Tribuna do torcedor

“O PSC tem vários bodes na sala e Ricardinho, Marcelo Toscano e Henan são os mais barbudos. Este time contratado pelos dirigentes é uma enganação e estes jogadores sub-40 deveriam entender que o tempo deles já passou. Além destes três ilustres bodes, ainda há uma manada de cabritos que não fazem nenhuma diferença no plantel. Falta garra, respeito pela camisa e, sobretudo, um mínimo de qualidade. Na minha opinião, ficariam os goleiros, Igor Carvalho, Serginho, José Aldo, Robinho e Danrlei. Aproveitaria a onda de boataria e mandaria o resto dos cabritos, quem comprou e os tratadores todos pra comerem em outro pasto. O PSC vai ter que lutar pra não cair, pois neste novo formato a Série C ficou mais difícil”.

Aldo Valente, torcedor alviceleste

Operação abafa: PSC desmente boatos sobre saída de Ricardinho

A notícia estourou como bomba, na manhã desta segunda-feira, na Curuzu. O veterano volante Ricardinho, 36, principal contratação do PSC para a temporada, com salário superior a R$ 100 mil, teria pedido para deixar o clube antes da decisão contra o Leão, no domingo (2). A repercussão foi mais forte porque o jogador deixou o campo aos 30 minutos de jogo, alegando contusão no dedão do pé, quando o PSC já perdia por 1 a 0. O Remo venceu a partida por 3 a 0 e abriu vantagem na decisão do Campeonato Estadual.

Diante da informação veiculada por sites de Belém, o presidente Maurício Ettinger negou que Ricardinho tenha pedido rescisão de contrato. Segundo ele, tudo não passa de boataria. Ainda nesta segunda-feira, 04, o volante ficou de ser reavaliado pelo DM do PSC para verificar a extensão da lesão. Além do presidente, o executivo Fred Gomes também desmentiu a informação: “Isso não procede. É tudo mentira”. Ana, esposa do jogador, também foi às redes sociais desmentir a saída de Ricardinho:

À tarde, a Assessoria de Comunicação do PSC distribuiu entrevista de Ricardinho, reafirmando que vai cumprir seu contrato com o clube, que inclui a campanha no Brasileiro da Série C. Fica evidente que o clube procurou blindar o jogador até para abafar um começo de crise às vésperas da última partida do Parazão. Nas redes sociais, a torcida mostra-se revoltada com a derrota frente ao rival e cobra providências da diretoria.

No clássico disputado no estádio bicolor, pela fase classificatória, o atleta sentiu uma lesão na coxa no começo do 2º tempo. Desde que chegou a Belém, Ricardinho atuou em 11 das 12 partidas do PSC e marcou dois gols. Com histórico de problemas físicos desde a temporada passada, quando defendeu o Botafogo na Série B, o volante só conseguiu jogar por dois tempos uma única vez no Parazão.

Papão anuncia dois reforços para a Série C

O PSC anunciou nesta segunda-feira, 04, duas novas contratações para o Brasileiro da Série C: o volante Wesley e o atacante Alessandro Vinícius, ambos pertencentes ao Atlético-MG. O contrato de empréstimo da dupla irá até o fim da atual temporada. Formado nas divisões de base do Galo, Wesley disputou quase 60 partidas nos últimos três anos, a maioria como titular.

Outro jogador formado na base atleticana, Alessandro Vinícius desembarcou em Belém no início da tarde de hoje e mostrou entusiasmo. “Chego muito motivado e pronto para jogar. Disputei mais de 40 partidas nos últimos três anos e venho para cá com muita vontade de fazer história com essa camisa que é muito pesada”, disse.

Wesley e Alessandro serão integrados a partir desta semana. Em breve, ambos terão seus nomes publicados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF.

Leão abre boa vantagem

POR GERSON NOGUEIRA

Foi uma vitória cirúrgica, sustentada na objetividade ofensiva do Remo. De cinco oportunidades criadas, aproveitou três e abriu uma expressiva vantagem para o confronto decisivo de quarta-feira. Em linhas gerais, o Remo foi mais organizado e aplicado na imposição de seu modelo de jogo, embora tenha concedido espaço excessivo, não aproveitado pelo PSC.

O começo da partida teve maior presença do PSC no ataque. Logo aos 4 minutos, Henan teve excelente chance, mas furou na hora de definir. Refeito do susto, o Remo deu a resposta logo em seguida, levantando bola na área e assustando o goleiro Elias.

Aos 11 minutos, Bruno Alves avançou até a linha de fundo e cruzou em direção à área. Marco Antonio raspou na bola e Brenner, no segundo pau, bateu para o fundo das redes. Empurrado pela massa torcedora, o Remo seguiu pressionando e ameaçando.

Marco Antônio perdeu grande chance aos 27 minutos. A bola foi cruzada na área e ele, livre de marcação, isolou a bola. O PSC procurava amiudar o jogo. Saía tocando e tentando abrir espaços na defensiva remista.

