Atrevimento de Bolsonaro não tem limites, diz Celso de Mello

O decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Celso de Mello, afirmou, após ser procurado pela Folha, que o vídeo publicado em uma rede social do presidente Jair Bolsonaro (PSL), comparando o tribunal a uma hiena, evidencia que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites”.

“Esse comportamento revelado no vídeo em questão, além de caracterizar absoluta falta de ‘gravitas’ e de apropriada estatura presidencial, também constitui a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes e, o que é mais grave, de quem teme um Poder Judiciário independente e consciente de que ninguém, nem mesmo o Presidente da República, está acima da autoridade da Constituição e das leis da República”, afirmou o decano.

No vídeo postado em sua conta no Twitter, Bolsonaro se comparou a um leão acossado por hienas depois das vitórias da esquerda e de manifestações de rua em países da América Latina.

Entre as hienas exibidas no vídeo aparecem algumas identificadas como STF, PSL, partidos de esquerda como PT e PSOL, CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e veículos de imprensa, incluindo a Folha.

O vídeo termina com a chegada de um outro leão chamado de “conservador patriota” e com um apelo: “Vamos apoiar o nosso presidente até o fim e não atacá-lo”. “Já tem a oposição pra fazer isso!”, diz um letreiro. Mais tarde, a postagem e o vídeo foram apagados da conta de Bolsonaro.

Míriam Leitão diz que peronismo “não tem cheque em branco”, o mesmo que ela deu a Macri

Por Kiko Nogueira, no DCM

Ah, o que seria de uma escritora medíocre sem os clichês?

Em sua coluna no Globo desta segunda, dia 28, Míriam Leitão crava, imperial: “Peronismo conquista vitória importante, mas não tem cheque em branco”.

“Cheque em branco” é uma expressão do século passado que continua em uso por gente sem imaginação.

Míriam demonstra má vontade explícita com a vitória da chapa Fernández-Kirchner na Argentina. A decisão foi apertada, lembra ela, e Cristina é chata-feia-boba-xexelenta-grossa.

“O atual presidente já chamou seu sucessor para tomar um café da manhã nesta segunda-feira. O tratamento é muito diferente daquele que Macri recebeu de Cristina, quatro anos antes”, escreve.

“A ex-presidente prejudicou a transição e sequer entregou a faixa para o sucessor. Macri tenta demonstrar que segue no jogo. O Cambiemos, seu partido, fez uma boa bancada e conquistou a cidade de Buenos Aires.”

Arriba, Macri!

Se alguém deu cheque em branco, foi Míriam para o derrotado no primeiro turno. Em outubro de 2017, ela cravava que “a economia da Argentina está em recuperação e pode crescer 3% este ano e 4% no ano que vem. Isso explica em parte a vitória do presidente Mauricio Macri nas eleições do último final de semana”.

Mais: “O ajuste promovido pelo governo já traz resultados concretos que começam a ser percebidos pela população. A recuperação do Brasil também tem ajudado, pelas fortes relações comerciais entre os dois países.”

Num clima de choripán, entrevistou pelo telefone Florencia Vazquez, economista do BNP Paribas, que lhe garantiu que “a recuperação foi guiada por investimentos, mas agora está mais focada no consumo e se espalhando por outros setores”.

Nunca fez um mea culpa.

Como diriam os hermanos: “Perdiste, Míriam”.

Mais um ‘legado’ da Lava Jato

Afastado da Polícia Federal após responder a processo por irregularidades no combate a contrabando, Newton Ishii tentou aproveitar a exposição dos primeiras prisões feitas pela PF a mando da Lava Jato candidatando-se a deputado federal pelo Paraná. Não conseguiu se eleger.

Agora, tenta faturar um extra seguindo os passos de Dallagnol e Moro: fazendo palestras de auto-ajuda e motivação para empresas. No cartaz, identifica-se como Japonês da Federal, consultor e “escritor”.

