A morte de um gigante

Orlando Brito, que morreu nesta sexta-feira, é um dos maiores fotojornalistas brasileiros. Cobriu política nacional como poucos. É dele esta imagem de 1974 que correu o mundo e denunciou a situação de miséria a que a ditadura militar atirou, da noite para o dia, os indígenas Panará. Conhecidos também como Krenakore, os índios Panará foram oficialmente contatados em 1973, quando a estrada Cuiabá-Santarém ainda estava em construção e cortava suas terras. Orlando fez carreira nos jornais Última Hora e O Globo, principalmente. Foi um dos mais premiados jornalistas brasileiros.

Vai fazer falta.

Arnaldo Brandão e as andanças em Londres com o gênio Mick Taylor

Stones Planet Fanzine esteve no Rio de Janeiro para acompanhar a festa de lançamento do livro “Sexo, Drogas e Rolling Stones”, de Nélio Rodrigues e José Emílio Rondeau. Lá, o fanzine conversou com o brasileiro Arnaldo Brandão, ex-baixista do grupo A Bolha, que viveu quase dois anos em Londres na casa de Mick Taylor no começo dos anos 1970 – na foto acima. Arnaldo contou pormenores das lamentações de Taylor em relação aos Stones, que em 1974 o fizeram deixar a banda. Na entrevista abaixo, Arnaldo Brandão revela um pouco da intimidade de Taylor e dos Rolling Stones.

STONES PLANET FANZINE – Como você conheceu o Mick Taylor?

Arnaldo Brandão – Nossa amizade começou por acaso. Eu tinha 20 anos, tinha ganho uma grana boa com a minha antiga banda (A Bolha). Era 1972, um ano difícil de viver no Brasil, havia a ditadura do Regime Militar. Eu queria respirar novos ares e fui morar em Londres. Um amigo nos deu o contato do Ruphus Collins, ator do Living Theatre. Quando eu e minha ex-esposa (Cláudia) chegamos a Londres, ligamos para o Ruphus. Ficamos amigos dele. Através do Ruphus conheci o Mick Taylor e os demais Stones e também Anitta Pallemberg e Bianca Jagger. Fiquei muito amigo do Mick Taylor e moramos com ele quase dois anos anos.

SPF – Conte um pouco sobre como você acabou morando com o Mick Taylor.
AB – O Mick Taylor estava comprando uma casa em St. John’s Jerusalem, a 45 minutos de trem do centro de Londres. O Mick nos convidou para morarmos juntos na mansão dele. Foi um período de muita diversão e muito rock and roll.

SPF – O Mick Taylor era realmente tímido demais?
AB – Era muito introvertido. Desde que eu conheci o Mick Taylor ele reclamava dos Stones. Dizia que queria sair da banda, que o grupo não dava atenção às composições dele. Dizia que fazia arranjos e não era recompensado. Como o Mick era mais novo do que os demais Stones, ele era mais próximo de mim, porque tínhamos a mesma idade. Ele era muito tímido e não sei por quê, mas sempre mostrou desejo de sair da banda. Eu dizia para ele não deixar os Stones de forma alguma. Ele respondia que queria gravar um disco solo. Falava para ele gravar o álbum sem sair da banda, porque ele tinha tempo de sobra para fazê-lo nos intervalos dos Stones. Até gravamos juntos muitas canções. Ele tinha várias músicas e ficávamos tocando no estúdio de casa.

SPF – O que mais o Mick Taylor dizia sobre os Stones?
AB – O Mick reclamava que a banda não ensaiava direito, que o Keith aumentava o volume da guitarra dele nos concertos e que ele não conseguia ouvir a sua própria guitarra. Eram reclamações meio infantis na minha opinião. Logo depois ele realmente deixou a banda. Foi uma decisão dele. Acho que não havia necessidade de o Mick ter deixado os Stones. Ele poderia ter um trabalho solo e continuar na banda.

SPF – Foi uma decisão errada, portanto?
AB – Acho que sim. Na verdade, o Mick Taylor se incomodava com o sucesso.

SPF – Você manteve contato com o Mick Taylor depois desse período em que moraram juntos?
AB – Estive com o Mick Taylor novamente quando ele veio ao Brasil para fazer shows em São Paulo, em outubro de 1990.

