Pranto por um grande amigo

Guilherme Augusto Pereira de Souza, 71 anos, um dos grandes nomes do jornalismo paraense, morreu ontem à tarde, em Belém, após complicações causadas por um aneurisma da aorta.

Profiional competente e resspeitado, Guilherme era muito querido no meio jornalístico. Bom papo, dono de verve implacável, que se refletia no textos de ua pretigiada coluna no DIÁRIO DO PARÁ.

Para alguns, era o Pereirinha e outros o chamavam de Anjo Barroco. Independentemente do apelido carinhoso, era uma referência profissional e de caráter. Trabalhou, sempre em destaque, em redações de jornal e de emissoras de TV – Cultura e RBA – por mais de cinco décadas.

“Com a partida do Guilherme Augusto o Jornalismo do Pará perde um de seus maiores talentos e, eu, um amigo de copo e de cruz. Que Deus, com seu cajado e sua misericórdia, te acompanhe, Guilherme, pelos caminhos do vale das sombras”, escreveu o repórter Ronaldo Brasiliense nas redes sociais lamentando a partida do velho companheiro.

Não gosto de despedidas, menos ainda de necrológios, mas a amizade que Guilherme sempre honrou me obriga a esse doloroso texto. Trabalhamos juntos na antiga redação do DIÁRIO, na Gaspar Vianna. Guilherme foi um dos primeiros redatores do Repórter Diário, principal coluna do jornal.

Anos depois, quando assumi a direção de Redação, já escrevia sua caprichada coluna diária nas páginas do jornal. Na RBATV, tive a honra de ser entrevistado por ele em três ocasiões, no programa Mais, falando sobre futebol e jornalismo.

Nos últimos dias, os boletins passados diligentemente por seu filho Apoena davam a esperança de que pudesse vencer os problemas de saúde. No meio da semana, completou 71 anos, sob as orações e boas vibrações de amigos e parentes.

Ontem à tarde, após positivas notícias matinais, veio o informe sobre sua partida. O velório acontece durante a noite, na capela Max Domini (rua José Bonifácio, 1550). O enterro será neste sábado, às 10h30.

Descanse em paz, amigo Guilherme!

Trivial variado da pátria dos chantagistas e vagabundos

“A matéria da Veja com denúncia inconsequente e requentada feita por Marcos Valério, de que Lula estaria envolvido com o caso Celso Daniel, é lamentável. Tem o claro intuito de conturbar o processo de correção dos desvios graves do judiciário e dar munição ao esgoto bolsonarista”. Ivan Valente

“Acredito que (Bolsonaro) não esteja surpreso; mandar matar pessoas é algo aparentemente comum no seu círculo. Porém, ao contrário de você e sua família, que têm fotos com assassinos e empregavam parentes destes, a única ‘evidência’ contra Lula é um cara dizendo que ouviu OUTRO cara dizer”. Pablo Villaça

“Próxima vez Rosa Weber tem que chegar e falar ‘e aí, galera, vou votar isso porque tá escrito na porra da Constituição, falow valew’”. Mari Silva

“O jornal Estado de São Paulo mapeou os cargos e os salários nos gabinetes dos dois filhos de Bolsonaro, Eduardo e Flávio. O levantamento contabilizou que os bolsofilhos têm 116 cargos nomeados na estrutura do Congresso”. Henrique Fontana

“Matéria na Veja sobre Celso Daniel e Lula: ‘O novo depoimento, embora não traga uma prova concreta, colocou mais um fogo numa velha história’. Depoimento sem provas à la Lavajato não merece a minha atenção. Assunto encerrado”. Gringa Brazilien

“Não houve crime de mando. Sempre tentam se aproveitar politicamente do caso”, diz delegado do caso Celso Daniel

Do DCM

O delegado Marcos Carneiro Lima, de 59 anos, mineiro de Barra Longa estabelecido em São Paulo, esteve no centro do caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Foi o investigador do Departamento de Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, DHPP, responsável pelo caso. Daniel foi encontrado numa estrada de terra em Juquitiba. Os irmãos João Francisco e Bruno Daniel afirmam que conversaram com políticos do PT e sustentam a tese de crime político.

