O reencontro de Lula com os participantes da “Vigília Lula Livre” em Curitiba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua agenda em Curitiba nesta sexta-feira (18) encontrando com os participantes da Vigília Lula Livre, que esteve 580 dias diante da Polícia Federal na capital paranaense, em apoio enquanto ele estava preso, por processos anulados devido à suspeição do juiz Sérgio Moro. Na primeira vez que volta à cidade, depois de sair da prisão, sua agenda não poderia começar de outra forma.

Acompanhado de sua noiva, Rosangela da Silva, a Janja, e da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, Lula se reuniu com cerca de 100 integrantes da Vigília, que chovendo ou fazendo sol, aguentaram frio e ofensas até Lula ser libertado no dia 8 de novembro de 2019.

Gleisi Hoffman agradeceu os advogados de Lula, Cristiano Zanin e Valeska Teixeira Martins, os advogados Manuel Caetano e Luiz Carlos da Rocha, que visitaram e estiveram com Lula todos os dias durante a prisão, mas lembrou da importância fundamental da luta política da Vigília. “Foi a luta de vocês que manteve viva essa esperança para o povo brasileiro, quando ninguém acreditava”.

Emocionada, Janja agradeceu a todos os participantes da Vigília, com os quais conviveu durante toda a prisão do presidente. “Hoje ele está aqui com a gente e eu não tenho palavras para agradecer vocês, para que a gente pudesse viver nosso amor aqui do lado de fora” .

Houve uma referência especial a participantes da Vigília que faleceram por problemas de saúde. A maioria deles, inclusive um membro da equipe de segurança do ex-presidente, durante a pandemia por complicações decorrentes da covid 19.

Lula agradeceu a Vigília, a todo o movimento e à equipe que lhe deu apoio e assistência durante a prisão. “Eu sempre agradeço a Deus, que sempre foi muito generoso comigo, porque, mesmo depois de me jogarem em um poço, de jogarem toneladas de mentiras contra mim, eu encontrei vocês que eu nem conhecia, e a dedicação de vocês, a confiança de vocês me ajudou a sobreviver em uma cela. ”

“Ouvir o grito de bom dia, boa tarde, boa noite de vocês era música para os meus ouvidos. Nunca imaginei que isso que a gente não liga no dia-a-dia ia ter um significado tão importante na minha vida”.

Lula abraçou e tirou foto com todos os participantes do encontro. “Pelo meu compromisso com vocês eu vou dedicar a minha vida para o Brasil ser um país mais decente e para o povo brasileiro ser bem tratado”. (Da assessoria de Lula/fotos: Ricardo Stuckert)

A frase do dia

“O golpe que vínhamos alertando se confirmou. Das 126 entidades aptas a votar na eleição (da FPF) suspensa em 21, no edital publicado hoje foram reduzidas para 79, ou seja, retiraram 47 filiados. Como já sabiam quem apoiava quem, adivinhem? Das 47, 42 assinaram com a chapa de oposição”.

André Cavalcante, advogado

Fortes sinais de perigo

POR GERSON NOGUEIRA

A vexatória eliminação do PSC na Copa do Brasil, goleado pelo CSA em Maceió, acendeu todas as luzes de alerta para o futebol paraense na temporada. A participação dos clubes paraenses ainda não terminou. Falta a estreia do Remo, que vai entrar na 3ª fase contra um adversário potencialmente mais forte, mas é possível analisar o cenário preocupante que as campanhas de Tuna e PSC desenharam.

É alarmante o desnível técnico em relação a adversários nordestinos que não frequentam a prateleira de cima do futebol brasileiro. Contra o Ceará, a Tuna escapou de uma goleada. Jogou atrás, lutando ferrenhamente para chegar à série de penalidades. Deu sorte e tomou apenas de 2 a 0.

O PSC fez um jogo mais equilibrado com o CSA, sem arriscar muito e fechando a marcação no meio-campo. Bastou, porém, um momento de desatenção para que toda a precária estratégia caísse por terra. É sobre isso que cabe uma reflexão maior.

Os três gols enfileirados entre 15 e 23 minutos do 2º tempo merecem uma reflexão pela facilidade com que foram construídos. O apagão não foi psicológico, como alguns chegaram a avaliar. O que aconteceu foi uma exibição bisonha de incompetência, iniciada no 1º tempo, quando Werley marcou aproveitando um lance de pelada na área bicolor.