SPF – Você acompanhou a carreira do Mick depois dos Stones?
AB – O Mick é muito tímido e isso torna difícil para ele se mostrar. Provavelmente ele se arrependeu de ter deixado os Stones. Nunca conversamos muito sobre isso, mas ele não aguentava o assédio da imprensa, nem suportava o sucesso. Ao mesmo tempo, ele não soube administrar emocionalmente todo o sucesso que ele fazia com os Stones. Ganhava muito dinheiro, havia muitas drogas em cena, o que desequilibra a pessoa emocionalmente. Muito dinheiro e droga demais atrapalham a cabeça das pessoas. Mas não se pode botar a culpa nas drogas. O fato de ele ser muito tímido e estar numa banda de sucesso estrondoso o assustou. Além disso, embora ele seja uma pessoa muito simples, tem um ego enorme. Por isso, quis formar uma banda com o Jack Bruce. Todo mundo sabia que o Jack Bruce era doido demais e que as bandas dele não duravam muito. Acho que o Mick Taylor quebrou a cara.

SPF – O Ronnie Wood sempre disse que uma das razões que o fizeram aceitar o convite para tocar nos Stones era que ele conseguia acompanhar o ritmo de vida da banda. Você acredita que o Mick Taylor não conseguia acompanhar o ritmo dos Stones?
AB – (risos) É isso. O Mick Jagger e o Keith Richards sempre foram muito amigos do Ronnie. Acompanhei várias gravações do primeiro album solo dele (I´ve Got My Own Album to Do), o Keith estava usando muitas drogas. O Ronnie acompanhava o ritmo do Keith, embora pegasse um pouco mais leve. Todo mundo achava que o Keith morreria logo. Esse cara teve muita sorte, porque nunca vi ninguém abusar tanto das drogas e continuar vivo.

SPF – Que impressão os Stones causaram em você?
AB – Eu tive muito contato pessoal com o Mick Taylor. Falei pouco com Mick Jagger e Keith Richards. Tive até mais contato com a Anita e com a Bianca do que com eles. O Jagger é uma pessoa muito bem humorada, alegre, engraçada e otimista. O Keith era mais introvertido. O negócio dele era tocar, não gostava de ficar de papo furado. Além disso, sempre que encontrei o Keith ele estava muito doidão. (risos).

SPF – O nome do livro de Nélio Rodrigues e José Emílio Rondeau (Sex, Drugs and Rolling Stones) é perfeito?
AB – Exatamente, com certeza. Foi época de exageros. Todos tínhamos 20 anos.

***Matéria originariamente publicada na edição 26 do Stones Planet Fanzine, em 2008. O texto acima é uma versão para o português.

Consequências da trapalhada

POR GERSON NOGUEIRA

A paralisação do Campeonato Estadual causada pelas denúncias do Paragominas contra Bragantino e Águia impacta diretamente na vida dos clubes que têm outras competições a disputar no semestre. Mesmo que a competição seja retomada na próxima semana, os jogos da 2ª fase só deverão ser marcados para o fim de semana seguinte, 19 e 20 de março.

Tudo porque Tuna e PSC jogam no meio da próxima semana pelo segundo giro da Copa do Brasil. Os tunantes enfrentam o Ceará, em Fortaleza, na terça-feira e o Papão encara o CSA, em Maceió, na quarta.

De maneira geral, todos os oito clubes que seguem na disputa ficaram prejudicados com a interrupção do Parazão. A parte mais séria é que os quatro clubes que serão eliminados na 2ª fase irão arcar com um mês a mais de salários devido a esse prolongamento de datas.

Em meio a isso, as trapalhadas administrativas que forçaram a paralisia geram consequências de natureza técnica. O PSC, que se prepara para o confronto com o CSA, deve entrar desgastado na primeira partida do primeiro mata-mata, contra o Tapajós.

Márcio Fernandes tenta ajustar um time que ainda não decolou no aspecto ofensivo. Apesar da boa pontuação (17), que garante a liderança geral na classificação do campeonato, os gols nasceram em grande parte de ações de volantes e zagueiros. Os atacantes tiveram baixa contribuição.

Henan e Marcelo Toscano são os mais contestados pela torcida. Ainda não marcaram no campeonato e o centroavante perdeu um pênalti contra o Independente. Dioguinho, com três gols, é o melhor anotador entre os atacantes, e nem é titular. Danrlei marcou um gol.

