Homens de cor

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Quando nasci, era preto.

Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer continuarei preto !

E tu, cara branco.
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.
E vem me chamar de homem de cor ?

(Escrito por uma criança angolana) 

Gracias, Rivaldo!

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Por Juca Kfouri

Aos 41 anos, Rivaldo anunciou que se despediu da bola.

O mais introvertido de todos os craques brasileiros parou.

O melhor jogador da Copa do Mundo de 2002 disse adeus ao futebol.

O capitão dentro de campo do Felipão na Ásia, o cara para quem o técnico, falando baixo e com a mão em seu ombro, disse que ele era o titular mesmo que jogasse mal em todos os jogos.

O cara que ouviu do técnico que se ele matasse a pau todos seriam pentacampeões.

E ele matou.

Nunca vi uma grande entrevista de Rivaldo.

Não sei, por tantas, quantas foram as atuações deslumbrantes que vi deste pernambucano que dominava todos os fundamentos do jogo como nenhum de seus contemporâneos brasileiros era capaz.

Rivaldo merece reverência eterna dos amantes do bom futebol.

Miséria do debate

Por Miriam Leitão

O Brasil não está ficando burro. Mas parece, pela indigência de certos debatedores que transformaram a ofensa e as agressões espetaculosas em argumentos. Por falta de argumentos. Esses seres surgem na suposta esquerda, muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais, ou na direita hidrófoba que ganha cada vez mais espaço nos grandes jornais.

É tão falso achar que todo o mal está no PT quanto o pensamento que demoniza o PSDB. O PT tem defeitos que ficaram mais evidentes depois de dez anos de poder, mas adotou políticas sociais que ajudam o país a atenuar velhas perversidades. O PSDB não é neoliberal, basta entender o que a expressão significa para concluir isso.

A ele, o Brasil deve a estabilização e conquistas institucionais inegáveis. A privatização teve defeitos pontuais, mas, no geral, permitiu progressos consideráveis no país e é uma política vencedora, tanto que continuou sendo usada pelo governo petista. O PT não se resume ao mensalão, ainda que as tramas de alguns de seus dirigentes tenham que ser punidas para haver alguma chance na luta contra a corrupção. Um dos grandes ganhos do governo do Partido dos Trabalhadores foi mirar no ataque à pobreza e à pobreza extrema.

Os epítetos “petralhas” e “privataria” se igualam na estupidez reducionista. São ofensas desqualificadoras que nada acrescentam ao debate. São maniqueísmos que não veem nuances e complexidades. São emburrecedores, mas rendem aos seus inventores a notoriedade que buscam. Ou algo bem mais sonante. Tenho sido alvo dos dois lados e, em geral, eu os ignoro por dois motivos: o que dizem não é instigante o suficiente para merecer resposta e acho que jornalismo é aquilo que a gente faz para os leitores, ouvintes, telespectadores e não para o outro jornalista. Ou protojornalista. Desta vez, abrirei uma exceção, apenas para ilustrar nossa conversa.

Recentemente, Suzana Singer foi muito feliz ao definir como “rottweiller” um recém-contratado pela “Folha de S.Paulo” para escrever uma coluna semanal. A ombudsman usou essa expressão forte porque o jornalista em questão escolheu esse estilo. Ele já rosnou para mim várias vezes, depois se cansou, como fazem os que ladram atrás das caravanas.

Certa vez, escreveu uma coluna em que concluía: “Desculpe-se com o senador, Miriam”. O senador ao qual eu devia um pedido de desculpas, na opinião dele, era Demóstenes Torres. Não costumo ler indigências mentais, porque há sempre muita leitura relevante para escolher, mas outro dia uma amiga me enviou o texto de um desses articulistas que buscam a fama. Ele escreveu contra uma coluna em que eu comemorava o fato de que, um século depois de criado, o Fed terá uma mulher no comando.

Além de exibir um constrangedor desconhecimento do pensamento econômico contemporâneo, ele escreveu uma grosseria: “O que importa o que a liderança do Fed tem entre as pernas?” Mostrou que nada tem na cabeça. Não acho que sou importante a ponto de ser tema de artigos. Cito esses casos apenas para ilustrar o que me incomoda: o debate tem emburrecido no Brasil. Bom é quando os jornalistas divergem e ficam no campo das ideias: com dados, fatos e argumentos.

Isso ajuda o leitor a pensar, escolher, refutar, acrescentar, formar seu próprio pensamento, que pode ser equidistante dos dois lados. O que tem feito falta no Brasil é a contundência culta e a ironia fina. Uma boa polêmica sempre enriquece o debate. Mas pensamentos rasteiros, argumentos desqualificadores, ofensas pessoais, de nada servem. São lixo, mas muito rentável para quem o produz.

Papão leva a melhor também nas arquibancadas

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A renda total do Re-Pa de domingo foi R$ 473.400,00, com um público de 19.897 pagantes. Descontadas as despesas – R$ 133.400,58 -, coube ao Paissandu a quantia de R$ 166.911,78 e ao Remo, R$ 173.087.64. Como mandante, o Papão teve um acréscimo nas despesas, daí a diferença no valor líquido. Foi a primeira vez nesta temporada que a torcida bicolor superou a azulina nas arquibancadas: o Papão arrecadou R$ 252.196,00, com 10.648 pagantes; o Remo teve renda de R$ 221.204,00, com 9.249 pagantes.  (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

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A vitória, segundo Mazola Junior

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“Não é qualquer equipe que sai bem dessa situação que eles (Remo) passaram essa semana. É um grande time, um grande adversário e temos que respeitar. A equipe entendeu bem o nosso jogo, a nossa forma de trabalhar. Tivemos mais posse de bola, tivemos domínio de jogo e soubemos explorar bem e por isso acho que somos merecedores dessa vitória”. 

Mazola Junior, técnico do Paissandu