O homicídio foi cometido por oito pessoas da quadrilha de Ivan Rodrigues da Silva, o “Monstro”. No carro em que ocorreu o sequestro estava como motorista Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, que também trabalhou arrecadando verba para o ex-prefeito.

Os assassinos presos na época tinham proximidade com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e facções rivais. Marcos Carneiro Lima é especialista em sequestros. Foi delegado por 26 anos e trabalhou com homicídios e antissequestro. Também passou pela Corregedoria da Polícia Civil, foi diretor do DEMACRO — responsável pelas 38 cidades da Grande São Paulo — e delegado geral no biênio 2011/2012. Atualmente está aposentado.

Marcos admite que a vitória do ex-presidente Lula em 2002 alimentou uma tese de crime feito a mando de outros políticos do PT contra Daniel, como Gilberto de Carvalho e José Dirceu.

“Eu não gosto do Lula e nem tenho simpatia pelo seu partido, mas é nítido que as pessoas tentaram se aproveitar politicamente daquele episódio”. E ele diz que a história mentirosa volta de dois em dois anos, “sempre no período eleitoral”. Ele lembra que, em 2016, quando teremos eleições para prefeito de São Paulo, a revista Veja estampou que Celso Daniel é o “cadáver na Lava Jato”. “A única relação que pode existir com as investigações do juiz Sergio Moro tem a ver com a corrupção na máfia dos transportes em Santo André. O crime contra o ex-prefeito foi comum”, declara.

O DCM falou com Marcos Carneiro Lima.

DCM – A disputa política projetou o caso Celso Daniel para além dos fatos?

Lima – Acredito que sim e lamento. Uma coisa é a disputa partidária, a outra é querer transformar uma mentira grave em verdade. Integrantes do PT praticaram diversos crimes e estão pagando por isso na Justiça. Agora, querer condenar alguém injustamente por algo que não aconteceu, o crime de mando, é uma injustiça.

Os irmãos de Celso Daniel falam em crime político ligado ao Gilberto de Carvalho e José Dirceu. Por quê?

Eles podem ter as opiniões que quiserem, porque eles não são policiais e nem fazem parte do sistema judiciário. Há questões familiares e pessoais que são de foro íntimo, e não alteram em nada as investigações. Agora, era um fato notório que os irmãos tinham relações estremecidas. Por isso eles empurraram essa tese para a frente. Questões políticas da região do ABC também pesaram muito neste contexto, incluindo a acusações de corrupção. Dá pra acreditar mesmo que José Dirceu iria pessoalmente ordenar uma morte desta forma? Uma coisa são as investigações sobre propinas em Santo André. Outra história é a questão da morte do Celso Daniel.

O senhor diz publicamente que o crime foi executado a mando de Monstro e não por ordem do motorista Sombra. Se foi um crime comum, aconteceu apenas pelo Mitsubishi importado em que Celso Daniel estava antes de morrer? 

A quadrilha do Monstro começou praticando roubos e sequestros relâmpagos. Eles não tinham nenhuma sofisticação e escolhiam as vítimas, no início das ações criminosas, pelo padrão dos veículos. O foco deles era os carros importados. Depois, passaram para o crime de extorsão mediante sequestro, mantendo as vítimas em cativeiro, enquanto negociavam o resgate.

Celso Daniel foi escolhido por causa de seu carro, depois da frustrada perseguição a uma Dakota na mesma noite de 18 de janeiro. Antes do Celso, uma das vítimas foi a esposa de um diretor do Itaú, que fazia trabalho voluntário perto da favela Pantanal, na divisa entre Americanópolis e Diadema. Esta vítima morava na City Pinheiros, perto da Praça Panamericana, um bairro de alto poder aquisitivo. Outra vítima, um empresário, também era morador da mesma região. Estes dois casos ocorreram no ano de 2000. Já sabíamos que a quadrilha era da favela e estávamos tentando identificá-los. Fizemos uma operação no daquele ano, mas não conseguimos prender nenhum sequestrador.