Encontrar um modelo para deixar Toscano mais à vontade é um dos desafios de Márcio. Reconhecidamente bom jogador, o atacante de 36 anos tem atuado em quase todos os jogos da temporada, mas não consegue se destacar, nem como construtor de jogadas e nem como finalizador.

Diante dos adiamentos de jogos, a agenda de treinos se altera e afeta os planos do Papão, que nem pode cogitar a ideia de lançar um time B no campeonato, pois a competição é vista como prioritária: o clube luta pelo tricampeonato e o 50º título estadual.

Dispensas põem em xeque planejamento do Remo

O anúncio da saída do atacante Veraldo, logo depois da liberação de Luan e Welthon, acentuou a impressão generalizada de que o planejamento do Remo para o começo da temporada – e as disputas do Campeonato Paraense e da Copa do Brasil – foi no mínimo atrapalhada.

Para quem contratou 15 atletas no início do ano, o Remo errou além do desejável. Além de desperdiçar um tempo precioso com apostas que não se consolidaram, houve hesitação na busca por boas opções de ataque.

Brenner e Bruno Alves foram as melhores aquisições e são, por justiça, titulares absolutos. Luan e Veraldo, indicações de Maicon Gaúcho e João Galvão, respectivamente, não encontraram espaço. Luan entrou em campo duas vezes, com pífio rendimento.

Veraldo entrou sempre como opção de segundo tempo. Teve boa movimentação contra o Bragantino, e ficou nisso. Atuou com a camisa do Remo por apenas 70 minutos, longe de representar uma alternativa confiável para o técnico Paulo Bonamigo.

Welthon foi o caso mais surpreendente, pois havia atuado bem nos minutos finais contra o Itupiranga. Sem merecer a confiança de Bonamigo, optou por pedir liberação e foi reforçar o Castanhal. O problema aqui não foi o jogador, mas quem o recomendou e não confiou que pudesse ser pelo menos um bom substituto para Brenner.

De todos os contratados, além de Brenner e Bruno Alves, só Everton Sena, Ricardo Luz, Leonan e Marco Antônio conquistaram a titularidade. Seguem como titulares do banco de reservas

Em meio à lambança, FPF homenageia interina

A FPF continua sem publicar edital explicitando o calendário eleitoral e nem convocou a assembleia geral. A eleição inicialmente marcada para 15 de março já foi adiada para abril, sem data definida. A indicação de Graciete Maués (presidente licenciada da Tuna) não foi suficiente para agilizar o processo. Desde dezembro a entidade está sem comando.

Não por coincidência, os problemas foram se acumulando ao longo do mandato-tampão de Graciete. Por erro no horário do ônibus que levaria as delegações de Amazônia e Itupiranga, a última rodada da fase de classificação do Parazão foi adiada por uma semana.

Depois, por omissão da federação, surgiu a novela envolvendo os jogadores Hatos (Bragantino) e Guga (Águia), motivo da suspensão do campeonato decretada na terça-feira (8) pelo presidente do TJD, Mário Célio Alves.

Em meio a esse turbilhão, a última coisa que a FPF precisava inventar era um torneio de louvação à presidente interina, com a justificava de homenagear o Dia Internacional da Mulher.

Através de suas redes sociais, a entidade anunciou a realização de um torneio feminino entre Esmac (time B), Clube do Remo, Paysandu, Tiradentes, Cabanos e Terra Alta. Os jogos serão realizados domingo, 13, a partir das 9h, no estádio do Souza.

Como se não houvesse amanhã, a FPF resolve promover um evento desnecessário, que soa como escárnio aos olhos do torcedor diante das lambanças administrativas que ameaçam o Parazão 2022.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 11)

Rock na madrugada – Procol Harum, “A Salty Dog”

Gary Brooker, que morreu em 19 de fevereiro deste ano, aos 76 anos, foi o principal vocalista do Procol Harum. A banda, formada em 1967, foi uma das expoentes do rock inglês da época. Estourou mundialmente com o clássico “A Whiter Shade of Pale”, que vendeu mais de 10 milhões de cópias. Conhecida pela forte influência barroca e clássica, a música do grupo também se estende generosamente ao blues, R&B e soul. Em 2018, a banda foi homenageada pelo Rock and Roll Hall of Fame, quando “A Whiter Shade of Pale” foi introduzido na nova categoria Singles.