Paissandu x Boa (comentários on-line)

Campeonato Brasileiro da Série B 2013
Paissandu x Boa Esporte – Estadio da Curuzu, Belém, às 21h50
Árbitro: Edmar Campos da Encarnação (AM); assistentes: Gean Carlos Menezes de Oliveira e Inácio Barreto da Câmara.
Paissandu – Paulo Rafael (Marcelo); Pikachu, Fábio Sanches, Dirceu e Pablo ; Artur, Esdras, Jaílson e Eduardo Ramos; Careca e Héliton. Técnico: Vagner Benazzi.
Boa Esporte – Douglas; Petros, Thiago Carvalho, Ciro Sena e Julinho; Rodrigo Souza, Betinho, Jefferson e Marcelinho Paraíba; Fernando Karanga e Malaquias (Bambam).
Técnico: Nedo Xavier
Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra; João Cunha comenta. Reportagem – Valdo Souza, Dinho Menezes e Francisco Urbano. 

Copa Verde pode garantir vaga na Sul-Americana

20131008-205552Entre 19 de janeiro e 16 de fevereiro de 2014, a CBF vai organizar a Copa Verde. O torneio será no formato de mata-mata, reunindo 16 clubes do Norte, Centro-Oeste e do Espírito Santo. A grande novidade é que a competição poderá dar ao campeão o direito de participar da Copa Sul-Americana de 2015. Do Pará serão três representantes: Paissandu, Remo e Paragominas, os três primeiros colocados no último campeonato estadual.
Os demais clubes serão dois do Amazonas (Nacional e Princesa do Solimões ), um de Rondônia ( Vilhena ), um de Roraima ( Náutico ), um do Amapá ( Oratório ), dois do Mato Grosso ( Cuiabá e Mixto ), um do Mato Grosso do Sul ( Cene ), um de Tocantins (Interporto), um do Espírito Santo (Desportiva), dois do Distrito Federal ( Brasília e Brasiliense ) e um do Acre ( Plácido de Castro ). A ordem dos confrontos será estabelecida com base no ranking das federações, em reunião que o presidente José Maria Marin deve marcar para o final deste mês, na CBF. (Com informações do iG Esporte) 

Galeria do rock

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A carreira de Simon & Garfunkel foi salva por um produtor. Em março de 1964 lançaram o LP Wednesday Morning 3 A.M. pela Columbia, que só vendeu duas mil cópias e a dupla se desfez. Depois de ouvir BobDylan eletrificar seu som com “Like a Rolling Stone”, o produtor Tom Wilson teve a ideia de adicionar uma base com guitarra, baixo e bateria para “The Sound of Silence”, gravada pela dupla no LP apenas com voz e violão. Lançou sem o consentimento deles em junho de 1965, entrou na parada em setembro e chegou ao primeiro lugar na virada do ano. Graças a isso, a dupla voltou a se reunir para uma carreira de sucesso de cinco álbuns. A letra foi escrita por Simon sob o impacto do assassinato de John Kennedy, morto em novembro de 63. A letra fala de pessoas oprimidas, que conversam sem falar, que ouvem sem escutar, que se curvam e rezam para um deus de neon que elas mesmas criaram. E insinuam que há profetas de uma revolução nos subterrâneos que escrevem suas predições nas paredes do metrô. É uma letra cheia de interpretações na internet. (Por Jamari França) 

“Procure saber” o que é censura e obscurantismo

Por Luiz Fernando Vianna

01procureEm nota enviada ao jornal O Globo na semana passada, Djavan apresentou ideias tão nebulosas quanto suas letras. Ou não, poderia dizer, à sua maneira, Caetano Veloso, colega de Djavan no Procure Saber, o movimento que, como dizem as colunas de notas dos grandes jornais, reúne a nata da MPB. A aparente confusão talvez apenas mascare um apreço decidido pelo obscurantismo. O assunto é a necessidade de os biografados (ou seus herdeiros) autorizarem as biografias sobre si mesmos, algo previsto no Código Civil e que os editores de livros estão tentando derrubar.

A nota começa assim: “A liberdade de expressão, sob qualquer circunstância, precisa ser preservada. Ponto. No entanto…”

Se é “sob qualquer circunstância”, como pode haver “no entanto”? O “ponto” de Djavan deveria ser de interrogação.

Continuando: “No entanto, sobre tais biografias, do modo como é hoje, ela, a liberdade de expressão, corre o risco de acolher uma injustiça, a (sic) medida em (sic) que privilegia o mercado em detrimento do indivíduo; editores e biógrafos ganham fortunas enquanto aos biografados resta o ônus do sofrimento e da indignação”.

