Gigante, Japiim goleia o Papão

POR GERSON NOGUEIRA

Foi surpreendente, sob todos os pontos de vista. Um placar inusitado e extravagante no histórico de partidas entre os dois times e uma das raras goleadas de um campeonato pouco generoso em gols. O jogo, porém, foi decidido pela garra e determinação do Castanhal, desde sempre empenhado em vencer para ter chances de classificação no Grupo C.

As armas utilizadas foram aquelas que fazem do futebol um esporte maravilhosamente imprevisível. Nenhum nó tático, nem sombra de estratégia mirabolante. A fórmula baseou-se na simplicidade: o Japiim posicionou-se no ataque, com Pecel e Leandro Cearense mais avançados, tendo Ruan, Lukinhas e Willian Fazendinha fazendo a aproximação.

Nem o campo castigado pelas chuvas e devastado pela lama pode ser atenuante para o vexatório resultado sofrido pelo PSC. Em nenhum momento, o time de Márcio Fernandes apresentou um esboço de resistência. Parecia apático, meio desligado do jogo e seguiu-se assim mesmo depois que o desastre se desenhou ainda no 1º tempo.

A classificação antecipada pode ter sido a causa dessa letargia. O time mesclado, com poucos titulares escalados, é outra boa argumentação para quem quiser passar pano para o fiasco. Ocorre que o Castanhal não tomou conhecimento daquele que é visto como o grande favorito ao título.

Leandro Cearense cobrou o pênalti sofrido por Dedé e abriu o marcador logo aos 10 minutos. Não demorou muito e veio o segundo gol, em jogada inspirada de Fazendinha para finalização de Lukinhas por cobertura, aos 30’. O terceiro gol, também bonito, veio nos acréscimos e levou a assinatura de Ruan, após derrapada de Kerve na entrada da área.

Com a goleada em construção, o PSC estranhamente não mostrou um plano de reação. E nem daria tempo para muita coisa. Aos 7 minutos, recebeu um cruzamento perfeito de Daelson para bater de chapa e marcar o quarto gol, para deleite e assombro da torcida castanhalense.

Desnorteado, sem poder de recuperação, o PSC insistia com infrutíferas tentativas de cruzamentos. O Castanhal não arrefeceu e esteve a pique de fazer o quinto gol. Pecel e Lukinhas quase marcaram em lances seguidos.

Os gritos de olé da torcida ainda não tinham sido escutados em nenhum outro jogo deste campeonato. Quis o destino que surgissem, por justiça, na maior goleada já aplicada pelo Castanhal no PSC. Apesar da precariedade do gramado, a história vai registrar que numa tarde chuvosa de março o Japiim agigantou-se diante do Papão.

Leão cresce no início, mas entrega no final

O Remo fez um primeiro tempo de muita transpiração e correria. Sem criação no meio-campo, o time de Paulo Bonamigo partiu para cima do Águia usando os corredores laterais. Pela direita, Ricardo Luz e Bruno Alves buscavam sempre chegar à área, mesma obsessão de Leonan e Ronald na esquerda.

Várias situações de perigo foram criadas nos primeiros minutos, obrigando Gustavo Henrique a duas boas defesas. Até que aos 18’ ele defendeu uma bola chutada por Brenner à queima-roupa. Empolgado com a jogada, o goleiro vibrou enquanto Bruno Alves pegava o rebote e disparava um tiro forte. Quando percebeu, a bola já estava no fundo das redes.

Todas as ações ofensivas do primeiro tempo pertenceram ao Remo, que fustigava insistentemente, mas errava nas finalizações. A zaga não sofreu porque o Águia não saía de seu próprio campo, que estava ocupado demais em se resguardar.

Apesar disso, as falhas na troca de passes entre Pingo, Anderson Uchoa e Marco Antonio, no papel de meia-armador, comprometiam a construção das jogadas. Com isso, Bruno e Brenner eram pouco explorados e quando a bola chegava pelo meio vinha rifada.

Depois do intervalo, o Remo voltou sem Brenner, lesionado. Tiago Mafra entrou e foi ocupar a ponta direita, enquanto Bruno Alves foi deslocado para uma posição mais centralizada, tendo Ronald à esquerda. Marciel substituiu Pingo e posicionou-se à direita.

Depois, entraram Veraldo e Raul. O Remo ainda foi ao ataque, perdeu duas chances, mandou uma bola na trave com Bruno Alves, mas começou a abrir a guarda para contra-ataques do Águia. De repente, aos 25’, no único ataque bem coordenado, o time marabaense chegou ao empate.

Vinícius rebateu um chute vindo da esquerda e Werick não desperdiçou a oportunidade. Com o empate, o Remo se desarticulou de vez e não conseguiu mais encaixar nenhum ataque de perigo.

Frustrada com o empate, apesar da classificação, a torcida repetiu o ritual do jogo com a Tuna. Vaiou o time, a comissão técnica e a diretoria, não necessariamente nessa ordem. Mágoas represadas do rebaixamento à Série C e da perda do título estadual de 2021.

Mata-mata chega com surpreendente equilíbrio

O PSC é o favorito mais destacado a superar o primeiro mata-mata. Terá o Tapajós como oponente. O desnível técnico é evidente, mas o time santareno sustentou um 0 a 0 com os bicolores na primeira fase.

A Tuna encara o Bragantino em duelo equilibrado. O mesmo vale para Águia e Castanhal, equipes que evoluíram nas últimas rodadas.

O Remo pega o Caeté e, se repetir os últimos quatro jogos (todos empatados), terá problemas diante do time de Josué Teixeira. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 7)