Emoção até o último instante

POR GERSON NOGUEIRA

A decisão da semifinal do Parazão foi mais emocionante do que o previsto. O Remo impôs intensidade desde os primeiros movimentos, ocupou espaços e cercou a área tunante com troca de passes rápidos e jogadas em velocidade. Perdeu um caminhão de gols tanto no primeiro quanto no segundo tempo. Como as leis implacáveis do futebol são implacáveis, o desperdício custaria caro ao Leão. A Tuna fez seu gol e provocou a série de penalidades, afinal vencida pelos azulinos.

Em ritmo de alta velocidade, o jogo começou quente. O primeiro ataque azulino terminou com a bola nas redes, mas o lance não valeu. Aos 3 minutos, Erick Flores cruzou para a área, Laílson tocou de cabeça para Brenner e este completou para o gol. A auxiliar Barbara Loyola entendeu, erradamente, que a bola havia transposto a linha de fundo.

O Remo não se abalou e seguiu atacando. Marco Antonio perdeu um gol de cara, aos 6’. O time perdeu qualidade no meio com a saída de Erick Flores, que saiu lesionado e foi substituído por Ronald, que passou a atormentar o lado direito da Tuna, ajudando a criar chances seguidas.

Aos 24’, Laílson cruzou, Bruno Alves cabeceou na trave e a bola voltou nas mãos do goleiro Victor Lube. Aos 32’, Curuá lançou Ronald em contra-ataque, este passou para Brenner, que estava sozinho no meio da grande área. Ele dominou, escolheu o canto e mandou para fora.

Aos 32’, Bruno Alves recebeu passe dentro da área, finalizou e Victor Lube fez boa defesa. A bola sobrou para Marco Antônio, mas o chute acertou o zagueiro Lucão em cima da linha. Três minutos depois, Brenner disputou com a zaga e cabeceou rente ao travessão.

No segundo tempo, repetindo a mesma postura da primeira etapa, o Remo começou logo apertando com Marco Antônio, que recebeu lançamento de Marlon e entrou na área driblando. A finalização saiu à meia altura, mas Vítor Lube espalmou para escanteio.

Logo em seguida, dois lances chamaram atenção. Cruzamento alto na área da Tuna teve empurrão no atacante Brenner e, em seguida, após bola lançada por Paulinho Curuá a bola resvalou no braço do zagueiro Lucão.

A arbitragem tinha dificuldades em conter as reclamações dos jogadores da Tuna. Chegou ao ponto de uma falta ser cobrada com jogador a menos de três metros da bola. Diante disso, o jogo ficou violento e feio. 

Aí veio o lance fatal, aos 31′. Em um raro ataque tunante, Jayme cruzou na área e achou Paulo Rangel. O centroavante dominou com o pé direito e, mesmo cercado por dois zagueiros, chutou no canto esquerdo para fazer o gol da vitória.

A decisão foi para as penalidades, como no ano passado, mas o resultado desta vez favoreceu o lado azulino, por 4 a 2. Vinícius, como na final da Copa Verde, saiu consagrado ao defender duas penalidades e garantir o Leão na final.

Craque da escrita, Palmério teve seus dias de boleiro

Ao contrário do que informei domingo no Bola na Torre, em papo com o amigo Guilherme Guerreiro, o craque Palmério Dória não jogou no time dente-de-leite do Papão. O amigo Nelson Maués me repassou por mensagem o esclarecimento feito por Valdemar, irmão do nosso personagem: Palmério foi juvenil do Remo e, depois, levado por Adalberto Chady, passou a defender as cores alvicelestes.

Ficou um tempo no futebol e depois migrou para o futebol de salão. Nessa época, viajou a Fortaleza para um torneio nacional, mas ficou na reserva. Como Valdemar curtia férias por lá, Palmério passou uns dias na capital cearense e acabou convidado para jogar no juvenil do América-CE.

Abafou nos jogos, pegando até pensamento e ganhando elogios da imprensa esportiva. Convidado para permanecer, preferiu voltar para Belém, onde ainda jogou vôlei pelo PSC antes de mergulhar por inteiro na labuta jornalística, onde se consagrou em definitivo.

Segundo Nelson, Palmério costuma contar sobre os tempos de juvenil do Remo. Certa vez, foi ao Apeú enfrentar um selecionado adulto de lá. Como é comum no interior, havia uma aparelhagem irradiando a partida. O narrador citava o nome dos jogadores do Apeú e os números dos atletas azulinos, meio assim: “O 4 entrega pro 8, que dribla e lança para o 10…”.

