Hidrovia Araguaia-Tocantins: entidades apontam riscos de desastre ambiental

Comunidades tradicionais temem impactos consideráveis na pesca, no equilíbrio ambiental e na sobrevivência da população

Uma obra que pretende viabilizar a navegabilidade da hidrovia Tocantins-Araguaia durante todo o ano, inclusive em períodos de seca, leva preocupação a diversas comunidades tradicionais e populações originárias que vivem no Baixo Tocantins, no Pará.

O projeto prevê mudanças em trechos de pedreiras e corredeiras que ocupam mais de 40 quilômetros. A derrocada de pedras tem potencial para mudar a biodiversidade local e causar impactos significativos nos modos de vida das famílias da região.

Com indicações do governo federal de que o andamento do processo deve ser acelerado, entidades católicas divulgaram uma alerta pedindo que soluções sejam encontradas para que o empreendimento não cause prejuízos às comunidades. 

Entre os potenciais danos listados estão a perda de área de pesca, a poluição por defensivos, resíduos e combustível das embarcações, os riscos à biodiversidade e os impactos nos modos de vida de quem vive no local. 

O bispo da Diocese de Cametá (PA), Dom José Altevir da Silva, membro da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil), afirma que a obra é mais uma na lista de projetos que se desenvolvem de “maneira brutal” na Amazônia brasileira.

Uma obra que pretende viabilizar a navegabilidade da hidrovia Tocantins-Araguaia durante todo o ano, inclusive em períodos de seca, leva preocupação a diversas comunidades tradicionais e populações originárias que vivem no Baixo Tocantins, no Pará.

O projeto prevê mudanças em trechos de pedreiras e corredeiras que ocupam mais de 40 quilômetros. A derrocada de pedras tem potencial para mudar a biodiversidade local e causar impactos significativos nos modos de vida das famílias da região.

Com indicações do governo federal de que o andamento do processo deve ser acelerado, entidades católicas divulgaram uma alerta pedindo que soluções sejam encontradas para que o empreendimento não cause prejuízos às comunidades. 

Entre os potenciais danos listados estão a perda de área de pesca, a poluição por defensivos, resíduos e combustível das embarcações, os riscos à biodiversidade e os impactos nos modos de vida de quem vive no local. 

O bispo da Diocese de Cametá (PA), Dom José Altevir da Silva, membro da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil), afirma que a obra é mais uma na lista de projetos que se desenvolvem de “maneira brutal” na Amazônia brasileira.

Conta não fecha

Os riscos que a ampliação da hidrovia pode trazer para as populações tradicionais impulsionam reações também entre movimentos sociais. Carmem Foro, secretária nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), acompanha a situação das famílias da região de perto e afirma que elas correm “todos os riscos possíveis” com o empreendimento.

Ela aponta que uma das justificativas para o projeto é o barateamento do transporte de cargas, mas a conta para a população não fecha. 

“Estamos falando de populações que vivem secularmente às margens do Rio Tocantins, que vivem da pesca e usam o rio para tudo. Esse empreendimento pode acabar com tudo. Claro que isso afeta diretamente a economia”, diz Foro.

Implosão de quilômetros de pedreira

Nas palavras da ativista, “Implodir quilômetros de pedral, por si só, já é um desastre ambiental”. Segundo ela, “serão três anos de implosão e não vai ficar nada”. “Nessa área, tem muito pescado, que serve economicamente para o estado e para fora do estado. Imagine, três anos para destruir um pedral que a natureza construiu por milhares de anos”, destaca.

Apreensão da comunidade

Entre as comunidades, o empreendimento gera apreensão. A quilombola e pescadora Maria José conta que, quando o projeto foi apresentado, as populações locais não foram consultadas e que, mesmo agora, o diálogo é insuficiente. 

“Eles dizem que vai gerar emprego e muita coisa para a comunidade, mas nós sabemos que não é verdade, pela construção da hidrelétrica de Tucuruí. Nós estamos com muito medo de a miséria voltar. Água é vida e, com a escavação, nós vamos perder nosso rio. O que vai ficar para nós é só rejeito. Nós não queremos a hidrovia, nós queremos vida. O rio não é mercadoria, o nosso rio é vida”, defende.

A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para obter mais informações sobre o diálogo com a comunidade e a autorização para as obras. 

Em nota, o Ibama informou que “a análise de viabilidade ambiental do empreendimento contempla, dentre outras avaliações, estudo do diagnóstico socioeconômico, que considera o impacto sobre as comunidades”, mas não deu mais detalhes sobre o processo. 

Por: Nara Lacerda
Fonte: Brasil de Fato

Fefeu, o último ponta raiz

POR GERSON NOGUEIRA

Quando cheguei em Belém, vindo de Baião encarapitado num barco carregado de castanha-do-Pará, Fefeu estava no auge da carreira. Era um ponteiro direito extremamente temido – e caçado pelos adversários – pelos dribles em velocidade e os cruzamentos caprichados. Brilhava com a camisa 7 da Tuna, uma homenagem involuntária a Mané Garrincha, ídolo maior do seu amado Botafogo.