A sucessão de erros que facilitou a vida do CSA não nasceu de uma pressão irresistível, mas de falhas toscas de jogadores experientes e com ampla rodagem pelo cenário das séries B e C do país.

O zagueiro Marcão pulou atrasado e deixou a bola passar para Werley cabecear, sem marcação, no segundo gol alagoano. Três minutos depois, o substituto de Marcão, Heverton, tropeçou na bola permitindo a finalização de Yann. Logo a seguir, Lucas Barcelos fez o quarto gol diante de uma defesa destroçada.

Era a zaga titular, ao contrário daquela que permitiu a goleada do Castanhal, há 10 dias, também por quatro gols. Na ocasião, havia a desculpa do campo ruim e da presença de reservas. Desta vez, não.

E que não se crucifique apenas a última linha. O problema é mais profundo. O meio-campo não combate e nem propõe jogo. O principal jogador do time, como já é rotina, não tem fôlego para dois tempos. Quando ele sai, as ações articuladas desaparecem. O PSC paga o preço de ter apostado na experiência, que só é válida quando há qualidade de fato.

Ricardinho é o único veterano que faz diferença no time. Os demais não funcionam. Henan e Toscano, preferidos do técnico, não têm o mesmo nível de Danrlei, que saiu do banco para executar a única jogada digna de aplausos nos 90 minutos, marcando um golaço. 

O tempo é cada vez mais curto, mas ainda é possível fazer ajustes para o Campeonato Brasileiro. O único aspecto positivo disso tudo é que os sinais foram dados. (Foto 1: Vítor Castelo/Ascom PSC)

Muito barulho (e intriga) por quase nada

Sem atitudes concretas para convocar a eleição, a presidência da FPF agarrou-se ontem a uma mal arrumada construção de factoide, com direito a esquema de segurança em torno do prédio-sede, sob o pretexto de se resguardar de suposta ameaça de invasão por presidentes de ligas interioranas.

Na real, o que havia sido aventado era um protesto de clubes e ligas, para cobrar mais agilidade no processo eleitoral, mas sem o caráter agressivo que a reação da FPF deu a entender. O fato é que o aparato de segurança mobilizou a imprensa e gerou muita conversa fiada em torno do nada.

Até um boletim de ocorrência foi registrado sob a justificativa de que a direção da entidade se sentia ameaçada por baderneiros. É claro que se houvesse o perigo de um enfrentamento violento as providências deveriam ser tomadas. O problema é que soou como nova manobra para desviar o foco do assunto que realmente importa: a eleição do novo presidente.

Em manifestação nas redes sociais, Ricardo Gluck Paul, um dos candidatos à presidência, opinou que “as ligas só querem ser ouvidas, valorizadas e fazer parte efetiva da federação. Chega de tratar as ligas com desprezo, soberba e arrogância”.

Com a campanha em marcha, atos e factoides tendem a se repetir cada vez mais. Enquanto a confusão se desenrolava durante a tarde de ontem, surgiu a notícia sobre a costura de uma aliança entre dois candidatos, Adelcio Torres (ex-presidente) e Paulo Romano, ex-diretor da FPF.

Remo tenta sanar a falta de um articulador

Erick Flores, o principal articulador do Remo quando Felipe Gedoz está ausente, como agora, já deu a letra. Os gramados têm atrapalhado muito o desenvolvimento do jogo. Refere-se aos três confrontos que o time precisou fazer fora de Belém. Além de atuar em bons campos, ele precisará demonstrar criatividade para fazer a equipe render mais.

O Remo jogou em Parauapebas e derrotou o Itupiranga por 3 a 0, mas empatou em 0 a 0 com Paragominas e Bragantino atuando nas cidades. Volta agora ao estádio Diogão para enfrentar o surpreendente Caeté e precisará ser mais eficiente na transição e nas variações de jogadas.

Flores será o responsável pela movimentação da equipe a partir do meio-campo. Ainda não entregou uma grande atuação no presente campeonato, mas vai ter amanhã uma nova chance, justo quando o time mais precisa de organização na meia-cancha.

No jogo da 8ª rodada, contra o Águia, Paulo Bonamigo tentou fazer de Marco Antônio o armador da equipe. Não deu certo porque o jogador não tem o mínimo cacoete de organizador. Avançou quando não deveria e se manteve no meio quando a situação exigia avançar. 

Por tudo isso, Flores continua a ser a melhor (e única) alternativa para a função. Pode não ser a opção ideal, mas é a possível.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 18)