Leão estreia com autoridade

POR GERSON NOGUEIRA

A estreia do Remo no Brasileiro da Série C quase foi sabotada pelo inverno amazônico. A tempestade que desabou sobre Belém no sábado à tarde deixou o gramado do Baenão enlameado, não permitindo o básico do jogo no primeiro tempo: a bola simplesmente não rolava. Por conta disso, os jogadores se dedicaram a ralis aéreos, com chutões de um lado a outro.

Um pelotaço de Leonan salvou a partida do tédio no primeiro tempo. Aos 11 minutos, pegou um rebote na intermediária do Vitória e chutou de pé direito, no canto esquerdo da trave de Lucas Arcanjo. Segundo gol de Leonan em quatro dias – na quarta-feira, na decisão do Parazão, foi dele o gol que deu o título ao Remo.

A rigor, na etapa inicial, pouca coisa aconteceu de interessante além do gol de Leonan. O jogo ficou limitado a muitas faltas, passes errados, balões predominando e a bola maltratada em excesso. Diante disso, o Remo tinha mais é que sair festejando, afinal conseguiu estabelecer vantagem num confronto pobre em oportunidades de gol.

O Vitória tentava chegar ao ataque com Allan Santos, Tréllez e Roberto. Conseguia conduzir a bola até às proximidades da área, mas não aprofundava. Os chutes também não ameaçavam Vinícius.

A chuva deu um tempo e o jogo ficou quase normal no segundo tempo. A bola rolava um pouco mais e o Remo se aproveitou disso para botar pressão nos minutos iniciais. Bruno Alves, Brenner e Rodrigo Pimpão tentavam furar o bloqueio defensivo com jogadas rápidas, mas a insistência resultava inútil porque o Vitória se fechava com cinco homens na última linha.

Paulo Bonamigo percebeu que precisaria ir além da marcação forte no meio – com Uchoa, Paulinho Curuá e Marciel – para se estabelecer ofensivamente. Aos 12 minutos, fez três mudanças: Felipe Gedoz, Fernandinho e Netto substituíram Marciel, Pimpão e Bruno Alves.

A mexida recolocou o Remo no controle das iniciativas. Aos 24’, Curuá cruzou e Brenner cabeceou com estilo, mas a bola foi fraca e facilitou a defesa de Arcanjo. Em seguida, outra chegada forte, com Brenner novamente desviando de cabeça, com muito perigo.

De repente, devido a erros de Ricardo Luz na saída pela direita, o Vitória deu o ar da graça. Aos 30’, Ewerton Páscoa finalizou, Vinícius fez grande defesa. No rebote, Eduardo emendou de fora da área no canto esquerdo. O goleiro saltou e espalmou para escanteio.

Aos 36’ aconteceu a trama mais vistosa da partida. Gedoz recebeu dentro da área baiana, girou e deu um passe de calcanhar para Brenner, que chega finalizando, mas o chute travou na firme marcação baiana.

Netto, o mais insinuante dos estreantes, invadiu a área e foi derrubado por Iury, aos 40’. Brenner pegou a bola e cobrou com perícia, no canto direito da trave, deslocando o goleiro Lucas Arcanjo. O gol fez o Baenão entrar em êxtase e os jogadores exageraram nas comemorações.

O Vitória aproveitou a desatenção e saiu rápido para o ataque. A bola foi cruzada da direita, foi rebatida e novamente lançada na área, chegando em Alisson Santos, que bateu para o fundo das redes.

Vitória conquistada com esforço, disciplina e foco, coroando uma semana iluminada para os remistas. Após o jogo, as luzes foram apagadas para que jogadores e torcida festejassem o título estadual ganho na casa do rival.

Estreantes se destacam, apesar do desentrosamento

Netto, correndo pelo lado direito, foi o principal destaque entre os estreantes do Remo no confronto de sábado. Além da rapidez e dos dribles, mostrou arrojo para criar três boas jogadas. No final, sofreu o pênalti que assegurou a vitória.

Rodrigo Pimpão, que entrou de cara, esteve por mais tempo em campo e impressionou pela entrega. Correu muito e participou ativamente da movimentação ofensiva no primeiro tempo, apesar das condições do campo. Saiu na etapa final para a entrada de Fernandinho.

Renan Castro jogou por apenas 10 minutos, tempo suficiente para mostrar força na marcação. Fernandinho apareceu menos, embora tenha sofrido com o bloqueio que o Vitória exercia no lado direito da defesa.

Derrota na estreia frustra alvinegros afobados

Esperava-se muito da estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro, bem mais do que seria sensato. Pelas movimentações que o clube fez no mercado após sacramentar a SAF, ficou a impressão de que seria possível organizar e montar um grande time em tempo recorde. Futebol, como se sabe, não funciona assim.

Jogadores recém-contratados, como Patrick de Paula e Victor Sá, ainda precisam de mais entrosamento com o resto da equipe. Aliado a isso, há o fato de que o time está há menos de duas semanas com um novo técnico, o português Luís Castro.

A derrota frente ao Corinthians, ontem, frustrou as expectativas dos torcedores mais exigentes e empolgados, mas não deixa de ser um resultado normal nas atuais circunstâncias.

Como é próprio da alma botafoguense, forjada no 8 ou 80, muita gente já começou a questionar a SAF após o primeiro jogo importante dentro do novo modelo. A torcida precisa entender que a reconstrução do Botafogo não pode ser resolvida de uma hora para outra. Muita calma nessa hora.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 11)