Financial Times alerta para risco de “colapso” no Brasil

Reportagem publicada nesta sexta-feira (18) pelo jornal britânico de economia Financial Times mostra que o chamado “mercado” está preocupado com os rumos do governo Bolsonaro, informa o Uol.

“No espaço de dois dias desta semana, o líder brasileiro rompeu os laços com dois legisladores do Partido Social Liberal, potencialmente enfraquecendo sua capacidade de aprovar legislação por meio de um Congresso já fraturado e problemático”, diz o texto.

Segundo o FT, a Câmara e o Senado consideram o governo confuso e inseguro, e políticos de oposição não levam o presidente a sério, o que pode levar o Brasil a “entrar em colapso”.

A disputa política, segundo o Financial Times, é especialmente problemática por conta da proximidade da votação da Reforma da Previdência, que é defendida pelo mercado internacional.

“É vagabundo!”: deputado do PSL reitera ataques a Bolsonaro

Um dia após recuar nas críticas, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, voltou a atacar Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, 18. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Waldir disse que Bolsonaro está “comprando” deputados com “cargos e fundo partidário” para alçar o filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao posto de líder da bancada e voltou a chamar Jair de “vagabundo”.

“Eu não menti. Ele me traiu. Se precisar, eu repito dez vezes. Eu fui um dos quatro votos para ele (na disputa pela presidência da Câmara, em 2016), contrariando meu partido na época, o PR. Votei no Bolsonaro. Recusei R$ 2,5 milhões de emendas parlamentares na época e vim para o PSL. Andei 246 municípios no sol. Fui chamado de louco ao defender Bolsonaro. Ele nunca me recebeu e agora me traiu ao pedir ao Bivar, por proposta do Major Vitor Hugo e do governador de Goiás Ronaldo Caiado, o diretório do Estado. Então, é vagabundo”, atacou o Delegado Waldir. 

Sobre se a bacanda do PSL ainda votar[a com o governo, Waldir disse que não haverá consenso em todas as pautas com o governo. “Qualquer conduta do presidente de tentar inibir os órgãos de combate à corrupção não terá nosso apoio, como já foi feito com o (Conselho de Controle de Atividades Financeira) Coaf, com enfraquecimento da Polícia Federal, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, a ação do governo em relação à CPMI das Fake News”, afirmou. 

Em relação à atuação do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que gravou a conversa em que Waldir diz que “implodir” Bolsonaro, ele prometeu que irá pedir a cassação do colega de partido. 

“Ele não atacou ao partido, atacou ao Parlamento, ao gravar vários deputados. Isso é Conselho de Ética e apuração criminal. Vamos pedir, assim como foi feito com Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara, atualmente preso), que é a cassação. O PSL vai fazer esse pedido”, afirmou. 

Jansen renova contrato e é o primeiro reforço do Leão para 2020

O Remo anunciou no início desta tarde de sexta-feira a renovação de contrato com o zagueiro Rafael Jansen para 2020. O defensor, que foi titular em 2019, na disputa da Série C e do Parazão, é o primeiro grande reforço do Leão para o próximo ano.

O acerto contratual põe fim a especulações de que poderia ser contratado pelo Paissandu. Jansen chegou a se despedir da torcida azulina nas redes sociais, no começo da semana, mas a diretoria azulina agiu rápido e manteve o jogador no Evandro Almeida.

Jansen chegou ao clube em dezembro de 2018. Desde então, foram 23 jogos e um gol marcado. Sofreu uma lesão no menisco e desfalcou o time na reta final da Série C. Zagueiro de área, acabou aproveitado por Márcio Fernandes na lateral direita e também no lado esquerdo, sempre com boas atuações.

Além de Jansen, o Remo já tem confirmados para 2020 o goleiro Vinícius, os laterais-direitos Cesinha e Rony (em litígio com o clube), os volantes Yuri, Rafael Tufa (lesionado) e Pingo, os meias Eduardo Ramos, Carlos Alberto (em recuperação) e Lukinha e os atacantes Hélio Borges e Neto Baiano.

Papão tenta prorrogar contratos de atacante e zagueiro

À espera da decisão da Copa Verde, o Paissandu continua negociando com Tombense e Ferroviária, clubes do zagueiro Victor Oliveira e do atacante Hygor Silva, respectivamente, a prorrogação de seus contratos. Até o momento, a dupla não faz parte da representação prevista para a próxima segunda-feira, na Curuzu.

Os dois jogadores interessam ao Papão para a decisão da competição, mas os contratos de ambos terminaram e é necessário o aval das equipes para a assinatura do aditivo. Victor Oliveira, inclusive, está nos planos do clube para a temporada 2020.

Quatorze jogadores estão com aditivos publicados no BID da CBF: Perema, Bruno Collaço, Nicolas, Tony, Caíque Oliveira, Bruno Oliveira, Uchoa, Thiago Primão, Elielton, Vinícius Leite, Micael, Wellington Reis, Leandro Lima e Tomas Bastos. Collaço e Micael estão com contratos renovados para 2020.

Também estão garantidos para o próximo ano: Yuri, Tiago Luís, Diego Matos, Willyam, Afonso e Bruce. O goleiro Giovanni tem vínculo até o final desta temporada. Deixaram o clube: Douglas Silva, Wesley, Jheimy, Mota (retornou ao CSA, foto), Léo Baiano (do Grêmio Novorizontino) e o meia Victor Diniz (emprestado ao Bahia). (Com informações do Globoesporte e da Rádio Clube)

Jesus derruba conceitos

POR GERSON NOGUEIRA

Além das muitas alegrias proporcionadas à torcida do Flamengo, com campanha impecável até agora no Campeonato Brasileiro e favoritismo destacado em relação ao título da temporada, o técnico Jorge Jesus tem dado contribuições interessantes ao debate sobre algumas questões fundamentais do futebol no país.