Ainda cheguei a tempo de ver Fefeu jogar ao lado de Omar, Marinho, Abel, Mesquita, Antenor, Leônidas e Gonzaga, um dos times tunantes mais icônicos, talvez o mais presente na memória afetiva do torcedor.

Naquela faixa estreita do campo, o corredor direito, Fefeu era senhor absoluto de seus atos. Talvez fosse o lugar em que ficasse mais à vontade. Avançava velozmente, como flecha, amparado pela segurança que Marinho lhe garantia nas subidas ao ataque.

Baixo e esguio, como costumam ser os pontas, Fefeu era um legítimo representante da dinastia de grandes extremas que o futebol brasileiro pariu ao longo dos anos, bem mais no passado do que hoje.

Como Neves, antes dele, e Lupercínio, Evandro, Careca e Landu depois, ele chegava sempre um átimo de segundo antes do marcador, a tempo de escapar com a bola em disparada ou finalizar para as redes.  

Não havia campo ruim, nem zagueiro carrancudo capaz de intimidar o intrépido Fefeu. Eram tempos brutos, sem chuteiras multicoloridas, sem cabelos aloirados à força. O futebol raiz não era dado a distrações.

Depois de fazer história com a camisa da Cruz de Malta, Fefeu foi reforçar o ataque do Papão no Brasileiro de 1983. Fez boa figura, mas não a ponto de superar suas façanhas no velho estádio Francisco Vasques.

Fefeu estaria atento, torcendo muito, no desafio da Águia Guerreira diante do Ceará Sporting, hoje em Fortaleza, pela Copa do Brasil. Será também por ele que o time cruzmaltino vai lutar bravamente contra o representante alencarino. Merece, como presente póstumo, uma grande vitória.

Vítor Lube, Léo Rosa, Jayme, Lucão, Kauê e Edinaldo, entre outros, têm a missão de honrar o legado do grande Fefeu. Que sejam bem sucedidos!

Fim da lambança: TJD decide reabrir o Parazão

O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD), Mário Célio Alves, disse ontem, após o julgamento dos recursos de Bragantino e Águia, que o Campeonato Paraense pode ser reiniciado normalmente a partir de agora. A rigor, tudo teria sido mais simples se o TJD não tivesse se precipitado ao impor a paralisação da competição.

O processo retorna agora para a origem, a 2ª Comissão Disciplinar do tribunal, onde Hatos e Guga serão submetidos a um novo julgamento.

A denúncia do Paragominas, alegando situação irregular dos atletas Hatos e Guga, ganhou do tribunal um amparo imerecido e tornou ainda mais bagunçado um campeonato já marcado por erros em série da Federação Paraense de Futebol, entidade gestora do torneio.

Os dois atletas pertenciam ao Itupiranga em 2021 e foram julgados e condenados após terem sido expulsos. Como estavam de saída do clube, não foram notificados do julgamento e acabaram penalizados à revelia, o que derrubou a denúncia apresentada pelo Paragominas.

O PFC, por sinal, poderia ter sido punido com base no princípio da nulidade de algibeira, pois tinha conhecimento da situação de Hatos e Guga e só decidiu denunciá-los depois que foi rebaixado, em campo, para a Segunda Divisão do Parazão.

“Amanhã (hoje, terça) a Federação será notificada que o campeonato pode retornar. Sem alterações. O campeonato retoma de onde parou”, anunciou o presidente do TJD ao final da sessão.

Por suas palavras, parece que tudo está bem. Não é bem assim. O julgamento de ontem não recupera os dias perdidos inutilmente. Não vai bem um campeonato que desrespeita princípios básicos do desporto e pune clubes, torcidas e patrocinadores com a incompetência dos que são responsáveis por sua preservação.

Direto do blog campeão

“O que pensam os patrocinadores desse ‘Peladão’ ao verem suas marcas associadas a esse festival de bagunças? Não seria oportuno deixar de patrocinar clubes em dinheiro, quase sempre torrado nas contratações de jogadores sub-40, em final de carreira, e priorizar investimentos em infraestruturas dos estádios no interior, principalmente gramados (com drenagem técnica) e iluminação (LED), que atenda aos padrões CBF? Seria o mínimo para que se pretenda voltar a ter um campeonato estadual, e não um torneio metropolitano, que justifique usar a terminologia Parazão!”. George Carvalho

Sobre a guerra do fim do mundo

O bilionário Roman Abramovich, dono do Chelsea, é um dos sete cidadãos russos incluídos pelo governo britânico na lista de indivíduos sob sanções, em reação à invasão da Ucrânia pelas tropas de Vladimir Putin. A decisão provoca congelamentos de bens e obriga Abramovich a vender o clube.

Seu crime? Ser russo. Os absurdos dessa comédia de enganos se completam quando vem à tona o nome do provável comprador: um grupo árabe cujo dono é o ditador da Arábia Saudita, denunciado por torturas, prisões ilegais e mais de 370 mil mortes.

A guerra é um campo de batalha e de negócios improváveis. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 15)