Se o crime não foi político, é possível que o PCC seja o responsável? Apesar do Dionísio de Aquino Severo, um dos culpados, ser integrante da rival CRDB (Comando Revolucionário Democrático Brasileiro).

Não há como afirmar a ligação do Monstro com o PCC, mas ela é possível na época. A questão da briga entre o PCC e o CRDB era específica no âmbito do sistema carcerário. A ação criminosa partiu da ideia da quadrilha e não há prova de uma orientação do PCC para uma ação criminosa isolada.

Conforme li em reportagens, nenhum dos envolvidos no crime confirma a versão de crime político, defendida pelo Ministério Público depois de 2003. Confere? Por que você acha eles negam a relação?

Sim, todos eles negaram. Os presos foram categóricos em afirmar que foi um crime comum, mesmo os promotores prometendo aliviar as penas. Houve, inclusive, uma acareação gigante entre os presos e demais autoridades, inclusive políticos como o senador Antônio Carlos Magalhães e o senador Romeu Tuma. Mesmo assim, eles mantiveram o mesmo posicionamento. Eles negaram, no meu entendimento, por perceberem que seriam usados para fins espúrios, e não se sujeitaram. Sabiam que existia um interesse político na época de fazer associações mentirosas naquele caso.

A eleição de Lula em 2003 e a ascensão de José Dirceu alimentaram a mídia na época?

Alimentaram as teorias falsas sobre o crime. No início das investigações, que foram feitas de forma isenta pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal, a vitória do Lula não parecia certa. Com a vitória do PT, algum “iluminado” criou esta teoria do crime de mando, de crime político. Tudo isso foi feito para colar na imagem do “partido de bandidos capazes de tudo, inclusive de matar”. O jogo político pelo poder é sujo e isso fica claro nessa mentira. Isso tudo aconteceu no começo de 2002. O ex-presidente não sabia ainda quem seria sua equipe para governar. Celso Daniel poderia ter sido futuro ministro da Fazenda. Fica fácil fazer essas ilações.

A imprensa não conversou com a polícia na época e provocou confusão sobre a compreensão do caso?

Na época da apuração do crime, a ação da imprensa foi normal e apontou aspectos positivos da investigação da polícia, feito por jornalistas respeitáveis e conhecedores da questão de segurança pública. Depois, parte da mídia só dava espaço às teorias conspiratórias e surrealistas, vinculando a imagem de que o PT estaria por trás da morte de Celso Daniel. Depois da eleição de Lula, o Ministério Público do Estado de São Paulo optou por esta tese. Eu não entendo o real motivo, mas evidentemente atingiu o partido A em favor do partido B.

Dionísio de Aquino Severo, um dos organizadores do sequestro do Celso Daniel, disse que tinha muitas informações sobre o “crime político”. Você disse que ele afirmou isso para ganhar tempo do PCC. O partido criminoso queria eliminá-lo?

Sim, eles queriam. Eu prendi o Dionísio em duas oportunidades. Sempre foi um bandido articulado, a ponto de ter um programa de rádio na Baixada Santista. Ele estava fundando uma facção para se contrapor ao PCC, o CRDB, e por isso estava jurado de morte e desesperado para fugir do presídio, de onde foi resgatado de helicóptero.

Numa das prisões, o Dionísio chegou a dizer para mim que iria parar com sequestros. Disse que ia para o Paraná para ir atrás de doleiros. Sabe o caso do Alberto Youssef? Desde aquela época os doleiros já eram famosos naquele estado. O PCC não teria nada a ganhar com a morte de Celso Daniel. Qualquer crime tem uma motivação, por mais banal que seja, porque a ação cometida deverá satisfazer um objetivo prévio. Isso acontece até mesmo no caso dos psicopatas.

