esta é, por exemplo, a alegação de advogados do miliciano Ronnie Lessa, acusado de assassinar a vereadora Marielle, que ao ser preso tinha em seu poder peças para montar 117 fuzis.

No caso de Jefferson, essa alegação não o livraria da pena. A doutrina penal entende que, se um criminoso que estiver usando arma que pareça verdadeira e ameaçar alguém e, em razão disso for morto pela vítima ou por um terceiro, o autor do homicídio está livre da pena.

É a chamada legítima defesa putativa.

Jefferson não deve ser assassinado, claro. Mas é uma situação que, à luz da Lei de Segurança Nacional, guarda paralelo. É um criminoso condenado, ameaça a democracia do Brasil com uma arma em punho, e deve ser punido por isso.

De novo: o que aconteceria de José Dirceu se manifestasse de maneira equivalente? Com democracia, não se brinca. E Jefferson, pela violência das palavras, mostra que não quis brincar.

Se o presidente nacional do PTB não for punido, os que viram a foto dele poderão se sentir no direito de recorrer à luta armada para dar um golpe de estado. É, em síntese, o que o presidente nacional do PTB, líder da organização política corrupta conhecida como Centrão, defende.

Morre Little Richard, ‘pai’ e eterno subversivo do rock

Little Richard, um dos fundadores do rock and roll, com sua voz inconfundível, suas roupas extravagantes e personalidade que incorporavam o espírito e o som dessa nova forma de arte, morreu neste sábado, dia 9. A informação é da revista Rolling Stone.

Ele tinha 87 anos. Seu filho, Danny Penniman, confirmou a morte, mas disse que a causa era desconhecida.

Richard surgiu com “Tutti Frutti” em 1956, e depois emplacou uma série de hits, como “Long Tall Sally” e “Rip It Up” naquele mesmo ano, “Lucille” em 1957 e “Good Golly Miss Molly” em 1958.

“Ouvi Little Richard e Jerry Lee Lewis, e foi o suficiente”, disse Elton John. Os Beatles gravaram várias de suas músicas, incluindo “Long Tall Sally”, e Paul McCartney o homenageou com “I’m Down” no estilo de cantar.

Suas músicas se tornaram parte do cânone do rock, interpretadas ao longo das décadas por todo mundo, desde os Everly Brothers, os Kinks e o Creedence Clearwater Revival até Elvis Costello e os Scorpions.

CBF autoriza 5 substituições por jogo

VAR preparado para a Supercopa: em janeiro, árbitro de vídeo foi usado na final entre Flamengo e Athletico, com vitória dos cariocas — Foto: Fred Huber

A CBF decidiu que já vai implementar as cinco substituições por partida nas competições oficiais de 2020. A medida vai ser adotada temporariamente depois que a IFAB autorizou a emenda nas regras do jogo. As trocas precisam ser feitas em três janelas por equipe e vão valer tanto para competições já iniciadas como nas que ainda vão começar – mesmo que elas se estendam até início de 2021.

Sobre o uso do VAR, aprovado em Conselho Técnico da Série A do Brasileiro – e também usado nas fases finais da Copa do Brasil -, a princípio a intenção é manter o árbitro de vídeo, apesar das dificuldades econômicas que o ano atípico impõe. Na mesma edição em que tratou da mudança da regra de jogo, a IFAB tratou como opcional o uso da tecnologia.

Aquela que foi sem nunca ter sido

Por Afonso Medeiros

Regina tem razão quando diz que “vocês carregam muitos mortos nas costas”.
Sim, Regina, estás coberta de razão. É isso mesmo! Tem sido assim desde que o mundo é mundo sob a perspectiva humana: enterrar e reverenciar seus mortos é um dos mais eloquentes sintomas da cultura, de quaisquer culturas. É o mais sagrado dos liames com o ancestral que artistas e xamãs conhecem muito bem.
A começar por um Senhor pregado numa cruz e por mulheres queimadas em nome d’Ele na fogueira, inclusive das vaidades, nós carregamos nossos mortos.
Carregamos os companheiros de marias e clarices, carregamos Garcia Lorca, carregamos Walter Benjamin, todos mortos ou levados à morte por tiranos. Carregamos nas costas das memórias corpos de milhões de indígenas e milhões de judeus e milhões de escravizados – nem imaginas quantos, Regina!
Tu, que queres ser “leve”, talvez nem saibas que não há leveza sem luto, luto sem dor, dor sem lágrima, lágrima sem reverência, reverência sem poesia. Tua “leveza”, Regina, é insustentável.
Carinhosamente carregamos os corpos de Antunes Filho, Beth Carvalho, Rubem Fonseca, Bibi Ferreira, Aldir Blanc, Flávio Migliaccio – todos esses que o tirano que coadjuvas não quis reverenciar, com o teu apoio obsequioso.
Carregamos Chico Mendes, assassinado por aqueles que exercem um papel que tu, Regina, conheces muito bem: o de criador de gado; papel este que continuas interpretando como feitora pusilânime da cultura, uma Porcina a gritar “Minaaaaaaa” para um país que consideras teu curral. Encantada com os hinos ufanistas da ditadura, é provável que não tenhas aprendido com Vandré que “gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente” – e já faz tempo que carregamos a consciência de que marcar, ferrar e matar é iníquo até pros bovinos.
Carregamos maravilhados o corpo de uma outra Regina, a Elis, que soube cantar os fenecimentos e os renascimentos, nossos e de nossos mortos.
E carregaremos com veneração, ainda, os corpos de muitos de tua geração.
Mas não carregaremos teu corpo, Regina, nem de todos esses que acham que és a namoradinha deles, assim como não carregamos os corpos de Ustra, de Fleury, de Médice, de Geisel, de Pinochet, de Franco e de todo aquele capim que o teu gado tanto aprecia.
Para ti e para todos estes, seguimos a lição do torturado na cruz: “deixem que os mortos enterrem seus mortos”. Então talvez entendas o que é tortura, só que eterna, no quinto dos infernos.
Pois tu, que não entendes o papel público que exerces como atriz e como secretária, restarás como a viuvinha porcina do Brasil, “aquela que foi sem nunca ter sido”.

Afonso Medeiros, belenense, professor da UFPA, Doutor em Comunicação e Semiótica.