Brasileiro da Série B: Classificação geral

PG J V E D GP GC SG
Palmeiras 65 30 20 5 5 58 24 34 72.2
Chapecoense 57 29 17 6 6 54 28 26 65.5
Sport 49 30 16 1 13 50 46 4 54.4
Paraná 49 30 14 7 9 45 27 18 54.4
Icasa 47 30 14 5 11 42 45 -3 52.2
Avaí 47 29 13 8 8 41 35 6 54.0
América-MG 47 30 12 11 7 42 35 7 52.2
Ceará 46 30 12 10 8 48 38 10 51.1
Figueirense 45 29 14 3 12 49 45 4 51.7
10º Joinville 43 30 12 7 11 44 34 10 47.8
11º Boa Esporte 40 30 10 10 10 24 34 -10 44.4
12º Bragantino 39 30 11 6 13 31 32 -1 43.3
13º Guaratinguetá 36 30 10 6 14 33 41 -8 40.0
14º América-RN 36 30 9 9 12 35 44 -9 40.0
15º Oeste 36 30 9 9 12 30 42 -12 40.0
16º ABC 35 29 10 5 14 33 45 -12 40.2
17º Atlético-GO 30 29 8 6 15 30 38 -8 34.5
18º Paissandu 29 29 7 8 14 31 44 -13 33.3
19º São Caetano 27 30 7 6 17 37 48 -11 30.0
20º ASA-AL 23 30 7 2 21 31 63 -32 25.6

Brasil inventa o atacante-beque

Por Gerson Nogueira

bol_qua_161013_15.psJá sabia o que me esperava, mas ainda assim encarei a empreitada de ver Brasil x Zâmbia na manhã de ontem. Tudo bem que a fase é de testes, estágio importantíssimo para o amadurecimento do esquema tático e do entrosamento da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo do ano que vem. Apesar disso, é duro imaginar que o time precisa treinar para jogar com um perna-de-pau de carteirinha no ataque (?!?).

Hulk, o pior jogador que vi atuar com a camisa canarinho desde Amaral (aquele que Zagallo denominou de o seu “nº 1”), é um dos queridinhos de Felipão. O técnico, como é de conhecimento até do reino mineral, prefere ver cabeças de bagre sob seu comando. É até compreensível. Afinal, dá sempre mais trabalho dirigir e orientar craques. São marrentos, mimados e dados a estrelismo.

Em 2002, Felipão quebrou estacas contra tudo e contra todos para não chamar Romário, ainda em grande forma. Nunca explicou os motivos, mas deixou claro que não queria ter “maus exemplos” a conspurcar sua glorificada “família” de atletas. Como dispunha de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho nas pontas dos cascos, a Seleção não sentiu falta do Baixinho e trouxe o pentacampeonato.

A partir daí, o técnico parece ter se convencido de que não precisa de ninguém para chegar ao topo. Temi até por Neymar, já que Felipão costuma implicar com moleques cheios de personalidade. Poupou o craque do Barcelona pelo fato óbvio de ter não como excluí-lo, mas sacrificou outros bons jogadores.

Lucas, por exemplo, sucumbiu à preferência do técnico por Hulk, cuja maior virtude é o vigor com que se lança às divididas e a maneira como marca os defensores adversários. Sim, não me enganei, não. Ele é um atacante que joga como zagueiro – ou, conforme o gosto do leitor, um zagueiro que joga como atacante. Tanto faz, dá na mesma.

Ontem, contra a modestíssima seleção da Zâmbia, Hulk atuou do jeito que Felipão gosta. Desfilou seu repertório habitual. Deu chutão com gosto, carrinhos majestosos e caneladas de fino trato. No banco de reservas, as câmeras de TV flagravam Felipão feliz da vida, quase em êxtase com as virtudes de seu beque-atacante. Quando, no segundo tempo, disparou um chute torto à esquerda do gol africano, foi aplaudido por toda a comissão técnica.

Carlos Alberto Parreira, que vem a ser o primeiro aspone de Felipão (o segundo é o onipresente Murtosa), já definiu a utilidade de Hulk: é um jogador com excelente poder de marcação e bloqueio. É o tal cara que não aparece pro torcedor, como gostam de explicar os técnicos.

O problema é que, com a bolinha tosca que joga, ele não aparece para ninguém. Até hoje, sob a batuta de Felipão, não marcou um gol sequer. Mas nem precisa: seu passaporte para a Copa já está assegurado, pois atacante que marca não precisa fazer gols. Estamos bem arranjados.

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Papão comete vacilo fatal no fim

Foi um jogo equilibrado, com bons momentos do Paissandu no primeiro tempo e vantagem do Figueirense no segundo. Enquanto Eduardo Ramos e Pikachu estavam livres e com fôlego, o Papão foi senhor das ações, chegando ao gol e criando situações interessantes no ataque.

O lance do primeiro gol, com o lançamento de Ramos para a entrada em diagonal de Pikachu, foi belíssimo. Abriu a esperança de que o Paissandu iria, finalmente, se impor em casa alheia. O Figueira empatou, porém, logo em seguida e a partida ficou muito parelha, com ataques de lado a lado.

Depois do intervalo, o Paissandu voltou mais agudo, buscando o gol, mas acabou traído logo aos 5 minutos por uma falha do goleiro Paulo Rafael, que calculou mal a saída do gol em cobrança de falta de Wellington Saci. Com a desvantagem, Benazzi tirou Raul e lançou Dênis no ataque, abrindo mão do 3-6-1 e voltando ao velho e prático 4-4-2.

A mudança não alterou muito o ritmo do Papão, que já demonstrava cansaço, principalmente no rendimento de Ramos e Pikachu. Mas, ainda assim, aos 40 minutos, veio o empate após escanteio. A bola bateu no ombro de Careca e resvalou em Iarley, indo morrer nas redes.

Quando a igualdade parecia definitiva, a defesa paraense deu sua contribuição para que o Figueira alcançasse a vitória. Depois de grande defesa de Paulo Rafael, Mailson escorou escanteio cobrado da esquerda e matou o jogo. Gilton, que o marcava, ficou apenas observando o lance.

O Papão volta a Belém ainda mais distante da zona confortável da tabela e precisando desesperadamente pontuar em casa. Não pode mais nem pensar em perder pontos na Curuzu, pois a linha de corte para o rebaixamento deve aumentar para 46 ou 47 pontos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 16)