Não era amor, era cilada

Governo de Jair Bolsonaro foi pego completamente de surpresa com a notícia de que os Estados Unidos não apoiam mais o ingresso do Brasil na OCDE.

Foi um balde de água fria. Documentos internos de reuniões e cronogramas da Casa Civil e do Itamaraty revelam como o governo estava distante da realidade que se passava nos Estados Unidos, ao acreditar cegamente em Donald Trump. Num desses materiais, o governo acredita piamente na acessão, esse é o termo, à OCDE. E marca até data: “2022: meta de concretização da acessão”. Em outro paper de discussão interna, na “descrição do projeto”, a entrada no organismo é apontada como “objetivo central da política externa brasileira”. No quesito “benefícios para a população”, está descrito: “a implementação das práticas defendidas pela OCDE estimula a concorrência, a transparência na prestação dos serviços públicos, facilita entrada de capital externo para investimento no Brasil e simplifica regras para o empreendedorismo no Brasil e no exterior.

Futebol não é para amadores

POR GERSON NOGUEIRA

Em tempos de vazamentos que mudam a configuração política do país e ameaçam desnudar vacas sagradas, chamou atenção a divulgação nas redes sociais de um áudio atribuído ao técnico remista Eudes Pedro, que não fez qualquer desmentido a respeito.

A conversa, com alguém da comissão técnica ou um amigo próximo, é reveladora da inexperiência do treinador. Todo mundo sabe que a expansão de canais e plataformas de comunicação exige travas e cuidados redobrados para evitar que um diálogo privado se torne público.

Em tom confidencial, o papo expõe a posição pessoal de Eudes sobre a permanência dos jogadores Eduardo Ramos e Neto Baiano, atletas que já estavam no elenco quando ele chegou ao clube no mês passado.

Diante dos boatos de iminente dispensa do técnico, após o resultado negativo na semifinal da Copa Verde, a divulgação do áudio soou como a manjada tática de jogar no ventilador para ver o que acontece.

Ninguém pode fazer defesa prévia dos atletas, mas é no mínimo inadequado e antiético que o técnico expresse posicionamento tão negativo sem jamais ter criticado antes os jogadores em entrevistas ou em relatos à diretoria – pelo menos que se saiba.  

Pior ainda foi a afirmação de que só ficaria no cargo se ambos forem dispensados, colocando o próprio presidente Fábio Bentes contra a parede. A postura de emparedar não é recomendável em qualquer nível de relação profissional, mas no universo do futebol costuma ser fatal para quem aciona o botão.

Eudes, talvez pela pouca vivência no comando de um time que tem uma torcida imensa por trás, parece ter decidido pagar para ver. Aposta perigosa. Não apenas pela imagem antipática que fica, mas porque seu trabalho ainda é incipiente, sem resultados que respaldem arroubos mais radicais.

No áudio, o técnico diz, a certa altura, que não espera mesmo continuar no comando, o que soa ainda mais confuso. Se não pretende ficar no clube ou acha que não querem que permaneça, por que impor uma condição taxava à diretoria, conforme afirma ter feito?

Se Eudes tentou dar uma cartada decisiva, fez o lance errado. Primeiro, porque dificilmente a diretoria irá romper acordos com Ramos e Baiano. Depois, porque o tiro pode sair pela culatra: se a demissão não era certa, o áudio torna a situação praticamente insustentável. A diretoria, se não tomar atitude, passará imagem de banana e passiva. 

Quando até os milímetros jogam contra

Quando a fase é negativa tudo conspira contra. O Botafogo mandou uma bola na forquilha da trave do Goiás em cabeceio de Luís Fernando. Logo em seguida, teve anulado um gol de Cícero, de cabeça.

O VAR traçou a tal linha tridimensional e verificou que, por uma fração de centímetros, a chuteira do meia botafoguense aparece à frente do último zagueiro.

Como nem tudo é notícia ruim, o belíssimo gol de Michael para o Goiás foi anulado porque na construção do lance a bola resvalou (também milimetricamente) no braço de Malone.

Depois disso, o Botafogo se manteve firme e conseguiu sua primeira vitória no returno, marcando 3 a 1.

Luxa caiu no Real porque impôs a Lei Seca

Vanderlei Luxemburgo gosta de distribuir a versão de que rodou do comando do Real Madrid na metade da década de 2000 por divergências com a presidência do clube. Sempre me pareceu que faltava alguma verdade na história. Ontem, Roberto Carlos deu tintas mais realistas ao episódio. Sincerão, o lateral esquerdo dos galácticos explicou que o técnico caiu mesmo porque cortou o vinho e a cervejinha da rapaziada.

Zidane, Beckham, Figo, Ronaldo Fenômeno, Casillas e outras cobras criadas estavam habituados a uma sessão de relaxamento etílico de 20 minutos na concentração. Roberto Carlos ainda avisou o treinador para não mexer nas bebidas, mas Luxa resolveu impor lei seca.

Conta que Vicente Del Bosque, ao contrário, liberava geral e sempre colocava o treino à tarde. “Não colocava nunca às 11 da manhã porque sabia que quase ninguém chegava”. O próprio RC admite que a história não é lá muito edificante, mas arremata com um conselho irretorquível: “Não façam o que fizemos, mas ganhem o que ganhamos”.

Técnico vira o grande ídolo da Fiel Bicolor

Uma vitória no Re-Pa é algo às vezes mais relevante e duradouro que um título de campeonato. Hélio dos Anjos é prova viva desse fenômeno. De uma hora para outra, ele se transformou no grande ídolo da torcida do Papão depois da série invicta de quatro jogos sobre o maior rival.

É para nas ruas para autografar camisas, tira selfies com a torcida no aeroporto e distribui sorriso até para manequim de loja. Uma simpatia só.

Caso se candidatasse hoje, teria boas chances de se eleger a alguma coisa. Nos últimos dias, passeou pela Basílica e já deu até uns volteios no Ver-o-Peso para êxtase dos feirantes bicolores.

E não ganhou rigorosamente nada até agora. Imagine se fechar o ano conquistando a Copa Verde.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 10)

Santos de Sampaoli vence e aplica olé no Palmeiras

Por Mauro Cezar Pereira, no UOL

Vareio. No dicionário, substantivo masculino que é definido como “estado de perturbação mental no qual o indivíduo profere disparates, diz coisas sem nexo”. Ou então “estado de delírio; alucinação, desvario”. No futebol, quando um time leva um baile do adversário, ou seja, é amplamente superado.

Assim foi Santos 2 x 0 Palmeiras, um vareio de Jorge Sampaoli em Mano Menezes, o técnico da retranca ganhadora de Copas do Brasil no Cruzeiro, que chegou ao campeão brasileiro com certa rejeição pelo passado corintiano e ameaçava mudar. Sim, mudar de postura, desejar mais a bola, adotar outro estilo de jogo. Não foi assim no empate com o desfalcado Atlético Mineiro, em crise, no domingo passado, na casa alviverde. Muito menos na visita à Vila Belmiro, onde o Santos se impôs com autoridade. Duelo vencido amplamente pelo argentino, no placar e no confronto entre treinadores. Mais um sinal do quão atrasado anda o futebol, praticado em terra brasilis quando sob a batuta dos de (quase) sempre.