Arbitragem rouba a cena

POR GERSON NOGUEIRA

O campeonato, açoitado por lambanças de tribunal, desorganização e omissão da FPF e baixa qualidade dos times, agora tem outro problema a assombrá-lo. Como se não faltasse mais nada de ruim para acontecer, as arbitragens ganham proeminência e passam à condição de protagonistas, o que nunca é bom sinal.

Depois de ter sido apenas razoável na primeira parte da disputa, o desempenho dos árbitros periga virar protagonista justamente na fase de mata-mata, onde falhas costumam ser decisivas e irremediáveis.

Logo na primeira rodada da 2ª fase, neste fim de semana, três jogos refletiram no placar final erros graves de interpretação. No sábado, Caeté e Remo empataram em 1 a 1, no estádio Diogão, com influência direta do árbitro Marcos José de Almeida na definição do resultado.

Ele marcou um pênalti para o Remo a partir de um lance de área com Cassiano, do Caeté. Em cruzamento de Leonan, o defensor foi para o desarme com o braço esticado, mas a bola resvalou em seu rosto. Em seguida, tocou na mão de outro zagueiro e saiu pela linha de fundo.

Ao invés de marcar o escanteio, o árbitro deu a penalidade que permitiu ao Remo empatar o jogo. A decisão pareceu influenciada por outro erro de Marcos José, ocorrido ainda no 1º tempo. Ele deixou de assinalar um pênalti sobre Bruno Alves, do Remo, puxado pelo zagueiro Léo Costa.

A infame lei da compensação parece ter passeado pelo estádio Diogão sacramentando um duplo erro cometido pelo apitador. Há quem normalize marcações que acomodam situações, mas o fato é que um erro não pode justificar ou ensejar outro.

Em Marabá, no jogo entre Águia e Castanhal, um lance foi muito reclamado pelo Japiim. A bola tocou visivelmente no braço de um defensor do Águia dentro da área, mas o árbitro Gustavo Ramos Melo entendeu como jogada normal. Antes, no primeiro tempo, o Águia reclamou (com razão) de um empurrão sobre o atacante na área castanhalense.

Ontem pela manhã, no Souza, em confronto de sete gols, a suada vitória do PSC sobre o Tapajós foi selada com um gol originado de um lance faltoso na intermediária. Fernando Portel, do Tapajós, levou um safanão de Yure no rosto, mas o árbitro Joelson Nazareno Cardoso deu sequência à jogada.  

Em situação normal, o árbitro deveria ter aplicado o cartão amarelo. São as determinações da Fifa para faltas desse tipo, consideradas como agressão.

A exceção na rodada foi o jogo entre Bragantino e Tuna (1 a 1), apitado por Olivaldo Morais em Bragança, que não teve interferência da arbitragem.

Vitória com direito a sustos e novo apagão

O PSC tinha tudo para atropelar o Tapajós. Começou bem. Fez um gol antes de um minuto, com Genilson aproveitando cruzamento na área. Quando se imaginava que a atuação iria apagar os vexames recentes, eis que o time voltou a titubear, permitiu a reação do Boto e só foi garantir a vitória nos acréscimos.

O placar final de 4 a 3 expressa as dificuldades que o time de Márcio Fernandes teve para superar um Tapajós empenhado em marcar do início ao fim. Depois do 1 a 0, o time santareno insistiu no ataque e empatou com Bambelo, grande destaque individual da partida.

Com boa movimentação no meio, a partir dos passes e cobranças de Ricardinho, o PSC voltou a controlar as ações e marcou duas vezes, com Danrlei e Felipe Macena (contra). A vitória parecia líquida e certa.

Veio o 2º tempo e os ventos mudaram. Aos 5 minutos, Bambelo diminuiu aproveitando rebote do goleiro Elias. Aos 13’, Otávio cobrou pênalti, sofrido por Bambelo, empatando de novo. O que era domínio tranquilo virou agonia. A vitória só veio aos 46’, no sufoco, em jogada iniciada por Yure que Polegar finalizou com perfeição após um toque sutil de Henan.

Apesar dos três pontos, Márcio Fernandes terá muito trabalho para arrumar o setor defensivo, que sofreu a terceira pane defensiva consecutiva. Sofreu 11 gols em três jogos – Castanhal (4 a 0), CSA (4 a 1) e Tapajós (3 a 4). A instabilidade é a marca da defesa bicolor.

Lento e sem inspiração, Leão sofre para empatar

O Remo teve 12 dias para treinar e se preparar para a estreia na fase de mata-mata do campeonato. O que foi mostrado em campo contra o Caeté, no sábado, deixou claro que os treinos não serviram para nada. O time continua a repetir os mesmos erros da fase de classificação.

Sem inventividade nas tentativas de envolver o adversário, a jogada preferencial passa a ser a ligação direta, através de chutões dos zagueiros Everton Sena e Marlon. Para piorar, a defesa falhou no gol do Caeté ao aplicar a linha de impedimento.

É raro esse tipo de ensaio dar certo mesmo em times acostumados a fazer o movimento de se adiantar em cobranças de falta. Alguém sempre esquece de sair a tempo e garante a normalidade da jogada. Foi o que ocorreu. Paulinho chegou em condições de receber e cabecear para as redes. 

O Remo empatou após uma das muitas subidas de Leonan ao ataque. Ele se projetou na área, recebeu passe preciso de Erick Flores e cruzou. A bola bateu no rosto do zagueiro Cassiano e o árbitro marcou o pênalti, sob protestos dos jogadores do Caeté. Bruno Alves cobrou e empatou: 1 a 1.

No segundo tempo, Paulo Bonamigo botou Tiago Mafra, Marciel e Tiago Miranda. E foi Miranda que quase virou o marcador com um chute colocado que o goleiro espalmou e Mafra não soube aproveitar.

Para se tornar realmente competitivo e quebrar a sequência de cinco empates (seis no total), Bonamigo terá que operar um pequeno milagre: fazer o time acelerar a transição e arranjar um articulador, que não pode ser Marco Antonio. Erick Flores deveria ser oficializado na função. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 21)