A frase do dia

“Não basta receber alimento para matar a fome. É preciso ter geladeira para conservar, fogão e gás para cozinhar, roupa para vestir. Certas reações levam a crer que é mais difícil vencer o preconceito do que a fome. A crítica mais cruel é a de que iria estimular a preguiça, a vagabundagem. Essa crítica denota uma visão preconceituosa. Foi para isso que fomos eleitos, querida presidenta Dilma. Para mostrar que um outro Brasil é possível”.

Do ex-presidente Lula sobre os 10 anos do programa Bolsa-Família.

Cabra bom.

Análise do atual momento do Papão

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Por Augusto Azevedo (a2mcbarbaro@gmail.com)
Iarley fugiu e o Paysandu começou a ganhar coincidência…? Eu acho que não!!  Todos nós, os bicolores, não esquecemos o que ele fez no passado, nos dando vitórias que seriam impossíveis (La Bombonera), porém é evidente demais que sua saída deu animo e gás ao Paysandu.
1º – A rixa com Eduardo Ramos, seja pelo salário maior, quem seria o melhor jogador ou de quem seria o verdadeiro ídolo bicolor desse ano;
2º – Pelos problemas que “craques” de outras épocas trouxeram ao clube após retornar, Após serem repatriados;
E o pior é que tem exemplos a torto e a direita para não serem seguidos, o exemplo mais evidente foi o Sandro, que comandou o boicote no chamado “Salgueiraço” e todos lembram que em um passado, mesmo que vitoriosos Sandro, Jóbson, Iarley e Robgol foram responsáveis pelas quedas de alguns técnicos que por aqui passaram, devido eles (técnicos) não seguirem a cartilha dessa tal panelinha. A diferença é que mesmo sendo lideres (desagregadores e formadores de “panelinhas”), àquela época eram vitoriosos e venciam qualquer adversário o que encobria a guerra de egos que existia nos bastidores.
Mas isso não foi exclusividade só do Paysandu, mas no futebol paraense em geral, pois qualquer remista não esquece de Landu, Fábio Oliveira (que iria se vestir de Bebel se o Remo caísse, naquela época pra 3ª divisão) e Jóbson (novamente) no maior rival. Pois foi com uma greve que eles, os 3 mosqueteiros, organizaram que iniciou-se esse calvário sem fim azulino…
O que tenho a dizer é que, vou falar do meu time do coração, o Paysandu preste homenagens sim a esses jogadores, como fez com Mendonça no jogo, aqui em Belém, contra o São Caetano e não tentar ressuscitá-los esperando que o futebol deles seja o mesmo de passagens anteriores.
Tem que procurar, é do que precisamos, jogadores com vontade de brilhar mais que tudo, como foi com Thiago Potyguar logo que chegou, parar de escutar empresários e contratar com responsabilidade e não apenas assistindo alguns lances em um DVD editado. Tem que olhar pra dentro do próprio quintal, fazer como em tempos atrás de vitórias espetaculares e empolgantes, nos tempos de estádios lotados em que o time que viesse jogar aqui em Belém entrava na “peia”, com peneiradas, olheiros indo para os interiores e assistindo no minimo 4 jogos do jogador a ser contactado e principalmente parar de trazer jogadores que estejam em atividade, titulares de seus times e não reservas sem ritmo de jogo e sei lá quantos meses parado.
Quando a administração do Paysandu retomar esse estilo aí sim tudo vai dar certo, projetos para jogadores futuros (categorias de base), marketing, sócios torcedores e sócios do clube em dia ajudando ao maior time da região Norte (o ranking atualizado da C.B.F. está aí para comprovar o que estou afirmando) a ser aquele time de chegada, campeão dos Campeões, de outras épocas continuar ganhando o campeonato dentro de casa e aumentando a distância com relação ao rival, a ser novamente campeão da região (agora campeão verde), vencer o campeonato nacional e sonhar alto novamente com um campeonato internacional como a Libertadores da América.
Porém para isso tudo dar certo a mudança, que iniciou-se com eleições diretas no clube, realmente for salutar tem que reorganizar o modelo de gestão. Essa é a minha opinião com relação a fase atual do Paysandu.

Na PEC 37, você pode ter feito papel de bobo

Por Paulo Moreira Leite

Se você acha que fez papel de bobo porque acreditou no slogan “PEC 37= impunidade”, não precisa ficar muito deprimido. Só um pouco. A descoberta de que o inquérito sobre a Alston foi parcialmente interrompido, na Suíça, porque o procurador Rodrigo de Grandis não atendeu a uma solicitação das autoridades daquele país é um fato que merece um minuto de reflexão.

A explicação de Grandis é bisonha. Ele  não teria dado sequencia ao pedido das autoridades suíças, feito em fevereiro de 2011, porque a solicitação ficou guardada na gaveta errada – e nunca mais pensou no assunto.

Há, é claro, uma suspeita de prevaricação no caso.

Código Penal – Prevaricação (art. 319): Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

Lei 8429/92 – Art. 11: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

(…) II – retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

Há três meses, em 25 de junho, o Congresso rejeitou, sob uma pressão que seria mais conveniente definir como chantagem, a PEC 37, que pretendia  garantir aos delegados de polícia a exclusividade sobre a condução de um inquérito policial. A votação foi um massacre: 430 a 9.

O monopólio dos delegados sobre uma investigação tampouco  era uma boa ideia, quando se recorda o histórico de nossas corporações policiais. Mas a PEC 37 ajudava a fazer um debate necessário e poderia permitir correções úteis.