O perito do caso foi morto num suicídio. Uma testemunha e um envolvido no crime morreram por conta do PCC. Um investigador foi morto por bandidos que se passavam pela Polícia Federal. Não há relação entre os crimes? Ou foi apenas coincidência?

O médico legista cometeu suicídio, confirmado pela investigação e pelos exames necroscópicos efetuados pelos seus próprios colegas. Vamos lembrar que o caso Celso Daniel envolveu diversas pessoas, em diferentes níveis, e estas pessoas tinham diversas outras relações, numa escala de progressão aritmética.

O garçom que trabalhava no restaurante em que jantaram Celso e o Sombra, depois de um tempo foi vítima de tentativa de roubo da sua motocicleta. Ele tentou fugir, mas a pessoa que estava na garupa da moto dos ladrões deu um chute na moto que, desgovernada, bateu em um poste, causando sua morte. A testemunha que presenciou esta cena era um ex-monitor da antiga Febem, demitido e jurado de morte por um dos internos. Tempos depois, foi morto por um deles. Qual a ligação deste monitor com Celso Daniel ou o Sombra? Nenhuma. Conectar todas essas histórias é pura teoria conspiratória, do mesmo padrão de quem acredita no homicídio do Getúlio Vargas. A imprensa relacionou as mortes com viés de possibilidade, mas sem qualquer amparo na racionalidade.

O investigador do DENARC neste enredo surrealista foi dominado e amarrado por ladrões que se passaram por policiais federais. Depois que os ladrões saíram do apartamento, o investigador se libertou das amarras nos pulsos, pegou sua arma que estava escondida e foi atrás dos criminosos e um terceiro que o atingiu covardemente.

Parece romance policial?

E digo mais. Quero que um especialista me mostre na literatura policial um caso no qual a vítima de um crime de silenciar uma testemunha saia correndo atrás dos algozes… Isso tudo é risível. Outro caso, que a imprensa quis relacionar com o Celso Daniel foi o de um agente funerário que teria descoberto o corpo.

Primeiro, ele não descobriu o corpo, apenas escutou na frequência do seu rádio o caso do surgimento de um cadáver. Chegando ao local, ele teria reconhecido o que poderia ser o prefeito sequestrado. Somente isso. Ele foi morto depois por disputa comercial, por um matador contratado por outro dono de funerária na Grande São Paulo. Ambos presos e condenados.

Qual a vinculação com a morte de Celso Daniel? Esta simples pergunta a grande imprensa não leva em conta. O Dionísio e o parceiro dele foram mortos em razão de brigas entre criminosos, conforme as investigações que foram realizadas.

Qual é a sua opinião sobre a projeção da versão do Ministério Público neste caso?

O MP é um órgão importantíssimo em qualquer democracia que viva sob o império da Lei. Contudo, é formado por humanos que erram e erram feio. Fazem isso por má-fé ou incompetência, e às vezes pelos dois fatores. Eles optaram pela tese de crime de mando, ou seja, contrataram pessoas para matarem Celso Daniel. A Polícia Civil, que eu fiz parte, apurou que foi sequestro seguido de morte, uma tese menos mirabolante ou contrária aos fatos.

O que você acha da atuação do juiz Sergio Moro? Ele têm razão em ver ligações do caso Celso Daniel com a corrupção da Petrobras? 

​​​​​​A atuação do juiz Sérgio Moro é complexa. O fato de ele decidir rapidamente ao condenar corruptos é algo positivo, mas ele tem de agir dentro da lei, pois ela é para todos e para ele também. Serve para os medalhões de outros partidos, também. O vínculo da morte de Celso Daniel com outros crimes e desmandos não é verdadeiro. Os crimes de corrupção em Santo André, com a participação do Sombra, estão sendo investigados, inclusive com condenações na Justiça, e são outra história.

