Para Cruyff, Neymar é culpado pela crise do Barça

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Da Revista Placar

Nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, na decisão da Copa da Espanha e na terceira colocação do Campeonato Espanhol, o Barcelona ainda tem um grave problema, de acordo com Johan Cruyff: Neymar, que estaria causando uma racha no elenco culé por conta do seu alto salário.

“O problema é que contrataram um jogador de 21 anos que ganha mais do que o resto, que ganhou tudo. Com 21 anos, a pessoa tem que aprender. Ninguém já é um Deus com essa idade, isso não existe”, disparou o holandês durante um evento na Malásia.

Defendendo o técnico “Tata” Martino das críticas, o ex-jogador afirmou que a situação poderá se agravar daqui para frente. “Isso cria uma situação conflitiva e difícil de controlar”, explicou, antes de revelar que tem algumas “ideias diferentes” para a diretoria do clube catalão.

“Eles quiseram se aproximar de mim, mas não temos conversado, porque tenho estado viajando quase todo tempo. Se eles voltarem a se aproximar, vamos ver. Tem algumas ideias, coisas diferentes”, disse, ganhando grande repercussão na imprensa espanhola.

Cruyff também aproveitou para falar sobre a Copa do Mundo no Brasil. “Vai ser difícil ganhar até da Austrália. Acho que a seleção que tem mais chances de se classificar para a próxima fase, e isso em uns 90%, é a espanhola. A partir daí, tudo é uma incógnita”, finalizou o ex-craque.

Bebeto de Freitas e a crise no vôlei

Por Pedro Motta Gueiros, em O Globo

Ao criticar a má distribuição dos recursos do vôlei brasileiro, Bebeto de Freitas disse em entrevista a Renato Maurício Prado, em 1997, que a agência Sportsmedia “cobrava um percentual absurdo” sobre as receitas da CBV. Quase duas décadas depois, reportagem de Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, apresentou contratos em que outras duas empresas, criadas por ex-funcionários da entidade, receberam 10 milhões, cada, pela venda venda de publicidade, embora o Banco do Brasil, maior patrocinador da confederação, tenha informado que não houve intermediários na negociação. Atual presidente da Federação Internacional, Ary Graça, renunciou ao cargo máximo da CBV, do qual estava licenciado. Seu antecessor, Carlos Nuzman, é o presidente do COB. Fora do vôlei nacional desde que atirou no que viu e acertou no que não viu, Bebeto usa a experiencia passada e a incompatibilidade com Nuzman e Graça para olhar adiante com ceticismo. Desde que conheceu os atuais dirigentes de calça curta, todos companheiros do time de vôlei Botafogo, o ex-presidente do alvinegro e ex-técnico vice campeão olímpico pelo Brasil em 1984 e campeão mundial pela Itália, em 1998, vê com temor o modelo, que considera elitista e autoritário, se expandir por todo esporte brasileiro.

Desde sua entrevista em 1997, o contrato com o BB virou alvo de investigação do TCU que se declarou impedido de fiscalizar a CBV. Isso quer dizer que tudo continuou igual?

Bebeto de Freitas: Nunca falei de contrato com o Banco do Brasil. Minhas críticas eram em cima dos problemas dos clubes e do vôlei no Brasil. Continua a mesma coisa, a seleção com as condições ideais para trabalho e o voleibol praticado no Brasil insignificante. Comparo o vôlei como um ovo maravilhoso, branco, grande, mas não tente abri-lo. Fora de campo nós continuamos o mesmo horror, a mesma ditadura que havia na minha época.

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Você foi banido ou se autoexilou da vida esportiva?

