Leão quase se atrapalha

Por Gerson Nogueira

unnamed (86)Remo e Paissandu costumam andar de mãos dadas, seja nos erros, acertos e (de vez em quando) até nos resultados. A máxima se confirmou ontem à noite, no Parque do Bacurau, onde os remistas enfrentaram o Cametá empregando esquema parecido com o do rival na véspera contra o Gavião. Atacante isolado lá na frente e três volantes povoando a entrada da área. Cuidados excessivos em ambas as situações.

Não precisa ser o gênio da lâmpada para saber que, com desenho assim tão retranqueiro, as dificuldades de chegar ao gol aumentam consideravelmente. Pois os dois times marcharam com essas configurações diante de adversários voluntariosos e acabaram coincidentemente obtendo empates nesta primeira rodada do returno do Campeonato Paraense.

Para o Remo, que jogou sem seis titulares, o empate não foi desastroso, mas as oportunidades desperdiçadas indicam que o time poderia ter melhor sorte, apesar da repetição de erros de aproximação e ausência de jogo organizado.

Na primeira metade, o Cametá se insinuou mais nos primeiros movimentos, estimulado pela torcida, apostando na velocidade de seus laterais e meias. Contava também com bom espaço para manobras junto à área remista. Perdeu alguns bons lances, com Jailson e Robinho.

Aos poucos, o Remo acertou a marcação por ali e começou a buscar o ataque. Tinha dificuldades porque a bola quase não chegava a Athos, mas na primeira saída mais organizada, o gol aconteceu, através de Tiago Potiguar. Houve falta sobre Tiago Galhardo, mas o árbitro Dewson Freitas deixou seguir. Minutos depois, nova subida do Remo e outro gol, de Athos, mas o auxiliar erradamente anulou, apontando impedimento.

A partida, reproduzindo a média deste Parazão, era pobre tecnicamente, ruim de ver. Chutões de lado a lado, muita ligação direta e profusão de passes errados. O Remo, mesmo timidamente, acabou prevalecendo na etapa inicial pelas habilidades individuais. Coletivamente, nenhum lampejo de arrumação ou estratégia.

Depois do intervalo, os times voltaram na mesma toada. Tudo se repetia. O Remo se mantinha quieto, errando passes no meio-de-campo e com total incapacidade de organizar um contra-ataque mais eficiente. Potiguar, seu melhor atacante, recebia menos bolas do que deveria.

O Cametá apresentava os mesmos descuidos defensivos do início da partida. Mas, diante da acomodação remista, os donos da casa finalmente tomaram a iniciativa. Na primeira desatenção dos volantes em relação a Robinho, um dos melhores do Cametá, surgiu o empate. Minutos depois, a virada, pelos pés do mesmo Robinho, que marcou um golaço.

A desvantagem no placar parece ter acordado os remistas, a começar pelo técnico Charles Guerreiro, que adiantou mais o time e botou Leandrão no jogo. Jonathan não rendia bem e Ilaílson, cansado, já não tinha a mesma mobilidade na marcação a Robinho.

Do lado cametaense, o gol entusiasmou a equipe, que insistia em chutes de média distância. Fabiano se destacava como um dos melhores em campo, colecionando boas defesas. O cansaço físico de algumas peças, principalmente Galhardo, deram novo ânimo ao Remo, que passou a sufocar. Na base da valentia, mas sufoco.

Como não havia tentativa organizada de envolver o adversário, o Remo acabou se valendo de uma falta para empatar, com Diogo Silva. Podia ter virado, mas a prevaleceu incapacidade de botar a bola no chão e explorar a fadiga do adversário.

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O velho drama da arbitragem

A arbitragem regional, tão contestada até agora, voltou a ter problemas nos jogos dos dois grandes da capital. Ontem, falta clara sobre Tiago Galhardo foi ignorada pelo árbitro Dewson Freitas e na sequência nasceu o primeiro gol do Remo. Em seguida, gol legítimo de Athos foi invalidado. Não havia impedimento, pois o meia-armador vinha de trás.

Mais que isso: o critério de deixar o bola correr, copiando o estilo sul-americano de apitar, como Dewson vem fazendo, acaba gerando injustiças, pois várias faltas graves são ignoradas em nome da fluência do jogo. Infrações devem ser assinaladas sempre, a não ser que o árbitro entenda haver vantagem na jogada.

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A reação dos emergentes

Os resultados da primeira rodada do returno não foram lá muito favoráveis à dupla Re-Pa. Independente e São Francisco, pela primeira vez neste campeonato, ocupam a ponta da tabela. É só o começo, mas pode sinalizar uma nova tendência, centrada no equilíbrio entre os emergentes.

O Remo, mesmo garantido na final por ter vencido o primeiro turno, não pode se dar ao luxo de deixar um candidato do interior chegar forte à disputa pela vaga à Série D. Já o Paissandu, que ficou em segundo lugar no turno, corre para se garantir na decisão, para tentar garantir o título em seu centenário.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 07)