Djavan está convidado a citar um, apenas um biógrafo que tenha ficado rico no Brasil escrevendo biografias valendo-se de expedientes sensacionalistas. Basta um.

(O mais importante livro sobre um personagem da música brasileira, Noel Rosa – Uma biografia, ficou muitos anos impedido de circular por objeção da família. Alguém diria que é um livro sensacionalista? E posso garantir, por conhecê-los, que os autores, João Máximo e Carlos Didier, não enriqueceram.)

Em seguida, ele diz: “Nos países desenvolvidos, você pode abrir um processo. No Brasil também, com uma enorme diferença: nós não somos um país desenvolvido”.

Acertou em cheio. Se fôssemos um país desenvolvido, o juiz a quem cabia decidir sobre a ação movida por Roberto Carlos contra seu biógrafo Paulo Cesar de Araújo não teria pedido autógrafo ao Rei durante a sessão. Se fôssemos um país desenvolvido, a editora que publicou o livro não teria sido covarde e feito um acordo com o cantor – contra o seu autor e seu próprio patrimônio. Se fôssemos um país desenvolvido, Roberto Carlos não teria o direito de receber todos os exemplares e dar a eles o destino que lhe aprouver, inclusive queimá-los à maneira nazista.

Mais Djavan: “A sugestão de se estabelecer um percentual oriundo desse produto destinado ao biografado me parece razoável, mesmo acreditando que ninguém queira ver sua vida exposta publicamente de maneira predatória por dinheiro”.

Ou seja, se rolar um 10%, os artistas podem pensar em fazer negócio, ainda que não satisfeitos com as biografias. É capaz de o “ônus do sofrimento e da indignação” render um bônus. Mediante pagamento, a liberdade de expressão pode ser preservada.

Por fim: “Essa medida, de certo modo, desmotivaria a edição desenfreada dessas biografias e nos lembraria a todos que ter direitos implica ter deveres também”.

Mas, se esses livros rendem mesmo fortunas aos autores e editores, o que custa pagar 10% ao biografado e ter o caminho livre? É jogo. E o que ele chama de “edição desenfreada”? Que onda é essa que ele enxerga e que não desagua nas livrarias? Salvo Roberto Carlos, nenhum prócer do Procure Saber foi até hoje alvo de uma biografia não autorizada. E, sim, ter direitos implica ter deveres, mas não necessariamente o de ficar calado.

Todo esse zum de besouro seria esquecível se não estivesse sendo propagandeado que a tal “nata da MPB” comunga das mesmas ideias. Na reportagem da Folha de S. Paulo publicada no último sábado, apenas a assessoria de Gilberto Gil confirmou o apoio.

Pois não foi Gil que, quando ministro da Cultura, queria flexibilizar os direitos autorais em nome da democratização da música e da circulação de informações? Será que agora ele quer flexibilizar os direitos de jornalistas e escritores para que só circulem informações que o satisfaçam?

Ao lado de Gil, Caetano Veloso foi preso pela ditadura militar e exilado. Sempre se orgulhou, com razão, de ser um libertário que resolvia as pendengas na arena pública. Será que agora vai se esconder sob as saias da empresária e ex-mulher Paula Lavigne e se calar? Ou vai, de fato, dizer que endossa as frases de Djavan? Logo ele, tão cioso do bom português e que, se a memória não falha, já se opôs à decisão de Roberto Carlos de proibir o livro de Paulo Cesar de Araújo.

Quanto a Chico Buarque, possivelmente o mais censurado dos compositores sob a ditadura, apenas se ele vier a público afirmar que apoia essa causa é que isto será fato. Por enquanto, só é possível crer que estão usando o nome dele em vão.

Em artigo disponível na página do Procure Saber no Facebook, Paula Lavigne escreve: “Longe do que vem sendo divulgado, a Associação Procure Saber, entidade representativa dos artistas que buscam estudar, entender e esclarecer assuntos de interesse da classe artística e da população em geral, não defende a censura ou a diminuição da liberdade de informação e pensamento; o que a Procure Saber deseja é apresentar uma alternativa que atenda aos escritores mas não crie uma situação de exploração da obra e da vida alheia sem a remuneração correspondente e sem que a vida privada e a intimidade do biografado sejam violados”.

Mais uma vez, ressalta-se que é preciso pagar para escrever o que se quer. E olha que quem “privilegia o mercado” são os autores e as editoras… Além do mais, quem vai delimitar o ponto exato onde acaba o interesse público e começa a suposta invasão da vida privada? O juiz que pede autógrafo ao cantor? O artista, separando o que quer e o que não quer que se diga dele? Em bom português – aquilo que inexiste no texto de Djavan – os nomes disso são censura e obscurantismo.