Palmério era o goleiro e ficou fazendo cera porque o Remo vencia o amistoso. De repente, o narrador passou a incitar os torcedores para invadir o campo e baixar o cacete nos remistas. E foi o que aconteceu. Entre os que tomaram uns tabefes estava Palmério, que era o mais visado por causa da catimba. O narrador gritava: “Pega o loiro, pega o loiro!”.

Histórias que os compêndios do futebol paraense não contam, mas que a coluna faz questão de publicar em respeito ao goleiro Palmério, que pendurou as chuteiras bem a tempo de sair para abrilhantar o jornalismo brasileiro.

Mesmo na altitude, Seleção de Tite quebra recorde

A Seleção Brasileira conseguiu uma vitória acachapante sobre a Bolívia, pela 18ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, no em La Paz, estabeleceu um novo recorde na pontuação do torneio. O time de Tite envolveu totalmente os adversários e não pareceu se incomodar com o problema decorrente da altitude.

Depois de um ritmo lento no começo, dosando energias, o time foi se soltando e os gols surgindo. Lucas Paquetá, Richarlison (duas vezes) e Bruno Guimarães construíram a goleada.

Com o triunfo, a Seleção Brasileira alcançou os 45 pontos e quebrou o recorde de melhor campanha da história das Eliminatórias Sul-Americanas no formato atual. Até então, a Argentina, no ciclo para a Copa de 2002, havia somado 43 pontos e tinha a melhor marca.

O excepcional desempenho do escrete nas Eliminatórias conquista elogios gerais, mas não garante nada em relação ao que o Brasil vai mostrar daqui a sete meses no Qatar. Pelo contrário, em 2018, já sob o reinado de Tite, a fulgurante fase de classificação não impediu o fiasco em gramados russos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 30)

3 comentários em “Emoção até o último instante

  1. Segundo o Guerra, não é só futebol.
    Pego o gancho do Botafogo, que, pela avalanche de prejuízos que sofre, levou o público a consagrar a máxima “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”. Na série B última, o Botafogo nadou de braçada. Mas, vejam, teve um jogo contra o Sampaio, em que a bola entrou quase meio metro além da última linha do adversário, e que, absurdamente, a arbitragem não consignou o tento alvinegro. Um erro grosseiro como aquele seria inconcebível se fosse num lance do Flamengo. Cairia o mundo.
    Aquele lance do gol azulino mal anulado teria feito toda a diferença. Daria a tranquilidade ao time de azul e os outros gols viriam naturalmente, dada a diferença técnica e à necessidade de a Tuna fazer gols para restabelecer a possibilidade de classificação.
    Como eu disse com outras palavras, os erros capitais de arbitragem são comparados ao crime de homicídio: o culpado até mesmo pode se arrepender, mas nenhuma possibilidade haverá de restituir a vida ao assassinado. Não tem mais jeito. Ainda que o árbitro (auxiliar ou principal) seja penalizado, isto de modo algum mudará o resultado em campo.
    Foi o que vimos.
    Por boa sorte do time azulino e de sua apaixonada torcida, o Remo tem mais elenco, um goleiro excepcional (olha que eu já critiquei o Vinícius por não saber defender penalidades) e um treinador. Digo isto porque, além das defesas brilhantes do Vinícius, a estratégia de se escalar os melhores batedores de pênalti de início fez toda a diferença. Do lado tunante, o treinador deles errou ao substituir Léo Rosas e Fidélis (salvo algum problema clínico), que são bons executores. Ao mesmo tempo, para felicidade azulina, deixou o melhor deles para o final, quando melhor seria ele ter batido o primeiro pênalti.
    Méritos para Vinícius, mas também para Brener, Bruno Alves, Marlon e P. Curuá, que fizeram o que se esperava deles.
    É bom o Remo (sua diretoria) botar a barba de molho com essa arbitragem paraense. Não é que tenham má fé, mas são fracos técnica e disciplinarmente. Além do lance do gol azulino mal anulado, me chamou a atenção uma falta em que o Marlon alertava sobre a distância da barreira; o árbitro nem aí (um banana, nas palavras de Gerson Nogueira na RC). Se Marlon, que já tinha cartão amarelo, se excedesse corria o risco de ser excluído da partida.
    Que venha o PSC.

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  2. Lá por meados dos anos 1960, Palmério Vasconcelos era uma atração nos campeonatos internos do Colégio do Carmo, contando com a ajuda do professor Paulo Almeida, organizador daqueles torneios. Toda vez que o Palmério estava em campo, ecoava o vozeirão do ‘seu’ Paulo: “esse Palmério é um espetáculo!” Seu uniforme camisa vermelha, calção vermelho e meiões vermelhos eram um espetáculo, de fato.
    Quanto à seleção do Tite, sigo crente naquilo que expressei ontem no face: como essa seleção é lépida e fagueira, sem as presenças de Neymar Jr e Philippe Coutinho.

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