As duas coisas. Saí da seleção porque não tinha mais condição de trabalhar com o Nuzman. Depois de ganhar tudo no Maxicono, da Itália, voltei para o Olympikus e tive outro problema com a CBV. Como o nosso projeto tinha atingindo plenamente suas metas, dei a ideia de que a empresa deveria patrocinar a seleção. Fecharam o acordo e me disseram que eu não podia fazer críticas a CBV. Como dois dias antes eu havia sido sondado para dirigir a seleção italiana, não pensei duas vezes, dei a entrevista e fui embora. O que aconteceu depois me leva a crer que nada vai acontecer agora. Quem melhor se posicionou nestes dias foi o Murilo, ao dizer que o dinheiro estava sendo desviado dos atletas, e o Renato Maurício Prado ao mostrar que o importante agora é a saída do Ary Graça da federação internacional. Concordo. As pessoas tem medo de falar porque são retaliadas, me refiro ao que testemunhei. O esporte brasileiro ainda vive nos anos de chumbo, nunca mudou. Da ditadura militar, ao MDB, ao partido do Collor, ao partido do Itamar, ao PSDB e ao PT, a única coisa entre eles é o presidente do COB.

O Nuzman foi candidato a deputado pela Arena no governo Geisel. Como a ligação com o governo interfere até hoje no esporte olímpico?

O compromisso do Nuzman com o grupo que o colocou lá era justamente acabar com a politica e com essas coisas que desviavam o desenvolvimento do vôlei. O primeiro vice presidente do Nuzman foi meu pai, o financeiro era meu tio. Lá nos anos 1970, ele só foi eleito presidente da Federação do Rio com o voto do Botafogo que eu consegui apesar da rejeição a ele. Na confederação, desde cedo, entendeu que era mais rentável cuidar só da seleção. É um modelo elitista para um país de 200 milhões de habitantes. É importante repetir que meu questionamento em 1997 era que a intermediação tirava recurso dos clubes. Contestava e brigava por isso. A auditoria diz que houve irregularidade, aí vem o relator, por coincidência o sogro do Bernard (ex-desafeto de Nuzman e atual diretor do COB), e diz que o TCU não tem competência para investigar a CBV. O deputado que deu origem ao processo queria que eu fosse depoente, mas eu não sabia do contrato. Falei da situação do vôlei.

A agencia Sportsmedia, citada por você como beneficiária “de comissões absurdas”, se liga ao COB por meio da campanha fracassada dos Jogos do Rio 2004 que deixou dividas e contas questionáveis…

A Sportsmedia implodiu, terminou. O escândalo de Rio 2004, acontece a partir de 1996. Foi o governo federal quem nomeou o Leonardo Gryner (atual diretor de operações do COB) como diretor de marketing da candidatura. Ele estava dentro da Sportsmedia, não tenho dúvida.

Você jogou no mesmo time do Ary e do Nuzman. Quando a parceria se rompeu?

Termina quando o Nuzman entende que a CBV vai lucrar com a seleção. Ele e o Ary são culpados do estado do vôlei no Brasil. Nunca se interessaram em levar o aprendizado internacional para os clubes. Tinha 15 anos quando conheci o Ary, que era titular do Botafogo. O Nuzman vem um pouco depois, mas eu já era amigo dele. A diferença entre os dois é que um jogava bem e outro, não. Não vou dizer quem foi porque senão eles se matam.

A geração que trouxe a medalha de prata em 1984 foi marcada por cortes, pedidos de dispensa e brigas dentro do elenco e com a confederação. Trinta anos depois, pode se dizer que a excelência em quadra e as relações perigosas são uma marca do vôlei?