Aproveitando, Paula Lavigne: deixe “a população em geral” em paz. Continue alimentando de notas as colunas de jornal e fazendo seus negócios, mas não advogue em nome de quem não está pedindo. E estude a possibilidade de contratar um bom jornalista para redigir os textos do Procure Saber.

* Luiz Fernando Vianna é coordenador de internet do IMS.

Um prêmio à ineficiência?

Por Gerson Nogueira

À beira do desespero diante da situação aflitiva na tabela, o Paissandu recorda os tempos aloprados e pensa em reinstituir o “bicho”, premiação mais antiga da história do futebol, talvez anterior à invenção do esporte. O propósito da diretoria, conforme informações da Rádio Clube, é estabelecer um pacote pelos próximos quatro jogos – Boa Esporte, ABC, Figueirense (fora) e Avaí.

Caso vença esses compromissos, o Papão daria um salto significativo na classificação e se afasta em definitivo da zona bandida. Iria a 40 pontos, alcançando o chamado bloco intermediário da Série B e praticamente afastando a ameaça de degola. Para atrair o interesse dos jogadores, o clube estaria disposto a desembolsar cerca de R$ 60 mil por vitória – valor oficialmente não confirmado pela diretoria.

bol_ter_071013_11.psÉ claro que, a essa altura, tudo parece valer a pena diante da possibilidade de queda iminente. O problema é que dirigentes costumam pensar pouco nesses momentos tensos, abandonando qualquer vestígio de racionalidade. Soa no mínimo estranho premiar regiamente um elenco que fez tão pouco até aqui para dar ao Paissandu um posicionamento digno na competição.

Com folha salarial superior a R$ 700 mil, o Papão está no seleto grupo dos oito elencos mais caros da Série B, embora viva a contradição de estar entre os oito piores times do torneio. Pelo menos cinco jogadores do elenco ganham na faixa de R$ 40 mil mensais. Apesar da receita minguada nos jogos como mandante, o clube tem mantido os salários em dia, mas o time está longe de corresponder.

A rigor, as despesas feitas com o elenco não justificam oferecer premiação extra a esta altura do campeonato. É mais ou menos como premiar a inércia, a apatia e a ineficiência. Como atenuante, há a disposição – manifestada por um dos dirigentes que participou de reunião com os jogadores, ontem – de só pagar o valor total (R$ 240 mil) combinado caso a meta seja cumprida integral ou parcialmente (três vitórias e um empate).

Contra o Boa Esporte, que acaba de levar uma peia de 4 a 0 em casa diante do Oeste, o Paissandu tem a obrigação de vencer com ou sem bicho. Como não consegue mesmo triunfar como visitante, não pode cometer qualquer deslize como mandante. E as contas ainda conspiram favoravelmente. Caso consiga ganhar todos os seis jogos em casa, chegará a 46 pontos, limite suficiente para permanecer na Série B.

Para começar bem a série agendada de quatro jogos, o técnico Vagner Benazzi parece ter encerrado as experiências e vai finalmente usar um ataque digno do nome, com Careca e Héliton. No meio-de-campo, deve também reutilizar o ágil Jailton (barrado nas últimas duas rodadas) ao lado de Eduardo Ramos. Providências fundamentais para dar ao time uma pegada mais forte na criação e eficiente no ataque.

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Ao ataque, meninos!

Quando Walter Lima declarou que prefere praticar futebol ofensivo conquistou de vez meu respeito. Fazia muito tempo, bote tempo nisso, que um treinador local não demonstrava tanto destemor. Os incrédulos irão dizer que o técnico age assim porque é um time de garotos. Pode até ser, mas o fato de ser uma competição sub-20 não diminui a grandeza da ousadia.

Waltinho deixa claro a todos que aposta como ninguém na qualidade técnica de seu time. Evidencia que os 3 a 0 obtidos em Belém não foram produto do acaso. Na verdade, refletiram a clara superioridade de um time sobre o outro. O Remo dominou amplamente a partida e podia ter chegado a um placar mais elástico. Teve chances para isso.

Ao mesmo tempo, mantendo a formação no agressivo 4-3-3, Waltinho sinaliza para os próprios garotos do time que confia neles. Essa injeção de ânimo vale mais que mil palavras. O raciocínio é mais do que óbvio: se deu certo nos três jogos disputados pela equipe no torneio, por que mudar agora?

O Flamengo, dentro de seus domínios, é um adversário temível em qualquer circunstância. E não há forma mais inteligente de enfrentar o poderio rubro-negro do que jogando do jeito que o Remo tradicionalmente joga. Por isso, se mantiver a disciplina na marcação e a velocidade na saída para o ataque, dificilmente o representante paraense deixará escapar a classificação hoje à noite, em Macaé.