Celtic ensina como recepcionar as hordas fascistas

Por Kiko Nogueira, no DCM

Na quinta-feira, dia 24, o Celtic e a Lazio se enfrentaram, em Glasgow, no terceiro dia da fase de grupos da Liga Europa. A vitória foi da equipe escocesa por 2 a 1, mas o placar foi o de menos naquela tarde gloriosa.

Antes do confronto, torcedores italianos desfilaram pela cidade ostentando slogans e fazendo saudações fascistas, algo que virou marca registrada da turba quando acompanha o clube pela Europa.

São os protobolsominions da Bota, igualmente ignorantes, violentos, barulhentos, enrustidos e brochas.

A torcida do Celtic respondeu de maneira brilhante.

Quando os jogadores da Lazio entraram em campo, os escoceses abriram várias bandeiras gigantescas em homenagem ao ditador Benito Mussolini, patrono da tigrada.

Uma delas mostrava Mussolini pendurado de cabeça para baixo, cena do linchamento dele e da amante Clara Petacci em Milão em 1945.

“Siga seu líder”, lia-se.

Outro estandarte dizia “Lazio vaffanculo” (Lazio VTNC).

É assim que se faz.

Flamengo diz que não convidará Bolsonaro para a final: seria um insulto ao Chile

Por Mauro Cezar Pereira

Em contato com o blog, pessoas do Flamengo asseguraram que o clube não convidou Jair Bolsonaro para acompanhar a final da Copa Libertadores, dia 23 de novembro, a priori em Santiago. E, asseguram, não planeja fazê-lo. Nos bastidores, crescem rumores de que a decisão possa mudar de local, em virtude do clima de tensão no Chile.

Mais cedo, o jornal O Globo publicou que o presidente da República recebera convite do clube para comparecer ao estádio no cotejo diante do River Plate. O que seria um absurdo completo, além de uma falta de respeito com o povo chileno, que em maioria repele admiradores do ex-ditador Augusto Pinochet.

Bolsonaro já o elogiou publicamente, como a outros personagens semelhantes da história, caso do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos grandes representantes da repressão que marcou a ditadura militar no Brasil. Ele vai além, chega a se referir ao torturador condenado como “herói nacional”.

O Estádio Nacional de Santiago, palco da decisão, preserva velha arquibancada (foto acima) dos tempos em que a ditadura de Pinochet o utilizava como prisão. Lá, por cerca de dois meses, 20 mil pessoas ficaram aprisionadas. No local, o regime torturava e matava opositores. E naquele setor, de madeira, se lê a frase “Um povo sem memória é um povo sem futuro”. É uma forma de evitar que esse trecho macabro da história seja esquecido.

Bolsonaro é admirador de personagens como sanguinário militar que atuou como ditador no Chile de 1973 a 1990. Tê-lo como convidado seria muita falta de noção, e de respeito, ao povo chileno. Soaria como uma afronta, um deboche, puro escárnio. Uma patética provocação depois que o brasileiro insultou o pai da ex-presidente chilena e comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, torturado e morto pela ditadura militar.

Em meio aos protestos cercados por violência no país, convidar Bolsonaro para comparecer a Santiago seria como se o Flamengo dissesse ao povo do Chile algo forte o bastante para despertar antipatia e ódio pelo clube. Era só o que faltava, depois de tanto bajular o Presidente da República e políticos de seu partido, cartolas do clube cometerem tamanha tolice, insultando o Chile, sua gente e sua história. Ainda mais em momento tão tenso.

Temor de libertação de Lula faz Veja voltar ao esgoto

Após o STF abrir precedentes para a liberdade de Lula, em votação que ocorreu nesta quinta, referente a execução da pena de prisão após a condenação em segunda instância, a revista Veja entra em desespero e publica nesta sexta um depoimento de Marcos Valério, condenado na ação penal 470, onde ele cita Lula como um dos mandantes do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. 

Conhecida por manchetes sensacionalistas e por contribuir no ódio ao PT, a revista tem um histórico conhecido de manchetes panfletárias, chegando ao ponto de, nas vésperas das eleições de 2014,  publicar fake news de Lula e Dilma. 