Absolutamente, muita gente leva os problemas em função das Olimpíadas de 1984. Passado o tempo, todos mais velhos, sabemos o que nós erramos. É problema nosso. O vôlei não era nada, de um momento para o outro jogadores eram como os Beatltes. O futebol brasileiro estava muito atrás naquele período. Não aproveitamos isso para desenvolver o esporte. Coisas aconteceram mas eu nunca vou deixar falarem mal dessa geração como o ex-presidente da CBV (Nuzman) falou quando alguns pediram dispensa por falta de acordo financeiro em 1989. Depois que o Brasil ganhou o Sulamericano de 1989 com os jovens, ele vai para coletiva se referir àqueles que levantaram o vôlei e cita a seguinte frase: “O cemitério está cheio de insubstituíveis”. Sabe quem eram esses? William, Montanaro, Amauri, Xandó, Renan, Bernard, Marcos Vinícius. Chego em seguida e digo que ele tem toda a razão, que o próximo é ele. Aí começam todos os problemas. Àquela altura, os jogadores vinham pedindo melhores condições, médicos, já eram profissionais e queriam receber quando servissem a seleção. Antes de quatro amistosos que faríamos na Europa, os jogadores fazem ponderações e o Nuzman chega para dizer que não tinha conseguido. Sai do vestiário e disse: “ vocês já ouviram antes, se forem viajar, decidam antes, porque somos a seleção. Decidiram viajar e foi a pior excursão daquele time. Quando retornamos, na Granja Comary, eles se apresentam, o Nuzman se reúne com eles, diz que não tem dinheiro que a decisão é deles. Numa conversa comigo, ele promete que nada vai acontecer com que pedir dispensa, sem sem retaliação. Muitos saem fora, os mais jovens ficam e vamos para o Sul-Americano. Na véspera da final contra a Argentina, era o maior time que eles já tiveram, já se falava da chegada da nova comissão técnica porque davam nossa derrota como certa. Só que o vôlei do Brasil nem eles souberam a força que tem. Ganhamos de virada, acaba o jogo é aquela declaração dele sobre o cemitério. A Confederação já tinha marca uma festa para os jogadores, contando que o campeão fosse o feminino, que acabou perdendo. Eu e os jogadores fomos todos comemorar em outro lugar. É por isso que ele chega no Japão e pergunta quem não gosta dele.

O que achou da reação dos técnicos da seleção, Bernardinho e Zé Roberto?

Bernardinho se disse traído pois não deve ser fácil ouvir isso tendo que lidar com os atletas que são os grandes prejudicados. Foi até comedido. O Zé Roberto é outra história, mostrou a cautela que eu também teria para entrar na seara que não é a dele. Estou certo de que nenhum deles se surpreendeu, o vôlei do Brasil não se surpreendeu com esse escândalo.

Curioso que as receitas crescem na razão inversa do número de clubes. O modelo do vôlei é um risco aos demais esportes olímpicos?

Quando eu jogava, havia mais de 14 clubes só no Campeonato Carioca. Claro que o esporte profissional exige investimento, o problema é que essas receitas não chegam aos clubes. O modelo do vôlei vem de Cuba, um país que tem uma população do tamanho do estado do Rio e fez da saúde e do esporte uma questão deles lá. Se me perguntar se eu quero morar em Cuba, eu digo não, nunca. Conheci Cuba e quero distância. A questão é que o modelo de lá pega criança com dois, três anos, fazem uma série de testes, e indicam para os esportes em que ela teria possibilidade de seguir. Assim, Cuba se torna só seleção, mas o Brasil não pode ser só isso. Somos um país continental.

Teme pelo desempenho em 2016?

Não tenho ideia do como será a participação do Brasil, o que eu sei é que abri o jornal e vi o Falcão falando de uma ditadura do futsal. Os atletas sentem necessidade, mas o que fazem para calá-los é muito simples. Aqueles que têm possibilidades, se falam, passam a não ter mais. Os melhores são beneficiados, é assim em todo lugar. Mas, em outros países, aqueles que são pouco melhores ao menos tem possibilidades de tentar se tornarem bons o suficiente para chegar ao nível dos melhores. Aqui não temos essa condição. Outra falácia é o marketing que faz do voleio uma entidade modelo, com um Campeonato Brasileiro de quatro meses, entre dezembro e abril. Só que no meio disso você tem Natal, Ano Novo, carnaval, Semana Santa, e o resto pertencia à seleção. Ali é o grande faturamento da confederação. Eles poucos se interessam pelo voleio no Brasil.

Assim como no vôlei, sua saída do Botafogo foi traumática. Ao mesmo tempo que é reconhecido por ter tirado o clube do buraco, teve contas reprovadas no último balanço.