O Brasil é, cada vez mais, a pátria dos pilantras e picaretas.

Diego Simeone aponta Oblak como o melhor goleiro do mundo

O treinador do Atlético de Madri, Diego Simeone, disse não ter dúvidas que Oblak é o melhor goleiro do mundo. De acordo com o argentino, o jogador demonstra muita qualidade nos treinos e nos jogos. Além disso, ressaltou que o esloveno continua evoluindo cada vez mais. “Oblak é o melhor goleiro do mundo, sem sombra de dúvidas. Ele continua melhorando e evoluindo a cada ano e ajuda o time a brilhar. Ele mostra que é o melhor com suas performances nos treinos e depois nos jogos. Estou certo de que ele vai ter reconhecimento e receber o prêmio da Fifa”, disse o treinador.

Na última temporada, a Fifa apontou Alisson, do Liverpool, como o melhor goleiro do mundo. Em 2018/19, Oblak também teve grande desempenho: em 37 jogos sofreu apenas 27 gols e ficou sem ser vazado em 20 ocasiões. O goleiro também defendeu 105 das 132 finalizações que teve que encarar. Na atual temporada, Oblak não sofreu gols em nove das 13 partidas que disputou. Aos 26 anos, Oblak foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Espanhol nas últimas quatro edições do torneio. Revelado pelo NK Olimpija, o atleta brilhou no Benfica antes de se transferir para o Atlético de Madri, em 2014.

Caso Marielle: miliciano diz que assassinato foi encomendado ao Escritório do Crime

O chefe da milícia de Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, disse em conversa telefônica com o vereador Marcelo Sicilliano (PHS) que o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) foi encomendado pelo conselheiro do Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ) Domingos Brazão ao Escritório do Crime, braço armado da milícia que atua na zona Oeste da capital fluminenso, que é comandado pelo ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega. A conversa aconteceu em fevereiro deste ano.

Adriano é amigo do policial militar reformado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Inclusive o parlamentar fez homagens ao ex-capitão foragido na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e tinha a mulher e a mãe nomeadas em seu gabinete – ele era deputado estadual.

Na conversa com Sicilliano, Beto Bomba afirma que membros do Escritório do Crime executaram Marielle, sem o consentimento de Adriano.

“Só que o Sr. Brazão veio aqui fazer um pedido para um dos nossos aqui, que fez contato com o pessoal do Escritório do Crime, fora do Adriano, sem consentimento do Adriano. Os moleques foram lá, montaram uma cabrazinha, fizeram o trabalho de casa, tudo bonitinho, ba-ba-ba, escoltaram, esperaram, papa-pa, pa-pa-pa pum. Foram lá e tacaram fogo nela [Marielle]”, afirmou, de acordo com reportagem do Portal Uol neste domingo (27).

O miliciano ainda diz, no entanto, que a execução teria sido feita por três matadores de aluguel ligados ao Escritório. “Mad, Macaquinho, que está foragido, e Leléo. E tinha uma guarita do… e tinha uma guarita do… tinham uma guarita de um oficial dando suporte para eles, se eles tomassem um bote no meio do caminho, que é o Ronald, que ia soltar, salvar os moleques, mas isso é a pedido do malandragem, do Sr Brazão, tudo isso saiu do Sr Brazão”, disse.

Marielle era ativistas de direitos humanos e denunciava a truculência policial, bem como a tuação de milícias nas favelas do Rio. Os tiradores executaram a parlamentar em um lugar sem câmeras. Antes haviam pserguido o carro dela por cerca de quatro quilômetros. 

Em março deste ano a polícia do Rio prendeu dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar. 

Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Élcio Vieira de Queiroz havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado. 

Há um ano, brasileiro ia às urnas no dia ‘sim’ de fazer cocô

Do Sensacionalista

Há exatamente um ano, acontecia o segundo turno das eleições presidenciais. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad se enfrentaram e o primeiro levou a disputa com 57,7 milhões de votos. Há um ano, o Brasil voltava 54 anos no tempo.