A reportagem diz que “Valério contou ao promotor que Ronan Maria Pinto, quando exigiu dinheiro para ficar calado, declarou que não ia ‘pagar o pato’ sozinho e que iria citar o presidente Lula como “mandante da morte” do prefeito de Santo André. Nas palavras de Valério, Ronan ia ‘apontá-lo como cabeça da morte de Celso Daniel”. 

A reportagem segue com tom sensacionalista: “Rapidamente, Valério se tornou o homem do dinheiro sujo do PT e, nessa condição, cumpriu de missões prosaicas a estratégicas. Ele conta que se reunia com o então presidente ao menos uma vez por mês. Palpitava até sobre a indicação de ministros”.

Celso Daniel foi morto em 2002 depois de ser sequestrado e torturado. Foi arrancado por seus algozes de um carro dirigido pelo seu segurança, Sergio Soares da Silva, o Sombra.

Faltou uma mulher grávida no elenco para o Grêmio avançar na Liberta

Por Roberta Nina

“Tá chutando igual uma menina”, “bate mais forte, que nem homem”, “tá fraco igual mulher”. Estes são alguns dos comparativos que estamos (infelizmente) acostumadas a ouvir. Como se ser mulher fosse sinal de fragilidade, de fraqueza, de incapacidade.

Passaram menos de 24 horas do fim de uma semifinal da Libertadores da América entre Flamengo e Grêmio e o treinador da equipe goleada, Renato Gaúcho, deu uma declaração completamente infeliz para justificar os erros de sua equipe.

“Até uma mulher grávida faria gol do Grêmio hoje”, foi o que disse o técnico durante a coletiva de imprensa. E a gente acredita que faria mesmo, não pela atuação ruim da equipe gremista no Maracanã, mas porque a força que existe dentro de uma mulher grávida é imensa. Gerar vidas, parir, amamentar: será que algum dos 22 homens que estavam em campo, ontem, dariam conta disso tudo?

A declaração totalmente absurda de Renato Gaúcho nos faz reafirmar que não é aceitável usar o gênero feminino como exemplo de fraqueza. São muitas as garotas que, ainda muito novas, ouvem os adultos dizerem que uma menina precisa ter delicadeza, vestir roupas cor de rosa, brincar de boneca. Isso só reforça o estereótipo de que uma mulher não pode ter sua força exaltada. 

São poucos os conselhos dados para que uma menina cresça forte, destemida, corajosa. E isso reflete na maneira como choca muita gente ver uma mulher jogando futebol, ou lutando no tatame e até mesmo treinando grávida, porque na cabeça da maioria das pessoas, uma grávida vive um momento constante de atenção. É claro que os cuidados são necessários, mas em momento nenhum a mulher está impedida de desempenhar suas funções do dia-a-dia (exceto quando uma gravidez é de risco).

Foi assim quando Isabel Salgado, então jogadora de vôlei do Flamengo e da seleção brasileira, apareceu grávida de seis meses e ainda assim jogando em alto nível nas quadras do país. Muita gente se chocou, afinal, como é possível uma mulher praticar exercícios pesados e continuar jogando durante a gestação?

E é possível, sim. A tenista norte-americana, Serena Williams, alcançou um feito gigantesco ao vencer o Australian Open, em 2017, grávida de dois meses de sua primeira filha. Na ocasião, a atleta conquistou o 23° título de Grand Slam da carreira. 

Mais uma prova de que é possível: recentemente, a surfista Nicole Pacelli (foto acima), de 28 anos, subiu ao pódio dos Jogos Pan-Americanos para receber a medalha de bronze na categoria stand up paddle e ela estava grávida de três meses. Segundo pesquisa da FGV, metade das mães perde o emprego em até 2 anos após voltar de licença e, no esporte, o cenário não é diferente – ainda mais quando falamos de atletas que precisam estar em ótima forma física e com alta performance durante todo o tempo.