Apesar de conseguir trocar passes até a entrada da área, o ataque bicolor não aprofundava jogadas e era obrigado a finalizar de longe, quase sempre errando o alvo. Ricardinho, com lesão no pé, deixou o campo aos 30’.

Márcio Fernandes aproveitou para injetar mais força de ataque, colocando Robinho no lugar de seu camisa 8. A providência não surtiu efeito, pois os extremas eram pouco explorados.

O Remo seguia num padrão descomplicado, com transição rápida e eficiente. Aos 16 minutos do 2º tempo, veio o segundo gol: Brenner deu passe para Leonan, que foi ao fundo e cruzou. João Paulo se atrapalhou com a chegada de Brenner e tocou para as próprias redes.

A partida entrou em ritmo eletrizante, com o Remo animado e acreditando na ampliação do placar. Ironicamente, o uso de sinalizadores pela torcida acabou quebrando a sequência paralisando o jogo por quase cinco minutos.

Quando a bola voltou a rolar, o PSC vivia um impasse: tentar forçar para diminuir o prejuízo ou se proteger para evitar o terceiro gol remista. A bola era tocada para os lados, sem que os homens de frente – Toscano havia substituído a Henan – conseguissem furar o bloqueio imposto pela marcação dos volantes Paulinho Curuá e Uchoa.

A melhor chegada do Papão foi com Dioguinho, cujo chute Daniel Felipe tirou em cima da linha, e Serginho. Enquanto o Papão se mostrava confuso e pouco confiante para arriscar, o Remo era cirúrgico.

Aos 40 minutos, Bruno Alves cobrou escanteio e Uchoa subiu mais que os zagueiros Heverton e Genilson mandando no canto esquerdo de Elias, sem chances. O placar estava fechado, fazendo justiça à melhor organização coletiva e à perícia dos atacantes do Remo.

Volantes e defensores fizeram a diferença

Os homens de frente estiveram impecáveis. Todos foram importantes na construção da vitória remista: Bruno Alves na direita, Brenner centralizado e Ronald pela esquerda. O funcionamento do setor garantiu a vitória, mas a atuação se deve em boa parte à solidez do sistema defensivo, que permitiu ao time executar uma movimentação sempre consistente a partir de seu próprio campo.

Paulinho Curuá e Anderson Uchoa foram gigantes na proteção à linha de zagueiros. Marlon pontificou pelos acertos nas intervenções e também na capacidade de sair colocando a bola em jogo. Daniel Felipe, que substituiu Everton Sena, conseguiu se estabilizar após um início meio atrapalhado.

Nos minutos iniciais do 2º tempo, quando os times se estudavam e o cenário ainda estava em aberto (apesar da vantagem remista), foi fundamental a postura firme de Uchoa e Curuá no meio-campo, impedindo que as tentativas de José Aldo levassem o PSC a criar bons ataques. Por esse motivo, Marlon e Robinho tiveram pouquíssima margem de manobra.

O triunvirato Uchoa-Curuá-Marlon foi o grande destaque do Remo e do jogo. Com eles, Marco Antônio teve condições de acompanhar Brenner e Bruno Alves mais de perto. As coisas só não funcionaram à perfeição porque Ronald acabou muito isolado na parte final do confronto.

A trajetória cínica de um ex-jogador em atividade

Os campeonatos de Rio e S. Paulo foram definidos no fim de semana, com resultados que permitem observar a consolidação do Palmeiras como o grande time brasileiro do momento e a impressão de que o Flamengo não é mais aquele, apesar de continuar com os mesmos jogadores da temporada gloriosa de 2019.

O desfecho das decisões deixa claro também que alguns velhos hábitos insistem em maltratar o que nos resta de espírito desportivo. Fred, veterano que sobrevive da catimba e do apelo primitivo às torcidas mais raivosas, voltou a fazer das suas no jogo final com o Flamengo.

Sem espaço como titular, barrado pelo artilheiro Germán Cano, Fred aproveita os minutos em campo para trocar socos e provocar adversários. É tão manjada essa prática que chega a ser inaceitável que os árbitros não consigam conter o bad boy padrão master.

Ciente da balbúrdia reinante no futebol carioca e da covardia dos árbitros, ele resolveu roubar a cena agindo como um vilão sempre pronto a propor o antijogo como receita para garantir vitórias ao seu Fluminense, mesmo quando o Tricolor nem precisa disso, como na partida de sábado.

Apesar do estilo brucutu, deu certo mais uma vez. Quase no fim da partida – como diante do Botafogo – Fred entrou só para tumultuar. E cumpriu o script à risca, agredindo adversários e levando o vermelho em seguida. A longa epopeia para tirá-lo de campo é a parte derradeira da ópera bufa.

Mais triste nisso tudo é a romantização que a grosseria ganha nesses momentos. Parte da torcida tricolor, feliz com o título, resolveu também tratar com carinho aquele que se impõe como “seu malvado favorito”.

Desde o fiasco do Brasil na Copa 2014, Fred se tornou um ex-jogador em atividade. Passa mais tempo no DM e, como pegou pela frente um atacante mais jovem e letal, com o qual não pode competir, apela para as armas da cafajestagem premeditada. Até quando?

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 04)