Curiosamente, quase 30% desses 57 milhões estão desaparecidos desde então. A cada vez que algum membro da família aparece envolvido com laranjas ou o Queiroz aparece oferecendo cargos, somem mais alguns.

Cientistas estudam casos de pessoas que acompanham o noticiário e, um ano após a eleição, envelheceram 10 anos.

O dia 28 de outubro também entrou para o calendário nacional como o Dia da Mamadeira de Piroca.

Leão corre contra o tempo

POR GERSON NOGUEIRA

O tempo ainda favorece o projeto azulino de contratação de um novo executivo, mas o prazo para definir o nome do profissional começa a se esgotar na primeira quinzena de novembro. O motivo é simples: a partir da metade do próximo mês, o novo técnico já deve estar garantido para que o elenco comece a ser estruturado e inicie preparativo para a temporada 2020.

Na semana passada, o candidato mais cotado para assumir a função executiva no clube esteve em Belém conhecendo o estádio Evandro Almeida e tendo acesso a metas e projetos do Remo para o ano que vem.

Jorge Macedo, que já trabalhou em grandes clubes – Internacional, Vitória e Fluminense –, é o nome que o clube avalia para assumir o cargo, vago desde que Luciano Mancha foi dispensado.

O currículo de Macedo é bom, mas reina certa preocupação com o pouco tempo que passou nos clubes acima citados. De qualquer maneira, o clube garante que não há acerto confirmado, embora seja evidente o interesse do clube em sua contratação.

Não é todo dia que um profissional especulado para função tão importante é chamado a conhecer as entranhas da agremiação. Quando isso ocorre é porque os entendimentos estão avançados.

O que se sabe é que Macedo tem até a próxima quarta-feira, 30, para responder se aceita trabalhar no clube. O gaúcho Carlos Kila, indicado ao clube logo depois da saída de Mancha, é outro nome sondado pela diretoria azulina. Maico Gaúcho, primeiro executivo procurado e ex-jogador do Leão, nem iniciou conversa, pois pretende abraçar a carreira de técnico.

A parte que inquieta dirigentes e torcida é a demora em definir o executivo porque isso afeta a busca pelo treinador. O mercado não oferece muitas alternativas, levando em conta o orçamento disponível e o perfil desejado.

Depois do insucesso da aposta em Eudes Pedro, é improvável que o comandante a ser contratado seja um iniciante. Existe a preocupação em trazer um profissional capaz de bem administrar o vestiário e lidar com uma torcida exigente.

Nesse sentido, há outro fator a pesar na escolha do futuro treinador: o exemplo de Hélio dos Anjos, um técnico ‘old school’, cujo êxito no maior rival não passa despercebido no Baenão.  

Astros devem estar prontos para cobranças

Daniel Alves é um raro caso de jogador brasileiro a merecer status de astro no fim da carreira. Antes dele, só Ronaldo Fenômeno teve esse privilégio, ao se aposentar defendendo o Corinthians. Com 40 títulos conquistados na carreira, o lateral-direito desembarcou no S. Paulo como candidato a ídolo, com direito a cerimônia especial de recepção. Depois dos salamaleques, começaram as cobranças.

Sob a direção de Fernando Diniz, o time começou a jogar melhor e a pressão sobre Daniel também diminuiu. Entrevistado pelo Sportv, o jogador falou da preocupação que teve com o choque cultural que iria enfrentar, pois construiu toda a carreira fora do país.

Comentou que se surpreendeu com a necessidade constante de debater atuações e comportamentos como atleta do São Paulo. E criticou analistas esportivos que não tiveram experiência de campo.