Mesmo o esporte sendo muito cruel com as mulheres que precisam de ausentar de suas atividades durante a gestação e pós-parto – e em muitas situações sem garantias de salários, apoio e licenças – elas superam mais essa dificuldade para conseguir conciliar a carreira com a maternidade. E ainda assim, são julgadas.

No Mundial de Atletismo em Doha, realizado em outubro, Allyson Felix superou Usain Bolt ao conquistar um número recorde de medalhas na competição. Aos 33 anos e 10 meses após dar a luz à sua filha que nasceu prematura em uma cesariana de emergência, a atleta fez história nas pistas.

E logo após a recuperação de sua filha, Felix voltou aos treinamentos com o desafio de lidar com a vida de atleta e mãe ao mesmo tempo. Noites mal-dormidas (ou não dormidas por completo), amamentação, e uma rotina que, sem a corrida, já era exaustiva, e com os treinos ficava ainda mais desafiadora. Para completar tudo isso, a americana recebeu uma proposta de renovação de seu contrato de patrocínio com a Nike com um valor 70% menor do que o que costumava receber. Seria uma penalização por ela ter se tornado mãe?

“Se eu, que sou uma das atletas mais comercializadas da Nike, não consigo assegurar uma proteção à maternidade, quem conseguirá?”, questionou a atleta em texto publicado no jornal The New Times.

Além de Allyson Felix outras três “mães” medalhistas – que tiveram filhos recentemente – estavam de volta às pistas não só correndo, mas também vencendo provas. Foi assim também com a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce, de 32 anos, que conquistou seu quarto ouro nos 100m rasos, ultrapassando Bolt (que é tricampeão na mesma prova) e fazendo tudo isso após o nascimento de seu filho no último ano.

Além dela, outra americana, mãe de dois filhos, garantiu um ouro neste Mundial. Nia Ali fez o melhor tempo de sua carreira nos 110m com barreira e faturou o ouro em Doha, sua primeira medalha em um Mundial ao ar livre.

No futebol, tivemos o exemplo da atacante Sydney Leroux (foto acima), que, três meses depois de ter dado à luz seu segundo filho, voltou aos gramados e foi ovacionada por um estádio inteiro. “Quando você tem um filho, seu corpo muda completamente. Eu ainda tenho peso a mais da minha gravidez. É como se você tivesse que aprender a usar seu corpo de novo. É como se sua mente funcionasse, mas seu corpo não acompanhasse. Eu ainda sinto que preciso melhorar, mas me sinto muito mais forte”, declarou a jogadora. 

Diante disso, precisamos reforçar que a fala do técnico não condiz com a verdade e soa desrespeitosa. O corpo de uma mulher foi feito para gerar vidas e não existe nada mais poderoso do que isso.

Portanto, uma mulher grávida é sinônimo de força e de coragem e, sendo assim, com certeza foi isso que faltou para o time do Grêmio ontem: uma mulher grávida para fazer a equipe de Renato Gaúcho conseguir a classificação para a final da Libertadores da América.

Jornais argentinos mostram respeito e temor pelo Flamengo

A imprensa argentina se espantou com a goleada por 5 a 0 aplicada pelo Flamengo sobre o Grêmio na semifinal da Libertadores, ontem (23), no Maracanã. Os principais jornais do país elogiaram a força do clube carioca e destacaram o desafio que o River Plate terá na final da competição. O Olé, principal diário esportivo, chamou o time de “Flashmengo” e relatou o forte investimento rubro-negro para ter um elenco de alto nível.

“O River de Gallardo jogará pela quinta Libertadores contra um Flamengo que apostou tudo para ganhar esta Copa. Grande desafio para o atual campeão da América”, disse.

Já o Clarín usou uma expressão mais simples para destacar a força rubro-negra. “Mete medo”, publicou em uma chamada de capa.

A decisão da Libertadores será disputada no dia 23 de novembro, no Chile.