Como costuma se comportar nas entrevistas, Jesus foi além da simples análise do jogo de anteontem em Fortaleza. “Minha cultura não é essa de poupar. E os jogadores provam domingo a domingo. Descansar? Isso não existe. Vamos descansar nos dias que temos. Quinta, sexta, sábado. Domingo é para correr. Se tivermos jogadores com sinais de lesão é outra coisa”, afirmou.

A sentença, proferida ainda na Arena Castelão, logo após a vitória flamenguista, é o ponto-chave da entrevista do treinador português. Com esse argumento bem explicado, Jesus derrubou teorias defendidas nos últimos anos pela maioria dos técnicos nacionais.

Durante anos, essa tese foi difundida como verdade absoluta por técnicos e até analistas esportivos que adoram macaquear conceitos de fisiologia e condicionamento. Poupar jogadores, num calendário caótico como o brasileiro, era regra aplaudida sem questionamentos.  

O Palmeiras chegou ao cúmulo, no ano passado, de utilizar times diferentes nas competições mais importantes – Brasileiro e Libertadores. Gastou rios de dinheiro para montar um elenco de alta qualificação e espraiou pelo país a ideia de que o êxito dependia diretamente disso.

Técnico do Palmeiras em 2018, Felipão foi aclamado à época por ser extremado defensor desse conceito, que, obviamente, só clubes muito endinheirados podem se dar ao luxo de botar em prática. Aí, de repente, chega mister Jesus e contesta tudo isso, com argumentação convincente.

Na cabeça de Felipão e outros técnicos, num elenco recheado de grandes jogadores seriam mais fortes as justificativas para poupar. A única ressalva feita por Jorge Jesus é quanto à necessidade de levar em conta exames que indiquem possibilidades de lesão.

O grande problema agora será modificar o que parecia lei instituída entre técnicos, jogadores e até dirigentes. Poupar boleiros virou sinônimo de modernidade, afinal, diziam, a Europa trabalha assim. Até na Série B já havia gente defendendo a causa. Jesus veio avisar que não é bem assim.

Poupar, no limite do razoável, deve ser aceito em jogos amistosos ou confrontos contra equipes inferiores tecnicamente em campeonatos regionais. Em competições de primeira linha, como Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores, é atitude inadmissível e irresponsável.

Profissionais bem preparados, cercados de conforto e cuidados médicos de toda espécie, jogadores de futebol estão aptos a enfrentar rotinas rigorosas de jogos e treinamentos. O ofício exige isso. Jesus, com simplicidade, colocou a coisa na perspectiva correta.  

A prática respalda o discurso. O Flamengo de Jesus não poupa seus melhores atletas. Pelo contrário. Põe todos para jogar e, por isso mesmo, o desempenho é sempre em alto nível, com um futebol bonito de ver.

Papão prioriza montagem da base para 2020

Enquanto busca movimentar a equipe nas semanas que antecedem a decisão da Copa Verde (prevista para 13 e 20 de novembro), o PSC trabalha para manter em 2020 seus principais jogadores, com desempenho considerado satisfatório em 2019.

Com Hélio dos Anjos já confirmado no comando para a próxima temporada, o esforço agora é direcionado para formar uma base técnica confiável para iniciar a montagem do time para o próximo ano.

Pela regularidade, pela importância que tem para a equipe e pelos gols decisivos, o atacante Nicolas é prioridade máxima no clube. O problema é que a boa atuação em 2019 deu visibilidade e valorizou o atleta. Londrina, Novorizontino e Náutico demonstram interesse em sua contratação.

A expectativa é de que, antes dos jogos finais da CV, Nicolas já esteja assegurado para o ano que vem, ao lado de Vinícius Leite e Elielton, nomes também considerados fundamentais por Hélio dos Anjos.

Exemplo de Mané destoa da badalação boleira

Nem tudo é ostentação no mundo da bola. Disseminados pela internet, comentários do senegalês Sadio Mané, do Liverpool, têm causado forte impacto pelo fato de se contrapor à imagem que os milionários astros do futebol cultivam há muito tempo. Suas frases são cruamente verdadeiras:

“Para que quero dez Ferraris, 20 relógios com diamante e 2 aviões? O que faria isso pelo mundo? Passei fome, trabalhei no campo, joguei descalço e não fui ao colégio. Hoje posso ajudar as pessoas. Prefiro construir escolas e dar comida ou roupa às pessoas pobres”.

“Construí escolas, um estádio, proporcionamos roupa, sapatos e alimentos para pessoas em extrema pobreza. Além disso, dou 70 euros por mês a todas as pessoas em uma região muito pobre de Senegal para contribuir com sua economia familiar”.

O futebol atual vive entregue ao hedonismo e à gastança desenfreada. Grandes marcas patrocinam clubes e jogadores de renome, jogam milhões no balcão a cada renovação de contrato.

Messi, o maior jogador da atualidade, não é performático, mas se mantém longe dos holofotes. Pouco se sabe dele. Cristiano Ronaldo é o oposto, com suas aparições cinematográficas e atitudes de superstar.

Em geral, supercraques se comportam, quase sempre, com a petulância dos grandes nomes do rock e da música pop. Mané, originário de um país assolado pela fome e a miséria, é um saudável exemplo de consciência.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 18)