Fui verificar, dizia respeito a um contrato de 600 mil com um o administrador do clube que trabalhou anos no clube e criou uma nova pessoa jurídica porque havia se separado da mulher. Não posso controlar tudo, fui pego de surpresa. É fácil verificar quem rouba o Botafogo. Sou favorável que se abra o clube para um devassa. Meu sigilo fiscal está aberto desde que todos os ex-presidentes abram os seus, a começar do momento em que o Montenegro entrou e o Botafogo se arrebentou financeiramente. Peguei o clube com todas as receitas antecipadas. Os documentos da gestão anterior (do ex-presidente Mauro Nei Palmeiro) tinham sido roubados. Durante a auditoria e a renegociação da dívidas com a Receita Federal e a Justiça do Trabalho, descobrimos que a dívida, que eles diziam ser de R$ 30 milhões, já estava em R$ 220 milhões. Só em 2005 pudemos começar a publicar os balanços dos anos anteriores. Tiive que acrescentar 100 milhões no passivo em função do que encontramos e agora dizem que essa dívida fui eu que fiz. Entreguei o Botafogo com certidão negativa em 2010. Por conta do fechamento do Maracanã e da demanda pelo Engenhão, o clube nunca teve tanto dinheiro para honrar seus compromissos.

A instabilidade da cobertura do Engenhão, que motivou a interdição do estádio, era preocupação quando sua gestão ganhou a concessão do estádio?

Era, antes de a gente entrar na concorrência. A gente soube que cobertura deu uma mexida quando foi instalada, mas logo depois veio um parecer que estava segura. Não seria irresponsável de expôr o Botafogo e as pessoas a um risco desse. Se piorou depois, não sei. Se o fechamento do estádio foi para viabilizar o Maracanã, tampouco me interessa. Só sei que o Botafogo não pode reclamar de que foi excluído do ato do TRT (que obrigava o clube a destinar 20% de suas receitas aos credores em troca do parcelamento das dívidas e a suspensão das penhoras) por causa do fechamento do Engenhão. Apesar de anunciada gestão moderna, o Botafogo optou por não pagar imposto. Hoje, qualquer receita do Engenhão seria tomada pelos credores. Saiu recentemente uma matéria da Marluce Martins, no Extra, mostrando que o Botafogo sonegou 95 milhões do ato trabalhista. Imagino que essas receitas que só podem ter sido aplicadas no futebol. Agora, mais importante do que a Libertadores, é torcer para mais um absurdo que seria a ajuda do governo na questão das dívidas dos clubes.

Remo anuncia dispensas, depois ensaia recuo

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A diretoria do Remo, conforme decidido em reunião logo depois do clássico de domingo, definiu o afastamento de cinco jogadores – Henrique, Zé Soares, Rogélio, Bruno Arrabal e Ted. Ficou em compasso de espera a situação de Eduardo Ramos, Leandrão e Carlinhos Rech, apesar de cada caso ter sido analisado pelos dirigentes. Mas, mesmo tendo sido dadas como certas, as dispensas ainda estão pendentes de confirmação. Apenas Bruno Arrabal, Henrique e Rogélio foram oficialmente comunicados e desligados. Via Facebook, Henrique lamentou pelo fato de já estar adaptado ao clube e à cidade.

Os demais reagiram com estranheza, sem confirmar a rescisão. Zé Soares chegou a declarar que não entendia a razão do possível afastamento, visto que vem se apresentando e é sempre opção para aproveitamento no time titular. Nesta terça-feira, a diretoria deve se pronunciar, esclarecendo definitivamente a permanência ou afastamento de jogadores. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Paratleta brilha na etapa regional Norte-Nordeste

Bruno de Lins, de 29 anos, conquistou três títulos pela Etapa Regional Norte e Nordeste Circuito Loterias Caixa, realizado em Natal/RN, de 14 a 16 de março. O paratleta ganhou uma medalha de ouro, na prova dos 800 metros, e obteve a prata nos 400 e bronze nos 100. Bruno viajou com o apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), que custeou as passagens, alimentação e hospedagem para participar da competição.

O paratleta já participou de 28 campeonatos pelo país. Comprometido em buscar resultados, Bruno realiza treinos diários e explica que os resultados só aparecem por meio da dedicação e incentivo. A próxima competição será no Rio de janeiro, no Open Championship – Brazilian Athletics and Swimming, campeonato de nível mundial que envolve paratletas de 20 países. Na edição passada, ele ganhou a medalha de prata nos 400 metros.