Nos bastidores de Brasília, policiais, procuradores e representantes do ministério da Justiça tentavam chegar a um acordo, a partir da PEC, para assegurar os direitos da polícia sobre a investigação sem deixar de atender os principais pleitos do Ministério Público. Pensava-se em criar uma nova divisão do trabalho de apuração, mais inteligente e produtiva.

Mas, com o apoio dos meios de comunicação, que passaram a tratar a rejeição à PEC 37 como se fosse como se fosse uma reivindicação tão popular como a redução da passagem de ônibus, o Ministério Público  garantiu a votação em bloco, sem qualquer concessão à outra parte. Confusos, e mesmo acovardados, vários parlamentares preferiam omitir-se e votar errado para não ser criticados pelos jornais nos dias seguintes.

Naquele momento, o procurador geral da República, Roberto Gurgel, travava uma luta de morte para fazer o sucessor. Seu prestígio atingia o ponto máximo em função do julgamento da ação penal 470.

A denúncia ainda não havia sofrido a primeira (e até agora única) derrota, representada pela aceitação dos embargos infringentes para 12 condenados.

Acreditava-se em junho que qualquer arranhão na imagem do Ministério Público poderia chamar a atenção para incongruências e falhas do julgamento. Foi essa a motivação que impediu uma discussão civilizada, com argumentos ponderados.

Três meses depois, comprova-se uma verdade fácil de reconhecer, mas que não era conveniente admitir.

Enquanto os manifestantes acreditavam estar berrando contra a impunidade em Brasília, o pedido das autoridades suíças era esquecido na gaveta de De Grandis em São Paulo.

Ergueu-se, ao longo de vários anos, um muro de aço contra a apuração de um dos mais prolongados escândalos de corrupção da história política brasileira, formado por 45 inquéritos arquivados sem o devido esclarecimento (sim, 45!).

Ninguém ficaria sabendo o que estava acontecendo se não fosse o trabalho competente corajoso de meus colegas da IstoÉ Alan Rodrigues, Pedro Marcondes e Sérgio Pardellas sobre o propinoduto, capazes de produzir reportagens à altura dos fatos descobertos.

Não há instituição a salvo de pressões políticas nem de iniciativas estranhas a sua missão legal. Erros ocorrem. Desvios, também. E coisas piores, você sabe.

Se você acha que fez papel de bobo porque acreditou no slogan “PEC 37= impunidade”, não precisa ficar muito deprimido. Só um pouco.

Muita gente está se sentindo da mesma maneira.

A escolha de Diego Costa e o vexame de Felipão

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Por Fernando Graziani

Esqueça, por enquanto, a qualidade técnica de Diego Costa. A análise do seu futebol fica em segundo plano diante de aspectos mais importantes da sua recusa em jogar pelo Brasil e a consequente escolha pela Espanha.

O primeiro e mais relevante é o absurdo que a Fifa faz, ao permitir que jogadores defendam seleções principais em amistosos e que, ainda assim, mudem de ideia e passem a atuar por outras equipes. Se os amistosos valem como critério para o ranking da entidade, não faz qualquer sentido que não tenham validade para a proibição de troca de camisa.

Diego Costa, entretanto, não tem nada a ver com isso. Não foi o sergipano, que nunca jogou bola profissionalmente por aqui e hoje vive na Espanha, o autor da regra. Como qualquer ser humano com livre arbítrio, ele fez uma escolha depois de ter atuado em partidas não oficiais pelo Brasil. Mudou de ideia, seduzido legitimamente por elogios do técnico Del Bosque, por apelos importante de outros jogadores e também da imprensa. Mais do que isso: a opção do jogador tem relação com a sua vida atual, em um país onde ele se sente bem e acha que terá mais chances de atuar. Chance, repito, não certeza, porque há Negredo, Torres, Villa e Soldado por lá.

Ao saber da opção do atacante nesta terça-feira, Felipão partiu para o ataque. Foi raivoso e hipócrita. Esquecendo que ele próprio foi um estrangeiro que sofreu com o preconceito quando dirigiu Portugal e convocou o brasileiro Deco para atuar pela equipe lusa, o técnico fez questão de avisar que Diego estava “desconvocado” e não merecia atuar pela seleção brasileira. Eu pergunto: como assim, desconvocado? Não merece? Foi ele que não quis atuar pelo Brasil. Parece coisa de criança carente e desesperada que dá chilique: eu queria ser seu amigo, mas agora que você não quer mais, eu também não quero mais.

O populismo (que assim como o bairrismo e o provincianismo são refúgios dos mais atrasados) apareceu quando o técnico brasileiro cunhou o seguinte argumento: “Ele está dando as costas para um sonho de milhões, o de representar a nossa seleção pentacampeã em uma Copa do Mundo no Brasil”. É uma anedota. Felipão falou como um estadista militar, um discurso atrasado e ofensivo. Foi também injusto porque jamais garantiu que Diego estaria garantido em 2014. Pior: coloca o atleta como vilão, na tentativa de jogar os seus asseclas contra o atacante do Atlético de Madrid . Não teve gentileza, compreensão e respeito. Não desejou boa sorte ao jogador. Foi só rancor e despeito. Um vexame.

Sobre o sucesso de Diego na seleção espanhola, impossível prever. No Brasil, diante da grave crise técnica atual quando o assunto é o ataque, poderia ajudar. Quando morei em Madrid, o jogador estava emprestado ao Rayo Vallecano. Vi vários jogos dele no histórico estádio de Vallecas. Briga demais, é chato para o adversário, provoca, tem cabeça quente, mas conhece a posição, é extremamente raçudo e melhorou demais nos dois anos mais recentes. Está longe de ser craque, mas é um jogador que é bom ter no seu time, não como adversário.