Ficou a impressão de que Daniel ainda pensa em termos grandiosos. O craque brazuca vitorioso no exterior que não tem satisfações a dar. O tempo vai mostrar que não há blindagem possível. Críticas fazem parte do processo e a pressão aumenta na mesma proporção dos ganhos salariais.

Tropeço estraga o brilho da manhã cruzmaltina

Como ocorre todos os anos, fui escalado e tive o imenso prazer de trabalhar na jornada esportiva da Rádio Clube ontem pela manhã, no Souza, comentando jogo da Tuna. A Lusa é o clube de coração de meu pai José e de meu mano Edmilson, o que aumenta bastante o grau de satisfação de participar da manhã festiva no simpático e centenário estádio.

Sim, apesar dos pesares – e dos seis anos amargando participações frustrantes na disputa da vaga de acesso ao Campeonato Estadual –, a Tuna arrasta sempre um fiel grupo de torcedores.

O clima era favorável, simpático. Um jeitão de quermesse no ar. Todo mundo queria ver a reabilitação da Tuna na Segundinha após dois empates. Infelizmente, a vitória não veio. O time de Charles Guerreiro teve a posse da bola no 1º tempo e não aproveitou.

No segundo período, os passes errados se repetiam, o ataque nada produzia. Paulo Rangel perdeu um gol de frente para o goleiro. De repente, o Pedreira se encheu de brios, foi à frente e o volante Biro aproveitou belo passe de Léo Ribeiro para abrir o marcador.

Faltava pouco tempo para o fim do jogo, mas o espírito valente da Cruz de Malta ainda daria as caras para salvar a manhã domingueira de 300 e tantos torcedores presentes. Em cruzamento alto de Lukinha, Tetê desviou de cabeça e a bola foi parar no fundo do barbante, aos 48 minutos.

O resultado despertou mais reações amuadas do que aplausos, mas mantém as chances (remotas) de classificação. Para que isso ocorra, será preciso derrotar o Cametá no meio da semana, lá no Parque do Bacurau. Uma parada sempre indigesta. Para complicar, a Tuna folga na última rodada e passará a depender de uma combinação de resultados da rodada final.

Charles Guerreiro, que comandava a equipe, já não estará presente. Foi afastado logo após o tropeço em casa. Como o time não decolou, a diretoria agiu rápido contratando Samuel Cândido para ocupar o cargo.

Antes de deixar o Souza, ao lado de Cláudio Guimarães, soube pelo repórter Francisco Urbano que nem mesmo a pacífica Lusa está imune às vicissitudes da vida moderna. Um sururu entre facções de torcedores motivou intervenção policial e quebrou a atmosfera bucólica e familiar.

Para completar, à tarde, outra notícia ruim para os tunantes. O Carajás derrotou o Vênus por 2 a 1 e ultrapassou a Tuna na classificação, chegando a quatro pontos e passando a dividir liderança com o Cametá.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 28)

A lição de Macri ao reconhecer a derrota

Por Kiko Nogueira, no DCM

“Parabenizo o presidente eleito Alberto Fernández. Convidei-o amanhã para tomar café da manhã na Casa Rosada porque deve começar uma transição ordenada. Isso é pelo futuro da Argentina”.

Eis as palavras de Mauricio Macri, candidato à reeleição derrotado.

Com 90% das urnas apuradas, Alberto Fernández e Cristina Kirchner têm 47,53% dos votos, contra 41,02% de Macri.

Fez o que se espera de um homem público preocupado com sua nação, com noção republicana e de olho no futuro.

A quem interessa fazer terra arrasada?

Enquanto isso, Jair Bolsonaro, seus filhos e o resto da matilha culpam o Foro de São Paulo.

Bolsonaro é um pária no mundo, inclusive para a direita que come com as mãos, por não respeitar a mínima decência.

Macri caiu, Piñera está no bico do corvo e o próximo é o brasileiro.

Não será por culpa do Foro de São Paulo ou da mula sem cabeça, mas exclusivamente deles mesmos e de seus patrocinadores.